sábado, setembro 26, 2009

BE WITH YOU

Be With You é um filme Japonês de 2005 e basta uma olhadela atenta ao seu título para compreender a sua mensagem, aquilo que é realmente importante. Ele conta a história de Takumi, que vive sozinho com Yuji, o seu filho de 6 anos, depois que a sua jovem esposa faleceu. A vida não é fácil para ele, duvidando não ser capaz de dar a melhor educação para o filho e de não ter amado Mio o suficiente. O desenrolar desta história dá-se a partir de um livro deixado pela sua mulher, em que fala do seu regresso durante a época das chuvas, motivo para que tanto pai e filho acreditem que voltarão a ser uma família completa e feliz. No final, duas ideias ficam no ar: a de que devemos sempre arriscar a dizer o que sentimos e não refugiarmo-nos no medo de não sermos correspondidos e, não menos importante, por muito curto que seja o tempo dedicado ao amor e à felicidade, devemos vivê-lo. Um mês, dois, três meses podem muitas vezes significar uma vida inteira e valer bem mais que anos e anos escondido à sombra dos sentimentos sem recordações que nos lembrem que houve um dia... fomos felizes.

quinta-feira, setembro 24, 2009

JUSTIÇA À PORTUGUESA

Durante mais de duas semanas, um homem trocou mensagens por telemóvel com alguém que pensava ser uma rapariga. No passado mês de Julho, os dois combinaram encontrar-se, para o que prometia ser um encontro sexual escaldante. O rapaz, estudante, de 22 anos aceitou a sugestão da rapariga para que o encontro ocorresse na casa de banho de um posto de abastecimento de combustíveis, em Oliveira do Bairro e ele não via a hora de a poder ver à sua frente, ao vivo e a cores. Quando lá chegou, foi surpreendido por dois homens armados com uma faca. Em vez de sexo, o rapaz foi agredido e assaltado. Levaram-lhe o computador portátil, o telemóvel e alguns trocos. Entretanto, os ladrões foram detidos esta semana pela Polícia Judiciária de Aveiro. Um dia depois foram postos em liberdade pelo juíz, com apresentações periódicas à polícia. Segundo o que saiu nos jornais, o estudante ainda não recuperou qualquer dos objectos roubados. Este é o país que o nosso governo defende ser seguro, esta é a justiça que temos, em que as guerras entre magistrados e governo se sobrepoem à segurança do cidadão comum. Este é o país onde ainda ontem uma jovem enfermeira, à saída do Hospital e no parque de estacionamento, foi raptada - enquanto falava ao telemóvel com a mãe - e mais tarde violada. Enquanto isto acontece bem perto de nós, a caravana das eleições continua a passar, com a mesma falta de propostas a que já nos acostumaram, entretidos que andam a difamar uns e outros em discursos próprios de gente sem educação e sem responsabilidade quer política quer moral.

quarta-feira, setembro 23, 2009

QUAL O VALOR DE UMA CONSCIÊNCIA TRANQUILA?

A história conta-se em poucas palavras. Ontem, uma padeira de Penafiel, encontrou 9300 euros ao sair de casa para ir fazer a entrega do pão. 3600 estavam espalhados pela rua, em notas e o resto dentro de uma pasta. De imediato, chamou a GNR, que fez chegar tão avultada quantia ao seu verdadeiro dono.
O que faria você numa situação semelhante? É difícil dizer o que eu faria, certo de que 9300 euros resolveriam todos os meus problemas imediatos, além de permitir pôr em marcha alguns planos sempre adiados mas não esquecidos. Decerto que muita gente, ao tomar conhecimento de uma história destas não deixa de criticar a honestidade da senhora, que tomou uma decisão tão pouco vulgar nos tempos que correm. A verdade é que não me lembro de uma decisão tão caricata e tão vazia de bom senso desde outro episódio envolvendo também uma padeira, mas esta em Aljubarrota.

terça-feira, setembro 15, 2009

O BAILARINO QUE QUERIA SER ACTOR

Patrick Swayze faleceu na noite de ontem, em Los Angeles. O actor de 57 anos, que protagonizou alguns dos grandes êxitos que marcaram a minha infância, como Point Break, Dirty Dancing, Ghost ou a série Norte e Sul, sofria desde o último ano e meio de cancro no pâncreas, doença que rapidamente o enfraqueceu, tornando-o quase irreconhecível. Patrick Swayze, sem ser na minha opinião um grande actor, possuía algo que uns chamarão de talento, outros de toque de Midas, tal a facilidade de transformar em êxito de bilheteira a maior parte dos filmes em que entrava. De uma geração que debutou com Os Marginais, que tinha no elenco alguns jovens aspirantes a estrelas, como C.Thomas Howell, Matt Dillon, Rob Lowe, Emilio Estevez ou Tom Cruise, Patrick aproveitou bem cada oportunidade que teve para deixar a sua marca na história do cinema. A sua obra e o seu carisma ficarão para sempre na memória daqueles que poderam acompanhar o actor forte e saudável dos tempos áureos, o dançarino provocante, o surfista destemido, o fantasma apaixonado, o herói romântico mesmo quando fazia papel de vilão, daqueles que não queremos que acabe mal. Acabou mal. A doença dominou-o rapidamente, transformando-o num completo fantasma daquilo que fora, uma sombra irreconhecível de alguém que um dia muitos quisemos ser e por quem muitas raparigas mais e menos jovens suspiraram. Não é esta última imagem que guardaremos, mas sim a do jovem bailarino que um dia quis ser estrela de Hollywood e até ganhou uma estrela no passeio da fama. A morte pode levar as pessoas da nossa companhia, mas nunca conseguirá apagar a memória daquilo que foram e fizeram.









quinta-feira, setembro 10, 2009

OBRIGAÇÃO CUMPRIDA. E AGORA?

Uma grande parte dos inquilinos tem respondido de forma positiva ao apelo de recuperação e embelezamento dos prédios mais degradados ou a necessitarem de limpeza. Cumprida a nossa parte do acordo, quem nos dá garantias de que não apareçam logo "artistas" como os que esta semana estrearam a nova pintura de um prédio na Rua Bernardo Francisco da Costa, em Almada? É que as obras duraram cerca de um mês, um pouco mais e bastou o seu término para logo aparecer alguém a fazer isto, sem mesmo esperar que os andaimes fossem desmantelados na sua totalidade. E agora? Quem estará a negligenciar as suas responsabilidades? A Câmara Municipal? A Polícia? É que ninguém apanha quem faz isto e a polícia só passa pelas ruas nas suas viaturas facilmente identificáveis - que é feito dos agentes a pé? - dando tempo a quem precisa de se esconder ou fugir. Por estas é que de cada vez que falo alto para com os meus botões agitam-se logo uns quantos moralistas por me lembrar da justiça em certos países árabes e de como umas mãos - vá lá, uns dedos - a menos resolviam este problema e serviam de recado para outros "brincalhões".

domingo, setembro 06, 2009

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


- Olá, Miguel!, voltei-me, tentando dar uma face a uma voz que me conduzia a um tempo distante. Vira-a - porque de uma mulher se tratava - pela última vez no mesmo local, sensivelmente, 14, talvez 15 anos atrás. Pouco mudara na sua fisionomia, a não ser alguns brancos no cabelo que antes não existiam. Reconheci-a sem hesitar e com a alegria mal-contida, própria de quem reencontra um velho amigo. "Estás na mesma. Casaste? Tens filhos? Ainda moras com a tua mãe?". Casara e tivera dois filhos. Dois miúdos. Subitamente, dei-me conta de que poderia resumir os últimos 15 anos numa folha A4, sendo que o maior espaço ficaria, ainda assim, reservado aos 20 meses mais recentes. Despedimos-nos um pouco à pressa com um beijo e o desejo de que não tivessem de passar outros 15 anos antes de novo encontro.
Esta semana ficou ainda marcada pelo cessar de um contacto quase diário com uma grande amiga, fruto de uma mudança de emprego da parte desta. Refiro-o por não ser apenas uma amiga daquelas tipo conhecida, mas antes desse género difícil de encontrar, melhor amiga e confidente. Para quem tem mais conhecidos do que amigos, a ausência de alguém que tem a capacidade de nos fazer sorrir quando estamos tristes e procura que não nos deixemos ir abaixo com os problemas, torna-se sempre mais sentida e dolorosa. Toda a despedida deixa feridas difíceis de sarar, um gosto amargo de quem deixa para trás algo de si. Sinto que perdemos demasiado do nosso tempo entretidos em confrontos estéreis e futilidades, numa competição selvagem, numa correria incessante que nos leva invariavelmente a afastar-nos do que realmente importa, privilegiando o individual em detrimento do colectivo. Não há nada mais importante do que os nossos amigos, aqueles que estão sempre presentes, para nos felicitar nos bons momentos, para nos darem a mão quando vamos abaixo. E não esqueça que o valor de uma boa amizade está não só em receber, em ser ouvido, como sobretudo em dar, em saber escutar.
Numa semana de algumas emoções fortes, alargadas a mais hora e meia de sofrimento à conta da selecção, não quero deixar de endereçar os parabéns ao meu irmão e ao meu sobrinho mais novo, aniversariantes nesta semana que agora termina.

sexta-feira, setembro 04, 2009

SAUDADES

A amizade não tem distâncias nem prazos de validade.
Alimenta-se de feelings, chora de saudades.

sábado, agosto 22, 2009

30 COISAS QUE DEVE EVITAR DIZER A UM HOMEM NU

1 – Eu já fumei cigarros mais grossos que isso.
2 - Ahhh, que meigo.
3 - Nós poderíamos ficar apenas abraçados.
4 - Você sabia que tem uma cirurgia para resolver isso?
5 - Faça-o dançar.
6 - Posso desenhar aquela carinha feliz nele?
7 - Uau, e seu pé era tão grande.
8 - Tudo bem, nós vamos trabalhar em cima disso.
9 - Ele vai fazer algum som se eu apertá-lo?
10 - Ai, de repente me deu uma dor de cabeça…
11 - (Ri e aponta)
12 - Posso ser honesta com você?
13 - Que lindo, você trouxe incenso.
14 - Isso explica o seu carro.
15 - Talvez se a gente regar ele cresça.
16 - Por que Deus está me punindo?
17 - Pelo menos isso não vai demorar muito.
18 - Eu nunca vi nada igual a isso antes.
19 - Mas ele ainda funciona, né?
20 - Ele tá parecendo pouco usado.
21 - Talvez ele tenha uma aparência melhor à luz natural.
22 - Por que nós não pulamos directo para a parte do cigarro?
23 - Você está com frio?
24 - Se você me embebedar primeiro…
25 - Isso é uma ilusão de óptica?
26 - O que é isso?
27 - Sorte sua que você tem muitos outros talentos.
28 - Ele vem com um compressor de ar?
29 - Isso está parecendo isca de peixe.
30 - Então é por isso que você sempre julga as pessoas pela personalidade.

quarta-feira, julho 22, 2009

QUAIS MORANGOS, QUAIS REBELDES!!!

Hoje foi mais uma manhã de praia. Muito sol, vento moderado, até a água estava boa, quase tudo perfeito, menos a vizinhança. Já estava eu admirado por nenhuma bola me ter acertado ainda quando se instalou um grupo de jovens perto da minha toalha. Tudo bem, não sou nenhum eremita e a praia até é grande, há espaço para todos. Só que aos primeiros diálogos eloquentes da rapaziada deu para confirmar a minha teoria de que aquilo dos Morangos e do Rebelde Way é tudo encenado. Não sei se me estou a fazer entender, mas já viram como aquilo é tudo demasiado certinho? Claro que fazem umas tropelias, que desobedecem aos pais, contam umas mentirinhas e por vezes chegam a andar à porrada, mas puxa... eles raramente bebem, não fumam e nunca dizem asneiras. Eu também era assim quando andava na escola e o mais próximo que estive de ser popular era por ser betinho. A geração Morangos não! Eles conseguem ser perfeitos - mesmo com as calças a mostrar os rabinhos e a roupa interior, mas eles são populares, apesar de não beberem, não fumarem, nem praguejarem. Caros realizadores, se querem fazer um trabalho realista e sério, despachem esses betinhos, façam-os voltar para as suas casinhas de Cascais, porque a malta nova, aquela que vemos na rua, nas escolas, nas noitadas carregados de garrafas e enrolando ganzas, na praia... não têm nada a ver com os Morangos e muito menos com os RBl. Com um vocabulário bastante limitado, ele é Caralho para cá, Caralho para lá, Foda-se e tantas outras palavras que fazem de uma considerável parte dos exemplares desta geração um mau exemplo do futuro que nos espera. Por enquanto, e como não posso fazer muito mais, vou puxando a toalha mais para trás, em busca de um ar mais saudável e mais eloquente no vocabulário.

segunda-feira, julho 20, 2009

PARABÉNS, AMIGA

Perguntaste-me recentemente o que era a amizade e, enquanto eu pensava numa resposta elaborada para te dar, respondeste tu mesmo à pergunta. Afinal, na amizade, como em muitos outros sentimentos, o seu valor não se mede na quantidade ou na riqueza das palavras usadas para o descrever, mas nas acções. Hoje, dia do teu aniversário, não preciso de usar as palavras que preparaste para usar como se fossem minhas. Não preciso de pensar durante muito tempo para conseguir exprimir-te o importante que tens sido para mim. O dia a dia tem-se encarregado disso. És desde à muito a minha confidente preferida, mais que uma irmã mais nova, uma conselheira nem sempre sábia ou perfeita, mas uma amiga preocupada, das melhores pessoas que conheci, olvidando não raras vezes as suas próprias preocupações para que , sempre com as palavras certas no momento certo, não fosse traído pelo desânimo fácil e pelo atirar da toalha ao chão. Obrigado por tudo, pelo sorriso, pelo que tens feito, pelo que farias se fosse preciso, mas especialmente por seres essa pessoa especial que tanto adoro e admiro. Um feliz dia de aniversário, Nusrat, e que todos os teus desejos se concretizem, pois tu mereces.

segunda-feira, julho 06, 2009

APENAS NÃO CORRAS

E se já antes me fugias, como posso agora poder um dia resgatar-te? Como continuar na senda das tuas pegadas, no trilho do perfume que a memória não consegue apagar? Apenas não corras, não deixes que a tempestade que assolou o meu deserto dilua a doce fragrância do sentimento que me move, pois não conheço eu outro caminho, outra estrada, que não o sentido dos teus passos.

sábado, julho 04, 2009

EVASÕES

Shim Mina, cantora, dançarina e modelo sul-coreana, nascida a 10 de dezembro de 1978.



Natural de Seul, na Coreia do Sul, começou por dar nas vistas durante o Mundial de 2002, pelas imagens bem elucidativas da sua beleza.

A 17 de novembro de 2008, num concurso televisivo de dança, recebeu 0 pontos, acusada de os seus movimentos desrespeitarem o concurso.


sexta-feira, junho 26, 2009

SUGESTÕES

Tinha alguma curiosidade em ver Anjos & Demónios, depois do êxito e da controvérsia gerada pelo anterior O Código d'a Vinci. Todavia, bastaram os primeiros minutos deste novo confronto entre a religião e a ciência, protagonizado por Robert Langdon (Tom Hanks continua a ser um dos actores mais crediveis do panorama actual do cinema americano), para me aperceber que estava perante um filme diferente do seu antecessor, para melhor.

Em Anjos & Demónios mantém-se a tentativa de descredibilizar alguns dos frágeis alicerces que suportam a religião católica, critícam-se certos comportamentos e valores, num ataque que desta vez não visa a figura de Deus - como no primeiro filme -, mas o coração do cristianismo, o próprio Vaticano.


As grandes diferenças residem, no entanto em dois pontos fundamentais. Primeira: Em Anjos & Demónios não existem pontos mortos, não há lugar a "paragens" para nos explicarem - como se fossemos muito burros - o que se está a passar e o porquê de cada dedução do protagonista, como acontecia tantas vezes no filme anterior, tornando-o interessante mas aborrecido para alguns. Anjos & Demónios é um filme sobre os mistérios da Igreja, mas é também um filme de acção, muita acção.

A segunda grande diferença é perceptível após os primeiros minutos do filme. Apesar de continuar a atacar valores morais, organizativos ou a corrupção de alguns elementos do clero a valores que nada têm a ver com o espírito religioso, assim como algumas estocadas subtis à ostentação bem evidente nas altas instâncias do Vaticano, existe uma tentativa de Dan Brown em atenuar as suas relações com a Igreja, tentando de maneira simpática mas raramente conseguida, justificar certas críticas, certos valores, ao dar-lhe uma imagem diferente, humanizando-a, tornando-a por isso imperfeita, mais sujeita aos pecados dos Homens. Como se diz perto do final: "A religião é imperfeita (...), mas apenas porque o Homem é imperfeito".
Tudo somado, resulta num filme bem conseguido, com algumas interpretações muito boas, e que me levou a não conseguir parar de vê-lo antes de chegar ao seu final, já bem perto da uma e meia da manhã.

O HOMEM QUE NÃO QUERIA CRESCER

Michael Jackson morreu aos 50 anos, vítima de uma paragem cardíaca. Com uma carreira incaracterística, Michael transformou-se de um cantor genial, rei da pop a uma personagem aberrante e controversa, perseguido pelo medo das doenças e por acusações de abusos sexuais com menores. Como uma criança grande, um Peter Pan do universo musical, Michael, que foi casado com a filha de Elvis Presley, deu sempre a ideia de não conseguir adaptar-se a um mundo de adultos, sempre escondendo-se e protegendo-se de uma vida que não compreendia e que o amedrontava. Depois de um interregno de cerca de oito anos, um dos últimos grandes ícones da música pop, preparava-se para uma derradeira digressão mundial (ainda bem que eu não tinha comprado já o bilhete), numa tentativa de reabilitar alguma da sua fama, mas também da sua imagem de artista talentoso que era. Há hoje mais uma estrela a brilhar no céu.

quarta-feira, junho 24, 2009

SABIA QUE...


... a modelo britânica Nicola McLean, esposa do jogador de futebol Tom Williams, não amamentou o seu filho por considerar que os seios são só para sexo. Para que ninguém ficasse com dúvidas, afirmou ainda não gostar da ideia de ver o filho, Rocky, alimentar-se nos seus seios.
- "Eles são uma coisa sexual para mim e não quero Rocky mamando neles" - disse a modelo.

(pobre Rocky, pensamos nós)

GRITO

Sinceramente, hesitei em escrever esta postagem. Já não é a primeira vez que recebo algumas críticas ou sinais de preocupação de cada vez que apresento algo menos animador, mas por mais que muitas vezes tente dar uma cara diferente ao blogue, ele representa uma quota-parte muito importante da minha pessoa e personalidade, mudando de humor consoante a alegria ou a tristeza do seu autor. Não são uns quantos momentos mais ou menos felizes que determinam a nossa maneira de ser. Hoje não estou triste ou alegre, talvez me sinta incompreendido. Sim, talvez seja o meu espírito determinante hoje. Incompreendido e revoltado. No par de dias que antecedeu estas palavras fui, directa ou indirectamente vítima de tentativas de assalto que, num dos casos, só não pôs em causa a minha integridade física ou mesmo a própria vida por uma feliz coincidência. Não é fácil aparar golpes como estes no plano psicológico, ainda para mais, não havendo qualquer feedback da parte de quem deveria fazer qualquer coisa e, às vezes, uma simples palavra ajuda tanto. Também no plano sentimental estes dois últimos dias não foram fáceis. Nada a que não esteja acostumado, embora certos comentários fossem nestes casos dispensáveis em favorecimento de um silêncio que, se não ajuda também não prejudica. Mas essa tem sido a história de um vasto número de acontecimentos que marcaram - alguns de forma mais indelével - a minha vida. Seja qual for a posição tomada, por muito que a intenção seja a melhor, alguém acaba sempre por se magoar, alguém acaba sempre por nos criticar. Por isso hesitei, embora sempre tenha sido difícil dizer não às palavras, a essa verborreia quase sempre inócua que hoje muito raramente percorre as minhas veias e exala através de cada poro como um grito que não pode ser contido.
Não gosto de grandes textos. Chateiam quase sempre quem os lê. O bom escritor, como diria Saramago, será sempre aquele que consegue dizer mais no mínimo possível de palavras. Aquele que consegue fazer o inverso não engana os mais perspicazes, é político. Mas decidi-me a seguir em frente, a dar o pulo de olhos vendados, o peito aberto às balas, no tipo "que se dane, seja o que Deus quiser!", e lá estou eu a falar d'Ele mais por costume do que por convicção. Como se não bastasse o caos em que se transformou a minha vida pessoal, tão serena como um barril de pólvora prestes a explodir e a arrastar-me por consequência para um fosso de dimensões incomensuráveis só comparadas ao défice orçamental do Governo, os últimos dias proporcionaram transmitir essa mesma inquietante sensação para o plano profissional, dando-me a impressão de, num ápice, ter-me tornado um alvo apetecível para críticas injustas, ao ponto de chegar a confundir a minha imagem no espelho à de um assassino ou marginal sem direito a defesa. Cidadãos, protejam os vossos mais preciosos valores, escondam as filhas, puras e castas as donzelas. Não se deixem iludir pela aparência destes olhos placidamente tristes ou dos exagerados sermões de um falso moralismo tantas vezes apregoado mas tão poucas vezes praticado. Acautelem-se, pois este homem é o pior dos pervertidos, um mentiroso compulsivo, ladrão de corações, um egoísta insensível e implacável que por onde passa destrói qualquer forma de vida em redor, semeando no seu lugar sarjetas imensas, impregnadas de dor, devastidão, devassidão moral e sofrimento, angústia, como uma terrivel e biblica praga. Tenho hoje em quem tantas vezes me defendeu alguns dos meus mais acérrimos críticos e algozes. É tão ténue e delicada a linha que separa o bestial da besta. À falta de aliados quem vai pagar a minha caução? Ninguém. Pelo perigo que represento, pela irresponsabilidade danosa, pelo mau carácter, mais valia trancafiarem-me já na mais segura e inexpugnável das celas e jogarem a chave fora.

terça-feira, junho 23, 2009

ESCREVE-SE MAIS, MAS PIOR

José Saramago, prestes a ser uma das próximas pessoas a passar os textos do seu blogue pessoal (www.caderno.josesaramago.org) para um livro, prática cada vez mais comum entre alguns bloggers, teceu esta semana no jornal argentino Clarín, algumas críticas sobre o que se vai escrevendo nos blogues. Segundo o Nobel português, com o crescimento deste tipo de espaço na internet "está a escrever-se mais, embora pior". E acrescenta: "A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena preocupar-se com a qualidade do que se escreve. (...) Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance"
O Lado B, embora respeitando a opinião de tão proeminente figura da literatura portuguesa e não só, prefere salientar que, com o crescente número de blogues, têm sido dados a conhecer textos bastante bons de gente até agora desconhecida, permitindo a profusão de novas mentalidades e mesmo formas de escrever. Além disso, não podendo sermos todos escritores num país que já foi de poetas, a manutenção de um blogue incentiva o gosto pela escrita, assim como pressupõe algum cuidado, pois enquanto bloguistas temos de ter noção de que não estamos a escrever apenas para nós mesmos, mas para um universo incalculavel de pessoas, que de outra forma muito dificilmente ouviriam falar de nós.

FELIZ ANIVERSÁRIO

Que me importa saber que Jean Tigana (1955), Zinedine Zidane (72) ou Patrick Vieira (77), três centro-campistas de luxo, todos internacionais franceses, nasceram neste dia, que o Comité Olímpico Internacional consagrou como Dia Olímpico. Que me interessa ainda saber que em 1998 uma tragédia ditou o fim da dupla Leandro e Leonardo com a morte do primeiro, intérpretes de muitos êxitos da música popular brasileira. Que me importa o Mundo, todos os políticos e promessas que se fazem em vão, todo o dinheiro que o Ronaldo vai ganhar e que aos outros faz confusão, que me interessa... se este dia viu também nascer a mais bela flor que um dia os meus olhos tiveram a possibilidade de contemplar. Parabéns, princesa!

segunda-feira, junho 22, 2009

AMANHÃ


Eu e Ela não sabemos
Se haverá amanhã,
Mas se houver,
Certamente quereremos nos ver.
Isto é muito certo.
Será outro dia
Para mais uma garrafa de vinho,
Talvez duas.
Acompanhadas de pizza, é claro.
Havendo o amanhã,
Que não seja dia de labuta.
Que seja dia de sol
Para podermos pegar uma praia.
Para eu poder vê-la de biquíni
Adornando seu corpo moreno.
Eu e Ela não sabemos e
Ninguém pode saber
Se haverá o amanhã,
Porém queremos que haja.
Para podermos estar juntos
Mais uma vez
E assim nos beijarmos,
Trocarmos carícias,
Bater um delicioso papo,
Divagar sobre outro amanhã.
Que obviamente também não saberemos se haverá,
Mas que também desejaremos que haja.
Para podermos nos amar outra vez
E perceber que só o hoje
Não é o bastante para o nosso amor.

LOVE IS...


uma forma eficaz de atrair sarilho