segunda-feira, dezembro 14, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

IRMÃOS DE GUERRA

Não tenho particular predilecção por filmes de guerra, confesso, mas Irmãos de Guerra foi uma agradável surpresa, ao ponto de o considerar mesmo um dos melhores filmes que presenciei este ano. Do realizador Je-Gyu Kank, o filme conta a história de Jin-Tae, que vive com o seu irmão mais novo (Jin-Seok), sua mãe e ainda a sua noiva. Jin-Tae engraxa sapatos de forma a poder mandar o irmão para a universidade, quando deflagra a guerra da Coreia e os dois irmãos, embora por motivos diferentes acabam por ir parar ao centro da batalha. A partir dessa altura, para Jin-Tae, o seu único objectivo passa a ser o de ganhar a Medalha de Honra de forma a conseguir enviar o irmão de volta para casa, voluntariando-se para as missões mais arriscadas de forma a atingir rapidamente o seu objectivo. Só que a reacção do seu irmão e a entrada da China no conflicto acabam por dar um outro rumo à história, totalmente imprevisível. Irmãos de Guerra não é apenas um filme de guerra. É O filme. Com cenas de uma realidade e brutalidade notáveis a pedir meças às produções do género americanas, com muitas batalhas e bastante sangue, Irmãos de Guerra arranja ainda tempo para ser um dos melhores dramas que tive oportunidade de ver, incidindo sobremaneira na relação muito próxima destes dois irmãos numa guerra em que passa para segundo plano quem são os bons ou quem são os maus, até porque não é isso que interessa. A partir de certa altura, mesmo aqueles que julgávamos bons são vistos a cometer grandes injustiças e atrocidades, a provar que numa guerra não existe um lado certo. Por certo, apenas a convicção de que este é um filme a não perder, se gosta de grandes filmes e não se deixa impressionar facilmente com braços cortados e algum sangue à mistura.


PORQUE HOJE É DOMINGO!...

"O que faz em pleno século XXI uma rapariga, ainda por cima bonita, sensual e desejada pelos homens, chegar aos 27 anos virgem?"
Esta pergunta é o ponto de partida para o livro "Sim, sou virgem. E então?", de Margarida Menezes, fundadora e Presidente do Clube das Virgens, para quem ainda faz sentido esperar por alguém especial, uma espécie de príncipe encantado dos tempos modernos, que a sua mãe diz não existir. Margarida gostaria de ter dois filhos, diz que não vê o desejo sexual separado do sentimento e por isso entende que a primeira vez deveria ser especial e não como nos filmes pornográficos em que o sexo é quase sempre tratado de uma forma "bruta e selvagem". No entanto, e apesar de toda a espera, Margarida sabe que o homem que lhe tirar a virgindade poderá nem vir a ser o seu marido, mas será certamente alguém por quem esteja na altura apaixonada, segundo as suas palavras.



Numa sociedade e numa época em que a virgindade continua para muitos a ser um tema tabu, este livro talvez não tenha tornado mais fácil a concretização do sonho de Margarida, de encontrar aquele alguém especial ou mesmo de arranjar uma relação séria, mas é, no entanto uma corajosa chamada de atenção para uma situação raramente assumida, a maior parte das vezes por vergonha da chacota dos "amigos" ou namorados (as). A virgindade sempre foi vista de forma diferente conforme o sexo da pessoa, sendo que, se para os homens a perda desse estatuto sempre foi vista como o assumir da sua masculinidade, um troféu, não importando a idade ou a parceira dessa primeira vez, para as mulheres a situação nem sempre foi assim.


(Margarida Menezes)

Num passado não muito distante, uma mulher que não chegasse virgem ao casamento era vista como "uma qualquer", motivo mais que suficiente para que o matrimónio fosse anulado e a mulher ficasse marcada pela sociedade, como se com o rompimento do hímen tivesse desaparecido a honra da mulher. Hoje em dia existem ainda casos similares, especialmente em países e sociedades profundamente ligadas às suas culturas ancestrais, em que qualquer relação sexual extra-conjugal é considerada um crime passível de ser castigado em praça pública, muitas vezes com punições físicas bastante dolorosas e não toleráveis nas sociedades modernas.
Mas estas são excepções. O que acontece actualmente é que, à medida que o casamento vai sendo cada vez mais visto apenas como um contracto legal entre duas pessoas, o que faz com que tenha deixado de ser o sonho de muitas mulheres, que preferem as relações à margem do matrimónio, o sexo foi-se também banalizando, ao ponto de não se considerar a virgindade importante para qualificar uma mulher como séria ou não. Bem pelo contrário e, embora não haja oficialmente uma idade indicada para deixar de ser virgem, tanto para o homem como para a mulher, a verdade é que cada vez mais cedo os jovens têm contacto com a descoberta do corpo e da sua sexualidade, situação bem expressa na quantidade de jovens mães solteiras com que nos deparamos actualmente.



Os jovens, de ambos os sexos, gabam-se das suas experiências, mesmo aqueles que nunca as tiveram, porque a virgindade é hoje muitas vezes encarada como uma disfunção e fingir é muitas vezes melhor do que dizer a verdade. Se a mulher é virgem algum defeito há-de ter, se é o homem nem restam dúvidas: é porque não gosta de mulheres. Será que não imaginam que possa haver outras pessoas como a Margarida, que prefiram esperar pela pessoa séria e que vejam o sexo como algo sério e passível de ponderação? Por isso é importante este livro, na tentativa de abrir mentalidades e apesar das críticas que possam resultar. A pessoa que é virgem não gosta menos de sexo do que as outras, não necessariamente. Não tem menos curiosidade, menos desejo, não tem nenhum problema mas talvez maior inibição, maior critério na escolha. Além de que, entre duas pessoas existem outras formas de expressar desejo e que podem ser tão ou mais importantes do que o sexo, como explica a autora deste livro quando questionada sobre se tem ou não desejo sexual: "Sinceramente, não. Sinto vontade aliada ao medo de saber como é.", para logo acrescentar: "Sinto falta de andar de mãos dadas e abraçar". É assim Margarida, 27 anos feitos no passado dia 11, numa confissão corajosa numa sociedade tantas vezes adversa a quem assume as suas diferenças, a quem não se esconde, a quem prefere a honestidade muitas vezes inconveniente a mentiras que poderiam torná-la, talvez não tão popular, mas aceite e imune a críticas. Só que a essas responde, despida de preconceitos e vergonhas próprias de gente ignorante...


"Sim, sou virgem. E então?"

TRANSSEXUAL E HOMOSSEXUAL NÃO ENTRA!

"Transsexuais e homossexuais não entrarão no Reino dos Céus, não sou eu quem o diz e sim São Paulo.", defende o cardeal mexicano Javier Barragan em declarações publicadas no site pontifex.roma, acrescentando: "não se nasce homossexual, torna-se homossexual. Por várias razões, por educação, por não ter desenvolvido a dignidade durante a adolescência... Talvez não sejam culpados, mas por irem contra a dignidade do corpo, certamente não entrarão no Reino dos Céus."

Pergunto-me eu, não estará este senhor a ver muitos filmes? Primeiro, o Reino dos Céus que eu conheço era mesmo um filme e até tinha pelo menos um actor homossexual. Ora se ele entrou... Depois e fazendo um esforço por ser sério e científico numa questão que não merece qualquer credibilidade, não foi o mesmo Vaticano que defendeu que a Terra era plana? Não foi o Vaticano que mandou perseguir quem dissecava cadáveres para estudar anatomia e torturou e assassinou milhares nas fogueiras da Inquisição só por questionarem ou não seguirem os mandamentos que a Igreja Católica tomava como certos? Irão para esse céu que a Igreja usa como prémio para distinguir as pessoas boas das más, os padres irlandeses que violaram crianças? Porque os cruzados que ganhavam indulgências durante as Cruzadas, por cada infiel que matassem, certamente que tinham lá o seu lugar. Desde quando o amor, seja que tipo for de amor, branco, amarelo, rosa, pelas pessoas, pelos animais, por objectos, por sonhos... impede uma pessoa de ir para um hipotético Reino dos Céus? Algumas pessoas ligadas à Igreja têm de aprender, de forma a não prejudicar a instituição, que ninguém é dono da verdade, que todos somos iguais - até mesmo o Papa -, com dúvidas, com medos e que todos os dias estamos a aprender um pouco mais, exceptuando aqueles que pensam que sabem tudo e que, de cada vez que abrem a boca vêm demonstrar que afinal não sabem nada. E já agora, se tanto proclamam o amor ao próximo, onde está ele, onde está o amor, a compreensão, quando o próximo, mesmo sendo igual a eles, ama de forma diferente?

sexta-feira, dezembro 11, 2009

PENSAMENTOS


"A amizade com uma mulher é impossível. Há sempre a sombra do sexo." Estas palavras foram proferidas por Pedro Mexia, escritor e director interino da Cinemateca. Será que um homem não consegue conviver com uma mulher sem pensar em sexo, ou a mulher precisa de ser feia para que tal convivência desinteressada seja possível?

quinta-feira, dezembro 10, 2009

FLAGRANTES POLÍTICOS







REPÚBLICA DAS BANANAS


Eu sei que são pessoas como nós. Têm famílias, riem, choram, comem, bebem, contam anedotas, dizem asneiras, tal e qual como qualquer um de nós. Mas calma aí! Em casa eu ando como eu quero. Fico em pijama, ando descalço, deito-me no chão e às vezes como com as mãos. No trabalho não. Num restaurante não. É uma questão de respeito, de responsabilidades e essas, têm-as tanto ou mais os deputados do que eu, perante o país, perante as pessoas que os elegeram (o povo) para que pudessem servir de exemplo e ajudassem a decidir o que é bom para nós. Pelo que vi esta semana, da "palhaçada" - e digo isto sem querer ofender os palhaços - ocorrida na Assembleia da República, duvido da sabedoria das nossas escolhas. A maior parte dos deputados não são exemplo para ninguém. São mal educados uns com os outros, não têm respeito pelos colegas ou pelos portugueses, conseguem faltar mais vezes numa semana do que alguns colegas meus em vários anos de trabalho, são irónicos, grosseiros, interesseiros e revelam um total desprezo pelos reais problemas do país e pelos portugueses, se no outro prato da balança estiver uma vitória do seu partido face à oposição. De outra forma não se veriam partidos a defender propostas que outrora rejeitaram quando feitas por outros e vice-versa. Por isso o partido que está no governo consegue vencer as eleições mesmo depois de tantas asneiras feitas nos últimos anos, porque a política em Portugal está podre. Os jovens tendem a afastar-se e a mostrar desinteresse pela política, faltam propostas sérias, objectivos (não chega reclamar do que os outros fazem), falta educação, faltam políticos que se preocupem, falta gente séria num país a chafurdar em corrupção.

domingo, dezembro 06, 2009

PLANETA 51



Mais uma tarde de domingo dedicada aos meus sobrinhos com uma visita ao cinema do Fórum Almada. O filme para hoje foi o Planeta 51 e posso dizer que, apesar do preço elevado a que os bilhetes já estão, das pipocas e das bebidas, o resultado foi uma tarde muito bem passada e divertida. Planeta 51 é um belo filme que começou a surpreender-me ainda fora da sala mágica, por dispensar os efeitos especiais da moda, o 3D. Quanto ao filme em si, é sobre um astronauta que vai parar a um planeta desconhecido e sobre toda a confusão que a situação acaba por criar, como se a Terra fosse invadida por extra-terrestres, mas sob um outro ponto de vista. Num filme que vive sobretudo de comparações entre dois planetas com mais semelhanças do que à partida poderíamos supor - a começar pelo ar respirável, semelhante ao da Terra, este Planeta 51 é sobretudo um filme que nos fala de medos a rir. É o medo da declaração amorosa, o medo do desconhecido e diferente, não só de seres de outros planetas como também ainda bem patente na discriminação pela cabeleira grande do personagem hippie. As piadas são geralmente bem conseguidas, algumas novas bem originais, outras nem tanto (a da antena provoca a maior onda de risos entre os menos jovens), mas que conseguem atingir os objectivos a que se propoem. A história é divertida, fazendo-nos pensar nas coisas sobre um outro prisma e os personagens são bastante divertidos - o verde fica sempre bem -, mesmo os estranhos mas super-engraçados cães alienígenas. Fica pois a sugestão!

sábado, dezembro 05, 2009

NUMA PALAVRA SOLIDÃO


Por trás das palavras que não digo mas penso
sinto um grito amordaçado
feito de emoções contraditórias
como uma gravata apertada
cujo laço não consigo desapertar.
Balanço suspenso entre o certo e o errado
entre o dever e o querer, o desejo e a razão.
Em cada verso sou alegria
numa palavra solidão,
solto a cor e o pesar
na pena do infortúnio,
sou o amante imperfeito
um amor que não conjuga
uma sede insaciável que não extravaza,
um coração à deriva
a quem amar não basta
e sem amor não bate,

sexta-feira, dezembro 04, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

NÃO TE QUERO


Se eu soubesse sonhar sonhava-te
Se eu soubesse amar amava-te,
mas eu já não sonho,
eu já não amo, vivo ou luto,
eu simplesmente aceito
(o que a vida já não me quer dar).
Vivi na ânsia de sonhos dourados,
embriaguei-me em ilusões desfeitas
escritas a sangue pel'amarga pena do destino.
Por isso não te quero amar
não te quero querer,
embalado pelos braços de uma ilusão.
Por isso não quero nem sonhar,
e porque não sonho não vivo
e porque não vivo não sofro,
não sofro porque não te quero
e se não te quero perco-te
e se te perco...

não me encontro.

domingo, novembro 29, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Há dias em que as palavras ganham um sentido especial, aniversários, Natal, aqueles dias que nos trazem uma memória boa e às vezes uma lágrima nostálgica ao canto do olho. Dias em que as letras se vestem de cores e sentidos para moldar sentimentos. Algumas pessoas procuram usá-las de outros tons, mais ricas, mais complicadas,na busca de sons e formas originais; outros - mais ocupados, mais práticos - recorrem de fórmulas antigas mas cuja receita resulta sempre. A estes respondo à letra, num prático e sintético "obrigado". Aos outros, ornamentados entre o humor mordaz e o elogio da praxe agradeço as palavras e refuto alguns dos "acessórios". Sem falsas modéstias, não entro na euforia gratuita dos elogios. Não sou uma pessoa especial.Todos temos os nossos momentos, bons e maus, de anjo e de diabo, uns mais que outros, mas todos humanos. Assim sou eu - do grupo dos "outros" e cheio de defeitos e pecados que mil avé marias já não conseguem absolver. Resta-me o orgulho - esse devaneio - de tudo ou quase tudo o que fiz e faço obedecer a boas intenções (dessas que enchem o Inferno) e regras, como sempre essa mania de tentar ser certinho e estar sempre a descarrilar. Claro que agradeço sempre cada palavra, cada frase elogiosa. São fáceis de dizer, significam aquilo que quisermos, fazem-nos chorar e rir, inchar o ego como um balão, atiram-nos ao chão mais depressa que uma pedra ou um murro no estômago. Mas todas as guerras fossem de palavras, faladas ou escritas. Até o amor se vale de palavras, bonitas, sensíveis, daquelas que conquistam, daquelas que exageram e que mesmo assim pecam por defeito, porque não foram ainda inventadas palavras que chegassem para definir certos sentimentos. Recorro-me então em última instância do pouco original mas sincero "Obrigado". Obrigado a todos pelas palavras, pelas mensagens, aos meus amigos - aos que conheço daqui e daí. Este espaço fez quatro anos há pouco tempo e a cada dia que passo apercebo-me sempre um pouco mais do poder que a internet em geral e a blogosfera em particular têm. Hoje, as palavras já me chegaram de amigos, da família e de pessoas que não conheço mas que não deixo de estimar e a quem já me liga uma, mesmo que distante, cumplicidade. A distância é hoje mais curta e as diferenças (de sexo, de raça, de ideias, etc etc) uma razão para nos aproximar-mos e conhecermo-nos melhor. Em 2009, quase 2010, já não se justifica que os conflitos se façam através de armas, de derramamento de sangue à falta de melhores argumentos, de palavras. Não foi a roda que fez evoluir o Mundo, que nos fez modernos e racionais, mas a Palavra. Porque será que mesmo assim tanta gente insiste em atitudes selvagens, irracionais e grunhidos incompreensíveis?

SAPOS VIVOS

Acabei de chegar a casa, com uma vontade de gritar que só visto. Ao invés, limitei-me a engolir uns quantos sapos vivos e a contar até 100 para não explodir. Há momentos em que parecemos ser os únicos a querer fazer as coisas bem feitas, segundo as regras e mesmo assim ainda nos criticam ou pura e simplesmente nos ignoram. Serei eu que estou errado em preocupar-me, mesmo quando sou só eu a remar para o lado certo enquanto os outros insistem em remar na contra-mão?
Talvez a bola seja mais importante do que o dever. Não para mim, mas eu preocupo-me demais. Dizem eles e talvez tenham razão. Deve ser da idade. A paciência e a tolerância diminuem à medida que a idade avança. Vou mas é meter-me dentro do pijama e acabar de ver o Madagascar 2 que ainda não vi e esquecer o mundo lá fora durante alguns minutos. Tenho alturas em que sou chato, exigente demais, meticuloso, com a consciência a debater-se entre o dever e o deixa andar e o pior é que nem a desculpa da menopausa eu posso dar. Desculpem qualquer coisinha!

quarta-feira, novembro 25, 2009

RUI AMA FÁTIMA

A população de Celorico de Basto foi palco de mais um caso que promete reacender a polémica sobre o casamento no sacerdócio, depois de um padre ter fugido com uma jovem de 18 anos. Rui, de 26 anos, tornado padre recentemente, ter-se-à enamorado de Fátima, pelo que foi pedir a mão dela em casamento aos pais adoptivos da rapariga. Vendo a sua pretensão recusada, os dois esperaram que a rapariga fizesse os 18 anos, para no dia seguinte fugirem juntos para parte incerta. Apesar do pouco tempo que o rapaz tinha como padre não vou discutir a sua fé ou a sua devoção cristã. Acredito sinceramente que o mesmo pudesse suceder a um padre mais velho, sem que tal signifique ter maior ou menor aptidão católica. Antes de mais nada, um padre é um homem como uma freira será sempre uma mulher, passíveis de sucumbirem aos desejos e ao amor como seres humanos que são. Por outro lado são já incontáveis os escândalos de pessoas ligadas à igreja, com cargos superiores ao deste padre, envolvidas em casos de pedofilia, relações sentimentais ou meramente sexuais encobertas de uma sociedade em certos aspectos ainda arcaica no seu modo de pensar. Rui confessa amar Fátima, como provávelmente amará Deus, dois amores diferentes capazes de conviverem em harmonia, assim as pessoas e as altas instâncias da igreja o permitissem. Terá um homem casado, pai de família, menos amor para dar aos seus semelhantes ou a Cristo? Duvido. Entretanto e, enquanto os padres não poderem casar, casos como os deste casal ou bem piores continuarão a acontecer, porque a mesma religião que diz que se deve amar o próximo ou dar a outra face ao inimigo, castra os sentimentos dos seus membros, impedindo-os de terem um amor conjugal e de constituírem família, como se isso pudesse também perturbar as já de si frágeis bases da religião católica. Rui ama Fátima. Desde quando o amor é um crime?

SERES HUMANOS?!


Por vezes é-me difícil acreditar que estamos em 2009, quase 2010. Como aceitar que depois de milhares de anos de evolução ainda existam pessoas que se comportam como autênticos animais irracionais? Segundo um relatório da UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta) já morreram este ano em Portugal 26 mulheres devido a violência da parte dos seus companheiros ou ex-companheiros, além de outras 43 vítimas de tentativas de homicídio, números bastante altos e que revelam a falta de argumentos e de sensibilidade de indivíduos que ainda não compreenderam o significado de ser Homem.

segunda-feira, novembro 23, 2009

QUATRO ANOS


O LADO B faz hoje 4 anos, tantos quantos esteve Paulo Bento à frente do Sporting. Será um sinal?

domingo, novembro 22, 2009

UM POLÍTICO DE PALAVRA

Que semelhanças existem entre o Primeiro-Ministro da Eslovénia e o de Portugal? Nenhumas, concerteza, a começar pelos partidos que ambos defendem. Borut Pahor, protagonizou esta semana que agora finda um episódio quiçá insólito e delicioso. Mas começemos pelo início da história, quando a selecção da Eslovénia terminou o seu grupo de qualificação para o Mundial da África do Sul em segundo lugar. Nessa altura e, ainda sem conhecer o adversário para os play-offs, este senhor fez uma promessa arriscada e invulgar: prometeu limpar as chuteiras dos jogadores, caso estes conseguissem a tão desejada qualificação. «Vamos ter uma segunda oportunidade, vamos tentar aproveitá-la... se conseguirmos, limpo-lhes as chuteiras», prometeu o primeiro-ministro esloveno. Na altura, ninguém pensou muito nisso. Os adversários não eram fáceis e afinal, era apenas mais uma promessa de um político. Alguns dias mais tarde, a Eslovénia conheceu o seu adversário, a poderosa selecção russa, claramente superior e favorita no confronto entre as duas equipas. Pois bem, na passada quarta-feira a Eslovénia garantiu a presença na África do Sul depois de uma vitória sobre a Rússia por um a zero. O senhor Pahor, como uma pessoa cumpridora da sua palavra não teve outro remédio que não fosse meter mãos à obra, neste caso, às chuteiras dos novos heróis nacionais. "Sou um homem de palavra", confessou, depois de concluída a tarefa. "Sim, é verdade, confesso que limpei as chuteiras de todos os nossos jogadores, mas também admito que não as limpei muito bem...". Foi no seguimento destas palavras que eu dei comigo a imaginar o nosso Primeiro-Ministro a fazer o mesmo às botas de Ronaldo e companhia. Claro que depois acordei.

PORQUE HOJE É DOMINGO!...

... hoje não vou pensar nos outros.


Perdoem-me, mas hoje não quero pensar no Natal daqueles que estão desempregados e cujos filhos vão certamente passar por necessidades, com pouco que comer e sem nenhum presente, brinquedo ou não. Podem desde já chamar-me cruel, insensível, no mínimo egoísta. Hoje bastam-me os meus problemas para me deitarem ao tapete da auto-comiseração, se quiser perder tempo a pensar neles. Mas não quero. Hoje não.
Problemas... sei que existem milhões de pessoas que agora se ririam dos meus problemas, milhões de indivíduos que dariam anos de vida numa troca de problemas, como quando éramos miúdos e trocávamos cromos à porta da escola. Mas isso era no meu tempo, quando um problema se resumia a uma conta de dividir. Hoje não se trocam mais cromos, a internet e as playstation deixam cada momento livre esmiuçado ao milésimo de segundo. Só que hoje, os outros vêm depois de mim. Não tenho o costume de pensar na fome em África de cada vez que sacio o meu pecado da gula num belo naco de bife, mesmo que vá deixar uma boa porção na travessa. Da mesma forma que não penso naquele rapaz novo, recém casado, recentemente pai, que recebe a notícia de lhe restar um par de meses de vida, quando me queixo com exagerada veemência de um simples arranhão no joelho quando estava a jogar à bola com os amigos. Pensar em semelhante tipo de coisas deixa-nos sempre deprimidos e sugestionáveis ao suícidio. A mrelhor maneira de combateres a pobreza é, acredita, não te tornando um deles.
Um problema é sempre relativamente grande ou relativamente pequeno, conforme a perspectiva. Para assinalar um penalty não tem de haver uma falta de maior ou menor gravidade. Uma falta é uma falta e isso é que é o problema. A "ausência de..." é um pressuposto, uma condicionante para o problema em si. O dinheiro não é o maior dos problemas, ao contrário do que pensa a maioria. Não o ter é um problema, não ter emprego, não ter comida, não ter saúde, não ter amor, são problemas. Não ter esperança é tudo isso e muito mais. Não ter esperança, não ter um motivo para acordar de manhã... isso é que é fodido. O dinheiro não é tudo na vida. É quase. Com ele resolvia quase todas as minhas ausências, mesmo a de sentimentos. Com o vil metal fazia felizes meia dúzia - pouco mais - de pessoas cujo bem estar e felicidade estão indubitavelmente indissociáveis à minha própria harmonia, bem estar e felicidade. Por isso hoje não quero, não vou pensar nos outros, mas nos meus, naqueles cujas lágrimas ou gargalhadas condicionam o barómetro da minha boa disposição, da minha fé e esperança. Fazê-los felizes, sabê-los felizes é quanto baste para ser feliz, é tudo o que eu quero de um Natal cada vez mais endividado e entristecido. Nada peço para mim, nem mesmo amor. A maior parte das vezes nem mereço mesmo nada, tal a dor que a generalidade das minhas boas intenções causou inadvertidamente pelo caminho. Toda a gente nasce para o que é. Uns estão destinados a ser felizes, a outros resta-lhes meia dúzia de boas recordações religiosamente guardadas no escrínio das lembranças, como um tesouro muito valioso. Hoje vou pensar nos meus, desejar para eles um futuro repleto de coisas boas, saúde, dinheiro e amor, tudo aquilo que toda a gente deveria ter. Porque hoje é domingo e se todo o sonho é permitido, o meu é limitado e egoísta... mesmo que nada queira para mim. Amanhã quem sabe... voltarei a ser humano.

sábado, novembro 21, 2009

BOM DIA, ALEGRIA!



Choveu. Muito. Caiu água toda a tarde, e em toda a parte, um daqueles dias que me costuma deixar verdadeiramente irritado, por conseguir reter-me em casa. Muito mau, pior ainda se a manhã não tivesse despertado garrida a prever uma bonança que, irónicamente , soube antecipar-se à tempestade. Porque os dias têm esta característica ímpar de se renovarem todas as manhãs com novas cores, novos cheiros, numa oportunidade que se repete de traçarmos novos caminhos, de mudarmos a história a nosso jeito. Basta estarmos atentos aos sinais. Às vezes chega um sorriso, um simples bom dia, uma pessoa que não víamos há muito, um olhar mais atento sobre o mar que sempre esteve ali ao nosso lado, pequenas coisas, como as pequenas gotas de uma chuva incómoda e persistente, capazes de lavar a "cara" das ruas e deixar para trás simples obstáculos que julgávamos inultrapassáveis. Há dias assim, em que nem a chuva consegue esconder um Sol perfeito que nos aquece o coração.