Bianca Freire, Brasil
bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
Ele - as palavras quase em surdina, titubeantes, o coração quase a sair-lhe da boca, engasgando as palavras. Se pudesse fugir... mas é tarde: - Queres namorar comigo?
- Suzana! Eu tô apaixonado por você! Namora comigo?
A loiraça acha graça e responde:
- Eu não posso namorar com você, Joãozinho...
- Por quê?
- Ai! Não leva a mal... Mas é que eu não gosto de crianças.
- Não tem problema. A gente usa camisinha! 
Passou-se um ano desde o desaparecimento da pequena Maddie. Os media não o deixam esquecê-lo e, o que me chateia mais do que estar sempre a ser bombardeado com este assunto é ver que passaram 12 meses, como julgo que poderiam ter passado 5 anos, 10, 15 ou mais e os progressos seriam sempre os mesmos: nenhuns. Os suspeitos continuam a ser os do costume e eu espero que a maioria desta vez se engane, porque o mundo está cheio de monstros. É fácil condenar as pessoas em praça pública antes mesmo antes dos factos serem comprovados. E depois? E se as pessoas se enganarem? Porque por estranho que possa parecer, as pessoas às vezes enganam-se. É humano. E se os pais da menina não forem culpados e o facto de Kate chorar pouco em público ter a ver com a sua própria forma de reagir, como uma defesa? E se Carlos Cruz não tiver nada a ver com o processo Casa Pia, que parece tão insóluvel como o caso da menina desaparecida? Quem vai ter coragem de lhes pedir desculpa depois? Até porque de nada servirá? É de uma bestialidade incomensurável acusar alguém de actos tão hedíondos sem provas. Mesmo que o futuro lhes venha a dar razão, a verdade é que já estão condenados mesmo antes de o serem, antes da decisão de qualquer juíz. Estão condenados pelo pior tribunal que existe, a opinião pública, aconteça o que acontecer daqui em diante. Por mim, hoje, aqui, não penso em culpados, apenas em inocentes. E essa foi ou é Maddie, porque as crianças não têm culpa da maldade dos Homens.






Mais valia ser homossexual, terá pensado este alemão, que viu o Tribunal reforçar a constitucionalidade do artigo que define o incesto como crime, negando o apelo feito por si e pela sua companheira. É que esta mulher de aspecto tão apaixonado é irmã dele e têm já quatro filhos em comum. Onde está aqui o direito de opção, pensará o rapaz, que mesmo assim ainda encontra forças para sorrir.
Da Alemanha chega-nos a notícia de uma grande vitória sobre o tipo de preconceituosos que ainda hoje deitam impropérios da boca para fora contra Heath Ledger, pelo seu papel em Brokeback Mountain. É que os membros de casais homossexuais já têm direito a receber Pensão de Sobrevivência. Pelo menos, foi isso que decretou o Tribunal Europeu de Justiça, que condenou um fundo de pensões alemão ao pagamento da referida pensão, que tinha sido negada alegando que esse era um direito dos casais legalmente casados. Só que, segundo o Tribunal Europeu de Justiça este argumento viola uma directiva comunitária para a igualdade de tratamento entre heterossexuais e homossexuais. Assim, em caso de morte do parceiro, e nos países onde as uniões entre homossexuais sejam reconhecidas e equiparadas ao casamento, uma pessoa tem direito a receber todos os subsídios ou pensões que um casal teria direito. Aceitem-se ou não as escolhas de cada um, concorde-se ou não com elas, ao menos que haja respeito.
Tínhamos a ideia pré-concebida de que as escolas eram essenciais ao nosso desenvolvimento intelectual, que íamos para lá aprender o abcedário, os números, a chata da tabuada e das multiplicações, os ditados e as redações sobre as férias. Sabíamos que havia os intervalos que pareciam sempre durar muito menos do que na realidade duravam, havia também os desenhos e as visitas de estudo. Diziam-nos que com o passar dos anos as matérias seriam mais difíceis, com as Línguas, a Filosofia, a Química, mas sempre a Matemática, e que se quiséssemos vir a ser alguém na vida teríamos de estudar muito. Hoje, a impressão é de que a escola é mais como um emprego em que o aprender e o ensinar são secundários. Para os filhos, porque com os pais a terem cada vez menos tempo para conviver com eles, vêem-se quase obrigados a tempos extra nas escolas e nos ATL's, porque os pais só os podem ir buscar mais tarde; para os professores, porque não raras vezes são transferidos de escola em cada final do ano lectivo, não chegando a sentir-se motivados para criar maiores laços ou especiais preocupações com os alunos, chegando muitas vezes a um diário "despejar" de matéria e montes de TPC's que deveriam ser feitos nas aulas. Claro que há excepções, mas essas raramente nos chegam ao conhecimento através dos media. Pelo contrário. Depois da rábula do telemóvel, chegou-me hoje ao ouvido o caso de um aluno de 12 anos que agrediu uma auxiliar de acção educativa da Escola Básica 2/3 de Mortágua e que mais quatro casos de violência escolar foram registados só no último mês e meio no Distrito Judicial de Lisboa, um deles em Almada. Outro caso, este na Escola Primária do Salgueiral, relata-nos as suspeitas sobre uma professora de inglês que terá tapado a boca a uma criança de 8 anos com fita adesiva, por esta estar a falar durante a aula. Haja fita adesiva! Entretanto, nos Estados Unidos, onde proliferam casos bem piores do que estes, a polícia apanhou alguns alunos de idades entre os seis e os oito anos que planeavam, segundo o apresentador do Jornal da Tarde, matar a professora. Na posse das crianças foram encontradas facas de cozinha, cabos de electricidade e algemas. Se calhar não pretendiam matá-la, apenas torturá-la um bocadinho. De qualquer das formas, e por muito mal que esteja em Portugal o estado da educação, ainda bem que cá estamos, porque lá fora está-se pior, ou como diria o Camilo: ai tá-se tá-se!
Desculpa se os meus olhos te procuram