sábado, novembro 29, 2008

À ESPERA DE GODOT


Qual é a idade em que é suposto ganharmos juízo? Qual a idade em que devemos abdicar dos nossos sonhos? há alguma idade limite para o risco? Até que idade é certo podermos fazer coisas erradas? E porque razão, só quando envelhecemos descobrimos o quanto errado foi preocuparmo-nos em fazer tudo certo? Até que idade nos é permitida a loucura de poder voltar atrás, fazer reset e recomeçar do nada? Porque será que a idade em que descobrimos que - apesar de todas as fortunas, dessa sede insaciável de fama e glória - não há nada mais importante do que a felicidade, chega sempre quando já pouco ou nada podemos fazer para alterar o rumo dos factos? Uma vez li que a vida estava virada do avesso, que deveríamos vir ao mundo velhos e sábios e a partir daí iríamos trabalhar, com todas as preocupações daí inerentes, seguindo depois para a juventude despreocupada, tendo apenas que passar o tempo da melhor maneira que fosse possivel, aproveitando cada minuto como se fosse o último. Mais tarde, já crianças, haveria tempo para brincarmos, então de forma mais inocente, antes de terminarmos a nossa vida regressando ao ventre das nossas progenitoras. Mas isso é utupia. Então continuamos escravos do tempo, contando o tempo que falta em vez de o tentarmos aproveitar ao máximo, esperando por um Godot que não veio hoje, como não veio ontem nem virá nunca, porque é caracteristica humana nunca nos contentarmos com o que temos, sofrermos de amores impossíveis, almejarmos nada menos que a lua. A que idade deixaremos nós, homens, de ser parvos?

quinta-feira, novembro 27, 2008

A IMPORTÂNCIA DE UM NÃO

O que explica cada vez mais actos tresloucados de violência puramente gratuíta e difícil de compreender pelo senso comum? Filhos batem nos pais, maridos e mulheres agridem-se um ou outro às vezes por motivos mesquinhos e sem importância, alunos desrespeitam e atacam professores. Por todo esse mundo há jovens que vão armados para as escolas e sem se saber muito bem porquê, começam a disparar indiscriminadamente, antes de porem termo à própria vida, pais violam filhas, etc etc etc. Dizem-se muitas coisas. Diz-se que a crise económica leva as pessoas a perderem a cabeça, que é a violência a que assistimos na televisão, nos filmes, e que há referências ao sexo em todo o lugar, desde os anúncios de TV, as telenovelas ou à própria maneira como se vestem as jovens dos dias de hoje, vulgarizando um acto de amor ao seu estado mais vulgar, primário e obsceno. Tudo isso mais as noitadas até às tantas, em que os nossos homens e mulheres de amanhã já começam a noite acompanhados de duas ou três garrafas cheias - quase sempre trazidas de casa, porque as bebidas nos bares e discotecas não são baratas - e acabam-nas quase a cair para o lado e sem saberem bem o que se passou entre o início e o fim da noite, mas com a satisfação de que são mesmo In, porque beberam, fumaram, passaram toda a noite fora de casa e mantiveram assim o respeito dos "amigos". O jovem actual tem uma fraca noção de direitos e deveres e de responsabilidades. Assim, pensam que podem fazer tudo, porque ninguém lhes poderá fazer nada. Afinal, nem os criminosos já vão para a prisão. Como se não bastasse, os problemas com droga, os assaltos e o próprio flagelo da prostituição estão a aumentar e a transformar a nossa sociedade de forma caótica, com as forças da ordem a perderem o controlo da situação e as pessoas andam com medo de passear na rua, mesmo em pleno dia. E a culpa é da televisão? Isto vem a propósito de uma postagem que li e que relatava que em algum lugar do mundo, um jovem entrou na casa da namorada com uma arma, que lhe foi vendida mesmo sem que para isso tivesse licença e fez a família dela refém, mantendo a polícia ocupada durante longas horas e atirando em duas pessoas inocentes. Ao que parece, porque ela NÃO quis mais falar com ele, porque a amava, mas não aceitava um NÃO como resposta. Pelo excerto do texto que se segue - e que nos dá uma outra e curiosa versão dessa história das responsabilidades -, a culpa de muito do que está errado nos dias de hoje pode ser de um simples NÃO.
"O NÃO da menina foi o único NÃO, dessa história toda. Faltaram muitos outros NÃOS: Faltou o NÃO de um pai e uma mãe; alienados pelas novelas de TV, dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá e tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. (...) Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Pelo jeito, a única que disse NÃO nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de NÃOS.

Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer NÃO às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer NÃO aos maridos (e alguns maridos, temem dizer NÃO às esposas). Pessoas têm medo de dizer NÃO aos amigos. Noras que não conseguem dizer NÃO às sogras, chefes que não dizem NÃO aos subordinados, gente que não consegue dizer NÃO aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um NÃO, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, “não posso traumatizar meu filho”. E não é raro eu ver em público alguns tomando tapas de bebés com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraónicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer:

“NÃO, você não pode bater no seu amiguinho”.

“NÃO, você não vai assistir a uma novela feita para adultos”.

“NÃO, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei”.

“NÃO, você não vai passar a madrugada na rua”.

“NÃO, você não vai dirigir sem carteira de habilitação”.

“NÃO, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos”.

“NÃO, essas pessoas não são companhias para você”.

“NÃO, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate”.

“NÃO, aqui não é lugar para você ficar”.

“NÃO, você não vai faltar na escola sem estar doente”.

“NÃO, essa conversa não é para você se meter”.

“NÃO, com isto você não vai brincar”.

“NÃO, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque”.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS; crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro NÃO que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante. Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um NÃO; intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer – é também responsabilidade. E quem ouve uns NÃOS de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer NÃO a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O NÃO protege, ensina e prepara. Por mais que seja difícil, eu tento dizer NÃO aos seres humanos que cruzam os meus caminhos, quando acredito que é hora – e tento respeitar também os NÃOS que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. É aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias."

Toda a gente tem direitos e deveres e aos pais não assiste o direito de ficarem calados, mesmo quando os filhos - por já saberem andar pelos seus próprios pés - julgam que já sabem tudo. Eu próprio não sei de tudo. Continuo a aprender todos os dias, a cada minuto, e será assim enquanto eu viver, ensinando, mas sobretudo aprendendo, que nem todas as pessoas são iguais, respeitando as diferenças - isso faz parte da cidadania - e tendo a noção de que os meus direitos vão até onde começam os direitos dos outros. Isso é fulcral para uma convivência sã e é geralmente esquecido nos dias de hoje, em que só os nossos desejos e direitos contam.

P.S. Será que só a mim é que causa confusão esta nova moda de andar com as calças abaixo? Se calhar estou já a ficar cota - mesmo que com alguns dias de antecedência.


terça-feira, novembro 25, 2008

E SOMOS HUMANOS?



Comemora-se hoje o Dia Internacional Contra a Violência Contra as Mulheres. É uma designação extensa e que não soa lá muito bem, a recordar-nos que neste ano de 2008, as pessoas insistem em maltratar os seus semelhantes, mulheres ou não, mas também crianças, idosos, animais, etc etc etc. Realmente, seria difícil algo assim soar de outra forma e se as palavras porventura tivessem cor ou cheiro, estas estariam tingidas a vermelho e cheirariam mal, muito mal.


A vida são apenas dois dias e o primeiro vai já a meio. Será que não sabemos ocupar melhor o nosso tempo? É inadmissivel que hoje em dia ainda se procure a via da violência para resolver qualquer discordância de opinião, mas é a triste realidade. À falta de outros argumentos, como a razão, usa-se e abusa-se da violência.


Pessoalmente, custa-me a acreditar que os nossos antepassados das cavernas fossem tão primitivos como muitos de nós que nos passeamos de fato e gravata e gostamos que nos tratem por senhores ou doutores.

É tempo de acabar com esta vergonha! É tempo de dizermos
"basta"! Por si, por todas as vitímas directas ou colaterais deste flagelo, seja Humano, denuncie. Recorde-se que se hoje pode estar a ajudar a salvar uma vida, amanhã poderá ser a sua a estar em risco.

domingo, novembro 23, 2008

3 ANOS


E lá vão três anos de Lado B. Na hora de soprar as velas penso naqueles que passaram por aqui, nos que ainda continuam e naqueles que não voltam mais. Há sempre a ideia de que podia ter feito mais, ter conseguido algo mais com este espaço, ter ido mais além dos seus limites. Agora que aqui cheguei desejo, não me tornar muito aborrecido para quem por cá passa, agradar à vista, aguçar o pensamento daqueles que têm alguma coisa por dizer. A todos os que me têm acompanhado e sobretudo a quem tem contribuído para que não esmoreça nesta tarefa o meu muito obrigado.

sábado, novembro 15, 2008

E FEZ-SE LUZ

A iluminação de Natal na cidade de Almada foi hoje inaugurada com grande pompa e circunstância na Praça do MFA, junto à enorme árvore de Natal, cujo acender das luzes foi o ponto alto desta cerimónia, aproveitada pela Presidente da Câmara para, entre ténues aplausos e alguns assobios, fazer a elegia da importância para o Concelho do polémico Metro, enquanto fonte de desenvolvimento para Almada. Política à parte - mas não esquecida - e apesar dos atrasos sempre habituais nestas cerimónias, a cidade está bonita e espaçosa. Pessoalmente, tudo isso, as luzes, as festas, a alegria das crianças e toda este âmbiente tão peculiar enche-me de uma melancólica nostalgia dificil de explicar, numa época propícia à partilha.

sexta-feira, novembro 14, 2008

MÁ EDUCAÇÃO

Primeiro que tudo, quero aqui vincar que, estou contra uma série de medidas aplicadas pelo Governo em geral e, em particular, pelo Ministério da Educação, que limitam em muito, a vida particular dos professores, que antes de o serem são seres humanos. As recentes ocorrências que marcaram as visitas a estabelecimentos de ensino, quer da ministra da educação como dos seus secretários reflectem, não apenas o elevado grau de insatisfação em relação ao estado da educação em Portugal, como ainda um preocupante problema dessa mesma educação - ou falta de - que é notório desde há muito nas faixas etárias mais novas - o chamado futuro da nação - mas que vem ganhando grandes adeptos entre pessoas de outras idades, para quem a vida é apenas feita de direitos. O que é verdadeiramente alarmante é saber que estas manifestações de violência e má-educação são organizadas para servir os interesses de outros que não apenas os estudantes ou os professores e que estes jovens que atiram impropérios - além de ovos e tomates - ao Governo, cujo significado a maior parte desconhece, deixam-se afinal conduzir como carneiros, destituídos de personalidade própria, acartando eles com as consequências directas dos baixos estratagemas orquestrados por quem tem interesses bastante distintos dos princípios da educação. Na minha modesta e pouco significativa opinião, salta à vista desarmada que algo vai muito mal no pelouro da educação, mas não deixa de ser para mim inequívoco que, neste como em outros sectores, desde os professores, aos médicos, aos próprios pais como à classe política, é necessária uma avaliação, que na maior parte dos casos seria negativa. Há, concordo, necessidade de alterar programas descabidos da realidade, para que - no caso específico dos professores - estes não se vejam obrigados a passar grande parte do dia nas escolas, negligenciando as suas vidas pessoais. Quanto aos alunos e aos outros, os verdadeiros mentores destas manifestações infantis, existem outras formas de protesto mais dignas que o lamentável desperdício de ovos ou tomates, mas que devido ao grau de cívismo e educação inerentes serão para eles desconhecidos ou muito difíceis de assimilar.

quinta-feira, novembro 13, 2008

SUGESTÕES



As minhas sugestões de hoje incluem três filmes que tive a sorte de poder ver nestes últimos dias. O primeiro é Bangkok Dangerous (O Perigo Espreita), mais uma versão americana de um filme de 1999 com o mesmo nome. Neste remake, com o genial Nicolas Cage como protagonista, desempenhando o papel de um assassino contratado para quatro trabalhos, na Tailândia. Metódico, solitário e eficiente, começa a ver a sorte alterar-se assim que se apaixona por uma ajudante duma farmácia, começando a pôr em causa os seus próprios valores até aí inquestionáveis. Longe de ser um filme brilhante - as cenas de acção chegam a ser pobres e bastante inverosímeis -, é o carisma de Cage que salva o filme e, embora dele se espere sempre mais, consegue torná-lo num entretenimento válido. Destaque neste filme para a beleza serena de Charlie Young, tão peculiar das mulheres orientais.




De uma crueza por vezes arrepiante é a minha segunda sugestão, Obsessão Mortal, com outro dos maiores nomes da indústria cinematográfica americana, Richard Gere, ao lado da competente Claire Danes. Neste filme que se debruça sobre os crimes sexuais e toda a espécie de fetiches relacionados e levados a extremos, Gere é um agente que tem como missão acompanhar a reinserção social de ex-detidos por esse tipo de crimes, enquanto que Danes é a pessoa que vai tomar o seu lugar, logo após a sua reforma forçada, com base nos métodos bastante violentos e pouco éticos do protagonista. Claramente, um filme a não perder.



A terceira sugestão é o quase desconhecido Windstruck, de 2004, mas a que felizmente tive acesso. Originário da Coreia do Sul, este filme é realizado por Kwak Jae-Young que, pelas críticas, é daqueles realizadores com um toque especial de Midas, capazes de fazer um sucesso de cada filme realizado, cujo expoente será My Sassy Girl, aguardado por mim com imensa expectativa.
Além destes dois filmes, também é seu, Il Mare, que os americanos aproveitariam para fazer A Casa da Lagoa, com Sandra Bullock e Keanu Reeves. Windstruck conta a história do envolvimento entre uma mulher polícia (interpretado por uma magnetizante Jun-Ji-Hyun) e por um professor (Jan-Hyuk). A história, ao contrário dos romances ocidentais, é imprevisivel, sem os habituais clichés do "viveram felizes para sempre". A mescla entre a comédia, o drama, as artes marciais ou mesmo a fantasia, resulta numa mistura explosiva, tornando Windstruck num filme sensivel e arrebatador, capaz de trazer as emoções à flor da pele. Puro e selvagem, inocente e por vezes a roçar o ingénuo, Kwak consegue arrancar-nos uma gargalhada com a mesma facilidade com que nos rouba uma lágrima. Pelo menos comigo conseguiu-o.

quarta-feira, novembro 12, 2008

SE EU MORRER AMANHÃ


Se eu morrer amanhã
quero te ter hoje,
te conhecer
e te amar.

Quero levar de ti,
os beijos que não troquei,
as carícias que não tive,
os abraços
que não dei.

As madrugadas que não vivi,
a cama vazia em que acordei,
sentindo-te contra mim,
me procurando sem te achar,
pois não estavas ali.

Estava a te procurar tanto
que passei pela vida e não te vi.
As lágrimas que verti,
os olhos cansados
olhando o infinito,
e vendo só a ti.

Se eu morrer amanhã,
quero a certeza
que te tive um dia,
para poder contar
aonde for
que foste meu
uma vez,
um minuto,
que não deu nem para um beijo,
pois estava tão perdida
que me perdi neste minuto.

Amando-te desta maneira,
passei pela vida
e nada vi,
pois só via a ti.
Nada mais procurava,
nem a ti achava...
Na minha loucura de te amar,
perdi a noção do tempo.
Te perdi
dentro de mim,
pois nunca o tive.

E, continuando essa busca,
se eu morrer amanhã,
serei feliz!
Te procurei,
não te encontrei
mas só te amei!


de Eda Carneiro da Rocha

terça-feira, novembro 11, 2008

SE EU MORRESSE HOJE...

"Se Eu Morresse Hoje..." é um tópico bastante interessante sobre o qual encontrei dois poemas belíssimos capazes de nos deixar a pensar sobre o assunto e que gostaria de compartilhar convosco:


Se eu morresse hoje
queria ter a tua mão segurando a minha..
eu pedir-te-ia perdão pelas muitas coisas que não disse
pelas vezes que menti e por tantas que me omiti
por verdades que não deveria ter dito
pelos beijos e carinhos que não te dei,

Beijaria as tuas mãos em agradecimento
pelo amor que me fizeste sentir
por todos os minutos que a tua voz acarinhou meus ouvidos
pelas verdades não ditas
e pelas mentiras ocultas
pela felicidade que me deste
por minutos que nos sentimos
por tu existires
e teres cruzado o meu caminho

Estranha vida que faz com que nos últimos momentos
tudo que poderia ter sido e não foi seja possível...
Quantos beijos e afagos perdidos...
Quanto tempo desperdiçado...



Se eu morresse hoje.
Morreria feliz!
Porque tive você
em meus braços.
Pude te olhar nos olhos,
e dizer te amo.
Se eu morresse hoje,
Não iria chorar pelo
que não tive.
Iria chorar pelo
que perdi.
A vida é feita de
ganhos e perdas.
De instantes,
de eternidade.
Lembranças felizes.
Momentos de alegrias
e de lamento.
Pras dores e lamentos,
cerro as cortinas
do meu pensamento.
Escancaro as janelas
da alegria.
Deixo entrar a emoção,
e a recordação.
Dos momentos únicos,
e felizes que passei com você.
Se eu morresse hoje.
Seria uma benção,
não um lamento.
Pois vivi com você.
os melhores momentos
Com você eu fui
desmedidamente feliz.
E pra sempre em meu
coração viverás.

sábado, novembro 08, 2008

A PESSOA ERRADA


A pessoa errada

Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivência, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.

Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada.

A pessoa errada te faz perder a cabeça
fazer loucuras
perder a hora
morrer de amor.
A pessoa errada vai ficar um dia sem te encontrar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.

A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar
mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono
mas te vai dar em troca uma noite de amor inesquecível.
Essa pessoa talvez te magoe
e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
mas vai estar 100% da vida dela esperando você,
vai estar o tempo todo pensando em você.

A pessoa errada tem que aparecer para todo mundo
porque a vida não é certa,
nada aqui é certo.
O que é mesmo certo, é que temos que viver cada momento, cada segundo
amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo.
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
em que a gente diz: "graças a Deus deu tudo certo"
quando na verdade
tudo o que Ele quer
é que a gente encontre a pessoa errada.

Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano,
respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.


de Luís Fernando Veríssimo


(não sei se sou a pessoa certa ou errada. Sou a pessoa que te ama e isso para mim é tudo, como para outros pode ser nada)

quinta-feira, novembro 06, 2008

ETAPAS

É sempre com tristeza que tomo conhecimento do fim de outros blogues, com a noção cada vez mais palpável de que também este espaço já viu esse mesmo dia mais distante. Para os mais atentos, é notório que a dedicação tem escasseado. Para mim fica também a certeza de que as dúvidas, sobretudo existenciais, mas também a nível do conteúdo surgem cada vez mais frequentes. Manter um blogue requer, não apenas dedicação. É fundamental haver um motivo, uma actualização periódica e alegria, no sentido do acto de postar constituir muitas das vezes um escape, uma forma de desabafo, um grito quantas vezes surdo, mas que nos liberta. O desaparecimento de outro blogue com o qual se partilhavam visitas e se trocavam comentários quase como num ritual diário é como perder um amigo chegado, mesmo que não o conheçamos pessoalmente. Quantos sites visitamos diáriamente ignorando quer o nome ou o sexo do seu autor? É esse o poder, o fascínio da internet, o de aproximar quem está distante, levando-nos por vezes - e por essa mesma contingência geográfica - a trocarmos mais fácilmente confidências com desconhecidos do que com familiares ou amigos. Sei, e espero ser este o caso, que o encerrar de uma etapa como esta - apesar de não ser fácil - não pressupõe obrigatóriamente para quem a toma, qualquer tragédia ou drama pessoal. Quantas vezes o virar desta página não significa o abrir da janela, o pulo em direcção à vida, a descoberta de novos alentos bem menos virtuais e por isso mesmo mais aliciantes, porque a vida não é para ser vivida na ponta dos dedos... mas no pulsar do coração. Eu chamo-me Miguel Ângelo, e este, ainda é O LADO B DA VIDA, sempre tentando agradar a quem fica, mas sem esquecer quem parte.

ANJOS & DEMÓNIOS

O cubo mágico para mulheres

MEMÓRIAS COM PERFUME

O meu primeiro beijo foi demasiado rápido e desajeitado, à porta de casa dela, após o pedido de namoro arrancado a ferros na esplanada do Radical, com o embaraço próprio de um adolescente que já não o era e que sentia o chão fugir-lhe debaixo dos pés, numa proeza nunca ousada. O coração, esse, batia como um tambor - bum! Bum! Bum! - desenfreadamente. Onde escasseava tempo sobrava um querer desmesurado e inflamável que mais tarde havia de consumir em cinzas um frágil castelo de cartas alicerçado em sonhos. A vida é assim, faz-se de pequenos detalhes, alimenta-se de grandes sentimentos. Hoje, no aniversário desse dia, recordo o primeiro beijo. Não foi o melhor. Nesse campo, a tendência é sempre para melhorar, mas o sabor das primeiras vezes acompanha-nos até ao último dos nossos dias como um perfume suave mas inebriante, no escrínio secreto das lembranças.

E se a memória tem cheiro, as minhas têm o odor peculiar do cravo e da revolução.

quinta-feira, outubro 30, 2008

A CAUSA DA VIOLÊNCIA

Tenho assistido ao longo dos últimos anos e, com alguma preocupação, a uns quantos comentários de uns iluminados sobre algumas das causas do crescendo da violência nos nossos dias. Preocupação pela facilidade com que se empolam certas situações, numa cruzada pelo catolicismo ou por uma notoriedade gratuíta que quase chega a dar vontade de rir, não fosse tão preocupante. Recordo-me perfeitamente do choque que foi para as imaculadas e todas poderosas altas esferas do Vaticano o tema Like A Prayer e o respectivo vídeo de Madonna, como as ridiculas tentativas de silenciar O Código Da Vinci, como se a "verdade" que nos é incutída desde tenra idade possa ser afinal um aglomerado de mitos frágeis nos seus alicerces. Dizem - os entendidos - que a televisão, hoje em dia, incita à violência e ao sexo, que os filmes são demasiado agressivos e até a animação infantil tem violência em excesso, que depois é transposta do ecrã para a vida real pelos jovens. Quando eu tinha os meus 10/12 anos, também havia armas na televisão, havia cowboys e índios, piratas, filmes de capa e espada. Não me tornei uma pessoa violenta. Pelo menos, não mais do que o normal.



É fácil procurar explicações, como se todas as pessoas fossem iguais e as suas atitudes e motivações fossem para toda a gente as mesmas. Mais recentemente, houve uma polémica sobre uma das capas do filme Procurado, uma vez mais pelo incitamento à violência. Nestes últimos dias, o julgamento do Comité Anti-Violência britânico incidiu sobre uma foto da cantora Katy Perry - que era para ser capa do seu novo disco -, em que ela surge com uma faca na mão. Em causa está o crescente número de crimes praticados com facas entre os adolescentes. Inclusivé, o pai de uma menina que foi esfaqueada disse: "alguns jovens podem vê-la com a faca e querer ter uma também". OK, meus senhores, acabem com as telenovelas, os filmes e os noticiários e passem novamente os episódios da Heidi e da Casa na Pradaria.



Por último, nesta última semana, também um jogador do Arsenal de Inglaterra foi critícado, mesmo na pessoa do seu treinador, por ter sido fotografado - na rua - a fumar. Arséne Wenger considerou que o seu jogador agiu mal, pois como figura pública tem responsabilidades. Ainda no país de sua majestade, um outro treinador, ao saber que um jogador da sua equipa tinha sido apanhado a horas impróprias a saír de uma casa de striptease, apenas disse que lamentava já não ter a idade do atleta em causa, pois ter-lhe-ía feito companhia. Pessoalmente, concordo que se critiquem certas situações em que a violência ou certas cenas de menor decoro sejam evitáveis, preterindo-se o sensacionalismo e a vulgaridade ordinária, mas daí a empolar e a extremizar determinadas atitudes, como se os jovens de hoje não tivessem opinião própria, e fossem todos como um bando de carneiros fácilmente influenciáveis pelos media ou pelos seus ídolos é não só descabído como falso.

SABIA QUE...

Incrível mas verdadeiro! Em Miyazaki, no Japão, uma professora de piano, de 43 anos, poderá ser presa, por deletar o perfil do ex-marido virtual num jogo online. Inconformada com o divórcio que a sua personagem sofreu no simulador MapleStory, a mulher invadiu a conta do homem, de 33 anos e apagou o seu alter-ego, segundo o site da BBC. A mulher será indiciada por acesso ilegal a um computador e manipulação de dados. Caso seja condenada, a "homícida virtual" poderá apanhar até cinco anos de prisão.

terça-feira, outubro 14, 2008

SABIA QUE...



Reece Fleming, natural de Derby, em Inglaterra, é pouco mais que um mero desconhecido para a maioria das pessoas. A sua história, infelizmente curta, foi suficiente para levantar algumas questões pertinentes, a primeira das quais a prova conclusiva de como hoje os casamentos são vistos de uma forma quase futil e resultantes de um desejo muitas vezes intempestivo de que muitos se arrependem depois. Toda a gente se casa hoje - menos os gays - e raramente o fazem "até que a morte os separe".
Reece tinha apenas oito anos e sofria de leucemia desde os quatro. Devia haver uma lei que proíbisse os nossos filhos de morrerem primeiro do que nós. Mas ainda não expliquei onde é que a tragédia que se abateu sobre esta criança e a sua família se relaciona com o matrimónio. O facto deu-se quando, após os médicos terem-lhe diagnosticado que teria pouco tempo de vida, Reece quis realizar um último desejo: casar com Elleanor Purgslove, uma colega da escola. Felizmente para os pais de Reece, o miúdo não devia ver muita televisão, doutra forma nunca teria escolhido Elleanor, que apenas poderia ser vista com bons olhos numa perspectiva de investimento para o futuro, que era exactamente o que Reece não tinha.


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- "Quando soubemos, tentamos fazer tudo aquilo que ele queria, esforçamo-nos para realizar todos os seus desejos antes de nos deixar", argumentou a sua mãe. Até que ponto devem os pais fazer todas as vontades dos filhos? Assim, o miúdo pediu a mão da sua colega de escola, que surpreendentemente aceitou. Houve festa, alianças, altar, registro e até passeio de limusine e, ao que parece, o casamento terá ficado por aí, até porque a cerimónia não teve - obviamente - qualquer valor legal, fora o seu significado puramente emotivo do realizar de uma última vontade.



- "Agora posso morrer feliz", disse Reece ao final do dia. No dia seguinte sua mãe encontrou o corpo gélido na cama, na face uma expressão de serenidade e paz. Que se saiba, e, segundo o Lado B apurou, Elleanor não teve qualquer responsabilidade na fatalidade do seu "marido", logo após a primeira noite como casados.
Apesar de sentir o drama de uma doença que me merece o maior respeito, é difícil ser mais sério quando se brinca com valores e uma instituição como o casamento, ainda por cima com a estranha e quase macabra conivência dos pais das duas crianças envolvidas. E se ele tivesse pedido algo diferente, mais difícil ainda de concretizar? O amor não pode nunca ser um mero capricho, uma última vontade, uma opção. O amor é a essência, a razão sem qualquer razão aparente, o nada e todavia tudo, a luz interior, o brilho que ilumina a noite e nos mostra o rumo como um farol num denso nevoeiro.

terça-feira, outubro 07, 2008

COMO VÃO OS SEUS ORGASMOS?

Como vai o seu prazer sexual? Se considera que as suas perfomances estão entre a média portuguesa, então não se iluda. O melhor mesmo é continuar praticando, pois segundo a Sexual Wellbeing Global Survey (Pesquisa de Bem-Estar Sexual Global), são os habitantes da África do Sul quem têm mais orgasmos no mundo. Pois, quem havia de ser? Ainda de acordo com a mesma fonte, 66% de pessoas daquela parte do globo tiveram orgasmos quase todas as vezes que fizeram sexo - ah campeões! -, um número alcançado ainda por espanhóis, mexicanos e italianos, todos à frente dos brasileiros, com uns surpreendentes 65% de pessoas indicando que sempre ou quse sempre alcançam o climax. Será que as respostas foram confirmadas pelo polígrafo?
No entanto, os resultados obtidos pelos africanos são quase da inteira responsabilidade dos homens, com 83% a responderem que chegam sempre ao orgasmo, enquanto que só um pouco menos da metade das mulheres consegue lá chegar. Qual será a percentagem das que fingem o dito cujo? Na outra extremidade da lista, são os chineses e os japoneses os que têm, aparentemente, menor probabilidade de alcançar o orgasmo. Apenas um em cada quatro o atinge. Dá que pensar! Será que por mais que nos julguemos uns campeões ou umas verdadeiras lástimas, às nossas perfomances sexuais estarão inerentes factores genéticos ou geográficos? Entretanto, e segundo estes dados puramente estatísticos, o melhor é mesmo desconfiar de cada vez que obtiver um "sim" à eterna questão: "Foi bom para ti?"

quinta-feira, setembro 25, 2008

SÃO OS SONHOS QUE NOS ELEVAM

Baptista-Bastos escreveu uma vez algo do género: "o Homem quando quer consegue tudo, até voar". Isto, a propósito de uma postagem feita ontem e que mereceu o comentário sempre bem vindo de três pessoas, que se aproveitaram de um daqueles momentos que por vezes se apoderam de nós e nos puxam para baixo. Como é natural, o tom mais crítico vem sempre de alguém anónimo. Antes de falar sobre o teste, realço que esse momento - bastante comum entre as pessoas que se entregam apaixonadamente à vida como aos sentimentos - já passou. Ninguém consegue estar a rir e a saltar 24 horas por dia, 365 dias por ano. É da natureza humana que nos sintamos sempre incompletos, mesmo quando tudo nos arece perfeito. Mais, não sou pessoa de seguir modas ou de andar em filas, embora dê o devido valor à opinião de meia dúzia de pessoas que para mim contam muito e que têm sempre um peso especial nas minhas decisões, sem que isso signifique que decidam por mim. Da mesma forma que cada comentário merece o meu mais profundo respeito e atenção. Mas talvez eu me tenha explicado mal na postagem de ontem.
Mudando de assunto, a primeira ilação, e ao contrário do esperado, é positiva. Não morreu ninguém, o Sol amanhã vai voltar a nascer e vão acontecer certamente mais assaltos. Quanto ao teste e começando pela parte boa, digo-vos que - e correndo o risco de algum comentário mais pernicioso - acertei aquela parte logo do início, aquela onde nos perguntam o nome, a morada, etc. Acho. Também não era difícil, Já fiz tantos psicotécnicos e eles continuam mesmo assim a insistir nessas perguntas, que eu já decorei as respostas. Quanto ao resto, aproveito para usar das palavras sábias e fortes do Marco: "às 9 da manhã, o melhor é mesmo estar na caminha" em vez de andar às voltas com equações de quilómetros e percentagens.
Mais a sério, e como de costume já me estou a alongar, independentemente de quaisquer resultados, não me arrependo de ter tentado, como ainda aconselho o mesmo para todos os que perdem o vosso tempo a visitar este espaço. A ambição não é um pecado. Nunca limitem os vossos objectivos ou duvidem das vossas capacidades antes sequer de tentarem. É como arrependermo-nos por uma palavra que não dissemos, apenas por receio de perder algo ou alguém que nem sequer nos pertencia ainda. Hoje podemos perder uma batalha, mas se abdicarmos dos nossos sonhos desistimos de nós, perdemos a guerra. E eu já perdi demasiadas guerras, por batalhas que ficaram por travar. Sigam os vossos sonhos, pois são eles que nos elevam, mesmo quando a realidade parece puxar-nos para baixo.

VALE TUDO?


Vanessa Palma, assistente de Herman José no concurso televisivo Roda da Sorte, é hoje em dia um dos nomes mais clicados na internet. Percebe-se. A miúda é gira, tem muitos atributos e - parece - pouco pudor em mostrá-los. É também autora de algumas das frases mais inteligentes e importantes que tenho ouvido recentemente. A última é de louvar: "O meu corpo faz parte de mim, não o posso deixar em casa". O que não a dignifica é fazer a figura de mulher-objecto que parecia estar a desaparecer dos nossos ecrãs e que tem sido combatida por muitas mulheres - e não só - durante vários anos, e que é vista como uma atitude machista e de subvalorização do intelecto feminino, enaltecendo-se apenas o corpo como símbolo sexual. Nada tenho contra as assistentes de programas como este, nem contra as indumentárias por vezes mais ousadas. Uma cara bonita vende e essa é a realidade num meio onde as audiências ditam leis. O que realmente me chateia é ver a falta de decoro de um senhor tão apreciado pelas élites, que além de usar e abusar de "piadas" que vão sempre dar ao mesmo, agora usa e abusa da pobre Vanessa, como vi um dia destes a colocar-lhe um cd no decote generoso e a pedir a concorrentes e a elementos da audiência que o fossem de lá retirar. Não fica bem e certamente, a rapariga, já de si com tão pouco à vontade em frente às câmaras, também não deve gostar. Felizmente, para o Herman, continua a ter um público fiel e bem treinado, que continua a rir-se de tudo o que diga ou faça, mesmo que seja vulgar e ordinário, mesmo que não tenha piada. Será que continua a valer tudo por uns míseros 15 minutos de fama?

quarta-feira, setembro 24, 2008

SEJA O QUE DEUS QUISER!

Amanhã pode ser um dia importante, no que diz respeito ao meu futuro profissional. Não devia dizê-lo, mas numa altura em que toda a auto-confiança seria bem vinda, não é isso que acontece, e confessá-lo, é quase como dar um tiro no próprio pé. Estou num daqueles dias em que a mínima tarefa é sempre equivalente a ter o futuro do planeta nas mãos, tipo Bruce Willis em Armaggedon e a situação não é, de todo, agradável. Rezem as vossas últimas orações, simples mortais. Ultimamente tenho estragado tudo aquilo em que toco ou com que me envolvo, como um irónico Rei Midas virado do avesso. Pressão? Não, tenho orgulho em sempre ter lidado bem com a pressão, no que à vida profissional diz respeito, mas a verdade é que o resultado dos testes de amanhã, hoje, pouco ou nada me dizem. Não teria chegado a esta fase decisiva se não me tivesses convencido a ir inscrever-me, mesmo que o tenhas feito sem palavras. Se hoje estou aqui, jogando um hipotético futuro, a tal cambalhota que ambos sabemos que poderia pôr-me no rumo certo, é por ti. E é justamente por isso que eu me sinto assim, ou como diria o Rei: "de que vale tudo isso, se você não está aqui". Faltam-me as tuas palavras, esse olhar que mesmo mudo me enchia de uma confiança tal que me sentia capaz de carregar todo o peso do mundo nestas mãos desajeitadas. "Boa sorte". Não acredito em sorte. Toda a sorte que eu tive foi efémera, perdeu-se por entre os dedos como míseros grãos de areia, deixando-os chamuscados de uma pólvora seca onde jazem agora as boas intenções e os sonhos que um dia me dei ao luxo de inventar. Pode ser que seja uma fase má. Ou talvez esteja apenas a precisar de uma boa noite de sono. Cruzo os dedos e, mesmo que não acredite numa qualquer entidade superior, invoco uma prece: "seja o que Deus quiser!".