quarta-feira, maio 30, 2007

EFEMÉRIDES


Joana D'Arc foi queimada viva em 30 de Maio de 1431, em Ruão, à idade de 19 anos. Filha de camponeses, terá sido, segundo ela, a partir dos 13 anos que começou a ouvir vozes divinas, que a orientavam no sentido de se juntar às forças dos Armagnacs e levá-los à vitória frente aos Borguinhões e aos seus aliados ingleses, na Guerra dos 100 Anos, devolvendo assim a França aos franceses, no que foi bem sucedida. Após a sua vitória e, temendo a influência de uma jovem de raízes humildes sobre o agora Rei de França, o Clero condenou-a por heresia e actos de bruxaria, tendo a Donzela de Orléans, como também era conhecida, durante o longo interrogatório a que foi submetida, mantido a versão de que eram vozes de santos que ouvia, e que lhe guiavam os passos. Só quase 5 séculos após a sua morte é que foi canonizada, no ano de 1920. E se aqueles que agem ou pensam de maneira diferente ainda fossem atirados à fogueira?...

LIBERDADE?!

Recentemente, voltaram a estar na moda palavras como Democracia, Liberdades e Direitos, além de terem ocorrido manifestações anti-fascistas. Eu tenho a ideia, de que, num Estado democrático e livre as pessoas tenham a liberdade de tomar as suas próprias opções, desde que não interfiram com os direitos das outras pessoas. Assim, julgo eu, que tenho liberdade para tomar as minhas próprias opções, sejam de carácter profissional, sexual, político, etc etc etc, sem que corra o risco de ser discriminado ou até violentado nos meus próprios direitos. Mas tal como eu referi no início, tudo isso são palavras e a liberdade não passa de demagogia barata para justificar a queda do Antigo Regime. Hoje há greve geral, as televisões inundam-nos com imagens de um triunfo avassalador por parte de um povo que se insurge contra a actual situação do país. As rádios falam de uma adesão a rondar os 100% entre as várias empresas e estabelecimentos de ensino e não só. Afinal, o povo está mesmo unido. Só que, em várias empresas, como a minha, onde a greve prejudica o dia a dia normal de milhares de pessoas, impedindo-as de ir trabalhar - e não só -, obrigando-as a perderem o salário de um dia (porque ao contrário de outros países, em Portugal os síndicatos não nos compensam por aquilo que perdemos por aderirmos à greve), os piquetes de greve marcaram presença ainda antes das zero horas de hoje, e pela manhã registaram-se já desacatos e agressões verbais e físicas contra quem pretendia usufruir do seu direito a ir trabalhar, em atitudes que me fazem pensar nos piores exemplos do Estado Novo e do fascismo que tanto se critica e se diz abolido desde Abril de 1974. Como não haver adesões de 100% se as pessoas que querem trabalhar são proíbidas de o fazer pelos próprios colegas? Onde está o direito a fazer ou não fazer greve? Onde está o respeito ao próximo porque tantos lutaram? Onde está o cívismo de pessoas que se dizem civilizadas e que à miníma manifestação daqueles que pensam de forma diferente actuam tal e qual como na pré-história, à força da violência? São essas mesmas pessoas que ontem e amanhã passam por nós, nos dão uma palmada cordial nas costas e discutem connosco os resultados do Benfica e do Sporting, como se Hoje não passasse já de uma vaga lembrança. No exacto momento em que escrevo isto, não sei ainda como vai ser o meu dia. Sei apenas que sem estar de acordo ou em desacordo com quem quer que seja, não ando a reboque daqueles que querem pensar por mim e impor-me as suas ideias.

sábado, maio 26, 2007

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EVASÕES (Maggie Q)


Maggie Q, de seu verdadeiro nome Margaret Denise Quigley, nasceu a 22 de Maio de 1979, em Honolulu, Hawai, EUA. Devido aos seus traços orientais, herança materna, começou por destacar-se em filmes asiáticos antes de ganhar o seu espaço no mercado norte-americano. Da sua filmografia destacam-se Gen-Y Cops, Arma Letal e Missão Impossível 3, estreando brevemente no cinema o novíssimo Die Hard, ao lado de Bruce Willis.

sexta-feira, maio 25, 2007

MEDIATIZAÇÃO

O desaparecimento da pequena Madeleine, mais do que um caso de foro humano, começa a criar contornos de objecto de estudo, tal a mediatização de que é alvo. Quarta-feira, o casal McCann, aproveitou para ir até ao Santuário de Fátima rezar pelo regresso da filha, atitude que levou a que jornais e televisões voltassem a focar a sua atenção no caso. À parte a tragédia, continua a surpreender a maioria e a chocar alguns toda esta atenção por parte dos media, como já havia aqui questionado sobre o mesmo tema. Enquanto se debate os prós e os contras desta exposição pública, o certo é que, por trás dos pais de Maddie, existe muito dinheiro a movimentar uma máquina imensa, que não deixa "adormecer" o assunto.Ora são as idas do casal à igreja, ora são as idas à praia, sempre de mãos dadas, como convém; sem esquecer o ursinho da pequena Madeleine, que parece ter-se tornado numa extensão natural da mão da senhora McCann... e agora a ida a Fátima, com o natural bulício daí decorrente.
Entretanto, o Diário de Notícias deu conta na sua edição de ontem que "mais de 800 crianças e jovens desapareceram no Reino Unido desde o dia 3 de Maio, quando foi reportado o desaparecimento de Madeleine McCann. Este número foi divulgado pelos responsáveis da linha de apoio National Missing Person's Helpline, que vieram a público chamar a atenção para a diferença de tratamento, em termos de cobertura mediática, atenção popular e importância dada por "notáveis", entre esses casos e o da menina que a polícia portuguesa crê ter sido raptada do apartamento de férias dos pais no The Ocean Club da algarvia Praia da Luz. Todos os anos, são dadas como desaparecidas 210 mil pessoas nas ilhas britânicas, dois terços das quais com menos de 18 anos - segundo informação do ministério do Interior do país. Nenhuma recebeu até hoje a atenção prestada ao caso de Maddie MacCann, que está já a ser comparado, em termos de cobertura mediática e comoção/adesão do público, ao da morte de Diana de Gales, em 1996. Políticos e equipas de cricket usaram laços amarelos em atenção à criança, futebolistas famosos fizeram apelos, milionários ofereceram mais de 2,5 milhões de libras (cerca de 3,75 milhões de euros) e durante estes vinte dias todas as televisões e jornais "abriram" com o caso, mesmo quando - quase sempre - não havia nada de relevante para acrescentar às notícias dos dias anteriores. Mas se há quem considere que a cobertura mediática foi claramente excessiva e "de mau gosto", há outros, como o presidente da sociedade dos editores de imprensa, Paul Horrocks, do Manchester Evening News, a dizer que "só porque um caso não teve atenção, por que havemos de criticar o facto de este caso ter?"."
Já agora, os McCann anunciaram recentemente a sua intenção de visitar alguns países, no sentido de alargar ainda mais, geográficamente, os ecos do sucedido aqui em Portugal, adiando assim, por tempo indeterminado, o seu regresso a casa. Será que já pensaram no bem estar dos gémeos e no trauma que estará a ser para eles toda esta fuga à rotina habitual da familia McCann?

domingo, maio 20, 2007

sábado, maio 19, 2007

FALTA


Sinto falta da cor e da imprevisibilidade



do aconchego das palavras e dos gestos,



da suave inquietude que um olhar pode ter.



Sinto falta do calor do toque



e da falta da coragem irreflectida



perdida na esperança ausente



dos dias que não voltam mais.



Sinto falta do que não fiz,



dos beijos e carícias que não dei,



das palavras que pereceram mudas no papel.



Sinto falta dos dias de ontem



planejando amanhãs,



das janelas que havia para abrir



e deixei fechadas



e da vida que correu



e me apanhou parado.



Há quem viva de memórias



Há quem morra de saudades,



como pode ter alguém saudades



duma vida que nem sequer viveu?

SCHUMACHER LÁ DA RUA


Este é um dos vários exemplos da falta de civísmo que, infelizmente parece ter-se generalizado entre os portugueses. A imagem foi tirada na quinta-feira, como poderia ter sido tirada hoje, amanhã ou para a semana que vem, dada a reíncidência sistemática, demonstrativa da falta de cívismo e de respeito, que o autor da "façanha" demonstra pelos seus semelhantes. Haja ou não espaço suficiente para estacionar, o nosso Michael Schumacher usa e abusa da complacência de quem pode e deve acabar com situações como esta. Infelizmente, não é a primeira vez, como não será a última, que para subirmos ou descermos a rua teremos de nos encostar à parede, como ainda os carrinhos de bebé terão de ir pelo meio da rua.

domingo, maio 13, 2007

PORQUE HOJE É DOMINGO...






... e já se passaram dez dias desde o desaparecimento da pequena Maddie, sinto que devo aprofundar-me sobre uma dúvida que surgiu há dias, numa conversa de café. Não é a primeira vez que falo aqui da pequena menina inglesa que tem feito o dia-a-dia deste país nos últimos dez dias, quase passando para segundo plano os problemas da Câmara de Lisboa, os incidentes pós-eleicções em França ou o diploma do pseudo-engenheiro Sócrates. Todavia, nem por uma só vez mencionei o desaparecimento da "nossa" Joana ou todo o caso que resultou nesta última semana na saída da prisão do Sargento Gomes e da pequena Esmeralda. Porque razão o fiz? Porque


razão as televisões e jornais dão mais destaque à tragédia dos McCann do que ao rapto de qualquer criança portuguesa? Seria a polícia tão dedicada e célere se em iguais circunstâncias, os intérpretes deste drama fossem outros? Sucedem-se a um ritmo vertiginoso e comovente os apelos e manifestações de auxílio em prol da criança desaparecida, do Algarve ao Minho, de Inglaterra a Fátima, onde o nome de Madeleine deve constar de quase todas as orações. Quantas pais haverá que estão ainda hoje à espera de notícias sobre o paradeiro dos seus filhos; que não tiveram tanta ou qualquer atenção da parte dos media ou das forças policiais... Não serão as crianças portuguesas iguais às inglesas? Claro que são! Infelizmente, no subconsciente de cada um de nós, onde o sangue dos outros e as desgraças continuam a ser o que mais nos atrai na televisão, fazemos ainda diferenças, escolhas, a cor favorita, a camisa mais bonita, o filho preferido. Porque razão gosto mais de Cicrano do que de Beltrano? É natural, ninguém leve a mal. O drama do casal inglês é mediático, extravaza as fronteiras deste cantinho à beira-mar plantado, onde quase nunca nada acontece. Por estes dias, fala-se de Portugal lá por fora, bem ou mal. A miúda tem um olhar bonito, o cabelo louro como um anjo, parece uma pequena boneca que gostaríamos de proteger e só o imaginá-la maltratada ou sexualmente abusada, afastada dos pais e dos irmãos pequenos, dá-me um nó nas tripas e um ódio insane sobre as bestas que a separaram do seio familiar. Depois, há ainda os pais, jovens, atraentes e com dinheiro. Nada como o Sargento Luís Gomes, que à boa maneira portuguesa, esconde das autoridades e dos pais biológicos a criança que criou e a quem deu mais amor do que se fosse ele o pai, mesmo que para isso tivesse de ir preso. Ah, granda homem! É de macho! Os pais de Maddie não. Parecem ambos delicados, tão debilitados com o sucedido que parece estranho aguentarem-se ainda de pé. Nada como a mãe da Joana, capaz de maltratar fisícamente a filha, para que esta não a incomodásse nos seus devaneios lúdicos. Desde a nacionalidade, à raça, ao sexo, ao estatuto social das vítimas como à sua aparência, tudo conduz a opções que, num mundo perfeito não deveriam de existir, escolhendo este ou aquele em desfavor daquele outro, marginalizando ou sendo marginalizado, diferenças de tratamento que persistem dentro de cada um de nós, num mundo cada vez mais globalizado e dito liberal, mas onde essas mesmas diferenças nos são diáriamente e constantemente atiradas à cara de uma forma ou de outra.

GEORGE MICHAEL

O espectáculo dado pelo cantor britânico George Michael, ontem no Estádio Municipal de Coimbra, pecou, como o próprio deu a entender num pedido de desculpas ao público, por tardio. Dos temas dos primeiros anos às batidas de hoje, George Michael fez questão de presentear o seu público com uma noite para mais tarde recordar. O antigo cantor dos Wham, ícone perfeito da chamada música pop, foi sempre muito aprecíado no nosso país, apesar das críticas sem fundamento dos chamados intelectuais, para quem a música ligeira não tem qualidade e os seus intérpretes são todos de masculinidade dúvidosa. Nos seus primeiros anos, ainda nos Wham, rivaliza, juntamente com Madonna - a dar também os seus primeiros passos - com os Duran Duran, expoente de então dum estilo musical tão críticado como comercialmente rentável. Com um espectáculo memorável, George saiu dos Wham para uma carreira a solo que se adivinhava auspiciosa. Com uma voz agradável e inconfundivel, solidifica uma carreira com vários anos de sucessos e estilos díspares, chegando a cantar com os Queen, num concerto de homenagem ao mítico Eddie Mercury. A sua carreira, assim como a vida pessoal, sofrem alguns abalos com alguns escândalos sexuais. O polémico cantor tem a noção de que perdeu muita da sua popularidade e do fascínio junto das suas admiradoras, ao ter a coragem de assumir-se como homossexual, um acto de frontalidade que não está ao alcance de todos, numa sociedade que, apesar de tudo continua a ser preconceituoso e discriminatório. Sabe que muitos ainda confundem o homem com o artista, de nada valendo a qualidade ou popularidade dos seus temas. Responde às críticas com um humor mordaz, parodiando aqueles que o críticam através dos seus videoclips, assim como o estado actual da política norte-americana, da qual é uma das figuras mais contestatárias. Para trás ficam temas como Careless Whisper, Last Christmas, Father Figure, Tonight ou One More Try, êxitos que as opções pessoais de cada um não conseguem destruir. Para mim, que acompanhei a sua carreira desde os primórdios, George Michael marcou uma época, não tanto pelo estilo actual dos seus temas, mas por tantos outros, ao longo destes últimos trinta anos. As suas tendências sexuais, mais do que respeitá-las, não me interessam, quando o que está em discussão é a sua carreira, ou o seu talento. Até à próxima, George!

sexta-feira, maio 11, 2007

BENDITAS EXCEPÇÕES


Na maior parte dos casos, nos quais me incluo, a nossa profissão baseia-se numa rotina stressante, num mínimo de oito horas diárias fazendo sempre as mesmas coisas, vendo sempre as mesmas pessoas, aguardando pela hora do almoço ou do jantar, inventando escapadelas esporádicas ao café, quase nunca pelo café em si. Já não olho amiúde para o relógio - que não uso quase desde que passei a andar com telemóvel -, mas conto à mesma os minutos que faltam para o final do serviço, os dias que me separam de uma folga às vezes curta e sempre breve. Hoje, a rotina foi quebrada pela presença no meu local de trabalho de um grupo de pessoas, integradas na comemoração dos 21 anos dessa causa tão meritória que são os Pirilampos Mágicos. Este ano, personalidades bem conhecidas dos portugueses associaram o seu nome e imagem à campanha da Cercisa, criando cada uma um visual bem original a essa figura tão simpática. Entre essas figuras que, por breves instantes, deram um certo glamour e cor a um espaço quase sempre a preto e branco, destacava-se a figura extremamente elegante e belíssima da apresentadora da Sic, Liliana Campos. Durante alguns minutos, foi possível abstrair-me das preocupações quotidíanas, assim como da marcha lenta dos ponteiros, que nestas ocasiões parece avançar, como empurrado por um vento que não vemos. Não pretendo de forma alguma menosprezar as pessoas com quem diáriamente lido, a rotina do serviço, o abrir e fechar de portas, o dedo num vai e vem monocórdico sobre os mesmos botões e teclas. Não. Não quero também aliar-me àqueles que vivem idolatrando ou falando mal dos chamados "famosos", sugando cada foto, cada linha saída numa revista numa avidez obsessiva e doentia. Mas que é bom variar de vez em quando, estarmos fisícamente lado a lado com aqueles que nos habituamos a ver nos media - apesar de nem sequer darem pela nossa presença - e que ocupam tantas das nossas conversas de café, lá isso é!

domingo, maio 06, 2007

AINDA SOU DO TEMPO...

... em que tinhamos de afinar o parafuso do gravador de cassetes, para começar a jogar no Spectrum 48K.

quarta-feira, maio 02, 2007

FRAGMENTOS

São momentos, excrementos da memória, fragmentos,
pedaços de um todo imenso e frágil,
são recordações, cores, nomes, lições de moral,
o certo e o errado, passado e futuro
dum presente sempre ausente.
São os cheiros da infância que se esfumaram
nas voltas qu'o ponteiro dá,
vidas e vidas, pequenos seres, pequenas vidas,
actores dessa eterna comédia
qu'é o drama da vida de todos nós.
Sou um ponto no espaço
físico-temporal universal,
sou a pedra arremessada sem destino
deambolando às cegas p'lo infinito.
Outras pedras há, outras vidas, outras mortes...
alguém que morreu ou foi morto
p'la indiferença, pela falta de amor, pela falta de vida.
Os pais não o compreenderam,
a mulher amada não o amou,
a sociedade não o aceitou: marginal.
Desistiu. Morreu? Ou foi morto?
Ninguém viu, ninguém sabe quem era
nome ou morada.
Ninguém, um parasita.
Eu não quero morrer, amem-me! Odeiem-me!
Por favor, não me ignorem!
Amada mãe, amado pai, qual de vós se esqueceu,
qual de vós não se lembrou de usar... Estou aqui!
Vocês decretaram a minha presença.
Porquê? Que mal vos fizeram? Quem a mim vai recordar?
Quem de mim se vai apaixonar?
Aceitai a culpa e o fracasso
que fez de mim o qu'hoje eu sou,
um pedaço de nada, do muito que vos quero.
Amor, eu e tu num cavalo de cordel
num sonho de papel timbrado
25 linhas dum azul em dó maior,
sinfonia desta vida sem cor. Negro destino,
negra a vida, negro penar, negro penar...
Morte. É branca a morte
como as asas dum cisne encantado,
bagaço em que m'embriago, Eu,
amargo tédio de comigo ter de conviver,
porque tem de ser.
Fragmentos são filmes a preto e branco
sem heróis nem vilões, sem roteiro... só vazio
e improvisação,
insolúveis degredos da matéria,
fruto da palha que comemos,
fragmentos desta vida acordados
recordados a contra-gosto, pelas mãos
dum qualquer poeta de merda.

O ENGENH... OCAS


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