segunda-feira, novembro 26, 2012

UM HOMEM DE IDEIAS

José Rodrigues dos Santos é, não só um excelente profissional de televisão como também um conversador entusiasmante e uma pessoa extremamente lúcida nas suas opiniões sobre tudo o que o rodeia. Hoje, na apresentação do seu novo livro, A Mão do Diabo, num diálogo bastante interessante com Manuel Luis Goucha, o também escritor deixou várias ideias que revelam o seu modo de ver a política nacional e internacional, sabendo evitar as normais posições radicais, mas guardando uma certa distância que lhe permite defender um lado mas também compreender as demais opções com as quais pode ou não concordar, reservando-se de um sentido crítico por vezes acutilante mas sereno. Defende ele que, ao contrário da maioria, não acha que baixar os salários aos políticos seja a melhor maneira de resolver os problemas, pois quem gere tanta riqueza e responsabilidade deve ganhar bem, de forma a não ser - como são - tantas vezes tentados por uma corrupção, descrita no seu livro e onde segundo as suas palavras, certamente os nossos políticos se revêm, de forma activa ou passiva. A solução estará então em aumentar os vencimentos do povo. Outro aspecto importante no seu livro e nas suas palavras estará na vontade ou falta dela, que a justiça tem em encontrar os verdadeiros culpados da actual crise, não pela dificuldade de tal empresa, mas precisamente pelo medo de os encontrar. Estas apenas algumas das ideias de um homem, profissional de televisão, escritor, crítico, um observador do mundo que sabe o que diz e vale a pena ouvir, concorde-se ou não.

quarta-feira, novembro 07, 2012

OCASIONALMENTE

Ocasionalmente... rimos,
temos prazer quando sóbrios, fazemos sentido,
somos criativos, construímos,
sonhamos mas também agimos.
Ocasionalmente fazemos dieta, ginástica,
aprendemos, celebramos,
temos dias, datas marcadas, damos,
somos quem realmente somos,
quem queremos ser.
Ocasionalmente damos beijos, abraços, carícias,
dizemos "amo-te", "obrigado" e "desculpa",
gostamos da imagem reflectida no espelho,
Ocasionalmente somos pais, filhos,
casais e amantes, irmãos,
gente que sente, humanos.
Ocasionalmente fazemos amor,
não apenas sexo, pensamos, agimos,
procuramos o certo,
somos solidários, partilhamos.
Ocasionalmente, mais do que respirar, vivemos.
Ocasionalmente... nem sempre.