Intervalo
Há 6 dias
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
Amanhã não posto nada. Vou passar a tarde a dormir para ir trabalhar à noite, logo a abrir o novo ano, que, repetindo o príncipal desejo realizado para o ano que agora finda, espero ser melhor do que este. O-Lado-B-Da-Vida vai manter-se para 2007, fruto de expectativas defraudadas, que o mantém actual nos seus príncipios. Continuo um Che sem Cuba, mas principalmente, sem coragem para uma revolução desde há muito adiada, embora necessária. Olho para os últimos anos - e não só os derradeiros - e encontro-me tal e qual hoje sou, ou estou. Talvez já não escreva tanto, mas isso não significa que tenha passado a viver mais. Não, é díficil encontrar a felicidade quando medimos as nossas expectativas de uma forma tão exigente, quando pensamos que ao pedir para nós um pouco de amor, um pouco de paz, um pouco de felicidade, estaremos a pedir apenas pouco. Quero tudo isso e mais. Quero novos desafios que me elevem a patamares mais elevados, quero receber e não apenas dar, quero partilhar, ter mais amigos, encontrar aquela alma gémea, luz e inspiração de quem tem vivido na sombra nefasta de medos e falsos moralismos, entre ideias pré-concebidas do que é certo ou errado. Para o novo ano que se aproxima eu quero mais, quero extravasar os meus limites, envolver-me a fundo na íntimidade quase profana dos meus desejos e ousar... a felicidade... porque a vida tem forçosamente de ser mais do que uma linha recta que não devemos transgredir.
Saddam Hussein caiu hoje pela última vez, ao ser enforcado pelas três da madrugada, hora de Portugal. Consta que não terá demonstrado sinais de arrependimento pelos crimes por si cometidos - e que não foram poucos ou de baixa gravidade. Não é hora de avaliar da forma justa ou não como foi conduzido o julgamento ou do seu veredicto final. Não é nem o momento, nem o mais importante agora, saber se Saddam era mais ou menos criminoso que George W. Bush. Não sei se afectado pelo clima da época, que nos deixa mais fragilizados emocionalmente, o que realmente me sensibilizou, hoje, foi a morte de um homem - entre tantos, mas indubitávelmente o mais mediático de entre todos quantos morreram hoje - que viveu os últimos tempos no cárcere e que morreu a poucas horas de ver nascer um novo ano. A seu pedido, a cabeça descoberta numa derradeira prova de coragem ou desafio, e nas mãos o alcorão, o seu conforto derradeiro, ali em Bagdad, não muito longe do local onde Jesus Cristo terá nascido e onde a paz parece não querer ficar.
