terça-feira, novembro 23, 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

SCOTT PILGRIM VS THE WORLD



Scott Pilgrim Contra o Mundo não era daqueles filmes que me chamava a atenção, pelo que foi com uma boa margem de risco que me decidi a vê-lo. Realizado este ano por Edgar Wright (Hot Fuzz e Grindhouse), o filme é baseado numa banda desenhada criada por Bryan O'Malley e conta no seu elenco com um grupo de jovens actores ainda a dar os primeiros passos no meio cinematográfico, como Michael Cera (Juno) ou Mary Elizabeth Winstead (Die Hard 4.0), além do eterno irmão de Macaulay  Culkin, Kieran, aqui no papel de companheiro de quarto gay de Scott. A história gira em torno do personagem de Scott Pilgrim, que integra uma banda quase desconhecida de Toronto e que se apaixona por Ramona Flowers, uma estranha rapariga americana cujo cabelo muda várias vezes de cor ao longo do filme. Como se não bastasse o improvável romance entre duas pessoas tão diferentes, Scott tem ainda de enfrentar os ex-namorados de Ramona (7), em duelos até à morte e sempre ao ritmo alucinante de um jogo de computador. Longe de ser um filme memorável, Scott Pilgrim é um bom entretenimento com excelentes momentos de humor, especialmente até ao início dos já referidos combates, altura em que o filme começa a ser um pouco fastidioso, não conseguindo na minha opinião explanar todas as suas potencialidades.

sábado, novembro 06, 2010

O PRIMEIRO BEIJO (de Fabricio Carpinejar)

Beija-se pelo primeiro beijo, mas o primeiro beijo não existe. Não há como dizer como foi o primeiro beijo se o beijo não se contenta em acabar. O primeiro beijo é tão-somente a fome do segundo, o desejo da sequência. Já se está no terceiro beijo enquanto se pensa no primeiro. Já se está no quarto beijo, no quinto beijo e o primeiro beijo não terminou. Já se está no sexto beijo, no sétimo beijo, e o primeiro beijo nem começou. O beijo é sempre o primeiro beijo, mesmo que seja o último. O primeiro beijo não é pedido. O primeiro beijo é roubar um beijo roubado, beijar o roubo do beijo. O primeiro beijo não é o beijo de delação, é o beijo dos cuidados, o beijo em que a própria boca enfim redime seu gosto de infância. O primeiro beijo é o gomo de um rio, o gomo verde de um rio. O primeiro beijo tem uma raiva suave, é um desaforo de ternura. Quando o grito pede para sair e fica. O primeiro beijo é alisar a fruta na lã, dar uma volta na quadra da semente e não arrancar o sumo. O primeiro beijo demora para sarar, depende de outros beijos. O primeiro beijo tem o mesmo sangue que corre nos olhos. O primeiro beijo é indeciso, sopra e não sela. Abre cartas e não fecha. Só respiração, sem dentes. O primeiro beijo não morde, não raspa, não modifica a madeira, pousa como esponja, repousa de pé. O primeiro beijo anda para trás para retomar o livro. O primeiro beijo perde a contagem de beijos. O primeiro beijo é ganhar uma voz sem perder a que havia. O primeiro beijo muda de timbre a lembrança, é o marcador de página dos beijos. O primeiro beijo é uma distracção das mãos.

Enquanto se beija não se percebe que se beija, é como estender o braço com a língua. O primeiro beijo escapou e ninguém viu, voltou e ninguém notou. É passear fora do corpo e estranhar as pernas. O primeiro beijo é mais íntimo do que qualquer nudez. O primeiro beijo é a nudez perdoada. O primeiro beijo é segurar o pescoço como uma janela. O primeiro beijo é o rosto que se beija dentro dos lábios. O primeiro beijo é dormir entre os dedos. O primeiro beijo vai beijando a memória enquanto se esquece. O primeiro beijo é nunca mais se distanciar do primeiro beijo. O primeiro beijo é uma despedida que não se acredita. Um início que se duvida. Depois do primeiro beijo, todo o beijo será o primeiro.

O PRIMEIRO BEIJO

Beijos. De entre todas as coisas que podemos fazer com a boca, de entre tudo o que podemos e desejamos fazer na vida, poucas coisas se comparam a um bom beijo, de preferência muitos e variados, do leve roçar de lábios ao tão popular beijo francês, curto ou mais prolongado, daqueles de tirar a respiração, quem não sonha com o seu primeiro beijo? Existem outras formas de demonstrar afecto, o toque das mãos, aquele olhar de quem não vê mais nada além da pessoa amada, mas é a expectativa do primeiro beijo - a par da famosa primeira vez - o motivo dos nossos primeiros suores frios, de todas aquelas ideias e das imagens que construímos na cabeça e que não raramente caem por terra na hora H. Não importam os planos, mas a experiência, a continuação. Por muito que nos recordemos do primeiro beijo, dificilmente ele será melhor do que o segundo e o terceiro, tese esta que serve também como boa desculpa, se depois deste desajeitado choque de lábios o seu parceiro ou parceira não se mostrarem muito entusiasmados. Convençam-no (a) que a próxima vez será bem melhor.  Não obstante, é a memória do primeiro e não do último que me acode ao pensamento - mais pela ternura do que pela perfomance. Ah, esse eterno e curioso sabor tantas vezes agrídoce das primeiras vezes!..., tão contrário à pressa, inimiga da perfeição, daqueles que querem engolir o mundo numa só golfada e que por isso - embora adquirindo rápida e vasta experiência - raramente lhe tomam o sabor que só o conhecedor e o paciente adquirem. Poucos ousam por estes dias em que nos achamos cada vez mais conhecedores da vida e das pessoas, psicanalistas de bolso, datar essas estreias - beijo ou sexo - para depois dos 18/20 anos, havendo mesmo uma espécie de orgulho masculino, uma competição para ver quem perdeu a virgindade mais cedo, da forma e nos locais mais inconcebíveis. Beijar, amar, não têm de ser uma corrida contra o tempo, um prazer tão somente intenso e instantâneo, mas uma partilha de emoções, sentidos e descobertas que vão prolongar e tornar cada momento memorável para além do momento do próprio beijo.

quinta-feira, novembro 04, 2010

QUANTO VALEM 15 MINUTOS DE FAMA?

Mayara Petruso, uma praticamente desconhecida estudante de Direito saiu do anonimato após o passado domingo, quando postou no Twitter e no Facebook opiniões ofensivas aos nordestinos, relacionadas com a eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher a ser nomeada Presidente do Brasil. Frases como: "Nordestito não é gente" e "Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!" ganharam uma repercussão enorme, tendo as suas contas nas conhecidas redes sociais sido canceladas, além de ser demitida do escritório de advocacia onde era estagiária, devido aos seus comentários preconceituosos. A liberdade de expressão é, ainda, uma das faces mais visíveis do perigo da internet - e não só, como vimos com o post anterior -, onde pessoas com maior ou menor exposição pública facilmente emitem pareceres que vão além de opiniões pessoais, ofendendo pessoas, grupos, étnias, etc, muitas das vezes motivando várias reacções de apoio que podem tornar-se perigosas. Graves, estas opiniões valem bem mais do que as palavras em que se inserem, são fruto de uma realidade xenófoba que existe no Brasil como em qualquer parte do globo. Preconceitos de várias espécies acompanham-nos frequentemente durante o nosso crescimento, na nossa formação, vivem paredes meias connosco, nas nossas casas, na vizinhança, nas escolas, mesmo nos meios de comunicação social, fomentando um ódio e um desprezo irracional (discussões políticas, religiosas, desportivas, etc). As palavras não são brinquedos para que possamos usá-las quando e da forma que quisermos e a liberdade não é algo tão linear como parece, obedece a regras de bom senso e não só e não deve ser confundida de forma que os nossos direitos se sobreponham aos direitos das outras pessoas. Mayara - que não tem a "imagem" de Berlusconi ou de outras figuras públicas - já terá começado a aperceber-se da importância de uma opinião na hora e local errados. Daí a arrepender-se irá uma grande distância, dependendo da sua personalidade, da forma como irá lidar com os seus "quinze minutos" de fama. Até que estes minutos expirem, muito se falará desta jovem, aparentemente de boa figura - como gostam os mídia - e, como o crime ainda compensa, não me admira que ainda consiga algum contrato, nem que seja para a Playboy.

terça-feira, novembro 02, 2010

ITALIANAS BONITAS E GAYS

"É Melhor gostar de mulheres bonitas do que ser gay"

As palavras são de Silvio Berlusconi, pessoa que não me deixa de surpreender, pelas suas atitudes inqualificáveis, pelas atrocidades que diz de cada vez que abre a boca, por aquilo em que acredita, pela arrogância e pela impunidade que continua a ter usando as pessoas a seu belo prazer, como se fossem meros peões num tabuleiro de xadrez e o dinheiro pudesse comprar tudo e todos. É grave, muito grave, para quem tem uma posição social e política elevada. A mais recente polémica, cujas palavras atrás transcritas foram o seu ponto alto, deve-se a ter recebido nas suas festas uma jovem marroquina menor de idade, festas onde, segundo outras acusações, jovens eram incentivadas à prostituição. Uma outra acusação, negada pelo Primeiro-Ministro italiano, é de que tenha telefonado à polícia para interceder por Ruby - a jovem menor - numa acusação de roubo. Quanto à opinião de Berlusconi, longe de ser apenas uma opinião - afinal gostos não se discutem - é uma afronta à liberdade e igualdade entre as pessoas, à comunidade gay e às próprias mulheres, dividindo-as entre bonitas e feias. Será que ser gay é melhor do que namorar uma mulher feia? Será que as pessoas bonitas e perfeitas, aquilo que é estéticamente belo e irrepreensivel é melhor do que o resto?, o vulgar, o tosco, normal? Senhor Berlusconi, eu gosto muito de mulheres, bonitas de preferência, mas para me afirmar, para expressar a minha opinião e os meus valores - que apesar de provavelmente mais sólidos e ricos ninguém dá importância (afinal, não tenho a sua eloquência no uso da palavra oral e muito menos o seu impacto junto do universo feminino) - não preciso de passar por cima de ninguém, de ofender seja quem for, porque os feios (e o que é ser feio?) ou os homossexuais merecem de mim todo o respeito. Sabe quantas mulheres feias e gays existem em Itália? Já terá reparado como as mulheres portuguesas estão cada vez mais bonitas, não sendo a beleza um exclusivo das italianas? Pense nisso, da próxima vez que for a votos. Talvez se surpreenda!

p.s. não seria justo terminar esta postagem sem um agradecimento a Silvio Berlusconi. Obrigado, muito obrigado! É nestas ocasiões, não raras, em que o senhor abre a boca para cuspir atrocidades, que me dou conta de que afinal, o nosso Primeiro-Ministro - que até o elogia, por vezes - perto de si parece um político a sério. Sinceramente, eu preferia ser gay a ser igual a si.