domingo, fevereiro 21, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

PLAY IT AGAIN, SAM!

Era impossível não se lembrar de Rick Blaine naquele momento. Curioso que por mais anos que se passassem desde a última vez que vira aquele filme ainda se lembrasse tão bem do nome das personagens. Contudo, não era a famosa cena do piano que lhe vinha tantas vezes à memória, nem a inesquecivel melodia, mas sim a cena do aeroporto onde um fleumático e imperturbável Bogart desejava felicidades a Victor e a Ilsa. Há poucas dores maiores do que essa manifestação latente de altruísmo. Sabia-o perfeitamente, de já ter passado por elas mais do que uma vez, umas vezes com mais sinceridade e dificuldade do que outras. Podem dizer que é um acto nobre o de abdicar da própria felicidade, de uma das poucas razões que nos levam a acordar dia após dia com vontade de seguir em frente, em detrimento da felicidade da pessoa amada. Que se foda a nobreza! Ela chamara-o de complicado, depois de dizer uma vez mais que o amava. Ele sabia que era algo mais, para além de todas as desculpas pouco convincentes que treinara antes de se encontrar com ela. A falta de coragem não era um acto nobre nem altruísta. Parecia fácil para Bogart, hipotecar assim a última réstea de esperança e mesmo assim manter aquela pose que só Bogart tinha e que lhe fazia a ele sentir uma devastadora e redutora sensação de fragilidade. Os homens não choram. Bogart não chorava. Mas ele sim. Fê-lo, por dentro, quando ela lhe perguntou se ele não ía lutar pelo que ambos sentiam. E Rick? Os dois tinham atirado a toalha ao chão, com a diferença que o outro continuava ali, imperturbável, com aquele ar de "não estou nem aí" que agora o irritava solenemente, uma pedra de gelo incapaz de sentir quaisquer remorsos. Foi nessa altura que compreendeu, tantas vezes tinha visto aquele filme e nunca dera por isso: Rick não amava Ilsa, não daquela maneira que ele concebia que o amor devia ser para ser amor, total. "Play it again, Sam!", que bom seria se a vida fosse uma canção que pudessemos simplesmente voltar a tocar.

sábado, fevereiro 20, 2010

A VOZ DAS PALAVRAS

"Vivemos numa época em que cada vez falamos menos uns com os outros, pais e filhos, vizinhos ou simples desconhecidos. Não é raro os gritos e as quezílias sobreporem-se aos conteúdos. Dar voz às palavras surgiu como uma proposta aliciante, uma singela homenagem à linguagem escrita, mas também um risco a que dificilmente poderia recusar. Entre o deixá-las mudas no estertor obscuro duma folha imaculadamente virgem e a imprevisibilidade de fazê-las chegarem mais longe do que a própria imaginação o permite, tocando os corações de quem mal ou nada conhecemos é, não só uma aposta pessoal, mas uma clara manifestação de fé na união e na conjugação de esforços."
Foi desta forma que nasceu hoje mais um blogue A Voz das Palavras, em parceria, para já, com Sam Seaborn, numa iniciativa que se prevê venha a ser alargada dentro em breve. Espero desta forma que os visitantes/amigos possam vir a encontrar neste novo espaço um novo e aprazível ponto de interesse nas vossas visitas pelo vasto e ilimitado universo da blogosfera.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

MULAN

Realidade ou ficção, Mulan, a heroína chinesa celebrizada primeiro por um poema e mais tarde por um clássico da Disney com o mesmo nome está novamente no cinema, mas desta vez com personagens reais e com uma das minhas actrizes preferidas, Vicki Zhao Wei no papel principal, de uma rapariga que entrou disfarçada de rapaz para o exército chinês e que conseguiu ascender à posição de General pelos seus feitos no campo de batalha. Mais do que um filme de guerra, Mulan é uma história carregada de emoção e de grande intensidade dramática, um épico que retrata um período bastante conturbado da história da China, e que aconselho vivamente.









domingo, fevereiro 14, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


ROMÂNTICOS E CAVALHEIROS

Ricardo tinha a cena bem presente na memória, várias vezes a vira. Romeu, julgando Julieta morta, toma o veneno. Quando ela desperta da sua aparente morte e o vê, tombado e sem vida, mata-se também, porque para eles a vida de nada valia se não pudessem estar juntos. Romântico, pensava, apesar dos seus amigos do escritório lhe dizerem que algo assim seria impossível ou mesmo estúpido nos dias de hoje. Descrentes, cépticos ou realistas, pensava Ricardo, desdenham do amor lamechas dos filmes, dos príncipes e das princesas, dos sapos e das donzelas castas. A virgindade, os longos namoros do tempo dos nossos avós, as cerimónias de casamento, os vestidos brancos, são hoje conceitos difíceis de entender para muitos, à luz da lógica da razão. O Dia de São Valentim, ou Dia dos Namorados no seu termo popular não pode ser hoje, mais do que tudo o resto, um pretexto consumista para gastar mais alguns trocados e para vender umas quantas flores. Existe ou não romantismo nos dias de hoje? Cavalheirismo? Será que os homens já não oferecem flores, não abrem a porta do carro para elas sairem, não puxam a cadeira no café, para as namoradas/mulheres se sentarem? E será que a existirem homens românticos, cavalheiros e educados, o tipo do príncipe em vias de extinção, só se manifestam nestes dias ou são-no assim durante todo o ano? A maioria dos homens que conheceu eram como o Samuel, seu antigo colega da escola, o típico galã com um bigode à Clarck Gable, o princípe que depois de casado volta a virar sapo, longe das conquistas e dos jogos de sedução que terminam quanto muito na lua de mel e desse tal de cavalheirismo, afinal, apenas mais um estratagema para levar uma mulher para a cama. Será que iria suceder-lhe o mesmo depois do casamento?
Daniela não gosta de palavras doces, de poesia e de que lhe puxem a cadeira para se sentar. Considera os homens românticos uns chatos e as suas atitudes enjoativas. Será que pensam que pelo facto de serem homens são mais fortes do que ela, que têm de se armar em protectores? Sabe que Ricardo costuma dizer-lhe que o feminismo matou o cavalheirismo e que os homens são mais românticos que as mulheres, mas que sabe ele daquilo que agrada a uma mulher? Certamente que não promessas de políticos, mas de mais acção, alguns muscúlos à mistura, alguma malícia, arrebatamento ou mesmo uma pitada de sexo. Sexo sempre, do bom, selvagem, imaginativo, mesclado com palavras decididas e confiantes, vulgares. Em contrapartida tinha plena consciência que nenhum homem nunca iria oferecer-lhe um Taj Mahal, porque havia qualquer coisa nela que os intimidava, e não sabia se eram os óculos de aros de tartaruga, a frontalidade com que abordava temas que para muitos eram tabu ou mesmo uma pronunciada masculinidade no vestir. Sabia apenas que o romantismo e o cavalheirismo estavam fora de moda e que o máximo a que Ricardo se atreveria seria oferecer-lhe o último cd do Shayne Ward, que ouviriam antes de atenuar todas as suas diferenças numa querela sem tréguas sob os lençóis jogados displicentemente no chão do quarto. Talvez para o ano ele lhe oferecesse flores...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

A PRINCESA E O SAPO

Nunca tive aquele chamado sexto sentido em relação ao cinema, apesar de ser viciado em filmes. Aqueles que geralmente venho a gostar mais ficam por vezes semanas, meses, nos clubes de vídeo ou mesmo em casa, na ideia de que até nem serão grande coisa e que há sempre algum filme melhor para ver. Não é a primeira vez que acontece, não será a última. Aconteceu isso com "A Princesa e o Sapo", longe de me chamar tanto a atenção como um "Chovem Almondegas". Foi preciso que alguém visse o filme e me dissesse o que eu estava a perder para arriscar. Afinal, tinha-me enganado. Longe de ser mais uma versão estereotipada dum clássico intemporal, "A Princesa e o Sapo" consegue ser original, divertido e romântico, com um leque de personagens muito bem construídos que nos fazem pensar, contrapondo a riqueza ou o aspecto exteriores com aquilo que realmente és. Porque não é apenas no mundo virtual que continuam a existir sapos - imensos - há espera de princesas e de beijos daqueles de cinema, e princesas que ainda esperam por príncipes, o filme dá-nos uma lição importante, de vida, de fé. Não importam as nossas aparências, a fortuna, a roupa, o carro à porta, o telemóvel topo de gama, mas sim os sentimentos. Eu sei que Fevereiro ainda nem vai a meio, mas este é até agora o melhor filme que eu já vi este ano e que aconselho vivamente. Talvez os mais pequenos até o achem chato, lamechas, com momentos musicais a mais e violência a menos. Até por isso eu gostei. Vale a pena conferir.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

PARAGEM FORÇADA

"Estes romanos sãos loucos, por Toutatis!", dizia Obélix, o avantajado companheiro de Astérix, referindo-se aos estranhos costumes dos romanos. Não costumo criticar aqui os costumes de uma civilização, as suas crenças, as suas tradições, as suas diferenças. Mas, oh, pessoal!!!! Até a paciência tem limites e já não venho aqui para falar das burcas - que segundo provas cientificas são as responsáveis pelo baixíssimo número de acidentes de viação nos países árabes, já que os condutores não se distraem tanto como os ocidentais -, mas o que sucedeu agora em Londres é de exasperar qualquer um. Não é que um motorista de um autocarro, em Londres, muçulmano também, parou a viatura que conduzia para rezar? Assim, sem mais nem menos, saiu do autocarro, tirou os sapatos, estendeu um cobertor no chão e ajoelhou-se para rezar, enquanto os passageiros se quedavam, atónitos nos seus lugares, durante os cinco minutos que durou a oração. Uma das passageiras terá mesmo apresentado uma reclamação à empresa, que já veio pedir desculpas pelo sucedido. Desculpas? E fica assim sanada uma situação que provocou um enorme susto nos passageiros? Ai se a moda pega aqui em Portugal! Pelo menos teremos uma variante, já que em certos transportes que encontramos por aqui são os passageiros que rezam durante a viagem.

domingo, fevereiro 07, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


QUANTO CUSTA UMA TRAIÇÃO?
E O PERDÃO?

Muito se tem falado em traições nas últimas semanas/meses e até se tem especulado de forma interessante sobre o que leva a uma traição. Simples desejo? Insegurança? Tanto faz, tantos são os motivos ou as desculpas com que muitas vezes nos enganamos a nós mesmos, tentando convencermo-nos de algo que até nem foi bem assim, e não somos afinal tão inocentes quanto estamos a tentar acreditar que somos. Penso hoje na traição de John Terry, futebolista internacional, até agora exemplo de grande carácter e de bom chefe de família. Afinal, também ele andou "enrolado" com Vanessa Peroncel quando esta era namorada do seu então companheiro de equipa e de selecção, Wayne Bridge. Ele e mais quatro ou cinco jogadores do Chelsea.



Pergunto eu se este episódio - ou qualquer outro pecado de natureza sexual ou não - será por si suficiente para destruir uma imagem, todo um passado ou hipotecar o futuro da pessoa que pecou. Talvez aos olhos da companheira - apesar das palavras sempre tão bonitas sobre amar e perdoar -, mas terá uma sociedade onde quase todos temos os nossos próprios telhados de vidro, as nossas próprias traições consumadas, tentadas ou apenas imaginadas, o direito a condenar um homem porque teve um caso extra-conjugal?



Neste caso particular, no ano de 2010, ocorrido numa Inglaterra moderna, John Terry não só está em vias de se separar de Toni Poole - de quem tem dois filhos -, como já perdeu a braçadeira de capitão da sua selecção e ainda ver anulados vários contratos publicitários de vários milhões. O mesmo sucedeu recentemente com o mundialmente famoso Tiger Woods, o golfista americano de quem se descobriu ter tido várias aventuras fora do casamento.



Num mundo em constante - às vezes demasiado rápida - evolução, com notícias e mudanças de hábitos que nos fazem por vezes pensar que afinal não temos uma mentalidade tão aberta como isso, perante tantas e tão surpreendentes novidades, chego agora à conclusão que em outras situações, como esta, são os outros os antiquados e não eu. É que antigamente é que um homem ou uma mulher - geralmente a mulher - era condenada pela sociedade por adultério. Hoje sucede o mesmo perante a permessividade do mundo moderno, mas em sociedades e culturas bastante distintas, em que a mulher chega a ser exposta em praça pública e apedrejada por todos como se fosse um animal selvagem. Quantos de nós, ocidentais e não só, mesmo entre aqueles que pegam as pedras com as mãos cheias de um moralismo de fachada, não seriamos açoitados e apedrejados de cada vez que temos um comportamento amoral ou inadequado à moral e aos bons costumes? Desculpem-me, mas não acredito em santos, só de barro e mesmo assim!...



A opinião pública é uma arma poderosa, a força dos meios de comunicação, tantas vezes na boca do povo por estes dias, a voz popular que anda de boca em boca e que se altera de cada vez que é contada, capaz de transformar mentiras em verdades, sujar reputações imaculadas, destruir carreiras tão arduamente construídas. Será um traidor um criminoso, um condenado a uma pena eterna de acusações e dedos apontados na rua? Será o perdão, a capacidade de perdoar, algo tão divino, de forma alguma ao alcance dos simples mortais como nós?



Sim, repito, John Terry errou - não Vanessa, claro, porque tal como sucedeu com os seus outros companheiros de equipa, por muito que ela provocasse, a carne não pode ser tão fraca como foi a do ex-capitão da selecção inglesa, agora votado a uma posição mais subalterna. Tenho para mim que o caso só poderia seguir dois caminhos: perdão ou divórcio. E tudo de uma forma simples, discreta e particular, porque a carreira de alguém, a imagem profissional não pode nem deve estar sujeita aos passos, às opções tomadas no campo sentimental e conjugal. Condenar uma pessoa, denegrir a sua imagem, distingui-lo pelos seus erros e não pelos seus feitos e qualidades não pode - não deve - ser tão fácil, especialmente numa conjuntura onde os valores, as normas e os conceitos de moral ou amoral, certo ou errado são cada vez mais subvalorizados e difíceis de avaliar em nome da corrupção, do sucesso e do prazer imediato e sem consequências, da ambição e do egocentrismo. Quem de nós nunca errou? Quem de nós nunca pecou, nem mesmo em pensamento? Quem vai atirar a primeira pedra?

HUMOR


Um muçulmano durante o período do ramadão, senta-se junto a um alentejano no voo Lisboa-Funchal. Quando começam a servir as bebidas aos passageiros, o alentejano pede um vinho de Borba. A hospedeira pergunta ao muçulmano se quer beber alguma coisa, ao que ele responde, com ar ofendido: "Prefiro ser raptado e violado selvaticamente por uma dezena de putas da Babilónia antes que uma gota de alcoól toque os meus lábios." O alentejano, engasgando-se, devolve apressadamente o copo de vinho à hospedeira e diz: "Eu também, eu também! Não sabia que podia escolher!!!"

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

A QUEM INTERESSA A GUERRA?



Recebi estas fotos esta semana pelo mail, referentes a uma manifestação ocorrida em Londres recentemente. É triste verificar que as diferenças de étnia ou de religião são ainda motivo para o ódio e para a guerra, mas julgo ainda que o que está por trás destas imagens é muito mais do que isso, motivações políticas, económicas e até mesmo de pura ignorância, de pessoas que se deixam conduzir como cordeiros por uma meia dúzia de indivíduos e organizações a quem estas manifestações de um fundamentalismo exacerbado e levado ao extremo interessam. A guerra é uma coisa estúpida.



Nada tenho contra os muçulmanos e ingénuo seria eu de acreditar que a gravidade do que aqui vejo representa o pensamento de todo um país, de uma cultura, de pessoas que, independentemente das burcas e de outros traços tradicionais tão opostos aos ocidentais, são afinal tão parecidos connosco. Eles amam, sonham, trabalham, lutam no fundo, por uma vida melhor para si e para os seus.



Podíamos discutir mil e um pontos de vista passíveis de gerar este tipo de atitudes, como as caricaturas de Maomé, as invasões do Iraque e do Afeganistão pelos americanos e pelas forças aliadas, o 11 de Setembro, o petróleo, etc etc etc. Já sabemos que as relações entre o Oriente e o Ocidente nunca foram pacíficas às vezes pelos motivos mais injustificados, mas também é verdade que os países árabes nunca precisaram do Ocidente para travar as suas guerras, tantos e longos conflitos que têm travado entre si.



Pessoalmente, não gostava que alguém viesse dizer-me o que devo ou não vestir. Gosto de poder escolher, em quem votar, em que trabalhar e de ver e apreciar uma mulher quando chega o pico do Verão. Já não me importava se alguém fizesse humor com a imagem de Jesus Cristo, mesmo que fosse eu um fiel e devoto católico. Aos anos que o fazemos, que ironizamos os nossos deuses, os brasileiros e os portugueses, os alentejanos e a loiras. Raramente alguém se insurgiu contra isso, o que até se compreende do lado das loiras.



Posso não saber muita coisa, mas sei que tenho amigos muçulmanos, que apesar das distâncias geográficas contacto com pessoas de países distantes através do meu blogue e até hoje não vi ninguém que fosse diferente de mim. Têm olhos, boca, ouvidos, sentimentos, fazemo-nos entender apesar de por vezes a língua não ajudar, todos desejamos liberdade, ao contrário do que as fotos demonstram. Só por haver liberdade é que foi possível expressarem-se da forma como o fizeram na capital inglesa. Alguém imaginaria um cenário oposto num qualquer país árabe? Meus senhores, vocês que lideram os grandes países, da Europa, à Ásia, africanos, americanos, que tanto vêm chorar os danos pessoais e económicos gerados pelas guerras, não seria mais barato e sensato lutar pela paz?

terça-feira, fevereiro 02, 2010

E DEPOIS DO ADEUS?

Não, não estou a falar do fantástico tema do Paulo de Carvalho, mas dos 5 a 2 com que um enorme FC Porto brindou um tímido e envergonhado Sporting esta noite, para a Taça de Portugal.



Muito vai Carvalhal ter de fazer durante a semana para recuperar uma equipa que andou quase sempre perdida (LOST) em campo desde o primeiro minuto de jogo. Nada de treinos com bola, de preparação física... O que é preciso é dar-lhes motivação, tirar-lhes do abismo anímico onde certamente estão agora os jogadores, fazer-lhes acreditar que têm valor e que até ao final da época há que continuar a dignificar a camisola e o nome da instituição.



Falar, claro!, motivar! Mas não seria melhor chamar a jeitosa do Ghost Whisperer? É que para fazer-se ouvir junto do plantel do Sporting, Carlos Carvalhal tem mesmo de aprender a falar com os mortos. Além da ajuda que a belíssima Jennifer Love Hewitt poderia oferecer na área da motivação. Pelo menos a mim motivava-me.



Claro que se nada disso der certo, escusado será tentar sequer chamar o hilariante mas fleumático Doutor House, porque, um pouco à imagem de Deus, fazer milagres, salvar a vida a um moribundo é fácil, agora colocar aquele grupo de jogadores a praticar qualquer coisa parecida com futebol... meus senhores, é pura demagogia. Nem o Harry Potter.

ROSA LOBATO FARIA


Rosa Lobato Faria, uma das grandes Senhoras da literatura portuguesa deixou-nos hoje aos 77 anos. As palavras estão por isso de luto por alguém que sabia tratá-las como poucos, com a ternura, com a habilidade, com o respeito e devoção que elas merecem.


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.


segunda-feira, fevereiro 01, 2010

AS FOTOS POLÉMICAS DO HAITI

Um grupo de médicos porto-riquenhos resolveu colocar no Facebook fotos suas tiradas durante a sua estadia no Haiti, onde foram colocados para ajudar as vítimas da tragédia que ali se verificou recentemente. Essas fotos têm sido alvo de duras críticas oriundas um pouco de todo o lado. Serão elas reveladoras de um mau profissionalismo das pessoas envolvidas, de um estranho sentido de humor ou um mau exemplo de como o mundo reage sempre mal a um sorriso, de cada vez que se tenta retirar alguma carga dramática a assuntos sérios.












domingo, janeiro 31, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


PRECISA-SE: MUSA

Urgente


Quantas vezes não foram acometidos de uma tremenda falta de inspiração em que queriam escrever alguma coisa e as palavras simplesmente não saíam? O mesmo se tem passado aqui pelo Lado B e pelos seus afluentes. Não é a primeira vez, não há-de ser a última. Geralmente resolvo estes problemas deixando fluir as primeiras palavras. O resto vem por acréscimo. Houve um tempo em que desejei que isso acontecesse - o secar desse rio -, em que acreditava que eram as palavras que estavam a bloquear a porta que havia entre mim e a vida lá fora. Só que a vida continua lá fora e as palavras já cá não estão. Minto, estão, repetem-se na minha cabeça numa cadência assustadora, como uma torneira mal fechada, como uma CREL onde as rochas desabaram e o trânsito vai ficando cada vez mais e mais engarrafado sem conseguir encontrar uma saída. Tem sido assim com as palavras, onde tem faltado o engenho com que as moldava, com que lhes dava cores e sons, como se as minhas mãos tivessem vida e vontade próprias. Só que se a vida é feita de vontades, a minha tem sido feita de ausências, até aqui repleta de palavras que enchiam vazios, que disfarçavam necessidades. De onde vem a inspiração? "Como e quando é que surge esta força estranha que me guia a mão?", "Não sei (...) , sinto-a apenas como um vento súbito que chega sem bater, quando sofro, quando amo ou julgo amar, quando sonho acordado, quando odeio, raramente quando a procuro. Aí, fogem-me as ideias, fico atolado em palavras que não fluem." Nunca me acostumei a viver sem palavras, sobretudo escritas, como se as minhas emoções, todos os meus desejos e frustrações saíssem num desabafo literário e quase sempre virtual. Eu quero viver, quero sonhar, experimentar, cair e levantar-me, rir e chorar, mas também escrever. Onde estão as musas da escrita, da vida, as tágides de Camões, Euterpe, Érato e a Calíope, musas de tantos poemas e prosas. Será a inspiração uma mulher? Onde está ela então que a minha vista não alcança? Será o sofrimento, uma tarde de praia, o mar azul, a dança da chuva, o Sol, a solidão, um pássaro, um avião? Decerto não será o Super-Homem. Tanta vida lá fora, quem vai abrir esta janela? Quem és tu, inspiradora musa que me vens estender a mão?


p.s. envio de respostas com fotografia de corpo inteiro - porque nem só da alma vive o homem - para os emails no canto superior direito deste blogue

sábado, janeiro 30, 2010

EVASÕES

Natalie Portman é uma das actrizes mais bonitas do actual panorama cinematográfico. Nascida a 9 de Junho de 1981 em Jerusalem, Israel, Natalie consegue aliar um talento cedo demonstrado (Leon) a uma imagem inocente e frágil que cativa no ecrã.

VÍCIADO EM DRAMAS



Não, não falo sobre esses dramas da vida real, dos pessoais - ai o amor, esses sempre difíceis e complicados amores -, nem dos outros, dos Haiti's que acontecem todos os dias em qualquer canto do mundo, tantas vezes sem qualquer destaque. Do que vos venho dar conta é de um dos meus vícios dos últimos meses, os dramas (ou doramas) asiáticos que, por outras palavras são o mesmo que os Lost ou os Dr. House americanos ou as telenovelas brasileiras e portuguesas com que somos bombardeados diariamente, com a diferença de que exploram muito mais o lado emocional das personagens, tanto no humor como principalmente na dita parte do drama.


Os personagens são excelentes e cativam-nos logo após as primeiras cenas, depois de um primeiro impacto em que até pensamos que "aquilo" é demasiado infantil que não nos vai despertar o interesse. Puro engano. Os asiáticos têm uma forma diferente de viver, levando as suas emoções ao extremo e o que pode muitas vezes ser considerado infantil não é mais do que um entusiasmo genuíno e descomplexado que nós, ocidentais, tendemos a reprimir em público. Infelizmente, e como não há bem que sempre dure, acabei agora de ver Sassy Girl - que recomendo vivamente, apesar de não muito acessível -, na linha dos não menos inesquecíveis A Love To Kill, Crazy For Love ou The Negociator, apenas para referir alguns dos que já vi.


Certo que dificilmente nos lembramos dos nomes das personagens ou mesmo dos actores, tão difíceis de pronunciar, meros detalhes, todavia. Felizmente não me falta por onde arriscar e o problema imediato vai residir na escolha, de 14 Sai No Haha a Bambino, de Devil Beside You a Full House, de Hanoi Bride a Innocent Love, passando por Love Contract ou Threads of Destiny. Poucos conhecerão qualquer uma destas séries, mas para quem gosta daqueles filmes que nos deixam às vezes com uma lágrima rebelde ao canto do olho apenas vos digo que não sabem o que perdem, os dramas e as respectivas bandas sonoras com melodias que, mesmo que as palavras não nos digam grande coisa, nos tocam por dentro. Daqui deste Lado B, hoje virado a oriente, os meus desejos de um bom fim de semana e um efusivo Sayonara!

domingo, janeiro 24, 2010

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Nunca tive o tempo nas mãos. O meu tempo e o teu, o tempo para crescer, para ter um filho, tempo para jantar, para dormir, sempre a correr atrás do tempo que nos parecia fugir o tempo todo. Haverá tempo ainda, um tempo que seja, sem pressas nem contratempos, sem desculpas, um momento que seja, um tempo para nós? Lamento todo o tempo que perdi à espera nem sei de quê. Porque insisto em dar tempo ao tempo? O tempo é o momento, o reverso do pensamento, o tempo é a desculpa. Falta sempre tempo para quem não tem coragem de viver.

sábado, janeiro 23, 2010

PENSAMENTO DO DIA


"Ninguém jamais vencerá a guerra dos sexos: há muita confraternização entre os inimigos"
do livro "A Vingança de Eva", de Henry Kissinger

sexta-feira, janeiro 22, 2010

AMORES SOFRIDOS

Revi hoje uma vez mais o clássico western Duelo Ao Sol, com Gregory Peck, Jennifer Jones (recentemente falecida) e Joseph Cotten, nos principais papéis. A exemplo das vezes anteriores, voltei a achar que o filme não tem um enredo por aí além - não é um Rio Bravo ou um Shane, apenas para citar dois dos meus filmes preferidos dentro do género, mas aquele final!... Quando a mestiça Pearl Chavez vai ao encontro do foragido Lewt McCanles, não lhe leva apenas o ímpeto selvagem do seu corpo que ele espera poder domar uma vez mais em seus braços, mas o ódio por alguém que a levou a deixar de lado a vida nobre de senhora educada com que o seu pai sempre sonhou, por uma vida desregrada , sucumbindo mais que uma vez aos prazeres de uma paixão avassaladora que cedo nos apercebemos que iria conduzi-la para o abismo, aqui na figura da rocha da Cabeça do Índio, onde os dois acabam por se esvair em sangue depois de uma troca de tiros que termina num beijo daqueles de ficar sem fôlego. Aí, é difícil continuar a manter a raiva que tínhamos por um dos raros papéis de vilão protagonizado por Gregory Peck. O amor, aqui tantas vezes confundido com o ódio, com a loucura, com o simples mas arrebatador e inflamado desejo, consegue apagar parcialmente todos os erros anteriores e levá-lo à redenção, pelo menos aos olhos do espectador. Lembro-me de Romeu e Julieta e tantos outros amores impossíveis e trágicos da tela e da vida real onde todos os dias alguém mata por amor ou por ciúmes. Em Duelo ao Sol, Pearl, como um diabo cheio de tentação e pecado atraiu Lewt para um sentimento que destruiu toda uma família, um amor daqueles tantas vezes sonhados, impetuosos e cheios de fogo que raramente nos passam pelos braços e pelo coração, e que mesmo assim nos deixam tantas feridas abertas, tanta dor e desilusão.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

DIVAGANDO ENTRE A TÉCNICA E A MORAL

OU A DIFERENÇA ENTRE QUEM PENA COM O PÉ E QUEM O FAZ COM A CABEÇA (cabeçadas à parte!)

Antes de mais devo começar por exprimir a minha admiração pelo futebolista que foi Sá Pinto, pela raça que sempre demonstrou - e continua a demonstrar e a exagerar - ao serviço dos clubes que demonstrou. Como jogador podia ter chegado mais longe ou talvez não, mas de certeza que alguma dureza exacerbada e vários casos pontuais de indisciplina e sangue quente em nada ajudaram na sua carreira. Liedson, por seu lado, abono de família de uma equipa esfomeada de resultados e exibições não é, também, caso virgem nas polémicas que teimam em "incendiar" o balneário do Sporting. Ambos, pelo protagonismo que lhes é devido dentro do clube devem lembrar-se que por muito mérito que tenham, o Sporting é maior do que a soma e qualidade dos seus jogadores e dirigentes. Não foram eles, Sá Pinto e Liedson que fizeram do Sporting o clube que é, mas o Sporting que fez deles muito do que hoje são. Já vi grandes jogadores, elementos fulcrais e indispensáveis serem dispensados dos seus clubes - com o prejuízo financeiro e desportivo, óbvio para as equipas em causa - em campeonatos mais competitivos do que o nosso. O Sporting e o futebol português não podem, por muita qualidade técnica que tenham os jogadores, continuar nas mãos de pistoleiros e arruaceiros que amuam de cada vez que não lhes é feita uma vontade, que passam o jogo a dar cotoveladas em colegas de profissão, a degladiarem-se a coberto dos túneis deste nosso futebol e a pavonearem-se em primas donnas como se os clubes girassem à sua volta. Eles e grande parte dos dirigentes do futebol português esquecem-se constantemente das suas responsabilidades, quer profissionais como ainda morais, acrescidas ao exemplo que, como figuras públicas deviam passar para quem os idolatra, ou para quem faz sacrifícios para pagar os bilhetes de um jogo que devia girar em torno da bola e acabar ao derradeiro apito do árbitro. Liedson e Sá Pinto não deverão escapar de um elevado castigo pecuniário - menos seria vergonhoso mas não surpreendente - e uma eventual exclusão quer de um, como de ambos os intervenientes não seria - mesmo para o clube de que sou simpatizante - cenário a descartar num clube, num futebol e num país com outros valores, prioridades e preocupações que não os resultados da bola e as corrupções desportivas, políticas e sociais de quem, investidos de um poder questionável, prosseguem indiferentes às leis, éticas e morais, a uma justiça que teima em manter-se não apenas cega, mas surda e muda.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

O MUNDO SEM MULHERES

(adaptação de um texto recebido por email)

Um HOMEM faz um esforço tremendo para ficar rico para quê? Para que buscamos a fama, fazemos exercícios e até dietas rigorosas? A verdade é que a mulher é o objectivo do homem, a razão de ser da sua existência, do seu dia a dia. Nós, homens - muitos de nós - vivemos o dia inteiro, toda a vida pensando em mulheres, ao ponto de acreditar que, se as mulheres não existissem o mundo jamais teria evoluído da forma que evoluiu. Nenhum homem - poucos de nós - iriamos fazer fosse o que fosse para impressionar outro homem, a menos que esse homem fosse o nosso chefe. Diz o ditado que "por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher" (e por trás dessa mulher está a esposa dele, mas isso não vem para o caso), mas eu penso que seja exactamente o contrário. São vocês que estão à frente, é a mulher que impulsiona o mundo, quem tem o poder - apesar de nos deixarem acreditar no contrário -, não o homem. É a mulher quem decide a compra da casa, a cor do carro, o filme a ser visto, o destino das férias. Bendita a hora em que você ultrapassou os limites da cozinha e, não deixando de ser feminina deixou vincada a sua personalidade, a sua competência e potencialidades, nos ensinou que chorar e exteriorizar os nossos sentimentos, medos e preocupações não eram exclusividade das mulheres, não eram sinal de fraqueza nem de pouca masculinidade. Vocês são o açúcar que adoça os nossos dias, o sal e a pimenta, o azeite e o vinagre, o tempero do nosso dia a dia.
E se você que está agora perdendo o seu tempo a ler-me for um homem, tente imaginar a sua vida sem uma mulher. Aí em sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens. Já pensou? Um casamento sem noiva, um mundo sem sogras... enfim, um mundo sem metas. Mas o que faz das mulheres esses seres tão únicos, tão especiais?
1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que vocês usem o mesmo champô.
2- O jeitinho que elas têm de encontrar sempre aquele lugar certo no nosso ombro, no nosso peito, para encostarem a cabeça.
3- A facilidade com que encaixam em cada um dos nossos abraços.
4- O jeito que têm de nos beijar e, de repente fazerem do mundo um lugar perfeito.
5 - Como são encantadoras quando comem.
6 - Sim, levam horas para se vestirem, mas no final vale sempre a pena.
7 - Porque estão sempre quentinhas, mesmo que estejam 30 graus abaixo de zero lá fora.
8 - Porque ao contrário de nós ficam sempre bonitas vistam o que vestirem, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.
9- Aquele jeitinho subtil de pedir um elogio.
10- O modo que têm de sempre encontrar a nossa mão.
11- O brilho nos olhos quando sorriem.
12- A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza ou lhes dizemos 'eu amo-te!'
13- O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram, de nos fazerem acreditar que somos fortes e que um não vive sem o outro.
14- O facto de nos darem uma estalada pensando que vai doer.
15- O jeitinho de dizerem 'estou com saudades' e a forma encontrada para o demonstrarem.
16- As saudades que sentimos delas, mesmo que só tenham passado 5 minutos.
17- A força que suas lágrimas têm que nos fazem sempre querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.
18, 19, 20, 2......................................................................

Podia ficar aqui a tarde inteira a lembrar-me de razões pelas quais admiramos, desejamos, precisamos das mulheres, mas cada palavra a mais é menos um carinho que te dispenso e existem momentos em que as palavras fazem tanta falta como uma peça de roupa cheia de botões quando nos deitamos na cama para fazer amor. Não, este texto não é nenhum manifesto anti-homossexual, mas o modo que encontrei, aqui e agora de dizer Eu Amo-te e preciso de ti, de um beijo, de um abraço, de um toque de mão, de sentir ciúmes e desejo, tesão. Preciso de te amar, porque a vida sem amor não é vida, é vazio, é dor, é pouco mais que nada, é um mar de solidão.