quinta-feira, janeiro 20, 2011

CHINESICES COREANAS E PIRATAS MODERNOS

 Eu sei que a maioria dos que por aqui passam não têm a possibilidade de assistir a algumas das séries ou filmes sobre os quais posto e até aposto que para alguns, falar de Windstruck, My Sassy Girl, Shin Min Ah ou Moon Geun Young é falar chinês. Não é, mas quase! Fruto da falta de divulgação como também de algum preconceito e ideias pouco fundamentadas sobre a qualidade do que se faz na Ásia ao nível do cinema e televisão, os portugueses tendem a pensar que os filmes orientais são todos de terror ou sobre tipos que voam por cima das árvores enquanto lutam e que o único bom actor se chama Jackie Chan, mas apenas na sua versão ocidental. O resto, por ignorância, estará para a sétima arte e para os grandes blockbusters como as lojas dos 300 para as grandes superfícies comerciais e as suas lojas de marca. Pode ser que, numa manobra de sedução, agora que o investimento chinês é visto com tão bons olhos - mesmo daqueles em bico -, haja uma maior aposta na divulgação da cultura asiática. Até que esse dia chegue, nós, aqueles que por uma qualquer razão absurda e incompreensível, fãs dos doramas e dos filmes com homenzinhos amarelos - que não os Simpsons - em que os personagens se tornam quase tão difíceis de distinguir como os seus nomes de decorar, teremos de esperar sentados como Budas, que um em cada duas ou três centenas de filmes seja comercializado em Portugal ou, em contrapartida, façamos parte da estatística da pirataria audio-visual, que, ao contrário do que muitos defendem, não existe apenas porque os filmes estão demasiado caros ou pela pressa de ter em nossa posse o último Harry Potter ou outro qualquer grande êxito americano que ainda nem tenha estreado nos nossos cinemas. Mas desse assunto, da pirataria, deixo para outras núpcias, que de piratas pouco percebo e que continuo a preferir os verosímeis Stewart Granger ou Errol Flynn aos novos piratas das caraíbas.
Assim, mesmo continuando pouco conhecidos entre nós, faço referência pela qualidade - na minha modesta opinião a duas séries (doramas) a que afortunadamente tive acesso recentemente. A primeira, My Girlfriend Is A Gumiho sobre um rapaz extremamente imaturo e covarde habituado a viver às custas do tio e uma raposa de nove caudas que toma a forma humana de uma belíssima mulher e que vai virar a vida dele do avesso, tudo isso enquanto tenta que ela não lhe coma o fígado. Confesso que a história me surpreendeu, com personagens que nos cativam desde o primeiro instante, mesmo o dos vilões. 

a vitória contra o mal justifica grandes sacríficios, até morrer por quem se ama

quem não perderia os sentidos?

poderá o amor sobreviver às diferenças?

 Ainda mal refeito de uma série que deixou alguma nostalgia ao terminar, descobri-me noutro excelente drama sul-coreano de contornos psicológicos que é Cinderella's Sister, e na variedade e complexidade dos seus personagens, excelentes objectos de estudo. A história debruça-se sobre uma jovem, pouco habituada a viver em lugares certos, fruto da vida inconstante da sua mãe, se vê de repente numa nova realidade, mais estável, no seio de uma família que as acolhe. Sempre desconfiada, como um animal selvagem acossado, hesita em criar quaisquer laços com o novo lar ou com as pessoas que o integram, para evitar sofrer no caso de uma nova partida. O pior é quando vê a sua nova e demasiado carente irmã tomar a atenção e os cuidados da sua própria mãe. Muito provavelmente, a melhor série que já vi, com personagens que inequivocamente irão perdurar durante muito tempo na memória.

para sobreviver na selva da vida...
regra número 1: não ceder às emoções

quinta-feira, janeiro 06, 2011

E QUEM PROTEGE A POLÍCIA?

Ainda a respeito de notícias que me surpreendem - ou talvez não - ouvi na televisão que tinham sido dadas indicações superiores para que, no sentido de fazer face à tão anunciada crise, nas esquadras da PSP só se ligassem as televisões duas vezes por dia - de preferência à hora do telejornal - e que se aproveitasse a água da chuva para lavar os carros das ditas esquadras. Até compreendo a ideia de reciclagem em relação à água da chuva, embora eu ache que será nos meses de Primavera e Verão que irão ser feitas mais detenções, posto que nessa altura os carros estarão tão sujos que será complicado aos infractores saberem que aquele é um carro da polícia ou não. Numa opinião mais abrangente, acho absurdo que quem estipula estas medidas espere credibilidade por parte da população, pois continuo sem perceber como, com tantas outras áreas onde se pode perfeitamente minorar alguns gastos, porque insistem em fazê-lo em sectores tão essenciais como a segurança ou mesmo a saúde? Senhores ministros e senhores deputados, que tal se seguissem algumas das sugestões e cortes que tanto apregoam e defendem? Caro senhor Presidente da República, que tanto fez questão de recordar-nos nas mensagens de Natal e Ano Novo nos sacrifícios que teríamos de fazer neste difícil ano que ainda agora começou, que tal começar por abdicar de alguma das suas reformas, só para termos a certeza de que nem todos os nossos forçados e involuntários esforços não serão em vão e muito menos actos solitários de uma maioria que pouco já tem por onde cortar nos seus orçamentos? Indiferentes ao estrangulamento das famílias portuguesas, os candidatos a Belém persistem numa luta difamatória que a poucos chega a interessar, em que ao invés de promoverem uma imagem de respeito - mesmo que fictícia - entre o eleitorado, conseguem denegri-la a cada dia que passa, a cada palavra que dizem. E é esta forma de fazer política, tão mesquinha mas infelizmente tão vulgar entre nós que me vai fazer ir às urnas para eleger alguém em cujo sentido de ponderação e sabedoria deveríamos confiar? Duvido.

P.S. Propositadamente ou não, deixei para o fim o comentário em relação à primeira medida anunciada de combate à crise nas esquadras portuguesas, por não achar que fosse relevante, tomando em conta aquilo que é hoje já praticado, que é o ligar-se a televisão apenas uma vez por dia. (logo pela manhã, só se desligando à noite)

terça-feira, janeiro 04, 2011

NEVOEIRO

Se o início de cada novo ano é um tempo afecto ao nascimento, à limpeza interior e a novas resoluções porque tinha de vir aquele nevoeiro de ontem reavivar-me sebastiânicas esperanças, lembranças de um tempo já gasto nas folhas de uma antiga agenda e em cujo regresso só eu teimo e acredito?


Desde que te foste perdi-me da minha luz-farol, que me fazia enfrentar cada tenebrosa tempestade sempre com um sorriso nos lábios e a linha de um horizonte distante como objectivo, perdi-me do porto de abrigo onde no final de cada dia soltava a minha âncora e por ti me deixava levar, só por ti, de olhos vendados, até ao fim do mundo e mais além se preciso fosse.



AMOR

 Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim,
que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame,
não me importando com que intensidade.
  
                                                                            Mário Quintana