terça-feira, outubro 02, 2007

RAPTORA DE BEBÉ CONDENADA A FICAR LIVRE

Alice Ferreira, a mulher de 37 anos, acusada pelo rapto da bebé do Hospital Padre Américo, foi condenada esta segunda-feira a quatro anos e oito meses de cadeia, com pena suspensa por igual período, desde que a arguída pague 30 mil euros de indeminização à família biológica. Recorde-se que a menina, agora com 15 meses, foi retirada, em 17 de Fevereiro de 2006 da enfermaria do hospital quando a mãe tinha ido jantar. Só mais de um ano depois, a 12 de Março passado, é que se descobriu a autora do crime, através de uma denúncia na PSP de Valongo, feita pela cunhada. Por ser auxiliar de geriatria, Alice Ferreira conseguiu um cartão de visita e entrou nas instalações. Quando deparou com um bebé sozinho numa enfermaria, terá cometido o rapto. Colocou o recém-nascido, que tinha problemas de saúde, num saco e saiu do hospital, introduzindo o bebé no seu automóvel. Depois disso, ainda regressou ao hospital para entregar o cartão de visita, sem levantar suspeitas. O crime gerou grande alarme e durante meses a PJ não conseguiu avançar nas investigações. Uma imagem de uma mulher, captada pelas câmaras de videovigilância do hospital, era a única pista e a sua divulgação acabou, mais tarde, por ser decisiva na identificação da raptora por parte de familiares. Uma cunhada, alertada pela ausência de documentação da menina, teve suspeitas e comunicou-as à PSP de Valongo. Confrontada pelas autoridades, Alice confessou o rapto. Tinha fingido a gravidez e o seu companheiro, nunca se terá apercebido que a menina não era sua filha nem que Alice nunca tivesse estado grávida. Presente a um juiz no Tribunal de Penafiel, em 13 de Março, a raptora ficou em prisão preventiva no Estabelecimento de Santa Cruz do Bispo. Os testes genéticos provaram a paternidade de Isaura e Albino Pinto, residentes em Cernadelo, Lousada, que tiveram de aguardar cinco dias para receber a filha Andreia Elisabete.
De acordo com a sentença, metade da indemnização deverá ser liquidada em 28 meses e a restante até ao final do período de suspensão da sentença. Estranhamente, Adriano Santos, advogado da família da bebé, afirmou que considera a «sentença justa e equilibrada». Também a advogada da raptora, Susana Babo, adiantou que vê «com bons olhos e com bom grande» a pena decidida para a cliente que representa, adiantando que «está de acordo com o que esperavam». Embora a lei apontasse uma prisão de dois a dez anos para este crime um relatório do Instituto de Reinserção Social, divulgado a 17 de Setembro defendeu que a mulher não fosse sujeita a prisão efectiva. Mas haverá dinheiro que pague impedirem um pai e uma mãe de assistirem aos primeiros sorrisos e gestos de um filho? Como reagiria o Juíz que decretou a sentença ou mesmo qualquer um de nós, a quem raptassem um filho? Não será altura de termos uma Justiça que seja mais justa e com penas mais severas? Que segurança podemos sentir quando vemos que as penas são tão brandas que não intímidam quem age fora-da-lei, antes pelo contrário, deixa que eles saiam da prisão para conviverem junto daqueles que como nós, vivem em conformidade com as regras da vida em sociedade.

2 comentários:

teixeira disse...

Chegámos a um ponto em que este pais e não só este, esta num completo estado de estupidez.
Não existe justiça, não existe bom senso, não existe humildade, não existe amor, não existe sentimento, apenas e só interesses.
Alguém ainda acredita em justiça?????

Luz disse...

E o Juiz ainda diz que o rapto pode ser justificado por um amor egoísta.
Revolta é o que sinto!