
Já não há tempo para sonhar, não há castelos de areia junto ao mar nem cavalos de madeiras, daqueles, onde nas praias da minha infância se tiravam às crianças fotografias a preto e branco. Já não há fado castiço, não ha Alfredo, não há Amália, há má fama em alfama. Já não há cowboys, heróis de capa e espada, Sandokans. Hoje todos são bandidos, ninguém mais quer ser mocinho. Já não roda o pião, não desce o aro rua abaixo, já não grita o ardina de saco às costas as novas do dia. Já não há beijos às escondidas, nem olhares mais corados, já não há varinas, calaram-nas, às varinas que à porta nos traziam pregões e sardinhas fresquinhas. Já não há poesia como Camões a escrevia, nem colecções de caricas, nem vitórias europeias do Benfica. Já não há idade para a inocência, não há mais virgens no altar, não há nada... nada mais que a saudade.
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