se for para roubar que seja um beijo
se for para perder que seja o medo
mas se for para ser feliz
que seja para sempre.
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.

As palavras dizem sempre tudo aquilo que quisermos. Elas ajudam-nos, destroem-nos, são ternas e falsas, elogiam, mentem. Ano novo... vida nova... felicidade... paz..., palavras apenas. Mas como ser feliz quando existem memórias que não nos largam, que nos perseguem dia após dia e que passam connosco de um ano para o outro. Como fugir do que está entranhado na pele, do que faz parte de nós? Como fugir da felicidade dos outros? Para o ano... qual? A verdade é que não sei viver contigo no meu pensamento e tão longe das minhas mãos.
O Lado B da Vida deseja a todos os visitantes deste blogue e seus familiares e amigos um Feliz Ano de 2010, com paz, amor, saúde e muita, muita felicidade. A todos o meu sincero obrigado. 2009 não foi no meu caso - como para o país em geral, fértil em boas novas, daquelas que nos deixam saudades. No entanto, e no que se refere a este blogue em particular, houve um aumento significativo de visitas e sobretudo de comentários, tendo-se plantado sementes do que poderão vir a ser boas amizades, cimentadas numa base de mútuo respeito e simpatia, quase sempre presentes em todos os novos companheiros de blogosfera com quem tive o prazer de dialogar. Um ou outro problema de comunicação mal resolvido, será sempre encarado como uma pequena gota num oceano de promessas, de estreitamento de laços e de partilha de conhecimentos e de sentimentos, onde as diferenças serão sempre vistas e aceites como marcas de uma identidade pessoal, cultural, divergências de opinião ou de vida que mais do que nos afastarem devem aproximar-nos e serem respeitadas. As dificuldades sentidas fizeram com que muitos de nós olhássemos a realidade à nossa volta com outros olhos, levaram a que redefiníssemos prioridades, a que juntássemos as nossas mãos, redescobrindo o sentido de grupo ou de família, comportamentos ancestrais que nos acompanham desde os primeiros passos do Homem no Planeta, . Juntos seremos mais fortes na luta contra as adversidades, juntos "we can", numa prece que nada tem a ver com quaisquer tendências religiosas ou políticas mas apenas e só com esperança. Esperança... que o melhor de 2009 seja o pior de 2010, que aquela lista anual de promessas e objectivos pessoais deixe de ser comparada às habituais promessas de políticos em fase de campanhas eleitorais. Esperança em fazer da Terra um lugar melhor para viver, uma herança saudável para as futuras gerações. Deste Lado que acredita poder continuar a fazer parte dos vossos devaneios cibernautas nos próximos 365 dias pelo menos, os votos sinceros de que 2010 fique marcado pela concretização de todos os vossos sonhos. FELIZ ANO NOVO!!!
O meu sorriso é triste e cinzento como os últimos dias de um Outono agreste. Tem no amarelo dos dentes maltratados o sabor amargo da hipocrisia, de quem sorri para fazer vontade, para enganar a ausência. Mas tu... de cada vez que sorris fazes empalidecer a lua, envergonhas as estrelas, cujo calor e brilho não se comparam à luz que emana de um sorriso teu. Esse sorriso é uma ameaça à EDP. Para quê tantas luzes nas ruas, nas casas, quando um simples sorriso teu ilumina a mais sombria das noites, aquece o mais empedernido dos corações, como por magia. Não deixes nunca de sorrir, pois é ele que ilumina o meu caminho e me guia de cada vez que estou perdido.
A vida raramente é justa. Tantas vezes longa para quem sofre, tantas vezes curta para quem sonha. O certo é que, por mais que a gente viva, tudo o que temos, tudo o que recebemos, será sempre pouco. Nunca seremos tão felizes quanto o desejamos nem teremos tanto quanto queremos. Aquela viagem de sonho, aquela casa enorme com a piscina, aquele romance do cinema... Por todas essas metas perdemos tanto tempo da nossa vida a olhar para o lado, mesmo que errado. Olhamos para o teste do colega da escola, para o carro do amigo, para a mulher do vizinho, querendo sempre mais, o pote no final do arco-íris, sonhando com personagens e cenas de filmes que não existem na vida real. Mas ao lado - naquele lado que não olhamos nunca -, também está o mendigo que pede esmola, que não tem casa, nem comida para dar aos filhos. Também está lá o homem que bate na mulher, e vice-versa, o casal desempregado, a criança doente que não chegará nunca a crescer, o deficiente que não saberá o que é ser ou levar uma vida normal. Um destes dias disseram-me que eu tinha talento, um talento daqueles capazes de levar uma caneta a escrever sozinha, como se as ideias ganhassem vida própria nas veias e começassem a galopar desenfreadas pelos afluentes da inspiração para cobrir a alvura do papel. Eu não tenho talento, nem mesmo esse. Sou apenas um apaixonado que aprendeu a namoriscar com as palavras à mingua de uma vida mais consistente e de sentimentos palpáveis. Talento têm aqueles que conseguem viver com o salário mínimo ou nem tanto, aqueles que tendo pouco ou quase nada têm afinal muito mais do que a maioria: Felicidade. Dizem os sábios que basta pouco para ser feliz: amar e ser amado, ter saúde, esperança, partilhar nem que seja um sorriso, um bom dia dado a um desconhecido, uma carcaça, uma sopa, ... esperança. Nada como partilhar a esperança, pensar "amanhã quando acordar tudo vai estar diferente, tudo vai ser melhor, a vida vai mudar um dia, talvez amanhã, talvez... acreditar", como nas palavras do grande Baptista-Bastos, o "Homem quando quer consegue tudo, até voar". E para isso basta às vezes deixarmos de olhar para o lado, para o errado, com um olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz um olho no vizinho e outro no nosso próprio umbigo. Dezembro caminha a passos largos para o fim, abrindo caminho a um ano que se espera de uma difícil transição, mas que uma inabalável fé me leva a acreditar ser possível concretizar todos os meus sonhos por ora adiados, apesar do Inverno da idade. Haverá um prazo de validade para a felicidade? Uma idade certa para deixar de sonhar? Gosto de Dezembro, do frio que leva aos abraços, das luzes de Natal nos passeios nocturnos, desses lampejos mesmo falsos de harmonia e da alegria presente nos olhos das crianças quando pensam em presentes. São dias amargos para quem sente o peso da tristeza, da perda, da solidão, mas ao mesmo tempo e por paradoxal que possa parecer, daquela nostalgia que Victor Hugo tão bem definiu, como "a felicidade de estar triste". Sobrevivo aos generosos frios de um Inverno rigoroso com o agasalho de recordações quentes. Mais que o talento da escrita, entretanto seco como os seios de uma velha meretriz, tivesse sido eu bafejado, tivesse eu ousado o talento para viver, não estaria agora aqui de braço dado com a ausência, ostentando palavras fúteis como se fossem pérolas e por dentro o coração remendado de promessas vãs, como pequenas peças de um puzzle à procura de um sentido, como um rastilho que sem fogo não arde.
Querido Pai Natal,
Chamo-me André e tenho 6 anos. Neste Natal eu queria um presente muito especial. Eu queria que em todo o mundo houvesse Paz e Amor, mas sei bem que isso é impossível de realizar... pelo menos aqui no meu prédio. Sempre que a vizinha do 5.º Dto. faz amor, não há paz na vizinhança. Principalmente quando o marido sai em viagem de negócios. Nesses dias, se calhar a televisão dela fica avariada, porque está sempre a passar aquele anúncio do shampoo Herbal Essences. "Ò ... sim, sim ... siiiim".
Bem! Como a Paz e o Amor estão riscados da lista, vou ter que optar pelos bens materiais, coisa que eu não queria nada ... Para começar, eu queria que este ano a minha prenda de Natal fosse um brinquedo muito divertido que vi na televisão. Não, não é nenhuma daquelas mariquices dos Action Man, Homem Aranha ou tartarugas Ninja. O que eu queria mesmo era uma coisa que vi ontem no Telejornal! Pai Natal, eu queria muito que me trouxesses um brinquedo que se chama RPG 7, que é um lança-granadas igualzinho aqueles que os terroristas usam para rebentar com os americanos no Iraque. Mas preciso muito que me entregues o brinquedo já este fim-de-semana para eu fazer uma surpresa aos meus coleguinhas lá da escola. Eles vão estar todos numa festa de Natal, em casa Henrique, que é filho de um grande empresário têxtil, que não paga salários há 3 meses, contrata Matador para dar porrada nos sindicalistas e tem uma amante no prédio onde mora a minha avó. Todos os coleguinhas da minha sala foram convidados para a festa menos eu, porque o Henrique diz que o meu pai é teso e as minhas roupas parece que foram compradas na Feira de Carcavelos, em segunda mão, aos ciganos. Eu sei que desfazer os coleguinhas da 1.ª classe com tiros de bazuca não é uma coisa muito bonita. Mas no ano passado fartei-me de fazer boas acções e a prenda que me trouxeste foi a porcaria de um carro telecomandado comprado aos marroquinos, que se avariou logo no primeiro dia. Bem, pelo menos sempre deu para aproveitar as pilhas para o vibrador da minha mãe!
E por falar na minha mãe, neste Natal queria que ela tivesse uma prenda muito bonita ... pelo que percebi, ela precisa muito de uma padaria mesmo aqui à porta do prédio, porque há mais de um mês que não vê o padeiro ... pelo menos foi isso que ela contou no outro dia, quando estava ao telemóvel com um amiguinho que se chama Roberto. Realmente, a minha mãe deve ter muita fome, porque depois começou a dizer ao amiguinho que lhe vai morder o cacete e, a seguir, vai pôs-lo a aquecer na fornalha dela até ele ficar grande ... o que acho esquisito, porque eu aprendi na escola que, sem fermento o cacete não cresce!
Quanto ao meu pai, a prenda dele é uma daquelas máquinas que vendem tabaco nos cafés ... é para ter cá em casa porque sempre que o meu pai sai à noite para comprar tabaco só volta no dia seguinte. Quando chega a casa diz que correu os cafés todos da zona e só conseguiu encontrar a marca de cigarros que ele fuma em Bragança, na boite A Bruxa. É engraçado! A minha mãe diz que ele vai a Bragança à procura da brasileira, mas que eu saiba isso não é uma marca de cigarros ... é uma marca de café! Depois a minha mãe começa a falar em marcas de baton na camisa e aí é que eu fico sem perceber nada! Olha, mas se não arranjares a máquina, tenta ao menos passar pelo Ribatejo e trazer um par de cornos. Pelo menos a minha mãe está sempre a dizer que era disso que ele precisava.
Para o meu irmão queria uma coisa mais simples. Basta trazeres umas roupas modernas, dessas que os adolescentes usam. Pelo que percebi, ele não deve gostar nada das roupas que os meus pais lhe compram, porque todas as noites, quando sai com os amigos, leva os vestidos da minha mãe. Diz o meu tio Zé que até dá pena ver o meu mano ali na zona do Parque Eduardo VII, com as pernas ao frio e com aquelas botas altas tão desconfortáveis. Deve-lhe doer muito os pés porque leva a noite inteira a pedir boleia aos carros que passam ...
E pronto, acho que já está tudo! Agora vê lá, não te esqueças de nada, se não sou bem capaz de fazer um telefonema anónimo a uma certa jornalista do Expresso a contar um episódio engraçado que me aconteceu no ano passado, quando te fui visitar ali a um Shopping Momental, no Saldanha. Ela vai gostar muito de saber que, quando eu estava no teu colo, aproveitaste para me apalpar o rabo e convidares-me para brincar aos trenós e aos comboinhos na tua casa, em Elvas! É claro que ambos sabemos que isso não foi verdade! O que aconteceu realmente foi que te apanhei a fumar droga e a veres revistas pornográficas na casa de banho, mas sabes como é a memória das crianças ... vemos muitos desenhos animados e, por isso, estamos sempre a confundir as coisas. E convenhamos que o nome "Bibi da Lapónia" te assenta como uma luva. Por isso, ou me trazes as prendas todas que te pedi ou é bom que comeces a procurar um bom advogado. E não te esqueças de comprar muitas embalagens de gel de banho. É que ali na prisão de Custóias dizem que é perigoso tomar duche com sabonete ... quando ele cai ao chão se te baixares para o apanhar corres o risco de ... ui ... Pelo menos é garantido que vais ter um Bom Natal e um Feliz Ânus Novo!
Beijinhos,
Andrézinho


"O que faz em pleno século XXI uma rapariga, ainda por cima bonita, sensual e desejada pelos homens, chegar aos 27 anos virgem?"


"Transsexuais e homossexuais não entrarão no Reino dos Céus, não sou eu quem o diz e sim São Paulo.", defende o cardeal mexicano Javier Barragan em declarações publicadas no site pontifex.roma, acrescentando: "não se nasce homossexual, torna-se homossexual. Por várias razões, por educação, por não ter desenvolvido a dignidade durante a adolescência... Talvez não sejam culpados, mas por irem contra a dignidade do corpo, certamente não entrarão no Reino dos Céus." Pergunto-me eu, não estará este senhor a ver muitos filmes? Primeiro, o Reino dos Céus que eu conheço era mesmo um filme e até tinha pelo menos um actor homossexual. Ora se ele entrou... Depois e fazendo um esforço por ser sério e científico numa questão que não merece qualquer credibilidade, não foi o mesmo Vaticano que defendeu que a Terra era plana? Não foi o Vaticano que mandou perseguir quem dissecava cadáveres para estudar anatomia e torturou e assassinou milhares nas fogueiras da Inquisição só por questionarem ou não seguirem os mandamentos que a Igreja Católica tomava como certos? Irão para esse céu que a Igreja usa como prémio para distinguir as pessoas boas das más, os padres irlandeses que violaram crianças? Porque os cruzados que ganhavam indulgências durante as Cruzadas, por cada infiel que matassem, certamente que tinham lá o seu lugar. Desde quando o amor, seja que tipo for de amor, branco, amarelo, rosa, pelas pessoas, pelos animais, por objectos, por sonhos... impede uma pessoa de ir para um hipotético Reino dos Céus? Algumas pessoas ligadas à Igreja têm de aprender, de forma a não prejudicar a instituição, que ninguém é dono da verdade, que todos somos iguais - até mesmo o Papa -, com dúvidas, com medos e que todos os dias estamos a aprender um pouco mais, exceptuando aqueles que pensam que sabem tudo e que, de cada vez que abrem a boca vêm demonstrar que afinal não sabem nada. E já agora, se tanto proclamam o amor ao próximo, onde está ele, onde está o amor, a compreensão, quando o próximo, mesmo sendo igual a eles, ama de forma diferente?

