
Saddam Hussein caiu hoje pela última vez, ao ser enforcado pelas três da madrugada, hora de Portugal. Consta que não terá demonstrado sinais de arrependimento pelos crimes por si cometidos - e que não foram poucos ou de baixa gravidade. Não é hora de avaliar da forma justa ou não como foi conduzido o julgamento ou do seu veredicto final. Não é nem o momento, nem o mais importante agora, saber se Saddam era mais ou menos criminoso que George W. Bush. Não sei se afectado pelo clima da época, que nos deixa mais fragilizados emocionalmente, o que realmente me sensibilizou, hoje, foi a morte de um homem - entre tantos, mas indubitávelmente o mais mediático de entre todos quantos morreram hoje - que viveu os últimos tempos no cárcere e que morreu a poucas horas de ver nascer um novo ano. A seu pedido, a cabeça descoberta numa derradeira prova de coragem ou desafio, e nas mãos o alcorão, o seu conforto derradeiro, ali em Bagdad, não muito longe do local onde Jesus Cristo terá nascido e onde a paz parece não querer ficar.
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