OU A DIFERENÇA ENTRE QUEM PENA COM O PÉ E QUEM O FAZ COM A CABEÇA (cabeçadas à parte!)Antes de mais devo começar por exprimir a minha admiração pelo futebolista que foi Sá Pinto, pela raça que sempre demonstrou - e continua a demonstrar e a exagerar - ao serviço dos clubes que demonstrou. Como jogador podia ter chegado mais longe ou talvez não, mas de certeza que alguma dureza exacerbada e vários casos pontuais de indisciplina e sangue quente em nada ajudaram na sua carreira. Liedson, por seu lado, abono de família de uma equipa esfomeada de resultados e exibições não é, também, caso virgem nas polémicas que teimam em "incendiar" o balneário do Sporting. Ambos, pelo protagonismo que lhes é devido dentro do clube devem lembrar-se que por muito mérito que tenham, o Sporting é maior do que a soma e qualidade dos seus jogadores e dirigentes. Não foram eles, Sá Pinto e Liedson que fizeram do Sporting o clube que é, mas o Sporting que fez deles muito do que hoje são. Já vi grandes jogadores, elementos fulcrais e indispensáveis serem dispensados dos seus clubes - com o prejuízo financeiro e desportivo, óbvio para as equipas em causa - em campeonatos mais competitivos do que o nosso. O Sporting e o futebol português não podem, por muita qualidade técnica que tenham os jogadores, continuar nas mãos de pistoleiros e arruaceiros que amuam de cada vez que não lhes é feita uma vontade, que passam o jogo a dar cotoveladas em colegas de profissão, a degladiarem-se a coberto dos túneis deste nosso futebol e a pavonearem-se em primas donnas como se os clubes girassem à sua volta. Eles e grande parte dos dirigentes do futebol português esquecem-se constantemente das suas responsabilidades, quer profissionais como ainda morais, acrescidas ao exemplo que, como figuras públicas deviam passar para quem os idolatra, ou para quem faz sacrifícios para pagar os bilhetes de um jogo que devia girar em torno da bola e acabar ao derradeiro apito do árbitro. Liedson e Sá Pinto não deverão escapar de um elevado castigo pecuniário - menos seria vergonhoso mas não surpreendente - e uma eventual exclusão quer de um, como de ambos os intervenientes não seria - mesmo para o clube de que sou simpatizante - cenário a descartar num clube, num futebol e num país com outros valores, prioridades e preocupações que não os resultados da bola e as corrupções desportivas, políticas e sociais de quem, investidos de um poder questionável, prosseguem indiferentes às leis, éticas e morais, a uma justiça que teima em manter-se não apenas cega, mas surda e muda.






















