sábado, setembro 11, 2010

OBRIGADO, MÃE!

Já aqui disse um bom par de vezes que Setembro é um mês, para mim, particularmente dedicado a aniversários, começando com o meu sobrinho mais novo, o meu irmão (já passados), o meu sobrinho mais velho, alguns amigos mais especiais e, no dia de hoje, a minha mãe. Igualmente já foi por mim referido nos anos anteriores da importância da minha mãe na minha vida, pela força, pelo afecto, por vários condicionalismos que ajudaram a moldar o meu carácter - virtudes e defeitos - e que me fizeram ser a pessoa que hoje sou. Estarei longe de ser uma pessoa perfeita e com a vida que sempre sonhei, mas conservo ainda os valores e os princípios pelos quais fui educado a tomar como certos. A minha mãe é, ainda hoje a minha grande companhia, o meu apoio, a mãe-galinha e protectora, cujos conselhos bem intencionados já nem sempre sigo, apesar de os respeitar e compreender. Há uma altura na vida, momentos em que o certo e o errado, o bom e o mau se confundem, segundo as perspectivas de quem dá e quem recebe um conselho. Nem sempre o que é certo para nós é aquilo que nos faz sentir bem, que faz o nosso coração bater mais forte. Não é apenas a justiça que é cega e o coração tem, todos sabem, razões que a própria razão desconhece. Viver, sentir, não obedece a lógicas ou normas pré-estabelecidas, é fruto muitas vezes de um momento, de um instante de loucura que tantas vezes dita uma vitória ou uma derrota, agir sem pensar ou perder o tempo pela falta de coragem. Não é pois de estranhar que um dia queiramos voar com as nossas próprias asas, cair se tivermos de cair e aprender a levantarmo-nos sem qualquer ajuda. Já caí, já escorreguei, já fui até empurrado, embora levantar-me continue a ser sempre a parte mais difícil. Os pais nem sempre compreendem essa atracção pelo abismo. Dizem: toda a gente cai uma vez na vida, duas é insistir no erro. Que dizer então de três ou quatro? Como esperar que compreendam o que por vezes até para nós é difícil de explicar? Amor, tudo se resume a isso, por ele vamos por atalhos, saímos da linha, saltamos sobre precipícios, percorremos o deserto e é esse mesmo amor, de uma forma diferente mas sempre incondicional que os pais têm, e que demonstram sem reticências, mesmo quando escolhemos esses caminhos errados (ou não), quando fazemos as nossas asneiras, quando mesmo não compreendendo, não concordando com as nossas atitudes e decisões está sempre presente no seu apoio, sem o qual cada queda seria mais dura, talvez irreversível. Ser pai deve ser - é seguramente - das coisas mais apaixonantes, mas também das mais complexas, difíceis que existem, tendo a responsabilidade de moldar um carácter, incutir valores, educar, dar-nos força mas também sensibilidade, elogiar mas também repreender. Se um dia chegar a ser abençoado pela paternidade, quero que o meu filho tenha todo o amor, a educação, os valores, toda a sorte que eu tive e ainda tenho. Obrigado, mãe! Por tudo!

6 comentários:

Carmo disse...

Miguel
Só depois de ser mãe compreendi que ser 'pai' é compreender, respeitar, apoiar, oritentar.
Um bjinho de parabéns para a tua mamã.

bj
mmoura

Fatinha disse...

Aí está um post cheio de verdade. Parabéns para a tua mãe!

Regina Rozenbaum disse...

É uma benção termos nossos pais ao nosso lado...seja do lado B, A ou C! PARABÉNS prá mamãe e prá vc também!!!
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Olga disse...

Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

Sonhadora disse...

Meu querido Miguel
Adorei a ternura por sua mãe, o pilar da família sem dúvida.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Fê-blue bird disse...

Amigo Miguel
Li cada palavra sua com emoção, emoção de mãe, pois o maior sonho de qualquer mãe é ter um filho a escrever sobre ela assim.
A sua mãe além de ser de certeza uma mulher fantástica, deve ter um enorme orgulho em si.
Parabéns a ambos!

Obrigada pelas suas carinhosas palavras nos meus blogues.
Regressei finalmente...tinha já tantas saudades destas partilhas.

Um beijinho