quinta-feira, outubro 15, 2009

CHAMEM O DUKE!

Tempos difíceis os que vivemos, pensei para comigo mais que uma vez durante as últimas 24 horas. Já lá vai o tempo em que o herói podia dar uma valente sova aos maus da fita e toda a gente ficava feliz. Menos os ditos maus, claro está. Mas com esses ninguém se importava. Outros tempos, outras mentalidades. No tempo do Duke, o xerife prendia os vilões e entregava-os aos juízes, que nessa altura tinham o estranho hábito de os condenar. Tempos houve em que erguer os punhos para defender a honra de alguém ou para socorrer gente indefesa era considerado meritório, mesmo que para isso tivesse de partir umas quantas cabeças e braços, partir a mobília de um café ou deixar um rastro de carros totalmente destruídos atrás de si, enquanto a população nos aplaudia frenéticamente. Era um tempo em que os pais podiam ainda bater nos filhos de vez em quando, para os castigar, mas em que nenhum homem batia numa mulher, porque homem que fosse homem não batia nunca numa mulher, nem levava. Eram anos em que as mulheres ainda usavam saias ou vestidos, tinham vaidade na sua condição feminina e deixavam-nos acreditar que eramos nós que mandávamos. Os professores tinham tempo para ensinar e de vez em quando ainda puxavam da régua, os polícias mantinham a ordem, ou porque os respeitássemos ou porque os temessemos. Ainda não havia a ASAE e o Martinho da Arcada já era frequentado por uma élite de pensadores que morreria de vergonha se visse no que o Homem se transformou. A carne, nessa altura, tinha sabor a carne e a selecção portuguesa, embora perdendo mais do que ganhava, só tinha portugueses e jogava-se - imagine-se o disparate - com amor à camisola. Mas os tempos evoluíram, os Bogarts passaram a ser encarados como dinossauros em vias de extinção e o Homem rude e de pavio curto deu lugar a uma geração de Oscar Wildes ou Woody Allens, onde pensar vinha sempre antes de agir. O Homem moderno e civilizado, diziam. Um Homem com sentimentos, que suspira ao jeito de um José Castelo Branco, um defensor de mil e uma causas mas que não levanta um dedo que seja para defender as suas causas, um revolucionário que usa as palavras - ou os cravos - como arma. Ontem estava no café a tomar o pequeno-almoço quando fui interpelado por um garoto, desses romenos ou sem-pátria que andam para aí sem trabalhar e a impregnar o nosso ar com a falta de higiéne deles. A minha mãe disse-lhe que não estava interessada no que quer que fosse que ele estivesse a vender, no que foi rápidamente imitada e ridicularizada por ele. Não sei se nestes estranhos tempos que correm existe alguma desculpa plausivel para a violência, mesmo que seja para defender a honra de um familiar quer fosse para salvar alguém em apuros. Sei que perdi a cabeça e a noção de civísmo. Levantei-me, peguei no energúmeno e lancei-o para fora do café. Só que ao contrário das palmadas nas costas que o Duke receberia, as poucas pessoas ali presentes viraram a cara para que não visse o esgar de incómodo que a minha reacção lhes causou. Bolas, pensei! É triste quando um homem não pode coçar os tomates em público ou ter uma atitude à homem só porque o Homem moderno não age, apenas pensa. Se calhar devia tê-lo convidado para tomar um café e uma sandes de pão com fiambre. Agora compreendo melhor a frustração de um polícia quando um puto qualquer o injuria e calunia em público e ele tem de ouvir e calar, porque se calhar ainda é capaz de ir preso se lhe incutir um pouco de educação à boa maneira antiga. Mas isto sou eu ainda a remoer e a divagar sobre coisas vagas que não interessam mas que me deixaram a pensar.

3 comentários:

lumadian disse...

Fizeste muito bem.
Que importa o que as pessoas acham, importa o que está realmente correcto.

Café e meio disse...

Estou totalmente de acordo contigo. Eu faria o mesmo. Gentinha insuportável esses romenos...

mjoaob disse...

Opa é, mau dizer, mas não posso mesmo com eles...
Infelizmente cada vez mais, ninguém se preocupa com o próximo e estão todos muito preocupado em manter as aparências. Ainda bem que ainda há quem não seja desses e VIVA.
Um boa semana