A questão da pessoa que me aldrabou
Há 5 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
Ao momento destas breves linhas, o meu sentimento é ainda de rara consternação, incredibilidade e de pesar, mais de 24 horas depois da tragédia que assolou a ilha da Madeira. Pesar pelas vítimas, mais de quarenta, segundo as últimas contagens, número impressionante, numa tragédia como não há memória. Por outro lado, há também não pouca estupefacção pelas tentativas súbitas de aproveitamento político duma situação em que urgia primeiro salvar as pessoas, algumas ainda desaparecidas.
PLAY IT AGAIN, SAM!
"Vivemos numa época em que cada vez falamos menos uns com os outros, pais e filhos, vizinhos ou simples desconhecidos. Não é raro os gritos e as quezílias sobreporem-se aos conteúdos. Dar voz às palavras surgiu como uma proposta aliciante, uma singela homenagem à linguagem escrita, mas também um risco a que dificilmente poderia recusar. Entre o deixá-las mudas no estertor obscuro duma folha imaculadamente virgem e a imprevisibilidade de fazê-las chegarem mais longe do que a própria imaginação o permite, tocando os corações de quem mal ou nada conhecemos é, não só uma aposta pessoal, mas uma clara manifestação de fé na união e na conjugação de esforços."
Nunca tive aquele chamado sexto sentido em relação ao cinema, apesar de ser viciado em filmes. Aqueles que geralmente venho a gostar mais ficam por vezes semanas, meses, nos clubes de vídeo ou mesmo em casa, na ideia de que até nem serão grande coisa e que há sempre algum filme melhor para ver. Não é a primeira vez que acontece, não será a última. Aconteceu isso com "A Princesa e o Sapo", longe de me chamar tanto a atenção como um "Chovem Almondegas". Foi preciso que alguém visse o filme e me dissesse o que eu estava a perder para arriscar. Afinal, tinha-me enganado. Longe de ser mais uma versão estereotipada dum clássico intemporal, "A Princesa e o Sapo" consegue ser original, divertido e romântico, com um leque de personagens muito bem construídos que nos fazem pensar, contrapondo a riqueza ou o aspecto exteriores com aquilo que realmente és. Porque não é apenas no mundo virtual que continuam a existir sapos - imensos - há espera de princesas e de beijos daqueles de cinema, e princesas que ainda esperam por príncipes, o filme dá-nos uma lição importante, de vida, de fé. Não importam as nossas aparências, a fortuna, a roupa, o carro à porta, o telemóvel topo de gama, mas sim os sentimentos. Eu sei que Fevereiro ainda nem vai a meio, mas este é até agora o melhor filme que eu já vi este ano e que aconselho vivamente. Talvez os mais pequenos até o achem chato, lamechas, com momentos musicais a mais e violência a menos. Até por isso eu gostei. Vale a pena conferir.
"Estes romanos sãos loucos, por Toutatis!", dizia Obélix, o avantajado companheiro de Astérix, referindo-se aos estranhos costumes dos romanos. Não costumo criticar aqui os costumes de uma civilização, as suas crenças, as suas tradições, as suas diferenças. Mas, oh, pessoal!!!! Até a paciência tem limites e já não venho aqui para falar das burcas - que segundo provas cientificas são as responsáveis pelo baixíssimo número de acidentes de viação nos países árabes, já que os condutores não se distraem tanto como os ocidentais -, mas o que sucedeu agora em Londres é de exasperar qualquer um. Não é que um motorista de um autocarro, em Londres, muçulmano também, parou a viatura que conduzia para rezar? Assim, sem mais nem menos, saiu do autocarro, tirou os sapatos, estendeu um cobertor no chão e ajoelhou-se para rezar, enquanto os passageiros se quedavam, atónitos nos seus lugares, durante os cinco minutos que durou a oração. Uma das passageiras terá mesmo apresentado uma reclamação à empresa, que já veio pedir desculpas pelo sucedido. Desculpas? E fica assim sanada uma situação que provocou um enorme susto nos passageiros? Ai se a moda pega aqui em Portugal! Pelo menos teremos uma variante, já que em certos transportes que encontramos por aqui são os passageiros que rezam durante a viagem.














Revi hoje uma vez mais o clássico western Duelo Ao Sol, com Gregory Peck, Jennifer Jones (recentemente falecida) e Joseph Cotten, nos principais papéis. A exemplo das vezes anteriores, voltei a achar que o filme não tem um enredo por aí além - não é um Rio Bravo ou um Shane, apenas para citar dois dos meus filmes preferidos dentro do género, mas aquele final!... Quando a mestiça Pearl Chavez vai ao encontro do foragido Lewt McCanles, não lhe leva apenas o ímpeto selvagem do seu corpo que ele espera poder domar uma vez mais em seus braços, mas o ódio por alguém que a levou a deixar de lado a vida nobre de senhora educada com que o seu pai sempre sonhou, por uma vida desregrada , sucumbindo mais que uma vez aos prazeres de uma paixão avassaladora que cedo nos apercebemos que iria conduzi-la para o abismo, aqui na figura da rocha da Cabeça do Índio, onde os dois acabam por se esvair em sangue depois de uma troca de tiros que termina num beijo daqueles de ficar sem fôlego. Aí, é difícil continuar a manter a raiva que tínhamos por um dos raros papéis de vilão protagonizado por Gregory Peck. O amor, aqui tantas vezes confundido com o ódio, com a loucura, com o simples mas arrebatador e inflamado desejo, consegue apagar parcialmente todos os erros anteriores e levá-lo à redenção, pelo menos aos olhos do espectador. Lembro-me de Romeu e Julieta e tantos outros amores impossíveis e trágicos da tela e da vida real onde todos os dias alguém mata por amor ou por ciúmes. Em Duelo ao Sol, Pearl, como um diabo cheio de tentação e pecado atraiu Lewt para um sentimento que destruiu toda uma família, um amor daqueles tantas vezes sonhados, impetuosos e cheios de fogo que raramente nos passam pelos braços e pelo coração, e que mesmo assim nos deixam tantas feridas abertas, tanta dor e desilusão.