quinta-feira, dezembro 31, 2009

FELIZ ANO NOVO!!!

O Lado B da Vida deseja a todos os visitantes deste blogue e seus familiares e amigos um Feliz Ano de 2010, com paz, amor, saúde e muita, muita felicidade. A todos o meu sincero obrigado. 2009 não foi no meu caso - como para o país em geral, fértil em boas novas, daquelas que nos deixam saudades. No entanto, e no que se refere a este blogue em particular, houve um aumento significativo de visitas e sobretudo de comentários, tendo-se plantado sementes do que poderão vir a ser boas amizades, cimentadas numa base de mútuo respeito e simpatia, quase sempre presentes em todos os novos companheiros de blogosfera com quem tive o prazer de dialogar. Um ou outro problema de comunicação mal resolvido, será sempre encarado como uma pequena gota num oceano de promessas, de estreitamento de laços e de partilha de conhecimentos e de sentimentos, onde as diferenças serão sempre vistas e aceites como marcas de uma identidade pessoal, cultural, divergências de opinião ou de vida que mais do que nos afastarem devem aproximar-nos e serem respeitadas. As dificuldades sentidas fizeram com que muitos de nós olhássemos a realidade à nossa volta com outros olhos, levaram a que redefiníssemos prioridades, a que juntássemos as nossas mãos, redescobrindo o sentido de grupo ou de família, comportamentos ancestrais que nos acompanham desde os primeiros passos do Homem no Planeta, . Juntos seremos mais fortes na luta contra as adversidades, juntos "we can", numa prece que nada tem a ver com quaisquer tendências religiosas ou políticas mas apenas e só com esperança. Esperança... que o melhor de 2009 seja o pior de 2010, que aquela lista anual de promessas e objectivos pessoais deixe de ser comparada às habituais promessas de políticos em fase de campanhas eleitorais. Esperança em fazer da Terra um lugar melhor para viver, uma herança saudável para as futuras gerações. Deste Lado que acredita poder continuar a fazer parte dos vossos devaneios cibernautas nos próximos 365 dias pelo menos, os votos sinceros de que 2010 fique marcado pela concretização de todos os vossos sonhos. FELIZ ANO NOVO!!!

terça-feira, dezembro 29, 2009

ENCONTROS PERFEITOS


É engraçado como às vezes bastam pequenas coisas para alegrar o nosso dia, como um simples pacote de açúcar. Claro que não chega por si só, mas o certo é que, começar a manhã com um sorriso é um bom agoiro para o resto do dia. Os cafés Nicola, com a colecção de pacotes de açúcar com o sugestivo nome de Encontros Perfeitos, tem esse condão, com breves mas positivas e ternas mensagens que ficam sempre bem a acompanhar um café da manhã.

sábado, dezembro 26, 2009

O TEU SORRISO

O meu sorriso é triste e cinzento como os últimos dias de um Outono agreste. Tem no amarelo dos dentes maltratados o sabor amargo da hipocrisia, de quem sorri para fazer vontade, para enganar a ausência. Mas tu... de cada vez que sorris fazes empalidecer a lua, envergonhas as estrelas, cujo calor e brilho não se comparam à luz que emana de um sorriso teu. Esse sorriso é uma ameaça à EDP. Para quê tantas luzes nas ruas, nas casas, quando um simples sorriso teu ilumina a mais sombria das noites, aquece o mais empedernido dos corações, como por magia. Não deixes nunca de sorrir, pois é ele que ilumina o meu caminho e me guia de cada vez que estou perdido.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

quarta-feira, dezembro 23, 2009

TALENTO

A vida raramente é justa. Tantas vezes longa para quem sofre, tantas vezes curta para quem sonha. O certo é que, por mais que a gente viva, tudo o que temos, tudo o que recebemos, será sempre pouco. Nunca seremos tão felizes quanto o desejamos nem teremos tanto quanto queremos. Aquela viagem de sonho, aquela casa enorme com a piscina, aquele romance do cinema... Por todas essas metas perdemos tanto tempo da nossa vida a olhar para o lado, mesmo que errado. Olhamos para o teste do colega da escola, para o carro do amigo, para a mulher do vizinho, querendo sempre mais, o pote no final do arco-íris, sonhando com personagens e cenas de filmes que não existem na vida real. Mas ao lado - naquele lado que não olhamos nunca -, também está o mendigo que pede esmola, que não tem casa, nem comida para dar aos filhos. Também está lá o homem que bate na mulher, e vice-versa, o casal desempregado, a criança doente que não chegará nunca a crescer, o deficiente que não saberá o que é ser ou levar uma vida normal. Um destes dias disseram-me que eu tinha talento, um talento daqueles capazes de levar uma caneta a escrever sozinha, como se as ideias ganhassem vida própria nas veias e começassem a galopar desenfreadas pelos afluentes da inspiração para cobrir a alvura do papel. Eu não tenho talento, nem mesmo esse. Sou apenas um apaixonado que aprendeu a namoriscar com as palavras à mingua de uma vida mais consistente e de sentimentos palpáveis. Talento têm aqueles que conseguem viver com o salário mínimo ou nem tanto, aqueles que tendo pouco ou quase nada têm afinal muito mais do que a maioria: Felicidade. Dizem os sábios que basta pouco para ser feliz: amar e ser amado, ter saúde, esperança, partilhar nem que seja um sorriso, um bom dia dado a um desconhecido, uma carcaça, uma sopa, ... esperança. Nada como partilhar a esperança, pensar "amanhã quando acordar tudo vai estar diferente, tudo vai ser melhor, a vida vai mudar um dia, talvez amanhã, talvez... acreditar", como nas palavras do grande Baptista-Bastos, o "Homem quando quer consegue tudo, até voar". E para isso basta às vezes deixarmos de olhar para o lado, para o errado, com um olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz um olho no vizinho e outro no nosso próprio umbigo. Dezembro caminha a passos largos para o fim, abrindo caminho a um ano que se espera de uma difícil transição, mas que uma inabalável fé me leva a acreditar ser possível concretizar todos os meus sonhos por ora adiados, apesar do Inverno da idade. Haverá um prazo de validade para a felicidade? Uma idade certa para deixar de sonhar? Gosto de Dezembro, do frio que leva aos abraços, das luzes de Natal nos passeios nocturnos, desses lampejos mesmo falsos de harmonia e da alegria presente nos olhos das crianças quando pensam em presentes. São dias amargos para quem sente o peso da tristeza, da perda, da solidão, mas ao mesmo tempo e por paradoxal que possa parecer, daquela nostalgia que Victor Hugo tão bem definiu, como "a felicidade de estar triste". Sobrevivo aos generosos frios de um Inverno rigoroso com o agasalho de recordações quentes. Mais que o talento da escrita, entretanto seco como os seios de uma velha meretriz, tivesse sido eu bafejado, tivesse eu ousado o talento para viver, não estaria agora aqui de braço dado com a ausência, ostentando palavras fúteis como se fossem pérolas e por dentro o coração remendado de promessas vãs, como pequenas peças de um puzzle à procura de um sentido, como um rastilho que sem fogo não arde.

domingo, dezembro 20, 2009

CARTA AO PAI NATAL

Querido Pai Natal,

Chamo-me André e tenho 6 anos. Neste Natal eu queria um presente muito especial. Eu queria que em todo o mundo houvesse Paz e Amor, mas sei bem que isso é impossível de realizar... pelo menos aqui no meu prédio. Sempre que a vizinha do 5.º Dto. faz amor, não há paz na vizinhança. Principalmente quando o marido sai em viagem de negócios. Nesses dias, se calhar a televisão dela fica avariada, porque está sempre a passar aquele anúncio do shampoo Herbal Essences. "Ò ... sim, sim ... siiiim".

Bem! Como a Paz e o Amor estão riscados da lista, vou ter que optar pelos bens materiais, coisa que eu não queria nada ... Para começar, eu queria que este ano a minha prenda de Natal fosse um brinquedo muito divertido que vi na televisão. Não, não é nenhuma daquelas mariquices dos Action Man, Homem Aranha ou tartarugas Ninja. O que eu queria mesmo era uma coisa que vi ontem no Telejornal! Pai Natal, eu queria muito que me trouxesses um brinquedo que se chama RPG 7, que é um lança-granadas igualzinho aqueles que os terroristas usam para rebentar com os americanos no Iraque. Mas preciso muito que me entregues o brinquedo já este fim-de-semana para eu fazer uma surpresa aos meus coleguinhas lá da escola. Eles vão estar todos numa festa de Natal, em casa Henrique, que é filho de um grande empresário têxtil, que não paga salários há 3 meses, contrata Matador para dar porrada nos sindicalistas e tem uma amante no prédio onde mora a minha avó. Todos os coleguinhas da minha sala foram convidados para a festa menos eu, porque o Henrique diz que o meu pai é teso e as minhas roupas parece que foram compradas na Feira de Carcavelos, em segunda mão, aos ciganos. Eu sei que desfazer os coleguinhas da 1.ª classe com tiros de bazuca não é uma coisa muito bonita. Mas no ano passado fartei-me de fazer boas acções e a prenda que me trouxeste foi a porcaria de um carro telecomandado comprado aos marroquinos, que se avariou logo no primeiro dia. Bem, pelo menos sempre deu para aproveitar as pilhas para o vibrador da minha mãe!

E por falar na minha mãe, neste Natal queria que ela tivesse uma prenda muito bonita ... pelo que percebi, ela precisa muito de uma padaria mesmo aqui à porta do prédio, porque há mais de um mês que não vê o padeiro ... pelo menos foi isso que ela contou no outro dia, quando estava ao telemóvel com um amiguinho que se chama Roberto. Realmente, a minha mãe deve ter muita fome, porque depois começou a dizer ao amiguinho que lhe vai morder o cacete e, a seguir, vai pôs-lo a aquecer na fornalha dela até ele ficar grande ... o que acho esquisito, porque eu aprendi na escola que, sem fermento o cacete não cresce!

Quanto ao meu pai, a prenda dele é uma daquelas máquinas que vendem tabaco nos cafés ... é para ter cá em casa porque sempre que o meu pai sai à noite para comprar tabaco só volta no dia seguinte. Quando chega a casa diz que correu os cafés todos da zona e só conseguiu encontrar a marca de cigarros que ele fuma em Bragança, na boite A Bruxa. É engraçado! A minha mãe diz que ele vai a Bragança à procura da brasileira, mas que eu saiba isso não é uma marca de cigarros ... é uma marca de café! Depois a minha mãe começa a falar em marcas de baton na camisa e aí é que eu fico sem perceber nada! Olha, mas se não arranjares a máquina, tenta ao menos passar pelo Ribatejo e trazer um par de cornos. Pelo menos a minha mãe está sempre a dizer que era disso que ele precisava.

Para o meu irmão queria uma coisa mais simples. Basta trazeres umas roupas modernas, dessas que os adolescentes usam. Pelo que percebi, ele não deve gostar nada das roupas que os meus pais lhe compram, porque todas as noites, quando sai com os amigos, leva os vestidos da minha mãe. Diz o meu tio Zé que até dá pena ver o meu mano ali na zona do Parque Eduardo VII, com as pernas ao frio e com aquelas botas altas tão desconfortáveis. Deve-lhe doer muito os pés porque leva a noite inteira a pedir boleia aos carros que passam ...

E pronto, acho que já está tudo! Agora vê lá, não te esqueças de nada, se não sou bem capaz de fazer um telefonema anónimo a uma certa jornalista do Expresso a contar um episódio engraçado que me aconteceu no ano passado, quando te fui visitar ali a um Shopping Momental, no Saldanha. Ela vai gostar muito de saber que, quando eu estava no teu colo, aproveitaste para me apalpar o rabo e convidares-me para brincar aos trenós e aos comboinhos na tua casa, em Elvas! É claro que ambos sabemos que isso não foi verdade! O que aconteceu realmente foi que te apanhei a fumar droga e a veres revistas pornográficas na casa de banho, mas sabes como é a memória das crianças ... vemos muitos desenhos animados e, por isso, estamos sempre a confundir as coisas. E convenhamos que o nome "Bibi da Lapónia" te assenta como uma luva. Por isso, ou me trazes as prendas todas que te pedi ou é bom que comeces a procurar um bom advogado. E não te esqueças de comprar muitas embalagens de gel de banho. É que ali na prisão de Custóias dizem que é perigoso tomar duche com sabonete ... quando ele cai ao chão se te baixares para o apanhar corres o risco de ... ui ... Pelo menos é garantido que vais ter um Bom Natal e um Feliz Ânus Novo!

Beijinhos,

Andrézinho

segunda-feira, dezembro 14, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

IRMÃOS DE GUERRA

Não tenho particular predilecção por filmes de guerra, confesso, mas Irmãos de Guerra foi uma agradável surpresa, ao ponto de o considerar mesmo um dos melhores filmes que presenciei este ano. Do realizador Je-Gyu Kank, o filme conta a história de Jin-Tae, que vive com o seu irmão mais novo (Jin-Seok), sua mãe e ainda a sua noiva. Jin-Tae engraxa sapatos de forma a poder mandar o irmão para a universidade, quando deflagra a guerra da Coreia e os dois irmãos, embora por motivos diferentes acabam por ir parar ao centro da batalha. A partir dessa altura, para Jin-Tae, o seu único objectivo passa a ser o de ganhar a Medalha de Honra de forma a conseguir enviar o irmão de volta para casa, voluntariando-se para as missões mais arriscadas de forma a atingir rapidamente o seu objectivo. Só que a reacção do seu irmão e a entrada da China no conflicto acabam por dar um outro rumo à história, totalmente imprevisível. Irmãos de Guerra não é apenas um filme de guerra. É O filme. Com cenas de uma realidade e brutalidade notáveis a pedir meças às produções do género americanas, com muitas batalhas e bastante sangue, Irmãos de Guerra arranja ainda tempo para ser um dos melhores dramas que tive oportunidade de ver, incidindo sobremaneira na relação muito próxima destes dois irmãos numa guerra em que passa para segundo plano quem são os bons ou quem são os maus, até porque não é isso que interessa. A partir de certa altura, mesmo aqueles que julgávamos bons são vistos a cometer grandes injustiças e atrocidades, a provar que numa guerra não existe um lado certo. Por certo, apenas a convicção de que este é um filme a não perder, se gosta de grandes filmes e não se deixa impressionar facilmente com braços cortados e algum sangue à mistura.


PORQUE HOJE É DOMINGO!...

"O que faz em pleno século XXI uma rapariga, ainda por cima bonita, sensual e desejada pelos homens, chegar aos 27 anos virgem?"
Esta pergunta é o ponto de partida para o livro "Sim, sou virgem. E então?", de Margarida Menezes, fundadora e Presidente do Clube das Virgens, para quem ainda faz sentido esperar por alguém especial, uma espécie de príncipe encantado dos tempos modernos, que a sua mãe diz não existir. Margarida gostaria de ter dois filhos, diz que não vê o desejo sexual separado do sentimento e por isso entende que a primeira vez deveria ser especial e não como nos filmes pornográficos em que o sexo é quase sempre tratado de uma forma "bruta e selvagem". No entanto, e apesar de toda a espera, Margarida sabe que o homem que lhe tirar a virgindade poderá nem vir a ser o seu marido, mas será certamente alguém por quem esteja na altura apaixonada, segundo as suas palavras.



Numa sociedade e numa época em que a virgindade continua para muitos a ser um tema tabu, este livro talvez não tenha tornado mais fácil a concretização do sonho de Margarida, de encontrar aquele alguém especial ou mesmo de arranjar uma relação séria, mas é, no entanto uma corajosa chamada de atenção para uma situação raramente assumida, a maior parte das vezes por vergonha da chacota dos "amigos" ou namorados (as). A virgindade sempre foi vista de forma diferente conforme o sexo da pessoa, sendo que, se para os homens a perda desse estatuto sempre foi vista como o assumir da sua masculinidade, um troféu, não importando a idade ou a parceira dessa primeira vez, para as mulheres a situação nem sempre foi assim.


(Margarida Menezes)

Num passado não muito distante, uma mulher que não chegasse virgem ao casamento era vista como "uma qualquer", motivo mais que suficiente para que o matrimónio fosse anulado e a mulher ficasse marcada pela sociedade, como se com o rompimento do hímen tivesse desaparecido a honra da mulher. Hoje em dia existem ainda casos similares, especialmente em países e sociedades profundamente ligadas às suas culturas ancestrais, em que qualquer relação sexual extra-conjugal é considerada um crime passível de ser castigado em praça pública, muitas vezes com punições físicas bastante dolorosas e não toleráveis nas sociedades modernas.
Mas estas são excepções. O que acontece actualmente é que, à medida que o casamento vai sendo cada vez mais visto apenas como um contracto legal entre duas pessoas, o que faz com que tenha deixado de ser o sonho de muitas mulheres, que preferem as relações à margem do matrimónio, o sexo foi-se também banalizando, ao ponto de não se considerar a virgindade importante para qualificar uma mulher como séria ou não. Bem pelo contrário e, embora não haja oficialmente uma idade indicada para deixar de ser virgem, tanto para o homem como para a mulher, a verdade é que cada vez mais cedo os jovens têm contacto com a descoberta do corpo e da sua sexualidade, situação bem expressa na quantidade de jovens mães solteiras com que nos deparamos actualmente.



Os jovens, de ambos os sexos, gabam-se das suas experiências, mesmo aqueles que nunca as tiveram, porque a virgindade é hoje muitas vezes encarada como uma disfunção e fingir é muitas vezes melhor do que dizer a verdade. Se a mulher é virgem algum defeito há-de ter, se é o homem nem restam dúvidas: é porque não gosta de mulheres. Será que não imaginam que possa haver outras pessoas como a Margarida, que prefiram esperar pela pessoa séria e que vejam o sexo como algo sério e passível de ponderação? Por isso é importante este livro, na tentativa de abrir mentalidades e apesar das críticas que possam resultar. A pessoa que é virgem não gosta menos de sexo do que as outras, não necessariamente. Não tem menos curiosidade, menos desejo, não tem nenhum problema mas talvez maior inibição, maior critério na escolha. Além de que, entre duas pessoas existem outras formas de expressar desejo e que podem ser tão ou mais importantes do que o sexo, como explica a autora deste livro quando questionada sobre se tem ou não desejo sexual: "Sinceramente, não. Sinto vontade aliada ao medo de saber como é.", para logo acrescentar: "Sinto falta de andar de mãos dadas e abraçar". É assim Margarida, 27 anos feitos no passado dia 11, numa confissão corajosa numa sociedade tantas vezes adversa a quem assume as suas diferenças, a quem não se esconde, a quem prefere a honestidade muitas vezes inconveniente a mentiras que poderiam torná-la, talvez não tão popular, mas aceite e imune a críticas. Só que a essas responde, despida de preconceitos e vergonhas próprias de gente ignorante...


"Sim, sou virgem. E então?"

TRANSSEXUAL E HOMOSSEXUAL NÃO ENTRA!

"Transsexuais e homossexuais não entrarão no Reino dos Céus, não sou eu quem o diz e sim São Paulo.", defende o cardeal mexicano Javier Barragan em declarações publicadas no site pontifex.roma, acrescentando: "não se nasce homossexual, torna-se homossexual. Por várias razões, por educação, por não ter desenvolvido a dignidade durante a adolescência... Talvez não sejam culpados, mas por irem contra a dignidade do corpo, certamente não entrarão no Reino dos Céus."

Pergunto-me eu, não estará este senhor a ver muitos filmes? Primeiro, o Reino dos Céus que eu conheço era mesmo um filme e até tinha pelo menos um actor homossexual. Ora se ele entrou... Depois e fazendo um esforço por ser sério e científico numa questão que não merece qualquer credibilidade, não foi o mesmo Vaticano que defendeu que a Terra era plana? Não foi o Vaticano que mandou perseguir quem dissecava cadáveres para estudar anatomia e torturou e assassinou milhares nas fogueiras da Inquisição só por questionarem ou não seguirem os mandamentos que a Igreja Católica tomava como certos? Irão para esse céu que a Igreja usa como prémio para distinguir as pessoas boas das más, os padres irlandeses que violaram crianças? Porque os cruzados que ganhavam indulgências durante as Cruzadas, por cada infiel que matassem, certamente que tinham lá o seu lugar. Desde quando o amor, seja que tipo for de amor, branco, amarelo, rosa, pelas pessoas, pelos animais, por objectos, por sonhos... impede uma pessoa de ir para um hipotético Reino dos Céus? Algumas pessoas ligadas à Igreja têm de aprender, de forma a não prejudicar a instituição, que ninguém é dono da verdade, que todos somos iguais - até mesmo o Papa -, com dúvidas, com medos e que todos os dias estamos a aprender um pouco mais, exceptuando aqueles que pensam que sabem tudo e que, de cada vez que abrem a boca vêm demonstrar que afinal não sabem nada. E já agora, se tanto proclamam o amor ao próximo, onde está ele, onde está o amor, a compreensão, quando o próximo, mesmo sendo igual a eles, ama de forma diferente?

sexta-feira, dezembro 11, 2009

PENSAMENTOS


"A amizade com uma mulher é impossível. Há sempre a sombra do sexo." Estas palavras foram proferidas por Pedro Mexia, escritor e director interino da Cinemateca. Será que um homem não consegue conviver com uma mulher sem pensar em sexo, ou a mulher precisa de ser feia para que tal convivência desinteressada seja possível?

quinta-feira, dezembro 10, 2009

FLAGRANTES POLÍTICOS







REPÚBLICA DAS BANANAS


Eu sei que são pessoas como nós. Têm famílias, riem, choram, comem, bebem, contam anedotas, dizem asneiras, tal e qual como qualquer um de nós. Mas calma aí! Em casa eu ando como eu quero. Fico em pijama, ando descalço, deito-me no chão e às vezes como com as mãos. No trabalho não. Num restaurante não. É uma questão de respeito, de responsabilidades e essas, têm-as tanto ou mais os deputados do que eu, perante o país, perante as pessoas que os elegeram (o povo) para que pudessem servir de exemplo e ajudassem a decidir o que é bom para nós. Pelo que vi esta semana, da "palhaçada" - e digo isto sem querer ofender os palhaços - ocorrida na Assembleia da República, duvido da sabedoria das nossas escolhas. A maior parte dos deputados não são exemplo para ninguém. São mal educados uns com os outros, não têm respeito pelos colegas ou pelos portugueses, conseguem faltar mais vezes numa semana do que alguns colegas meus em vários anos de trabalho, são irónicos, grosseiros, interesseiros e revelam um total desprezo pelos reais problemas do país e pelos portugueses, se no outro prato da balança estiver uma vitória do seu partido face à oposição. De outra forma não se veriam partidos a defender propostas que outrora rejeitaram quando feitas por outros e vice-versa. Por isso o partido que está no governo consegue vencer as eleições mesmo depois de tantas asneiras feitas nos últimos anos, porque a política em Portugal está podre. Os jovens tendem a afastar-se e a mostrar desinteresse pela política, faltam propostas sérias, objectivos (não chega reclamar do que os outros fazem), falta educação, faltam políticos que se preocupem, falta gente séria num país a chafurdar em corrupção.

domingo, dezembro 06, 2009

PLANETA 51



Mais uma tarde de domingo dedicada aos meus sobrinhos com uma visita ao cinema do Fórum Almada. O filme para hoje foi o Planeta 51 e posso dizer que, apesar do preço elevado a que os bilhetes já estão, das pipocas e das bebidas, o resultado foi uma tarde muito bem passada e divertida. Planeta 51 é um belo filme que começou a surpreender-me ainda fora da sala mágica, por dispensar os efeitos especiais da moda, o 3D. Quanto ao filme em si, é sobre um astronauta que vai parar a um planeta desconhecido e sobre toda a confusão que a situação acaba por criar, como se a Terra fosse invadida por extra-terrestres, mas sob um outro ponto de vista. Num filme que vive sobretudo de comparações entre dois planetas com mais semelhanças do que à partida poderíamos supor - a começar pelo ar respirável, semelhante ao da Terra, este Planeta 51 é sobretudo um filme que nos fala de medos a rir. É o medo da declaração amorosa, o medo do desconhecido e diferente, não só de seres de outros planetas como também ainda bem patente na discriminação pela cabeleira grande do personagem hippie. As piadas são geralmente bem conseguidas, algumas novas bem originais, outras nem tanto (a da antena provoca a maior onda de risos entre os menos jovens), mas que conseguem atingir os objectivos a que se propoem. A história é divertida, fazendo-nos pensar nas coisas sobre um outro prisma e os personagens são bastante divertidos - o verde fica sempre bem -, mesmo os estranhos mas super-engraçados cães alienígenas. Fica pois a sugestão!

sábado, dezembro 05, 2009

NUMA PALAVRA SOLIDÃO


Por trás das palavras que não digo mas penso
sinto um grito amordaçado
feito de emoções contraditórias
como uma gravata apertada
cujo laço não consigo desapertar.
Balanço suspenso entre o certo e o errado
entre o dever e o querer, o desejo e a razão.
Em cada verso sou alegria
numa palavra solidão,
solto a cor e o pesar
na pena do infortúnio,
sou o amante imperfeito
um amor que não conjuga
uma sede insaciável que não extravaza,
um coração à deriva
a quem amar não basta
e sem amor não bate,

sexta-feira, dezembro 04, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

NÃO TE QUERO


Se eu soubesse sonhar sonhava-te
Se eu soubesse amar amava-te,
mas eu já não sonho,
eu já não amo, vivo ou luto,
eu simplesmente aceito
(o que a vida já não me quer dar).
Vivi na ânsia de sonhos dourados,
embriaguei-me em ilusões desfeitas
escritas a sangue pel'amarga pena do destino.
Por isso não te quero amar
não te quero querer,
embalado pelos braços de uma ilusão.
Por isso não quero nem sonhar,
e porque não sonho não vivo
e porque não vivo não sofro,
não sofro porque não te quero
e se não te quero perco-te
e se te perco...

não me encontro.

domingo, novembro 29, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Há dias em que as palavras ganham um sentido especial, aniversários, Natal, aqueles dias que nos trazem uma memória boa e às vezes uma lágrima nostálgica ao canto do olho. Dias em que as letras se vestem de cores e sentidos para moldar sentimentos. Algumas pessoas procuram usá-las de outros tons, mais ricas, mais complicadas,na busca de sons e formas originais; outros - mais ocupados, mais práticos - recorrem de fórmulas antigas mas cuja receita resulta sempre. A estes respondo à letra, num prático e sintético "obrigado". Aos outros, ornamentados entre o humor mordaz e o elogio da praxe agradeço as palavras e refuto alguns dos "acessórios". Sem falsas modéstias, não entro na euforia gratuita dos elogios. Não sou uma pessoa especial.Todos temos os nossos momentos, bons e maus, de anjo e de diabo, uns mais que outros, mas todos humanos. Assim sou eu - do grupo dos "outros" e cheio de defeitos e pecados que mil avé marias já não conseguem absolver. Resta-me o orgulho - esse devaneio - de tudo ou quase tudo o que fiz e faço obedecer a boas intenções (dessas que enchem o Inferno) e regras, como sempre essa mania de tentar ser certinho e estar sempre a descarrilar. Claro que agradeço sempre cada palavra, cada frase elogiosa. São fáceis de dizer, significam aquilo que quisermos, fazem-nos chorar e rir, inchar o ego como um balão, atiram-nos ao chão mais depressa que uma pedra ou um murro no estômago. Mas todas as guerras fossem de palavras, faladas ou escritas. Até o amor se vale de palavras, bonitas, sensíveis, daquelas que conquistam, daquelas que exageram e que mesmo assim pecam por defeito, porque não foram ainda inventadas palavras que chegassem para definir certos sentimentos. Recorro-me então em última instância do pouco original mas sincero "Obrigado". Obrigado a todos pelas palavras, pelas mensagens, aos meus amigos - aos que conheço daqui e daí. Este espaço fez quatro anos há pouco tempo e a cada dia que passo apercebo-me sempre um pouco mais do poder que a internet em geral e a blogosfera em particular têm. Hoje, as palavras já me chegaram de amigos, da família e de pessoas que não conheço mas que não deixo de estimar e a quem já me liga uma, mesmo que distante, cumplicidade. A distância é hoje mais curta e as diferenças (de sexo, de raça, de ideias, etc etc) uma razão para nos aproximar-mos e conhecermo-nos melhor. Em 2009, quase 2010, já não se justifica que os conflitos se façam através de armas, de derramamento de sangue à falta de melhores argumentos, de palavras. Não foi a roda que fez evoluir o Mundo, que nos fez modernos e racionais, mas a Palavra. Porque será que mesmo assim tanta gente insiste em atitudes selvagens, irracionais e grunhidos incompreensíveis?

SAPOS VIVOS

Acabei de chegar a casa, com uma vontade de gritar que só visto. Ao invés, limitei-me a engolir uns quantos sapos vivos e a contar até 100 para não explodir. Há momentos em que parecemos ser os únicos a querer fazer as coisas bem feitas, segundo as regras e mesmo assim ainda nos criticam ou pura e simplesmente nos ignoram. Serei eu que estou errado em preocupar-me, mesmo quando sou só eu a remar para o lado certo enquanto os outros insistem em remar na contra-mão?
Talvez a bola seja mais importante do que o dever. Não para mim, mas eu preocupo-me demais. Dizem eles e talvez tenham razão. Deve ser da idade. A paciência e a tolerância diminuem à medida que a idade avança. Vou mas é meter-me dentro do pijama e acabar de ver o Madagascar 2 que ainda não vi e esquecer o mundo lá fora durante alguns minutos. Tenho alturas em que sou chato, exigente demais, meticuloso, com a consciência a debater-se entre o dever e o deixa andar e o pior é que nem a desculpa da menopausa eu posso dar. Desculpem qualquer coisinha!

quarta-feira, novembro 25, 2009

RUI AMA FÁTIMA

A população de Celorico de Basto foi palco de mais um caso que promete reacender a polémica sobre o casamento no sacerdócio, depois de um padre ter fugido com uma jovem de 18 anos. Rui, de 26 anos, tornado padre recentemente, ter-se-à enamorado de Fátima, pelo que foi pedir a mão dela em casamento aos pais adoptivos da rapariga. Vendo a sua pretensão recusada, os dois esperaram que a rapariga fizesse os 18 anos, para no dia seguinte fugirem juntos para parte incerta. Apesar do pouco tempo que o rapaz tinha como padre não vou discutir a sua fé ou a sua devoção cristã. Acredito sinceramente que o mesmo pudesse suceder a um padre mais velho, sem que tal signifique ter maior ou menor aptidão católica. Antes de mais nada, um padre é um homem como uma freira será sempre uma mulher, passíveis de sucumbirem aos desejos e ao amor como seres humanos que são. Por outro lado são já incontáveis os escândalos de pessoas ligadas à igreja, com cargos superiores ao deste padre, envolvidas em casos de pedofilia, relações sentimentais ou meramente sexuais encobertas de uma sociedade em certos aspectos ainda arcaica no seu modo de pensar. Rui confessa amar Fátima, como provávelmente amará Deus, dois amores diferentes capazes de conviverem em harmonia, assim as pessoas e as altas instâncias da igreja o permitissem. Terá um homem casado, pai de família, menos amor para dar aos seus semelhantes ou a Cristo? Duvido. Entretanto e, enquanto os padres não poderem casar, casos como os deste casal ou bem piores continuarão a acontecer, porque a mesma religião que diz que se deve amar o próximo ou dar a outra face ao inimigo, castra os sentimentos dos seus membros, impedindo-os de terem um amor conjugal e de constituírem família, como se isso pudesse também perturbar as já de si frágeis bases da religião católica. Rui ama Fátima. Desde quando o amor é um crime?

SERES HUMANOS?!


Por vezes é-me difícil acreditar que estamos em 2009, quase 2010. Como aceitar que depois de milhares de anos de evolução ainda existam pessoas que se comportam como autênticos animais irracionais? Segundo um relatório da UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta) já morreram este ano em Portugal 26 mulheres devido a violência da parte dos seus companheiros ou ex-companheiros, além de outras 43 vítimas de tentativas de homicídio, números bastante altos e que revelam a falta de argumentos e de sensibilidade de indivíduos que ainda não compreenderam o significado de ser Homem.

segunda-feira, novembro 23, 2009

QUATRO ANOS


O LADO B faz hoje 4 anos, tantos quantos esteve Paulo Bento à frente do Sporting. Será um sinal?

domingo, novembro 22, 2009

UM POLÍTICO DE PALAVRA

Que semelhanças existem entre o Primeiro-Ministro da Eslovénia e o de Portugal? Nenhumas, concerteza, a começar pelos partidos que ambos defendem. Borut Pahor, protagonizou esta semana que agora finda um episódio quiçá insólito e delicioso. Mas começemos pelo início da história, quando a selecção da Eslovénia terminou o seu grupo de qualificação para o Mundial da África do Sul em segundo lugar. Nessa altura e, ainda sem conhecer o adversário para os play-offs, este senhor fez uma promessa arriscada e invulgar: prometeu limpar as chuteiras dos jogadores, caso estes conseguissem a tão desejada qualificação. «Vamos ter uma segunda oportunidade, vamos tentar aproveitá-la... se conseguirmos, limpo-lhes as chuteiras», prometeu o primeiro-ministro esloveno. Na altura, ninguém pensou muito nisso. Os adversários não eram fáceis e afinal, era apenas mais uma promessa de um político. Alguns dias mais tarde, a Eslovénia conheceu o seu adversário, a poderosa selecção russa, claramente superior e favorita no confronto entre as duas equipas. Pois bem, na passada quarta-feira a Eslovénia garantiu a presença na África do Sul depois de uma vitória sobre a Rússia por um a zero. O senhor Pahor, como uma pessoa cumpridora da sua palavra não teve outro remédio que não fosse meter mãos à obra, neste caso, às chuteiras dos novos heróis nacionais. "Sou um homem de palavra", confessou, depois de concluída a tarefa. "Sim, é verdade, confesso que limpei as chuteiras de todos os nossos jogadores, mas também admito que não as limpei muito bem...". Foi no seguimento destas palavras que eu dei comigo a imaginar o nosso Primeiro-Ministro a fazer o mesmo às botas de Ronaldo e companhia. Claro que depois acordei.

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

... hoje não vou pensar nos outros.


Perdoem-me, mas hoje não quero pensar no Natal daqueles que estão desempregados e cujos filhos vão certamente passar por necessidades, com pouco que comer e sem nenhum presente, brinquedo ou não. Podem desde já chamar-me cruel, insensível, no mínimo egoísta. Hoje bastam-me os meus problemas para me deitarem ao tapete da auto-comiseração, se quiser perder tempo a pensar neles. Mas não quero. Hoje não.
Problemas... sei que existem milhões de pessoas que agora se ririam dos meus problemas, milhões de indivíduos que dariam anos de vida numa troca de problemas, como quando éramos miúdos e trocávamos cromos à porta da escola. Mas isso era no meu tempo, quando um problema se resumia a uma conta de dividir. Hoje não se trocam mais cromos, a internet e as playstation deixam cada momento livre esmiuçado ao milésimo de segundo. Só que hoje, os outros vêm depois de mim. Não tenho o costume de pensar na fome em África de cada vez que sacio o meu pecado da gula num belo naco de bife, mesmo que vá deixar uma boa porção na travessa. Da mesma forma que não penso naquele rapaz novo, recém casado, recentemente pai, que recebe a notícia de lhe restar um par de meses de vida, quando me queixo com exagerada veemência de um simples arranhão no joelho quando estava a jogar à bola com os amigos. Pensar em semelhante tipo de coisas deixa-nos sempre deprimidos e sugestionáveis ao suícidio. A mrelhor maneira de combateres a pobreza é, acredita, não te tornando um deles.
Um problema é sempre relativamente grande ou relativamente pequeno, conforme a perspectiva. Para assinalar um penalty não tem de haver uma falta de maior ou menor gravidade. Uma falta é uma falta e isso é que é o problema. A "ausência de..." é um pressuposto, uma condicionante para o problema em si. O dinheiro não é o maior dos problemas, ao contrário do que pensa a maioria. Não o ter é um problema, não ter emprego, não ter comida, não ter saúde, não ter amor, são problemas. Não ter esperança é tudo isso e muito mais. Não ter esperança, não ter um motivo para acordar de manhã... isso é que é fodido. O dinheiro não é tudo na vida. É quase. Com ele resolvia quase todas as minhas ausências, mesmo a de sentimentos. Com o vil metal fazia felizes meia dúzia - pouco mais - de pessoas cujo bem estar e felicidade estão indubitavelmente indissociáveis à minha própria harmonia, bem estar e felicidade. Por isso hoje não quero, não vou pensar nos outros, mas nos meus, naqueles cujas lágrimas ou gargalhadas condicionam o barómetro da minha boa disposição, da minha fé e esperança. Fazê-los felizes, sabê-los felizes é quanto baste para ser feliz, é tudo o que eu quero de um Natal cada vez mais endividado e entristecido. Nada peço para mim, nem mesmo amor. A maior parte das vezes nem mereço mesmo nada, tal a dor que a generalidade das minhas boas intenções causou inadvertidamente pelo caminho. Toda a gente nasce para o que é. Uns estão destinados a ser felizes, a outros resta-lhes meia dúzia de boas recordações religiosamente guardadas no escrínio das lembranças, como um tesouro muito valioso. Hoje vou pensar nos meus, desejar para eles um futuro repleto de coisas boas, saúde, dinheiro e amor, tudo aquilo que toda a gente deveria ter. Porque hoje é domingo e se todo o sonho é permitido, o meu é limitado e egoísta... mesmo que nada queira para mim. Amanhã quem sabe... voltarei a ser humano.

sábado, novembro 21, 2009

BOM DIA, ALEGRIA!



Choveu. Muito. Caiu água toda a tarde, e em toda a parte, um daqueles dias que me costuma deixar verdadeiramente irritado, por conseguir reter-me em casa. Muito mau, pior ainda se a manhã não tivesse despertado garrida a prever uma bonança que, irónicamente , soube antecipar-se à tempestade. Porque os dias têm esta característica ímpar de se renovarem todas as manhãs com novas cores, novos cheiros, numa oportunidade que se repete de traçarmos novos caminhos, de mudarmos a história a nosso jeito. Basta estarmos atentos aos sinais. Às vezes chega um sorriso, um simples bom dia, uma pessoa que não víamos há muito, um olhar mais atento sobre o mar que sempre esteve ali ao nosso lado, pequenas coisas, como as pequenas gotas de uma chuva incómoda e persistente, capazes de lavar a "cara" das ruas e deixar para trás simples obstáculos que julgávamos inultrapassáveis. Há dias assim, em que nem a chuva consegue esconder um Sol perfeito que nos aquece o coração.

segunda-feira, novembro 16, 2009

UMA CERTA MAGIA...










APANHADO COM AS CALÇAS EM BAIXO

O insólito aconteceu em Almancil, no Algarve, quando António Simões de Almeida, proprietário de um supermercado se preparava para abrir o estabelecimento já depois das sete da manhã deste domingo. Entalado numa estreita janela que dava acesso ao armazém do supermercado estava um assaltante, um rapaz magro, de 22 anos, romeno, que pelas 23 horas de sábado tinha retirado a grade que protegia a estreita abertura no intuito de concretizar o assalto. Medidas mal tiradas, o rapaz ficou preso pela cintura, assim permanecendo durante mais de onze horas, até à altura que foi descoberto.

Foi António Simões Oliveira, proprietário do supermercado, quem encontrou o assaltante preso na pequena janela quando ia abrir o estabelecimento de manhã

Mas não ficaram por aí as peripécias do infeliz assaltante, já que durante a noite e, na ânsia de se libertar, as calças caíram, ficando na situação embaraçosa que as imagens documentam. Pensaria, todavia, que o seu calvário estava prestes a terminar pelas sete horas de domingo. Puro engano. Incapazes de o soltar, foi necessário recorrer aos bombeiros de Loulé, que tiveram de partir a parede para soltar o corpo, o que viria a suceder apenas já depois das 9 horas da manhã, altura em que acabou detido pela GNR de Faro. Segundo a Guarda, o assaltante pertence a uma comunidade romena de Almancil, já referenciada por furtos a estabelecimentos e residências.

domingo, novembro 15, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Homens vs Animais
ou
Uma breve história sobre evolução


A evolução do Homem tem andado desde os primórdios da sua existência, de braço dado com a própria evolução do mundo. Ao contrário de outros animais, o Homem não se limitou a adaptar-se à realidade, transformando-a de acordo com as suas necessidades e por vezes, segundo os seus desejos. Nem tudo aquilo que o Homem fez ficou melhor. Inventámos o fogo e
a roda - segundo dizem - para impressionar as mulheres, e a cirurgia plástica porque as duas primeiras impressionaram mesmo TODAS as mulheres, bonitas, menos bonitas e até as outras. Nesse meio tempo, fomos à Lua. Tem sido longo o caminho do Homem na sua busca obcessante pela perfeição e pelo controlo sobre o espaço físico, sobre os outros, sobre o nosso próprio corpo. A clonagem de seres humanos, a descoberta de um meio de travar o envelhecimento das moléculas, conseguir travar a morte é um sonho antigo que acompanha o Homem desde os seus primeiros passos, a perfeição absoluta, o Homem no papel de Deus, criador do Universo. Vão longe os tempos dos nossos antepassados primatas e dos estímulos e comportamentos primitivos, básicos que guiaram os nossos primeiros passos. De ontem para hoje existe uma distância inultrapassável a separar-nos dos outros animais, aqueles a quem chamamos irracionais, mediante um estranho conceito de racionalidade. Bem vistas as coisas, o Homem, no auge da sua auto-proclamada perfeição e inteligência superior, continua a ser o único animal que bebe sem ter sede e que é capaz de matar por prazer ou mesmo sem motivo. Mas mesmo aí, não deixamos de ser diferentes, nesses pequenos pormenores, um preço a que a perfeição e o progresso obrigam na estrada da evolução. Afinal, qualquer semelhança entre o Homem e o animal é apenas e só pura coincidência. Ou será que não?











Ou será que ainda há coisas tão perfeitas que não vale a pena mudá-las


domingo, novembro 08, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

Almada já começou a preparar o Natal. Pessoalmente, gosto da época, sem qualquer motivo especial para isso, mas gosto. Gosto do espírito, da cordialidade que lhe está inerente, da dádiva. Gosto do brilho nos olhos das crianças e das luzinhas que hão-de vestir a cidade de diferentes cores. Só que este ano fui invadido por uma espécie de saudades da enorme árvore de Natal que enchia de vida o centro da cidade no ano passado - quando ainda havia umas eleições para ganhar -, substituída agora por quatro exemplares mais reduzidos (na foto), mas que abrangem um espaço mais amplo. É bonito, mas não é a mesma coisa. A simbologia da árvore de Natal - para mim - tem a ver com a união. De países, de pessoas, da família, de sentimentos que convergem num objectivo único: trazer felicidade aos outros, àqueles que amamos, mas não só, dar... sem contrapartidas, independentemente de raças, sexos e ideologias. Quatro árvores numa mesma área vão dividir, separar, criar grupos, onde no ano passado se fazia daquela árvore gigantesca um ponto de encontro para conhecidos e desconhecidos, apreciando a sua beleza e a magia daquela espécie de neve que caía sobre nós, reflectida nos olhos dos mais pequenos e dos outros que sem o serem, pareciam regressar ao tempo da inocência. Em Dezembro do ano passado, podíamos passear sob a árvore, havia bancos para as pessoas se sentarem no interior da árvore. Eu passava por lá todos os dias. Só para ver, para assistir à alegria de quem por lá passava, ao deslumbramento que aquilo causava nas pessoas. Era bonito de se ver. Não deixa de o ser, repito, mas são notórios os sinais da crise e algum "deixa pra lá!" de quem não tem agora nada a ganhar e muito menos a perder.

sábado, novembro 07, 2009

QUAL O CÚMULO DO...?

01. Qual é o cúmulo do basquetebol?
Jogar na cesta e acertar no Sábado.

02. Qual é o cúmulo do absurdo?
Um cego falar para o surdo que viu um paralítico fazendo ginástica na praia.

03. Qual é o cúmulo da ignorância?
Abrir a caneta para ver de onde as letrinhas saem.

04. Qual é o cúmulo da rapidez?
Trancar a gaveta e jogar a chave dentro

05. Qual é o cúmulo da rapidez 2?
Ir ao enterro de um familiar e ainda o encontrar vivo!

06. Qual é o cúmulo da paciência?
Assistir a uma corrida de lesmas em câmara lenta.

07. Qual é o cúmulo da paciência 2?
Limpar o traseiro de um elefante com cotonete.

08. Qual é o cúmulo da paciência 3?
Vomitar por uma palhinha.

09. Qual é o cúmulo da revolta?
É morar sozinho e fugir de casa.

10. Qual é o cúmulo do azar?
Ter uma sogra chamada Esperança, pois a esperança é a última que morre.

11. Qual o cúmulo da aventura?
Fazer sexo oral com uma canibal.

12. Qual o cúmulo da economia?
Tirar cera do ouvido e passar no chão.

13. Qual o cúmulo da economia 2?
Usar papel higienico dos dois lados.

14. Qual o cúmulo da escuridão?
Um preto, numa noite escura, vendendo carvão no mercado negro.

15. Qual o cúmulo da globalização?
Uma princesa inglesa e seu namorado egípcio viajavam em um carro alemão dirigido por um motorista dinamarquês que encheu a cara de whisky escocês, sendo perseguidos em alta velocidade por fotógrafos italianos conduzindo motocicletas japonesas. O carro bate em um túnel francês e a princesa é atendida por um médico brasileiro. Ela morre e o seu corpo é levado para a Inglaterra em um avião americano.

16. Qual o cúmulo da magreza?
Deitar-se numa agulha e cobrir-se com a linha.

17. Qual o cúmulo da traição?
Suicidar-se com uma facada nas costas.

18. Qual o cúmulo do vegetarianismo?
Levar a Soraia Chaves para o mato e comer o mato.

19. Qual o cúmulo dos trabalhos manuais?
Tricotar com a linha do comboio.

20. Qual é o cúmulo da ignorância?
Dois carecas lutarem por um pente

21. Qual é o cúmulo do ciúme?
Discutir com a mulher porque só um dos gémeos se parece com o pai.

22. Qual é o cúmulo do ciúme 2?
Discutir com a mulher só porque ela abriu as pernas durante o parto.

23. Qual é o cúmulo da distracção?
Na lua de mel, levantar da cama, deixar 50 euros na mesinha de cabeceira e ir embora.

24. Qual é o cúmulo do incesto?
O irmão depois de comer a irmã: "Mana você é mais gostosa do que a mãe" ela responde: "Eu sei o pai já me falou."

sexta-feira, novembro 06, 2009

FRAGRÂNCIA DAS MEMÓRIAS

Dois anos. Dois? Não pode ser! Parece que foi ontem. Quase que jurava que o sabor daquele beijo apressado, imperfeito e confesso até, desastrado, ainda mora na minha boca, na mesma de onde saíra minutos antes aquelas palavras que nunca esquecerei. Há momentos na vida que não se esquecem nunca. Coleccionamo-los como pacotes de açucar na caderneta das lembranças. Deveriam ser como perfume, para que podessemos guardá-los num frasco e só o abríssemos de vez em quando, sempre que a nostalgia nos invadisse o coração. Quem diz que as memórias não têm cheiro, nem cor ou sabor é porque nunca conheceu a tristeza e a inutilidade de um jardim sem flores. Sem elas, restam-me as lembranças.

segunda-feira, novembro 02, 2009

LOVE ME NOT

Love Me Not é um filme sul-coreano de 2006 sobre pecado e redenção. É um filme duro que nos enternece, um filme de promessas nunca concretizadas, no que ao amor e à maldade dizem respeito, se exceptuarmos a dívida - essa sim levada até ao fim -, que acaba por ser a mola impulsionadora de toda a história dramática protagonizada por dois brilhantes actores sul-coreanos, um convincente Ju-Hyuk Kim (My Wife Got Married, Blue Swallow ou When Romance Meets Destiny) e uma das faces mais magnetizantes do novo cinema coreano, Moon Geun Young (Innocent Steps, My Little Bride ou A Tale of Two Sisters), sublime no papel de uma jovem cega num mundo cheio de maldade. À imagem da própria vida, o filme foge aos moralismos piegas de outros filmes, onde o arrependimento quase sempre se mostra suficiente para que tudo termine em bem. Apesar de tudo, Love Me Not é um filme onde a beleza rude de algumas imagens chega a ser poética e os sentimentos dos personagens divergem quase sem se dar por isso, num conflicto de valores onde a falta de amor é comum a todos os intervenientes.







domingo, outubro 25, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

Semana quente, com Saramago e a Igreja em acesa polémica envolvendo o novo livro do escritor, Caim, a motivar as mais variadas e acesas reacções de vários outros quadrantes da sociedade, políticos, imprensa falada e escrita (blogosfera inclusive). Disse o Prémio Nobel, entre outras coisas, que "o Deus da Bíblia não é de se confiar, é má pessoa e vingativo" ou que "Na Bíblia há incesto, (...) é inegável. Não existiria este livro se o episódio de Caim e Abel não estivesse na Bíblia, onde se mostra a crueldade de Deus. Não se deve ter confiança no Deus da Bíblia", declarou o escritor português durante a apresentação do seu mais recente livro, Caim, que acrescentou: "não esperava reacções dos católicos porque eles não lêem nem a Bíblia (...) Quem vai ler um livro desse tamanho?". No debate televisivo de sexta-feira com o teólogo Carreira das Neves e, apesar de ter defendido aquilo que disse e o que vem no seu livro, admite ter-se excedido quando chamou "Filho da p..." a Deus.
As reacções não se fizeram esperar. O eurodeputado Mário David foi o mais crítico, chegando a dizer que sentia vergonha de ser compatriota do escritor e que este devia cumprir o que dissera sobre a possibilidade de renunciar à nacionalidade portuguesa, palavras consideradas "inquisitórias" segundo Edite Estrela. Já Manuel Alegre defende a ideia que esta celeuma não passa de "uma história portuguesa cheia de preconceitos e fantasmas. Em primeiro lugar é preciso ler o livro de José Saramago. Ele é um grande escritor, mas parece que não se perdoa a Saramago, ser um grande escritor da língua portuguesa, ser um Prémio Nobel e não ser um homem religioso", afirmou."Ele escreveu um livro, mas não vejo ninguém discutir o livro. Só vejo discutir as opiniões que com todo o direito ele expressou sobre a Bíblia. (...) As pessoas podem não estar de acordo com aquilo que ele diz, mas como é que se pode pôr em causa a seriedade de um homem que diz aquilo que pensa", questionou ainda Alegre.
De tudo o que se passou penso que:
a- Não sou uma pessoa crente, pelo menos em relação aos valores da Igreja, seja ela qual for. Já aqui questionei por mais de uma vez os fundamentos e os frágeis alicerces em que se sustenta a fé cristã e os seus valores e comportamentos, bem explícitos no livro mais vendido e mais lido da história da humanidade.
b - Com as críticas de Saramago, foi sem surpresa que as altas instâncias da Igreja se fizeram ouvir, incomodadas e sobressaltadas de cada vez que alguém ousa exprimir opiniões ou ter comportamentos adversos aos da sua própria doutrina, como se ela ainda tivesse o poder de decidir aquilo que devemos pensar ou fazer, como se ainda pudesse boicotar livros, filmes ou espectáculos musicais, sob a ameaça de mandar prender e torturar os hereges, como na época da Inquisição.
c - José Saramago expressou a sua opinião, como José Rodrigues dos Santos no seu "Fúria Divina", em que apresenta o Alcorão como forma de incitação à guerra. Qualquer delas, como obra literária de ficção, podem expressar ou não a 100% as opiniões dos seus autores. Vivemos numa época em que toda a gente tem o direito de se expressar, de emitir as suas opiniões por mais controversas que sejam.
d - O Prémio Nobel português disse que a Igreja é um negócio, - um negócio muito bem gerido, a exemplo da própria carreira de Saramago, de instituições de solidariedade, da Cruz Vermelha Internacional e muitas outras respeitadas organizações acima de qualquer suspeita. Disse que em nome de Deus se mataram e torturaram milhares de pessoas. Só se esqueceu que a Bíblia não é apenas um livro de contos e histórias de vinganças e de sangue. Ela é também um veículo de fé para milhões de pessoas. Foi não só a Instituição - e em Anjos & Demónios, bem no final, diz-se que a Igreja não pode ser perfeita, porque é gerida por Homens e os Homens não são perfeitos - mas também todas as pessoas, todos esses seres imperfeitos, católicos ou não, que num dado momento das suas vidas já precisaram da religião, na forma da fé e da crença, para se erguerem da desgraça e continuarem as suas vidas, para uma cura milagrosa de um ente querido, por um amanhã melhor, que Saramago, no seu direito à expressão, não apenas criticou como ofendeu. Ofendeu Deus, ofendeu a Igreja e aqueles que crêem em algo que a razão persiste em não explicar, a fé.
d - Dizer que o fez para promover o seu novo livro ou por pura arrogância de quem sempre gostou de atitudes sobranceiras e provocatórias é pura especulação. Dizem que não precisa e eu, puro e completo ignorante sobre a sua obra, acredito e respeito, com tanta ou mais educação do que aquela que teve o escritor em relação a um tema delicado do qual não avaliou correctamente todos os efeitos colaterais.
e - Em conclusão, foi mais uma pseudo-guerra motivada uma vez mais pela falta de respeito de várias pessoas que, pela sua relevância social deviam ser mais comedidos e educados, pela falta de bom senso em relação a um tema delicado e passível de, à mínima palavra mal medida gerar incontroláveis danos colaterais. Quando é que as pessoas se convencerão que essa conversa de guerra dos sexos, choque cultural, conflitos étnico-religiosos é tudo uma falsa questão, uma treta e que as diferenças ideológicas ou de outro tipo qualquer não têm forçosamente de nos afastar? Homem e mulher, pólo positivo ou negativo, princípio e fim, branco ou preto, côncavo e convexo, fazemos todos parte do mesmo puzzle, pois se são as semelhanças que nos fazem irmãos, as diferenças tornam-nos amantes.

segunda-feira, outubro 19, 2009

ASSUSTADOR

Ainda na semana passada, um emigrante português foi encontrado, já morto, sentado num cadeirão, na sua casa nos arredores de Paris, no seguimento de uma chamada anónima a partir de uma cabine telefónica em Poissy. Até aqui, nada de extraordinário, não fosse o facto de José Gomes Macedo, de 62 anos e natural de Vila Verde, estar assim desde 2007. Não era a primeira vez que os vizinhos se queixavam do cheiro, mas até agora nunca ninguém tinha entrado no apartamento de José Macedo, cuja renda continuava a ser paga todos os meses através de transferência bancária. Na caixa de correio havia correspondência por retirar desde 2007 e, segundo o jornal "Le Parisien, foi encontrado no frigorífico um iogurte com data de Novembro de 2007. Este caso retrata fielmente o maior flagelo deste século: a solidão. As pessoas vivem a correr, sem tempo para "cultivar" relações, vivem em prédios enormes com vizinhos que são pouco mais que perfeitos desconhecidos. Mesmo em família, as refeições já não são motivo de reunião entre os seus elementos, pela falta de interesses comuns, pela escassez de disponibilidade de tempo ou por outros motivos. Há casais que apenas se encontram no meio de turnos, quando um se vai deitar e o outro está a acordar. José era casado ainda, vivendo a sua esposa em Vila Verde. Mais preocupantes ainda, os casos daqueles que não têm família, nem amigos que se preocupem, que se importem com a sua ausência, sombras que deambulam pelas ruas sem que ninguém repare, senão quando nos estorvam o caminho, ou a sua visão ou o cheiro nos incomoda tanto que é impossível não darmos por eles. O mundo actual é egoísta, insensível, vazio de solidariedade e um simples "Bom dia, tudo bem?" é cada vez menos que um cumprimento entre conhecidos, mas uma formalidade sem significado. "Não quero nem saber se estás bem ou não, se as coisas vão mal no teu trabalho, se a mulher ameaçou deixar-te ou se os últimos exames médicos te deixaram assustado! Eu simplesmente não tenho tempo para os queixumes dos outros!". Numa época em que até as amizades são cada vez mais virtuais a solidão é uma ameaça bem real e assustadora.