bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
Sei que poderei não agradar a algumas pessoas com esta postagem, mas a minha fé tem estado um pouco embaixo nestes últimos tempos, tornando-se difícil acreditar seja no que for, que não em nós mesmos. Fui surpreendido hoje com a notícia que o Governo russo, em mais uma demonstração inequívoca de que os tempos da ditadura não ficaram para trás com a Perestroika, proibiu toda e qualquer afirmação, insinuação ou demonstração seja de que natureza for, que dê a entender que o Pai Natal não existe, porque, segundo eles, isso iria desmentir os pais que contam essas histórias aos filhos. Prestes a entrarmos em 2008, custa-me e entristece-me que, com tantos problemas que devastam o mundo, ainda haja governos que gastem o seu tempo em combates estéreis contra moinhos de vento e fábulas de encantar. Acho óptimo que as crianças acreditem no Pai Natal, na fada dos dentes, na cegonha, mas proibir seja quem for de questionar ou opinar sobre algo é uma falta de respeito pelos nossos direitos e uma afronta à nossa própria inteligência. Será que já não nos chegava a religião com as suas verdades seculares que ninguém pode sequer ousar pôr em causa?
Sei que tenho andado pouco assíduo da vossa companhia, mas 24 horas parecem-me tão curtas para fazer tudo aquilo que quero, sendo que dispensar algum desse tempo convosco é um dos meus maiores prazeres. Oficialmente comecei hoje as férias, depois de dois dias de folga. Já cheira a Natal e este ano promete ser melhor que os últimos, com a companhia dos meus dois sobrinhos que tanto amo. Os dois juntos são terríveis e não dão um minuto de descanso, mas não faz mal. São crianças, deixá-los ser felizes! Mas quem me conhece bem sabe que a principal razão da minha menor assiduidade prende-se com outras razões, também de cariz sentimental. A essa pessoa - porque é de uma mulher que falo -, devo um novo significado para a palavra "Vida" e para "Esperança". Uma certa letargia e comodismo a que me habituara deu lugar a uma panóplia de emoções novas que por vezes ainda me atordoa - pela novidade - mas que me traz feliz. Felicidade deveria ser o objectivo de toda a gente, o concretizar de tantos sonhos deixados sempre para trás por obstáculos tão irrisórios. Tudo o resto carece de sentido, se não formos felizes. Do que estão à espera?


Na cena final de Um Sonho de Mulher, o personagem interpretado por Richard Gere consegue vencer o seu medo das alturas, indo ao encontro da personagem de Julia Roberts, num sacríficio que é visto por todos que se deixaram encantar por este filme como uma prova de amor. Será que só nos filmes conseguimos derrotar os nossos próprios dragões?
"Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem que haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo".