sábado, novembro 05, 2011

Tive nestes últimos dias o prazer de ver pela primeira vez 36- Anti-corrupção, filme de 2004, de Olivier Marchal, conhecido ainda por ter realizado MR 73 e ter participado como actor não apenas nestes filmes como ainda em Diamant 13 e Não Digas A Ninguém, filmes que marcam o novo cinema francês de acção. Este 36 é um polícial que encontra referências nos conhecidos Heat ou mesmo Cop Land, com a corrupção e jogos de poder entre os polícias. Com uma dupla de peso como protagonistas, Daniel Auteuil e Gerard Depardieu, este filme tem todos os ingredientes para nos prenderem ao ecrã durante quase duas horas, nada entediantes. Uma boa surpresa, num cinema ainda não muito ou valorizado entre nós.

segunda-feira, junho 06, 2011

MUDANÇA

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
 
 
Mudança... de hábitos, de vontades, de ideias e de gente, imprevistas ou calculadas, mais ou menos radicais, irrefletidas ou mais ponderadas e conscientes, a nossa vida segue ao ritmo das mudanças. A insatisfação inerente ao Ser humano, a sua ambição, o fazer face às próprias necessidades ou simplesmente confortos induziram desde os primórdios dos tempos a uma mudança tão benéfica como tantas vezes perigosa. Recordemos que a pólvora não foi inventada para fins bélicos, por exemplo.
Muitas coisas mudaram desde a última vez que aqui vim. Ganhos e perdas, foi, é, será sempre assim e cabe a nós saber conviver com o resultado das nossas acções, das nossas escolhas. Acredito que fiz o melhor, o que nem sempre sucede, apesar das intenções serem sempre as melhores. De boas intenções - soi dizer-se - está o inferno cheio. Os dias parecem agora correr de forma mais célere embora mais preenchidos, plenos de vida, duma felicidade até agora desconhecida,  própria das coisas seguras, de certezas e planos que são agora mais que sonhos, realidades.
Ontem, o País - ou uma parte não muito significativa que apesar da descrença nos políticos e na crise insiste em ter fé numa eventual mudança - foi às urnas num dia mais convidativo para um passeio à praia, a fim de escolher um novo Primeiro-Ministro, e, ao contrário dos últimos actos eleitorais, a mudança foi inequivocamente a vontade da maioria. Do acerto da escolha só o futuro o dirá, na certeza absoluta de que tempos difíceis se aproximam, de um esforço que a todos, sem excepções, deveria ser exigido e que sabemos de antemão não ser bem assim. A tradição, em muitos casos, ainda é o que era, e há coisas que não mudam nunca, apesar da vontade e das boas intenções das pessoas.

sexta-feira, abril 01, 2011

FRASE DO DIA

"Só vive quem não foge de morrer"

Irvin Yalom, psicoterapeuta e escritor

sexta-feira, março 25, 2011

SOLIDÃO

A solidão não é mais que um abraço desfeito pela ausência

COMPETIÇÃO

Perdemos o tempo, escravos das horas que correm, entre os verdes e os vermelhos dessa vida que nos diz para onde ir ou não, como um anúncio de tv que nos veste, nos lava e penteia o cabelo e dita os nossos gostos e opiniões. Perdemos o nosso tempo trocando o certo pelo incerto, os pormenores pela pressa e o canto dos pássaros  pelas buzinadelas dum trânsito caótico. Da mesma forma que antes trocávamos cromos trocamos agora afecto... por minutos que nunca chegam a tempo. Não sabemos onde nem quando parar. O que ganhámos? Nada, somamos desaires, família, felicidade, deixados para trás em qualquer berma dessa longa estrada, mas não deixamos de correr, mesmo sem saber para onde vamos, só para não sermos ultrapassados.

domingo, fevereiro 20, 2011

UM DIA...

"...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas
as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação."

Mário Quintana

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

MUITO BARULHO POR NADA

Muito Barulho Por Nada é o nome de uma comédia de Shakespeare, mais tarde com uma versão cinematográfica e cujo título em muito se assemelha ao estado das coisas em Portugal e às tendências comportamentais dos portugueses em geral, como de alguns políticos em particular.  Passos Coelho, líder do maior partido político da oposição,  voltou a não surpreender quem esteve atento a outras grandes decisões políticas que dependeram recentemente da sua capacidade de decisão e que poderiam ter afectado - positiva ou negativamente - o País e nas quais, como agora, chamou a si o protagonismo pelo arrastar da dúvida, pela agonia de uma resposta que se pretendia célere até à... abstenção, tão própria daqueles que tanto prometem e geralmente nada fazem, de quem não tem opinião formada, preferindo deixar tudo na mesma. Uma, duas, três vezes, outras tantas abstenções. Os últimos processos eleitorais já tinham passado a imagem de um país marcado não apenas pelo desânimo como também de alguma inércia, de alguma letargia, a facilidade com que nos deixamos cair no fado da inevitabilidade e do comodismo daqueles que acham que pouco ou nada podemos fazer e que é melhor aceitar os factos. Claro que já se sabia do óbvio, que PPC não iria aceitar uma moção que não tivesse sido sugerida por algum partido que não o seu, mas parece-me que lá para os lados do Partido Social Democrático continuam a faltar ideias, alternativas, prevalecendo a crítica fácil que não a construtiva. Feliz do Governo que em cenários de crise tem ainda a haver-se com oposições deste calibre!.... Afinal, para quê tanto barulho, apenas por um pouco de protagonismo mediático à imagem dos Big Brothers e das Casas dos Segredos? Parece-me triste, vulgar, mas é esse o estado da política, de Portugal e dos portugueses.

domingo, fevereiro 06, 2011

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

EFEITO BOOMERANG

A SIC deu a notícia: Havia romenos em Almada vivendo em condições sub-humanas. Tinham vindo à procura de trabalho, eram pessoas honestas e tinham um sonho que queriam realizar: voltar para a sua terra natal. Ficam bem os sonhos em qualquer conto de fadas que se preze. A "4Ever Kids", associação humanitária, sabia da dimensão da história, desde que bem contada, não importando que se distorcesse aqui e além a verdade sobre a realidade dos factos. E se assim pensaram melhor fizeram. Quem não lidava diariamente com este grupo de pessoas - a que tento evitar chamar de romenos para não generalizar toda uma nação - acreditou na reportagem e chegou até a emocionar-se. Conseguidos os financiamentos necessários de quem se enterneceu ou simplesmente procurou algum tipo de impacto mediático, cerca de 40 pessoas tiveram direito a banho, comida e bilhetes só de ida para a terra dos sonhos, o que parecia ser o final perfeito para uma verdadeira história de grande valor humanitário. Os portugueses sempre tiveram o condão de, mesmo em tempos de crise como os agora vividos, conseguirem dar uma parte do pouco que ainda lhes resta para ajudarem quem mais necessita, seja no Continente, Madeira, Açores ou por esse mundo fora onde haja gente a passar fome e necessidade. Só que estes romenos fazem lembrar aqueles boomerangues a que achávamos tanta graça na nossa infância, que por mais longe que os arremessássemos voltavam sempre ao ponto de partida, uma e outra vez, tantas quantas fossem as nossas tentativas. Ah, pois é! Cerca de um mês volvido desde a sua partida, após terem passado junto das suas famílias o Natal e Ano Novo - a expensas do Zé Povinho -, estes "simpáticos" "trabalhadores" que por alguma razão foram expulsos de França, Espanha, etc,  estão de regresso - algumas caras novas entre uma maioria já conhecida -, tão civilizados, honestos e higiénicos como sempre, cada vez mais refinados na arte do engano, de uma descarada falta de respeito pelas regras e instituições, por um povo maioritariamente bom, mas por vezes tão ingénuo.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

CHINESICES COREANAS E PIRATAS MODERNOS

 Eu sei que a maioria dos que por aqui passam não têm a possibilidade de assistir a algumas das séries ou filmes sobre os quais posto e até aposto que para alguns, falar de Windstruck, My Sassy Girl, Shin Min Ah ou Moon Geun Young é falar chinês. Não é, mas quase! Fruto da falta de divulgação como também de algum preconceito e ideias pouco fundamentadas sobre a qualidade do que se faz na Ásia ao nível do cinema e televisão, os portugueses tendem a pensar que os filmes orientais são todos de terror ou sobre tipos que voam por cima das árvores enquanto lutam e que o único bom actor se chama Jackie Chan, mas apenas na sua versão ocidental. O resto, por ignorância, estará para a sétima arte e para os grandes blockbusters como as lojas dos 300 para as grandes superfícies comerciais e as suas lojas de marca. Pode ser que, numa manobra de sedução, agora que o investimento chinês é visto com tão bons olhos - mesmo daqueles em bico -, haja uma maior aposta na divulgação da cultura asiática. Até que esse dia chegue, nós, aqueles que por uma qualquer razão absurda e incompreensível, fãs dos doramas e dos filmes com homenzinhos amarelos - que não os Simpsons - em que os personagens se tornam quase tão difíceis de distinguir como os seus nomes de decorar, teremos de esperar sentados como Budas, que um em cada duas ou três centenas de filmes seja comercializado em Portugal ou, em contrapartida, façamos parte da estatística da pirataria audio-visual, que, ao contrário do que muitos defendem, não existe apenas porque os filmes estão demasiado caros ou pela pressa de ter em nossa posse o último Harry Potter ou outro qualquer grande êxito americano que ainda nem tenha estreado nos nossos cinemas. Mas desse assunto, da pirataria, deixo para outras núpcias, que de piratas pouco percebo e que continuo a preferir os verosímeis Stewart Granger ou Errol Flynn aos novos piratas das caraíbas.
Assim, mesmo continuando pouco conhecidos entre nós, faço referência pela qualidade - na minha modesta opinião a duas séries (doramas) a que afortunadamente tive acesso recentemente. A primeira, My Girlfriend Is A Gumiho sobre um rapaz extremamente imaturo e covarde habituado a viver às custas do tio e uma raposa de nove caudas que toma a forma humana de uma belíssima mulher e que vai virar a vida dele do avesso, tudo isso enquanto tenta que ela não lhe coma o fígado. Confesso que a história me surpreendeu, com personagens que nos cativam desde o primeiro instante, mesmo o dos vilões. 

a vitória contra o mal justifica grandes sacríficios, até morrer por quem se ama

quem não perderia os sentidos?

poderá o amor sobreviver às diferenças?

 Ainda mal refeito de uma série que deixou alguma nostalgia ao terminar, descobri-me noutro excelente drama sul-coreano de contornos psicológicos que é Cinderella's Sister, e na variedade e complexidade dos seus personagens, excelentes objectos de estudo. A história debruça-se sobre uma jovem, pouco habituada a viver em lugares certos, fruto da vida inconstante da sua mãe, se vê de repente numa nova realidade, mais estável, no seio de uma família que as acolhe. Sempre desconfiada, como um animal selvagem acossado, hesita em criar quaisquer laços com o novo lar ou com as pessoas que o integram, para evitar sofrer no caso de uma nova partida. O pior é quando vê a sua nova e demasiado carente irmã tomar a atenção e os cuidados da sua própria mãe. Muito provavelmente, a melhor série que já vi, com personagens que inequivocamente irão perdurar durante muito tempo na memória.

para sobreviver na selva da vida...
regra número 1: não ceder às emoções

quinta-feira, janeiro 06, 2011

E QUEM PROTEGE A POLÍCIA?

Ainda a respeito de notícias que me surpreendem - ou talvez não - ouvi na televisão que tinham sido dadas indicações superiores para que, no sentido de fazer face à tão anunciada crise, nas esquadras da PSP só se ligassem as televisões duas vezes por dia - de preferência à hora do telejornal - e que se aproveitasse a água da chuva para lavar os carros das ditas esquadras. Até compreendo a ideia de reciclagem em relação à água da chuva, embora eu ache que será nos meses de Primavera e Verão que irão ser feitas mais detenções, posto que nessa altura os carros estarão tão sujos que será complicado aos infractores saberem que aquele é um carro da polícia ou não. Numa opinião mais abrangente, acho absurdo que quem estipula estas medidas espere credibilidade por parte da população, pois continuo sem perceber como, com tantas outras áreas onde se pode perfeitamente minorar alguns gastos, porque insistem em fazê-lo em sectores tão essenciais como a segurança ou mesmo a saúde? Senhores ministros e senhores deputados, que tal se seguissem algumas das sugestões e cortes que tanto apregoam e defendem? Caro senhor Presidente da República, que tanto fez questão de recordar-nos nas mensagens de Natal e Ano Novo nos sacrifícios que teríamos de fazer neste difícil ano que ainda agora começou, que tal começar por abdicar de alguma das suas reformas, só para termos a certeza de que nem todos os nossos forçados e involuntários esforços não serão em vão e muito menos actos solitários de uma maioria que pouco já tem por onde cortar nos seus orçamentos? Indiferentes ao estrangulamento das famílias portuguesas, os candidatos a Belém persistem numa luta difamatória que a poucos chega a interessar, em que ao invés de promoverem uma imagem de respeito - mesmo que fictícia - entre o eleitorado, conseguem denegri-la a cada dia que passa, a cada palavra que dizem. E é esta forma de fazer política, tão mesquinha mas infelizmente tão vulgar entre nós que me vai fazer ir às urnas para eleger alguém em cujo sentido de ponderação e sabedoria deveríamos confiar? Duvido.

P.S. Propositadamente ou não, deixei para o fim o comentário em relação à primeira medida anunciada de combate à crise nas esquadras portuguesas, por não achar que fosse relevante, tomando em conta aquilo que é hoje já praticado, que é o ligar-se a televisão apenas uma vez por dia. (logo pela manhã, só se desligando à noite)

terça-feira, janeiro 04, 2011

NEVOEIRO

Se o início de cada novo ano é um tempo afecto ao nascimento, à limpeza interior e a novas resoluções porque tinha de vir aquele nevoeiro de ontem reavivar-me sebastiânicas esperanças, lembranças de um tempo já gasto nas folhas de uma antiga agenda e em cujo regresso só eu teimo e acredito?


Desde que te foste perdi-me da minha luz-farol, que me fazia enfrentar cada tenebrosa tempestade sempre com um sorriso nos lábios e a linha de um horizonte distante como objectivo, perdi-me do porto de abrigo onde no final de cada dia soltava a minha âncora e por ti me deixava levar, só por ti, de olhos vendados, até ao fim do mundo e mais além se preciso fosse.



AMOR

 Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim,
que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame,
não me importando com que intensidade.
  
                                                                            Mário Quintana