quarta-feira, maio 31, 2006

REFLEXOS


fotografia de Luis Texeira

GUERREIRA

Subornei teus braços com promessas de ternura
nesse breve instante em que baixaste a guarda
e serena adormeceste a impetuosidade constante
duma alma guerreira abandonada, tomei de assalto
a delicada maciez dos teus contornos
sob a ingénua inépcia dos meus dedos,
roubei-te um beijo fugaz, rendi-me
prostrado à saciedade dos teus ensejos.

MASCARADOS

Diz-me o que pensas, por mais fútil que te pareça,
por mais estúpido qu'aos outros s'apresente
(deixa qu'as comadres emprenhem p'los ouvidos),
diz-me do tempo que perdemos, de tudo que não fizemos!...
Iremos a tempo? Horas que não tornam, vazias, tristes, secas...
as dos beijos que não demos, desejos que calámos,
das vezes que quisémos e não nos tocámos.
Qu'é dos nossos sonhos de petizes (castrados p'lo medo)
dos médicos e polícias, dos soldados que não fomos?,
do lego, dos golos, do freré Jacques, dos tempos felizes?,
realidade assaz distante de tudo qu'hoje somos.
É tão difícil juntar um mais um, falar, escutar, compreender
quando pensamos no qu'os outros vão falar ou dizer,
é tão difícil saber o que fazer, dividir
quando o nosso espaço deixa de ser apenas nosso,
quando o simples EU se transforma num complexo NÓS,
viver sem saber Como, partilhar sem saber Quando,
falar ou calar, só por poder parecer mal.
Queres compartilhar sentimentos, pensamentos,
carícias e antigas lembranças, esperanças,
sonhos quase mofos numa gaveta abastada de memórias mortas.
Como invadir um espaço, desventrar segredos
se escondemos na sombra o melhor de nós
num medo que nos traz dia a dia mascarados
com receio de não agradar, desiludir, defraudar.
Outras caras, outras ideias, disfarces!...
Sabes o que querem ouvir, o que deves vestir,
só o que convém, o que é de bom tom, ser IN.
Atreve-te, desafia os limites da irracionabilidade,
dá um tiro no escuro, larga amarras, perde-te,
parte à procura de ti, da palavra fácil, da loucura sã,
faz tábua rasa da lógica do saber, ser e estar, vive!
Abandona-te ao vento nas asas dum sonho acordado,
no insensato engodo dum rendez-vous anunciado!
Diz: Hoje acordei com vontade de errar,
com vontade de pecar, de ser mais EU
na incongruência das minhas expectativas,
irrelevâncias disfuncionais da alma adversa
sobre o Bem, sobre o Mal, mal
de quem nada arrisca... pouco ou nada faz.

terça-feira, maio 30, 2006

O TEU LUGAR + ÍNTIMO


Não, não vamos fazer sexo, não somente sexo. Vamos ser originais, ir mais além, mais que dois animais bestificados na busca do êxtase. Não, sexo não! Vamos fazer amor, partilhar carícias a quatro mãos, da ponta dos cabelos à epiderme dos pés; carícias firmes mas sedentas de ternura. Deixa-me apanhar-te os ombros, trazer-te a boca à minha boca, soprar-te ao ouvido, passar a lingua pelas costas do teu pescoço, tomar o gosto do bico dos teus peitos. Deixa-me oscular o interior do teu umbigo, com delongas, suavemente, induzir-te em ânsias de prazer e daí descer ao céu, à alcova frondosa, príncipio e fim de tantos passeios noctívagos. E ainda assim, sem pressas, voltar atrás, ao teu lugar mais íntimo, desnudar-te os sonhos, arrancar-te os medos, inflamar-te a ousadia inibida, secar-te as lágrimas da alma, lamber os teus desejos, desventrar os teus segredos mais secretos, suavemente, sem pressas, afagar-te a face, olhar-te nos olhos, os dedos roçagantes nos caminhos infinitos de uma terra prometida, baralhar as nossas pernas, fundir nossos corpos, misturar nossas seivas. Vamos fazer de conta que somos cegos, descobrirmo-nos às escuras em apalpadelas minuciosas, violando-te apenas e só em jogos de lençóis. Aí seremos médicos... sem complexos de Édipo, seremos criativos, pedófilos, incestuosos, pais, filhos, irmãos e amantes, assaltantes de um fruto nunca por nunca proíbido; seremos eu e tu, um só, corpo e alma, a essência do sexo num amor despudorado, não somente sexo e todavia sexo, sem nexo, 100% amor, deste amor que te confesso e me traz por ti possesso.

IMAGENS DO PAÍS REAL

COMO UM GIGANTE ADORMECIDO

Como se pode escrever tanto sobre o amor
e dele tão pouco ou nada saber?
Ando às apalpadelas como um cego
tropeçando de armadilha em armadilha
como quem escorrega em cascas de banana.
Entrementes, num passado recente
a tempestade da eterna esperança
deu lugar à bonança da resignação,
ao conforto de quem já nada espera.
Escrever então de quê e para quem
se só sei que nada sei
e sem ti sou pouco mais que ninguém?
Restam-me as palavras, sempre fiéis, sempre presentes,
futicismos pseudo-literários de sadomasoquismo psicológico.
Solto a ousadia, procuro a diferença
quiçá ingénua... fruto da inexperiência.
A palavra-chave, à muito prometida e quase esquecida
descansa presa na ponta da língua
como um gigante adormecido,
ninguém a quem a dar, ninguém
que a queira receber.

NA IDADE DOS PORQUÊS...

  1. Quem foi o principal responsável pelo desaire das selecção portuguesa de sub 21 no Euro 2006?
  2. Devem os pais avaliar os professores?

PALHAÇO QUE CHORA

O que seria da minha vida sem ti
amor que foste o primeiro?
Que é que eu fui na tua vida?, nem te lembras!
Um homem qualquer com medo de uma mulher,
um poeta quedo e mudo, um palhaço que chora.
Primeiro amor, só desejo, pobre boca, nem um beijo;
desde o Eden somos anjos & poetas,
homens e mulheres, palhaços & prostitutas;
leva-os o vento, amores mais que um
nas asas dum vento perdido na memória,
triste história aquela que escreveste,
dos meus sonhos que nunca leste,
da dor que ainda cá dentro mora
e do palhaço que nunca riu
mas que agora... já não chora.
para R.

TRAVESTI

E o sol embora tóxico
no pulmão como um narcótico
veneno estranho, sádico prazer
num beijo roubado a um travesti;
Santo Graal dos meus Invernos,
a lua de fel dos meus amores
a vertente agrídoce, toda a dor
toda a dura pena dos meus escritos e poemas.
A pele rubicunda, os olhos cegos
ardem os costados de pele descascados,
sonhos de um Ícaro depenado
aos ombros de um Atlas desmembrado.

PORQUE HOJE É BEBÉ...


Quero aproveitar este espaço para endereçar os meus sinceros parabéns ao colega e amigo Carlos, não apenas por este dia tão especial para si e para os seus. Espero que hoje seja o primeiro dia de um auspícioso futuro, como um renascer a que, infelizmente, poucos têm acesso. Que a bonança e a serenidade o acompanhem na longa viagem que nos espera a e que a nossa amizade perdure e subsista aos obstáculos que a todos se nos deparam tantas e tantas vezes. Obrigado pela tua amizade.

ESSA PALAVRA CALADA QUE NOS MATA


Essa palavra calada que nos mata morre a cada segundo, a cada retroceder quedo e mudo, em cada silêncio envergonhado, no estertor frio duma navalha que por dentro nos mata, nos consome e desespera. Suspende o ar o coração, bate, com a força de mil tambores, pendente num gesto ténue, numa palavra omissa quase arrancada a ferros, essa palavra "amor", declaração numa voz afobada, em ânsia, a face vermelha, pudibunda, numa mescla de orgulho e alívio por tão intrépida façanha. Espera, e é longa a espera, numa eterna agonia, do +etiz que foi ao homem que é agora, pela resposta da menina-mulher que adora, por essa palavra que calada nos mata, a declaração da pessoa que ama à pessoa por nós amada.

segunda-feira, maio 29, 2006

EVASÕES (Maria Grazia Cucinotta)

PENSAMENTO DO DIA

"O Homem é uma doença de pele da Terra" - Nietzsche

domingo, maio 28, 2006

COW PARADE 2006





O REGRESSO DO DESEJADO


Raramente um jogador tem uma empatia tão grande com os adeptos como Rui Costa, sejam do Benfica, da Fiorentina ou do Milan.

PORQUE HOJE É DOMINGO...


... gostaria de divagar sobre alguns dos acontecimentos que marcaram a nível pessoal e não só, esta última semana que agora finda e a que eu, chamei de Semana do Coração. E coração porquê? Primeiro porque aquele que já ameaçava tornar-se como que um Dom Sebastião entre os adeptos do Benfica, está de regresso ao ninho da águia, respondendo ao apelo do Presidente e da massa associativa mais com o coração do que com a cabeça. Não dúvido que, por vontade do Milan, Rui Costa continuaria em Itália, como jogador ou mesmo noutras funções, como não dúvido ainda que, a saír, teria propostas bem mais vantajosas do que aquelas que o Benfica lhe oferece, apesar de estar próximo do final de carreira. Para mim, coração e futebol não ligam muito bem, embirrando mesmo com certas decisões de jogadores portugueses que, quase sempre colocam o coração acima de tudo o resto. Foi assim com Pauleta, que esta semana preferiu continuar em Paris ao invés de reforçar o ambicioso projecto do Lyon, campeão francês, como antes o fizera Futre, quando no auge das suas capacidades ficou ao lado de Jesus Gil em Madrid quando os grandes clubes europeus o desejavam. Felizmente, Figo não é assim e por isso vai coleccionando troféus pelos clubes por onde passa. Ainda no tema do coração, está a decorrer em Lisboa a Cow Parade 2006 e, apesar de não devermos abusar do consumo da carne, a verdade é que a maior parte de nós, citadinos, nunca tinhamos visto tantas vacas de quatro patas em Lisboa. Mas vale a pena vê-las. Enquanto o drama regressou aTimor e à Indonésia, com imagens marcantes de dor e sofrimento, ignorei o apelo de uma nova onda de calor e fui até ao Fórum Almada ao invés de ir à praia. Arrependi-me. A verdade é que todos os novos brinquedos e jogos de computador me lembravam do meu sobrinho, o que me fez considerar que, nenhum passeio, seja onde for, tem piada, se não tivermos com quem compartilhar o que de bom existe para ver ou fazer. É quase como fazer um Blog sabendo que ninguém vai conferir aquilo que fizemos. Como fácilmente poderão aperceber-se, nada de novo no reino da Dinamarca, com o aproximar do final das férias. Resta-me a consolação de que, com o calor, as pessoas já começaram a adaptar o seu vestuário ao clima tropical que se faz sentir, pelo que lá vou arejando a vista com a facilidade com que a mais bela criação de Deus começa a expor os seus predicados mais reservados à medida que o termómetro começa a subir de temperatura. Pobre coração, mas... I Love This Game! Cuidado com o Sol e... façam o favor de serem felizes!

sábado, maio 27, 2006

SUGESTÕES

Depois de mais uma semana de trabalho, em que tudo lhe correu mal e quase não teve tempo para aqueles de quem mais gosta, porque não um fim de semana para recuperar energias, em comunhão com a natureza, tipo peace and love? Porque não vai até ao Parque da Paz?
Não pense sequer em passar os dias em frente ao computador, a ganhar quilos pelos quais depois vai chorar em vão. Não ligue a televisão, porque você já viu O Pestinha mais vezes do que aquelas que quer admitir e o jogo da selecção é só às 18 horas.
Leve a namorada, a mulher ou os filhos, leve-os a todos ao mesmo tempo se quiser. Leve a máquina fotográfica que está guardada e já com pó, leve o telemóvel - mas só para tirar fotografias. Leve um livro, um lanche, uma bola para dar uns toques com o puto.
Lembra-se há quanto tempo não vê um pato ou um cisne a andarem lado a lado consigo? Vá, vale a pena, sentir os pés sobre a relva, respirar ar puro para variar, perder a vista no azul delicado da água ali à mão.
Do que está à espera?

NEGRA COR


Já não pedes sequer, como se adivinhasses no que te não digo motivo, para não ceder aos eventuais caprichos de um qualquer anjo negro, como negras são as brumas em que me envolvo, areias movediças que me afastam de uma luz que já mal vislumbro. Negras são ainda as criaturas a que a insensatez da mente e a escassez da carne me conduzem; negra a cor do meu desamor, que de tanto amor me consome e enfraquece. Como pode o amor causar tanta dor e sofrimento?
E no entanto, ainda ontem me pedias. Mas ontem parece já tão distante, desvanecido pelo vento agreste dos sonhos desfeitos, recordado agora por um incontrolável e momentâneo desejo impuro.
Já nem sei em que dia estamos, como antes me esquecera do certo e do errado, de quem sou ou quis um dia vir a ser.

AINDA SOU DO TEMPO...


27 de Maio de 1987

quinta-feira, maio 25, 2006

MONÓLOGOS DA IMPOTÊNCIA SENTIMENTAL

Há um caminho que vai
do esmo do abismo ao cume do que sinto,
à redenção do pecado,
o exemplo do que sou e faço.
Fui toda a vida um poeta
meio homem, meio pateta,
um balão inchado de virtudes
normas, condutas, leis, sentimentos
de que ninguém mais quer saber.
Dos puros ideais à muito me perdi
na falência de falsos moralismos,
sonhos d'infância traídos
nesse orgulho ingénuo qu'até hoje senti.
Os meus romances são monólogos
d'impotência sentimental,
palavras que se esporram
em folhas virgens de ternura.
Repetem-se asneiras em busca da felicidade
tão efémera quanto utópica
que nos leva invariávelmente
à mentira e ao desespero.
O futuro, esse não é mais
uma estrada que se abre
mas um penhasco escarpado a pique
onde eu sei que vou caír.

SER FEIO

Tudo à minha volta me parece feio,
as pessoas, os actos, as palavras
que se dizem e que ferem sem pensar.
Tudo me irrita, mesmo a escrita
que teima em não saír com a fluência d'outros dias.
Sinto uma inqualificável vontade de gritar,
de ir à procura do atrito dispensável,
qual Dom Quixote, às cegas
com seus moínhos de vento privativos.
Sinto-me velho e cansado, incapacitado,
estranho em lugar incerto, bem vindo em lugar nenhum;
o que outrora parecia belo
toma agora tons de falsete,
os sorrisos são forçados, o sensual pornográfico
e as amizades jogos do mais puro interesse.
Tenho a mente suja, tudo me repugna e excita
quero desistir e não consigo.
Fujo aos olhares óbvios de sentidos
por maior que seja a sua indiferença,
ninguém me vê, ninguém sonha que existo,
ninguém quer sequer saber.
Passam a vida em loucas correrias
destinos incertos, causas perdidas
escravos do stress.
Fosse eu também... escravo d'alguém
que não de falsas morais.
Saem à noite, quais ratos de lúgubres tocas
soltam-se, gritam, dançam, bebem, caem, expoem-se
d'alma despida renascidos dos preconceitos esquecidos.
Amor... só de camisa
êxtase... num cheirinho d'heroína.
Noitadas até às tantas, dormir...
só depois das três.
Não sei mais quem sou
da razão das coisas
do que faço, do que penso
da pura lógica do bom-senso.
Mãe, diz-me o que é certo!,
qu'eu por certo ando errante.
Fujo dessa gente toda que ama
com a mesma força com que odeia, que ri, que chora.
Eu apenas sonho.
Vivo na ponta de uma caneta
enquanto a tinta me durar,
sonho denso de ser gente
ser igual aos outros, como tu
ser também imperfeito, feio
como o mundo à minha volta.

terça-feira, maio 23, 2006

PORQUE HOJE É BEBÉ...

Hoje faz oito anos o melhor amigo do meu sobrinho, o Daniel. Ao colega de escola e companheiro de conversas pela net, este Blog envia ao aniversariante os mais sinceros desejos de um feliz dia de aniversário.

ONDE ESTÁ A NAMORADA DO WALLY?

ANJOS & DEMÓNIOS

segunda-feira, maio 22, 2006

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!

Ontem fez anos o meu colega e amigo, Ricardo Pereira. Como mais vale tarde do que nunca, desejo que tenha passado um dia formidável na companhia daqueles que lhe são mais próximos e que o futuro lhe reserve tudo de bom, porque ele merece. Parabéns, "porta-chaves"!

sábado, maio 20, 2006

SNOOPY

Fez hoje um ano, pelas 17 horas e cinco minutos que te deixei no veterinário, onde te foi aplicada uma injecção que poria fim a um sofrimento que se ía arrastando, sem melhoras, fazendo de ti uma débil amostra do gato ágil e saudável que um dia foste.
Ainda hoje, quando penso nesse dia, não deixo de me questionar se agi da melhor maneira. Não importam as lágrimas contidas a custo ou aquelas que não evitei verter. É fácil dizer que se uma pessoa que não conhecemos está a sofrer e a dar trabalho aos outros, o melhor para ele era que, esse Deus de que tantos falam, esse Deus tão misericordioso, o levasse, pondo fim a um sofrimento doloroso e muitas vezes humilhante. Quem pode ou deve decidir da vida e da morte?
Da mesma maneira como fazemos com os nossos entes mais queridos, em que julgamos sempre que deixámos para trás um espaço em branco por preencher, de palavras que ficaram por dizer, de gestos perdidos na intenção, do muito que podíamos ter feito e não fizémos, também eu sinto que poderia ter demonstrado mais e melhor todo o amor que sentia por ti. Acontece sempre, com todos aqueles que amamos, pessoas ou animais.
Gostava de me ter despedido de outra forma, de ter tido a coragem de te acompanhar no último momento. Gostava de ter adivinhado os teus pensamentos nos meses que antecederam este dia, um ano atrás, para saber se era essa ou não a tua vontade. Sinto saudades desse miar a horas impróprias que tanto me irritava, das vezes em que procuravas aconchego sob as minhas camisolas ou pullovers e começavas com aquele rnronar tão característico de satisfação. Gostava que me perdoasses, que tivesses sabido o quanto gostava de ti, o quanto continuo a gostar.

A MAIS BELA BANDEIRA

Foi hoje, num Estádio Nacional super-lotado, que as mulheres portuguesas demonstraram estar de alma e coração com o espírito da Selecção Nacional, ao ajudarem a construir uma bandeira de Portugal, de que conto apresentar imagens brevemente. Com um apoio de tamanha beleza, Scolari e os seus pares não têm mais desculpas para não fazerem um brilharete na Alemanha.

quinta-feira, maio 18, 2006

ANONIMATO

O anonimato não é um acto de cobardia, é um direito. Direito à privacidade, de agir sem procurar os encómios daquilo que faz. Há pessoas assim, boas e más. Há pessoas que só dessa forma fazem ou dizem o que de outra forma se veriam inibidos de fazer ou dizer. Aqueles há, também, que o fazem porque aquele a quem se dirigem os conhece e não pretendem ser reconhecidos, pelos mais variados motivos. Não sei a razão, mas agradeço as palavras daquele que tem dado vida e cor a este canto recentemente mais descolorido e sombrio, colorindo-o de elogios e palavras de incentivo. Anónimo ou não, sincero ou não, em português ou inglês, agradeço as palavras e espero continuar a merecer o prazer daqueles que por aqui passam. Thanks for everything!

EVASÕES (Paula Coelho)

FALA QUEM SABE

"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de cancro a cada ano." - Manuel Moura Guedes (será que vão ressuscitar?!)

LÁGRIMA

Lágrima,
chuva... que em teus olhos nasce
e em meu peito mora, morre... e mata.

MORRER DE AMOR


Partiste pela calada da noite
de uma noite sem estrelas;
Partiste e não pensaste em quem ficou,
ficar, só a saudade
por quem partiu e não vai voltar.
Partiste atrás da felicidade,
em busca dos sonhos que ficaram por realizar;
Partiste no egoísmo de pensares em ti, só em ti,
fugiste da luta, escondeste-te da realidade
na coragem do suícidio.
Tu partiste
no tempo e no espaço em que eu chegava
trazendo na bagagem a luz da esperança
em promessas de vida.
Mas tu partiste e a esperança morreu,
ficou o vazio, ficou a mágoa
a raiva e as desculpas.
Desculpa ter sido cego, ter sido estúpido,
desculpa por ter chegado tarde.
Dedicado àquela que corria atrás do Arco-Íris

segunda-feira, maio 15, 2006

PERDIDOS - 2ª SÉRIE

Uma boa notícia para os fãs de LOST: Acaba de saír em DVD a 2ª temporada da série mais vista do ano. Não aconselhável a menores de 18 anos nem a pessoas com problemas cardíacos ou impressionáveis.

TREINADOR DE BANCADA


Sem surpresas, a convocatória de Luis Filipe Scolari relativamente aos 23 jogadores que irão representar Portugal no Mundial da Alemanha, se tivermos em conta os últimos rumores. É estranho que práticamente com uma semana de antecedência um jornal desportivo tivesse anunciado já uma lista idêntica à divulgada hoje pelo seleccionador nacional. Controvérsias à parte, esta não era - até às 20 horas de hoje - a minha selecção. Na minha selecção não cabia Quim, Ricardo Costa, Hugo Viana, Boa Morte ou Helder Postiga, independentemente do valor de cada um. Nessa selecção estariam Quaresma, João Tomás, Paulo Santos, Miguelito e João Moutinho ou Pedro Mendes. Estaria ainda em dúvida quanto a Caneira, podendo substituí-lo por um central, Nunes ou Fernando Couto. Mas isso era antes das oito horas da noite, instante em que, os convocados de Scolari passaram a ser os meus. Em cada um de nós há um treinador de bancada, mas só a Scolari coube escolher os 23 que, por uma razão ou outra, entendeu darem-lhe mais garantias rumo ao objectivo de tentar chegar o mais longe possível na maior prova mundial ao nível de selecções. Vamos esquecer o Sporting, o Porto e o Benfica, o Vitor, o Manel ou o João, VAMOS ACREDITAR!

15 ANOS


Faz hoje 15 anos que comecei a trabalhar na Transtejo. O primeiro dia foi no velhinho Cais de Alfândega e desde esse primeiro dia passei por quase todas as Estações enquanto bilheteiro, passando mais tarde a Chefe de Estação, Fiscal e neste momento Chefe de Terminal. 15 anos de alegrias e tristezas e duma constante aprendizagem. Quer se queira quer não, o nosso local de trabalho é como uma segunda casa, onde crescemos como pessoas, onde nos envolvemos por vezes mais do que queremos, chegando a levar os problemas para o nosso verdadeiro lar. Aqui cresci, já não sou tão sonhador como era, já não espero tanto das pessoas como antes.

quinta-feira, maio 11, 2006

PENSAMENTO DO DIA

"A internet é uma forma de passar o tempo mas não é a única forma de passar a vida" - in Marius70.blogs.sapo.pt

quarta-feira, maio 10, 2006

AMIGOS


Quero aproveitar este espaço para agradecer por uma amizade que os anos ajudaram a consolidar e que se vai renovando naturalmente, quer através de uma boa disposição contagiante, quer através de palavras de apoio, como até em silêncios cúmplices, porque por vezes - não poucas - basta um olhar para demonstrar compreensão pelas nossas atitudes, para fazermos também nossas as dores dos outros, para demonstrar afecto e incentivo para que de cada vez que nos sintamos perto do abísmo nos voltemos a erguer e a lutar por esse Santo Graal a que chamamos Felicidade. Hoje disseste que eu era um guerreiro, quem me dera! Talvez um D.Quixote dos tempos modernos, sucumbindo pouco a pouco, desgastando-me numa peleja sempre vã, fazendo de causas perdidas os meus moínhos de vento privados. Talvez guerreiros sejamos todos nós, que vamos levando pontapés atrás de pontapés e continuamos a ter um sorriso nos lábios e uma palavra amiga para quem precisa, mesmo que a vontade seja de atirar com os problemas para trás das costas e fugir para bem longe. Por isso eu não fujo, porque não quero ir para longe daqueles por quem tenho tanto apreço. Obrigado pela amizade, miga!

PONTAS SOLTAS

Vivo confinado à tristeza
das batalhas que não venci,
da vergonha intensa e cruel
de nunca as ter sequer travado.
Vivo a frustração de um Coliseu inacabado,
um ror imenso de perguntas sem resposta,
pendente entre o certo e o errado,
tantas mentiras, algumas verdades - poucas,
entre o sim e o não, talvez.
traçando caminhos sem destino
de pontas soltas e nós por desatar
num amontoado de insolúveis "ses"
que tardam em descobrir um "nós".
"Se eu dissesse... se eu fizesse...
se eu soubesse..."; mas não sei.
Por isso nunca perco, nunca venço, padeço apenas
na vã esperança de uma vida que não mereço.

domingo, maio 07, 2006

DIA DA MÃE

O que é ser Mãe? Não apenas e só dar à luz, certamente. Tantas há que têm filhos e não sabem ser mães. É ter a responsabilidade de criar e especialmente de amar, educar e proteger, porque o papel da mãe não acaba após o parto. Ser mãe é também, não poucas vezes sofrer para evitar o sofrimento, sacrificar-se para evitar o sacrificio, um choro sem lágrimas com um sorriso estampado no rosto. A todas as mães e em especial à minha - que sofreu, sacrificou-se e chorou tantas vezes em silêncio para não nos magoar, que apesar dos obstáculos que por vezes nos parecem intransponíveis encontra forças impossíveis para ultrapassar, que apesar de por vezes não encontrarmos a forma mais correcta de demonstrarmos todo o nosso amor continua a amar-nos e a desculpar os nossos erros - um Feliz Dia da Mãe! TU continuas a ser a minha heroína!

sexta-feira, maio 05, 2006

ANJOS & DEMÓNIOS (ou A Vingança do Sexo Forte)

SEM COMENTÁRIOS

EGOÍSMO

Não tomes o meu desejo por amor
nem tão pouco o meu amor como certo,
que o amor é uma dose indeterminada
de loucura e heroísmo, fervendo
nas águas turvas de um lume brando
num imprecíso mas vasto travo...
de egoísmo.

TUDO O QUE EU TE POSSO DAR

Tudo o que eu te posso dar é o gosto a contragosto,
o travo agrídoce do meu desejo mais imperfeito,
fel e mel do meu pecado mais puro e perverso,
o desamor apaixonado e controverso, o sexo
que não confesso nem professo,
o verso e o reverso da minha insanidade,
das letras atiradas a esmo sem sucesso.
Tudo o que eu te posso dar é um pedaço de mim
que cria asas e faz que voa sem voar,
uma nuvem carregada que se dissipa numa lágrima,
rosa que não desabrocha, ressequida, solitária e esquecida,
um muito vazio que nos sufoca e nos afasta
quase sempre por quase nada.

HOJE O AMOR...


Hoje o amor é um desejo que ninguém confessa, uma urgente e breve troca de fluídos, um email impessoal e resumido no lugar vazio de um coração.