terça-feira, outubro 30, 2007

MOMENTOS

Os melhores momentos da nossa vida não se medem em dias nem em horas, mas no prazer que deles conseguimos retirar, por vezes em poucos minutos. O prazer é mais do que uma noite de sexo desenfreado, do que ser totalista no primeiro prémio do euromilhões, do que um golo da nossa equipa sobre o maior rival no último minuto dos descontos num fora-de-jogo metido com a mão e que o árbrito não vê. O prazer é mais intenso do que isso, mais puro e genuíno quanto um sorriso pode ser, meia duzia de palavras, um brilho no olhar, o coração nas mãos e a capacidade de fazer de alguns minutos parecerem horas. Quem diz que é preciso muito para ser feliz?
(ontem à tarde não foi)

segunda-feira, outubro 29, 2007

6 HORAS DE VIDA


No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia:
- A senhora tem seis horas de vida.
Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo ao marido. Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela a fazer sexo. Fazem uma vez, ela pede para repetirem. Fazem de novo, ela pede mais. Depois da terceira vez, ela quer de novo. E o marido:
- Ah, Maria, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã. Tu não!!!

UM HOMEM DE LETRAS

Sou somente um homem de letras despido de fé,
um homem de versos, odes e estrofes,
eloquente na semântica de palavras distintas
que s'ajeita com as sílabas, qu'inventa rimas,
e até cita Camões, Pessoa e Lobo Antunes.
Sou um homem que usa de parábolas e metáforas,
que faz da escrita desabafo, prosa e poesia,
pequenas e modestas pérolas literárias;
um homem de letras caído em desgraça
que escreve de cor sobre desejo, sexo, dor,
ódio, ciúme, vida e morte. Um erúdito
que nunca soube o que era amor,
que nunca ofereceu uma flor que fosse
que não tivesse sido retirada d'um livro,
jardins secretos de uma alma ferida;
um homem de letras, um contador de histórias,
um mágico, um inventor de coisa nenhuma,
um carpinteiro d'emoções
que todavia martela o próprio dedo
sempre que passa da palavra escrita à chamada oral,
que nunca encontrou as palavras certas
para expor do coração os sentimentos;
um homem de letras vestido de silêncios constrangedores
escrevrendo sobre paixões intemporáis e beijos que nos deixam sem ar
mas que nunca conseguiu dizer "amo-te!"
sem manchar a alvura imaculada duma folha virgem.

HOJE COMO ONTEM

Sou hoje como ontem
uma criança com uma bola nos pés,
mesmo que não saiba o que fazer dela.
Ontem como hoje
um menino quedo e mudo, perdido
frente a frente com uma menina bonita
sem encontrar o meu caminho.

domingo, outubro 28, 2007

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Hoje dei por mim a pensar nas semelhanças entre um blogue e a vida de cada um de nós. Não porque considere um blogue algo de importante, longe disso, mas não daremos por vezes mais importância à vida do que aquilo que ela merece? Eu sei que há gente que passa por inúmeras dificuldades e que até pode ver no que eu digo qualquer espécie de heresia, mas sinto que por vezes, a maior parte de nós, passa pela vida como um corredor de fundo numa pista de obstáculos. Será que a vida é mesmo assim tão complicada, tão cheia de "ses" e de "talvez" ou seremos nós que a complicamos? Nos últimos dias verifiquei aqui, que nem sempre é fácil fazermos ou dizermos aquilo que queremos, com medo das consequências. Podia ter pensado simplesmente: "que se lixem!", e pronto. Mas não. Para lá da minha janela, as pessoas correm mesmo sem terem para onde ir, gritam, perdem a paciência com futilidades, blasfemam da vida, do trabalho, dos governantes e até dos clubes rivais, como se o futebol fosse motivo para nos zangarmos e fazermos zangar os outros. Porque temos de andar sempre à procura de preocupações em vez de soluções? Poucas coisas na vida valem o preço de um sorriso de uma criança, do brilho no olhar daquele ou daquela que nos ama. Quase nada na vida se compara a um abraço apertado - e tão pouco nos abraçamos hoje em dia. É o barco já saiu, o preço do pão que aumentou e o Benfica a ganhar novamente quase a acabar o jogo... paciência. É tão mais fácil falarmos mal dos outros, mandar alguém à merda, "vai-te f...", do que dizer "Amo-te". Ninguém é feliz ou está completo se não tiver o amor de alguém. Teremos vergonha de amar? Será que temos tanta tendência para nos escondermos e protegermos da vida, que perdemos o fascínio do risco? Regresso às palavras de Álvaro Pacheco, quando diz: "ah, é preciso ter coragem para ser feliz". Será que em algum tempo da nossa infância nos perdemos desse dom tão especial que é a capacidade de sermos felizes e de fazermos os outros felizes? Será que é a vida assim tão complicada ou fomos nós, que para não nos machucarmos, a complicámos? É por isso que nunca devemos críticar os outros por serem diferentes de nós, por por errarem ou fazerem figuras tristes, na procura da felicidade. Quem nunca levou um "nao" não sabe o gosto da vitória, mesmo que tenhamos de perder para alcançá-la. Um dia o filho procurará o aconchego do pai para lhe dizer "és o melhor pai do mundo e eu gosto muito de ti", alguém vai agradecer-lhe ter perdido aquele autocarro para o ajudar, alguém vai abrir os braços e responder-lhe "sim, porque sem ti não consigo ser feliz". Eu acredito. Por isso este é o blogue de um homem que gosta de futebol, mulheres, cinema, música e escrita, não necessáriamente por esta ordem. É também o blogue de alguém que gosta essencialmente de escrever, embora ache que não tenha nada de especialmente relevante a dizer, mas a maior parte dos políticos também não tem e ninguém os consegue calar. Este é o blogue de alguém que acredita no futuro, porque de outra forma não valeria a pena acordar amanhã nem depois. Acredito que todos os sacríficios serão um dia recompensados e com um bocado de coragem terei então direito ao meu quinhão de felicidade. Um dia, alguém irá abrir os seus braços... e eu vou querer estar lá.

sexta-feira, outubro 26, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

PORQUE A DIFERENÇA É... O QUE NOS UNE

As pessoas são hipócritas. Criticam toda a gente pelas costas: os amigos, a família, os vizinhos... Católicos quase por tradição, rezam fervorosamente e clamam vezes sem conta o nome d'Ele em vão, mesmo quem diz não acreditar. Mal saem da igreja voltam a falar da vida alheia como se fossem eles os imaculados guardiões de uma moral decadente e ultrapassada. Criticam tudo o que é diferente e riem-se, como se com a humilhação se esquecessem que a crítica é um meio de esquecer a sua falta de coragem em ousar as suas próprias fantasias, soterradas no escrínio secreto da memória, soterradas em falsas moralidades. Esquecem-se que Hitler matou milhares de judeus em nome da raça ariana e que muito antes dele - e segundo a história da Bíblia - o próprio Jesus foi crucificado por ser diferente. Cuidado com os telhados de vidro, quando sem pensar, atiramos a primeira pedra. Este é o mote para algumas linhas que de quando em quando se vão debruçar sobre muito do que é considerado diferente e fácilmente objecto de ataques viperinos de uma verborreia inócua, que tantas vezes magoa bem mais que paus e pedras.
MÉNAGE À TROIS é um desses casos. Ménage à trois, ou simplesmente Ménage, é a expressão francesa para casal a três, e que consiste numa relação sexual entre igual número de pessoas.

Considerado por muitos como uma espécie de fetiche, esta relação vista por muitos outros como uma aberração, pode ser praticada por: dois homens e uma mulher, com (MMF) ou sem (MFM) bissexualidade masculina, duas mulheres e um homem, com (FFM) ou sem (FMF) bissexualidade feminina, três homens (MMM) ou três mulheres (FFF)


Este tipo de relacionamento, a exemplo do swing, deve ser bem ponderado entre os seus intervenientes, nos casos em que duas ou mesmo as três pessoas tenham entre si laços sentimentais para além do acto em si. Este tipo de cumplicidade corre o risco de deteriorar os laços que unem aqueles que nele intervém.

Apesar do número crescente de praticantes e de uma sociedade que bate no peito autodenominando-se moderna e liberal, este tipo de relação ainda é praticado quase clandestinamente, mesmo nos países mais desenvolvidos, pois aqueles que a praticam continuam a ser descriminados, como se de criminosos se tratassem.


Independentemente de concordarmos ou não com esta prática, é tempo de mudarmos certas mentalidades, pois aqueles que a praticam não são doentes, não são diferentes de nós. Têm desejos mais ou menos normais (como nós) e têm a coragem de ousar, tendo prazer ou ferindo os seus sentimentos, arrependendo-se ou não... que interessa? São pessoas como nós, que sentem necessidade de amar e serem amadas, embora expressando os seus sentimentos e desejos de uma forma distinta.

sábado, outubro 20, 2007

PENSAMENTO DO DIA

Existem 68 posições para fazer amor. Na 69 limpam-se os instrumentos.

quinta-feira, outubro 18, 2007

QUANDO ESCREVO

Quando escrevo
invento
corações que dançam ao luar,
palavras
que nos enganam e que contam
segredos calados por revelar.
Quando escrevo
fazemos amor
no silêncio de palavras mudas
como só nós dois sabemos
e fazemos já de cor;
ter na ponta de uma caneta
a carícia de um corpo quente
e na ideia que nos guia uma língua,
ágil, fremente,
à revelia das palavras ditas.
Quando escrevo
em silêncio nos confessamos,
traímos sentimentos,
pecamos,
somos dois numa só frase
iguais na mesma linguagem,
eu e tu
paixão que invento
em cada letra,
em cada palavra
com que te descrevo,
ignorando esse pérfido desprezo,
ponto final com que terminas cada carta,
qual romance, palavras
qu'ainda hoje eu escrevo
e desde sempre a ti dedico.

terça-feira, outubro 16, 2007

QUEM TE VIU...










Eva Amurri, actriz, filha de Susan Sarandon e enteada de Tim Robbins, a comprovar o velho ditado de que "filha de peixe sabe nadar".

domingo, outubro 14, 2007

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Não tenho andado com muita pachorra para escrever. O horário das tardes não me deixa muito tempo livre e o FM ainda menos. Estou a escrever e a olhar para o relógio, que não me deixa esquecer que daqui a pouco tenho de ir trabalhar. "Já vai!", resmungo. O humor também não anda em alta, esta semana e nem precisava de ter perdido algum do meu tempo a matutar nos milhões gastos na Igreja da Santíssima Trindade e em como a Igreja poderia realmente ajudar quem precisa, se estivesse disposta a isso. Pessoalmente, acho que só lhes interessa saber os lucros que vão ter com as visitas de tantos fiéis e curiosos para ver a nova igreja e a estátua do falecido Papa João Paulo II. Esta semana foi marcada ainda pela visita de dois polícias à cívil à Delegação da Organização do Sindicato dos Professores da Região Centro, numa atitude a recordar-nos de tempos que muitos consideravam banidos. Liberdade?! Pois, os bebés vêm de Paris, em cegonhas e o Pai Natal também existe. Finalmente, parece que vão ser inauguradas as estações do Metro do Terreiro do Paço e Santa Apolónia, a 22 de Dezembro deste ano. Óptimo, podem lá ir experimentar "aquilo", que eu não tenho pressa. Não é medo, só que a disponibilidade é pouca e o pouco tempo que resta não é para ser gasto em aventuras. Esta semana foi também notícia a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Al Gore, pela sua preocupação pelas condições climatéricas e âmbientais. Será que agora poderemos passar das palavras aos actos, ou, numa opinião também muito pessoal, o objectivo do senhor Gore está já alcançado e o seu sonho de vir a habitar a Casa Branca mais próximo? Felizmente a selecção ganhou - podes ir embora, Scolari - e a genuínamente nacional Isabel Figueira anda aí de novo, belíssima e disponível para nos continuar a deliciar a vista. Uma boa semana e façam o favor de ser felizes!

quarta-feira, outubro 10, 2007

EVASÕES (Reese Witherspoon)

Laura Jeanne Reese Witherspoon, actriz, nascida a 22 de Março de 1976, em New Orleans, Louisiana, protagonizou o seu primeiro filme em 1991, o drama Man On The Moon. Com vários papéis em comédias do estilo juvenil, é, na minha opinião, em filmes como Cruel Intentions ou Just Like Heaven que viria a revelar-se um dos novos valores do panorama cinematográfico.

segunda-feira, outubro 08, 2007

ENQUANTO DANÇAS...

Estou preso, mas tu danças!...
e tudo pára enquanto danças.
À luz difusa de um olhar aceso
um coração quedo e mudo grita
duma paixão acorrentada p'los grilhões da alma.
Estou preso, mas tu danças!...
Não pára, siga siga!... e eu sigo
tonto como um bêbado,
o teu corpo nos meus olhos
meu coração largado nas tuas mãos
nessa dança que tu sabes qu'eu danço
danço e não paro
danço sem parar!

sábado, outubro 06, 2007

EVASÕES

Esta nova-iorquina nascida a 27 de Março de 1970, em Long Island, é, não só uma mulher especialmente bonita como dona de uma das mais espectaculares vozes da música actual. Com uma carreira recheada de sucessos, a nível musical, tem sido o cinema o seu calcanhar de Aquiles, onde apesar de uns poucos filmes ainda não conseguiu destacar-se. Casada em 1993, separou-se em 97, ano em que o seu estilo predominantemente pop foi substítuido pelos R&B e pelo hip hop, e a sua imagem de menina boazinha deu lugar a uma bem mais provocante e sexy.

PASSOS NO ESCURO

Não há nada aqui,
morre-se simplesmente
numa vida que fatalmente
há-de acabar na morte.
Não há nada aqui,
entre o céu e o inferno
entre o certo e o errado,
não há nada, ninguém.
Não há nada aqui,
senão os dias que gasto
à espera de um sinal
que me leve até ti.
Não há nada aqui,
já não há amigos
nenhum caminho a seguir,
apenas uma melodia
na rádio nostalgia
e um livro de poemas
à espera de alguém que o leia.
Não há nada aqui,
só o vazio, a escuridão
um deserto sem um oásis,
nada, ninguém, só tu, só eu
mas nem mesmo assim
eu consigo encontrar-te.

sexta-feira, outubro 05, 2007

UM PORTUGAL ADIADO


A 5 de Outubro de 1910, foi proclamada em Lisboa, nos Paços do Concelho, a República Portuguesa, pondo-se desta forma termo, a mais de sete séculos de regime monárquico. Quase 100 anos volvidos desde então, a pergunta pertinente mantém-se: Valeu a pena? O povo começou a ter direito de voto, apesar de, dois ou três meses depois, 60 a 70% dos eleitores se manifestarem arrependidos da sua escolha. O País continua no fundo da maioria das listas de sondagens, na educação, no salário, nas condições de vida... Em contrapartida estamos entre os primeiros na criminalidade, nas violações dos direitos humanos, no analfabetismo - lê-se tão pouco em Portugal, e não estou a falar nas Marias nem nas Bolas. Entre os símbolos nacionais, todos conhecem a bandeira mas desconhecem o significado das suas cores e símbolos; o hino é mal trauteado entre os jovens, que pouco mais conhecem do que o seu refrão e mesmo assim mal. Poucos sabem quem foi Alfredo Keil e menos ainda ouviram falar em Henrique Lopes Mendonça. Por último, a imagem do Presidente é a de alguém cuja importância no panorama político é semelhante a uma figura de corpo presente: nenhuma. A memória viva dos grandes símbolos nacionais esvai-se nas lembranças daqueles a quem a maioria já não liga: os velhos. Amália, Eusébio, o Benfica das grandes conquistas, Otelo, Camões, Pessoa e Salazar, o fado, são meras referências nos livros de história. Hoje, cá como no estrangeiro, Portugal é Cristiano Ronaldo e Mourinho. Um é jogador de futebol, tem 20 e poucos anos, muito dinheiro e pouco juízo, tratando as mulheres como se fossem mercadoria. O outro, mais velho, dizem que é o melhor treinador do mundo, especial. E ele admite-o. É famoso pelos castigos que apanha e pelas artimanhas desleais, além de estar sempre envolvido em polémicas e climas de guerra com toda a gente que directa ou indirectamente se atravessa no seu caminho. Mau, muito mau para quem começa agora a entrar na fase adulta e procura referências que o ajudem a descobrir um pouco mais de Portugal e dos portugueses. Porque efectivamente somos mais do que isso. Carregamos nas costas uma cultura secular, dos Descobrimentos - sim, demos um novos mundos ao Mundo -, à arte, à música, à literatura, etc etc etc. É altura dos portugueses se orgulharem das suas raízes e lutarem em uníssono contra a descaracterização do nosso passado. O futuro, o nosso e dos nossos filhos, a sua educação cívica e formação, depende muito daquilo que escolhermos hoje. É errado pensar que uma pessoa não consegue mudar o rumo de um País, não valendo sequer a pena tentar. Um filme de há alguns anos atrás, Favores em Cadeia, com Kevin Spacey, explica que não é uma utupia. Retomo aqui uma frase que já aqui mencionei, de um dos maiores valores da actual literatura portuguesa, Baptista-Bastos: "O homem quando quer, consegue tudo - até voar". O tempo urge e talvez seja altura de olharmos para dentro de nós, bem para além do próprio úmbigo e nos questionar-mos sobre o que temos feito mal, o que poderemos mudar, pequenas coisas, pequenos gestos. Andar menos de carro, praticar desporto, fumar menos, não deitar lixo para a rua só porque a rua já está suja, fazer as pazes mesmo que tenha de pedir desculpas... Sim, você vai ler isto e primeiro vai achar que o texto foi longo e chato, depois até vai concordar com ele num ou noutro aspecto, porque não está para deixar o prazer que o tabaco lhe dá e o carrito até dá mais jeito do que ir a pé... até ao café. A seguir decide-se a cumprir o seu dever cívico, porque os filhos têm direito à saúde e a um mundo melhor. Por último e como português genuíno que é, resolve deixar para amanhã e amanhã para depois e depois... Só que o amanhã é sempre ontem e encontramo-nos sempre atrasados sem saber nem para quê, a correr para os transportes, para o trabalho e do trabalho para casa, num stress vicíante e egoísta sem tempo para pensar nos outros, mesmo naqueles que estão mais próximos.


(desculpem se vos entediei, mas por vezes dou aos dedos rédea solta e deixo-os galopar sobre as teclas como cavalos selvagens que não consigo nem desejo dominar. Sabe bem sonhar! Nessas alturas liberto a fúria contida da prisão dos dias sempre curtos para tanto que temos por fazer, esqueço as horas num grito de palavras mudas e perco-me em nenhures, para lá desse mundo que se alimenta de aparências e falsos pudores, longe dos grilhões da lógica e do bom-senso, e de tudo o que é proíbido.)

quinta-feira, outubro 04, 2007

PENSAMENTO DO DIA

"Quando Galileu demonstrou que a Terra girava, já os bêbados sabiam disso há séculos... "
(enviado pelo meu colega e amigo Paulo M.)

quarta-feira, outubro 03, 2007

CASO MADDIE FAZ BAIXAS NA PJ


Apesar de vir a tentar manter-me à margem do caso Madeleine, assunto já por diversas vezes focado neste espaço, é-me impossível deixar de salientar a demissão de Gonçalo Amaral como coordenador da investigação do desaparecimento da menina inglesa, imposta pela Direcção Nacional da Polícia Judiciária, após uma entrevista do inspector em que este críticava a intervenção da polícia britânica, segundo ele, subjugada aos interesses do casal McCann. Esta demissão já deu azo a diversas e díspares reacções de elementos ligados directa ou indirectamente ao caso. Com alguma estranheza, Gonçalo Amaral foi até agora a única voz do lado português, a fazer-se ouvir em defesa aos constantes e degradantes ataques com que os media britânicos têm abalroado a acção da PJ em todo este processo, além de visarem a conduta profíssional e pessoal do próprio Gonçalo Amaral. Defendem alguns que fez bem, porque quem cala consente e quem não se sente não é filho de boa gente. Alegam outros que não o deveria ter feito, nunca da forma que o fez e muito menos visando a polícia inglesa, que supostamente tem estado em absoluta cooperação com a sua congénere nacional. Este ataque, poderá pôr em causa futuras relações entre as polícias dos dois países, com uma natural maior dose de prejuízo para os portugueses. Assim, mudam-se as moscas e deixamos que os sobranceiros súbitos de sua majestade recomecem a bater no coitado do Zé Povinho, sem que alguém dê um murro na mesa e tenha a coragem de fazer uma acusação sólida com base em todas as discrepâncias encontradas até agora na actuação dos pais de Maddie desde o primeiro momento até agora. Quem tem, afinal, medo da verdade? Fez bem Gonçalo Brandão ou a sua demissão era um acto que se impunha?

terça-feira, outubro 02, 2007

RAPTORA DE BEBÉ CONDENADA A FICAR LIVRE

Alice Ferreira, a mulher de 37 anos, acusada pelo rapto da bebé do Hospital Padre Américo, foi condenada esta segunda-feira a quatro anos e oito meses de cadeia, com pena suspensa por igual período, desde que a arguída pague 30 mil euros de indeminização à família biológica. Recorde-se que a menina, agora com 15 meses, foi retirada, em 17 de Fevereiro de 2006 da enfermaria do hospital quando a mãe tinha ido jantar. Só mais de um ano depois, a 12 de Março passado, é que se descobriu a autora do crime, através de uma denúncia na PSP de Valongo, feita pela cunhada. Por ser auxiliar de geriatria, Alice Ferreira conseguiu um cartão de visita e entrou nas instalações. Quando deparou com um bebé sozinho numa enfermaria, terá cometido o rapto. Colocou o recém-nascido, que tinha problemas de saúde, num saco e saiu do hospital, introduzindo o bebé no seu automóvel. Depois disso, ainda regressou ao hospital para entregar o cartão de visita, sem levantar suspeitas. O crime gerou grande alarme e durante meses a PJ não conseguiu avançar nas investigações. Uma imagem de uma mulher, captada pelas câmaras de videovigilância do hospital, era a única pista e a sua divulgação acabou, mais tarde, por ser decisiva na identificação da raptora por parte de familiares. Uma cunhada, alertada pela ausência de documentação da menina, teve suspeitas e comunicou-as à PSP de Valongo. Confrontada pelas autoridades, Alice confessou o rapto. Tinha fingido a gravidez e o seu companheiro, nunca se terá apercebido que a menina não era sua filha nem que Alice nunca tivesse estado grávida. Presente a um juiz no Tribunal de Penafiel, em 13 de Março, a raptora ficou em prisão preventiva no Estabelecimento de Santa Cruz do Bispo. Os testes genéticos provaram a paternidade de Isaura e Albino Pinto, residentes em Cernadelo, Lousada, que tiveram de aguardar cinco dias para receber a filha Andreia Elisabete.
De acordo com a sentença, metade da indemnização deverá ser liquidada em 28 meses e a restante até ao final do período de suspensão da sentença. Estranhamente, Adriano Santos, advogado da família da bebé, afirmou que considera a «sentença justa e equilibrada». Também a advogada da raptora, Susana Babo, adiantou que vê «com bons olhos e com bom grande» a pena decidida para a cliente que representa, adiantando que «está de acordo com o que esperavam». Embora a lei apontasse uma prisão de dois a dez anos para este crime um relatório do Instituto de Reinserção Social, divulgado a 17 de Setembro defendeu que a mulher não fosse sujeita a prisão efectiva. Mas haverá dinheiro que pague impedirem um pai e uma mãe de assistirem aos primeiros sorrisos e gestos de um filho? Como reagiria o Juíz que decretou a sentença ou mesmo qualquer um de nós, a quem raptassem um filho? Não será altura de termos uma Justiça que seja mais justa e com penas mais severas? Que segurança podemos sentir quando vemos que as penas são tão brandas que não intímidam quem age fora-da-lei, antes pelo contrário, deixa que eles saiam da prisão para conviverem junto daqueles que como nós, vivem em conformidade com as regras da vida em sociedade.

MAIS UM ANO

Passa hoje mais um ano desde que te foste, nessa noite que às vezes sinto como se ontem fosse e embora a tua imagem por vezes fugídia se apresente, o respeito, o amor e a saudade continuam vincadas a ferro cá por dentro, num coração que nunca mais foi o mesmo desde a separação, como se algo se tivesse partido cá dentro, para sempre e eu fosse hoje metade de quem podia ser. O mundo consegue meter-me às vezes tanto ou mais medo do que quando era mais pequeno e a maldade das pessoas consegue atingir-me, aos trinta e muitos anos, com mais força do que nos meus dez ou doze, quando me escudava sobre a tua figura que para mim era imponente, e o futuro parecia ser um lugar seguro, sem armadilhas no caminho.