domingo, fevereiro 14, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


ROMÂNTICOS E CAVALHEIROS

Ricardo tinha a cena bem presente na memória, várias vezes a vira. Romeu, julgando Julieta morta, toma o veneno. Quando ela desperta da sua aparente morte e o vê, tombado e sem vida, mata-se também, porque para eles a vida de nada valia se não pudessem estar juntos. Romântico, pensava, apesar dos seus amigos do escritório lhe dizerem que algo assim seria impossível ou mesmo estúpido nos dias de hoje. Descrentes, cépticos ou realistas, pensava Ricardo, desdenham do amor lamechas dos filmes, dos príncipes e das princesas, dos sapos e das donzelas castas. A virgindade, os longos namoros do tempo dos nossos avós, as cerimónias de casamento, os vestidos brancos, são hoje conceitos difíceis de entender para muitos, à luz da lógica da razão. O Dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados no seu termo popular não pode ser hoje, mais do que tudo o resto, um pretexto consumista para gastar mais alguns trocados e para vender umas quantas flores. Existe ou não romantismo nos dias de hoje? Cavalheirismo? Será que os homens já não oferecem flores, não abrem a porta do carro para elas sairem, não puxam a cadeira no café, para as namoradas/mulheres se sentarem? E será que a existirem homens românticos, cavalheiros e educados, o tipo do príncipe em vias de extinção, só se manifestam nestes dias ou são-no assim durante todo o ano? A maioria dos homens que conheceu eram como o Samuel, seu antigo colega da escola, o típico galã com um bigode à Clarck Gable, o princípe que depois de casado volta a virar sapo, longe das conquistas e dos jogos de sedução que terminam quanto muito na lua de mel e desse tal de cavalheirismo, afinal, apenas mais um estratagema para levar uma mulher para a cama. Será que iria suceder-lhe o mesmo depois do casamento?
Daniela não gosta de palavras doces, de poesia e de que lhe puxem a cadeira para se sentar. Considera os homens românticos uns chatos e as suas atitudes enjoativas. Será que pensam que pelo facto de serem homens são mais fortes do que ela, que têm de se armar em protectores? Sabe que Ricardo costuma dizer-lhe que o feminismo matou o cavalheirismo e que os homens são mais românticos que as mulheres, mas que sabe ele daquilo que agrada a uma mulher? Certamente que não promessas de políticos, mas de mais acção, alguns muscúlos à mistura, alguma malícia, arrebatamento ou mesmo uma pitada de sexo. Sexo sempre, do bom, selvagem, imaginativo, mesclado com palavras decididas e confiantes, vulgares. Em contrapartida tinha plena consciência que nenhum homem nunca iria oferecer-lhe um Taj Mahal, porque havia qualquer coisa nela que os intimidava, e não sabia se eram os óculos de aros de tartaruga, a frontalidade com que abordava temas que para muitos eram tabu ou mesmo uma pronunciada masculinidade no vestir. Sabia apenas que o romantismo e o cavalheirismo estavam fora de moda e que o máximo a que Ricardo se atreveria seria oferecer-lhe o último cd do Shayne Ward, que ouviriam antes de atenuar todas as suas diferenças numa querela sem tréguas sob os lençóis jogados displicentemente no chão do quarto. Talvez para o ano ele lhe oferecesse flores...

7 comentários:

Sam Seaborn disse...

Um amigo meu costuma dizer que “cavalheiros há, não há sim lugares sentados…”

Um pouco mais a sério, penso que continuamos a oferecer flores, alguns dos outros “usos” talvez tenham perdido o sentido (uns sim, outros não) num panorama em que a mulher se emancipou e em geral, muita das vezes, dita ela as regras do jogo da sedução.

Numa relação, num casamento, cada vez mais tem que haver romantismo contínuo sob pena de acabar… nos dias que correm dificilmente as pessoas ficam juntas por ficar.

Em todo o caso são essas atenções extras, de lado a lado, que tornam a vida fascinante.

Regina Rozenbaum disse...

Miguelito anjo duplo amado meuuuuu
Tô com sôdades docê snif, snif, snif...Abandonou-me??? Eu, num te abandono de jeito nenhum de nenhum jeito!!!!!
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Kimbanda disse...

Olá Miguel.
O consumismo exarcebado, não ajuda e faz de do dia dos namorados algo plástico e superficial.
Há um dia para tudo e mais alguma coisa, quando todos os dias são os dias de todas essas mesmas coisas.
Mal estará uma fogueira se a todo o momento não for alimentada com mais umas "galhos" para a manter fogosa.
Felizmente há romantismo e cavalheirismo que quanto muito já não corresponderá às imagens do passado. Como tudo o resto os tempos são outros e dão novas formas a essas manifestações.
Que o digam os muitos homens que receberam flores das suas namoradas no Dia São Valentin.
Óptimo feriado, kandando

JPD disse...

Não há modelos standard de relacionamento.

Cada casal deve encontrar o mais cedo possível a modalidade de entendimento que maior prazer lhe proporcionará e não perder equilíbrio logo no primeiro conflito.

As comemorações e emoções de acordo com o calendário, funcionam para alguns, para outros, não.
Qual é problema?
Nenhum!

Saudações

Belo texto.

Miguel disse...

Sam, Kimbanda e JPD, também eu acho que quando se trata de demonstrarmos amor ou fazermos algo seja por quem for não é preciso nenhuma data especial, mas da mesma forma que não deixamos passar um Natal sem prendas também não devemos deixar um Dia dos Namorados sem um agrado àquela pessoa de quem tanto gostamos. Agora que não o devemos fazer apenas neste ou naquele dia, é evidente. O amor é para mim uma conquista diária, todos os dias uma nova surpresa.

Sam, aquele assunto não está esquecido, só que desde sábado tenho tido a casa cheia e o tempo ao computador bastante reduzido. Kids first! Amanhã é outro dia.

Regina amiga,
Essa palavra tão especial é perfeita para caracterizar o que eu tenho sentido estes dias, por estes amigos tão maravilhosos que aprendi a amar, mesmo sem os conhecer pessoalmente. Sinto saudades de todos, mas como expliquei aqui o tempo tem sido escasso. Estou ansioso para ver as novidades nos vossos blogues. Um grande e sentido abraço para vocês todos.

Silvana Nunes .'. disse...

Boa tarde.
hahahaha, em compensação ias encarar 45 graus. Está muito quente por aqui. Vixe!
Beijo grande.

Margarida Fernandes disse...

Adorei este texto.

Parabéns. Muito bem escrito.

Correndo o risco de estar fora de moda:
Gosto de homens que me cedem a passagem e que me ofereçam flores. Não é preciso ser no dia de São Valentim porque também acho que é mais uma boa invenção para o consumismo.
Gosto de oferecer e receber presentes de forma espontânea, sem ser por alguma razão em especial.Apenas porque sim.

Sou adepta do romantismo.

Já tive oportunidade de lhe dizer num comentário a um post que tive a sorte de encontrar o "meu príncipe", não perfeito, porque não existem mas que me completa.Em resumo: Sou MUITO feliz com ele.

Saudações bloguistas