terça-feira, novembro 20, 2007

POSSO IR TER CONTIGO?

Estava eu sentado na casa de banho, fazendo as minhas necessidades, quando ouço:
"Olá, tudo bem?"
Não é que goste muito de conversas nestes momentos... muito menos não sabendo quem se encontra do outro lado, mas não sendo indelicado... Respondi:
"Estou óptimo!"
E o outro pergunta:
"O que é que estás a fazer?"
Mas que pergunta mais sem lógica. Achei até um pouco bizarro, mas respondi:
"Então. Acho que o mesmo que tu..."
Agora que estava a chegar ao ponto alto da situação... oiço:
"Posso ir ter contigo?"
OK, esta ja foi demais, mas não querendo ser mal educado. Respondi:
"Não... Neste momento estou muito ocupado...
"Então oiço-o responder:
"Olha... eu ligo-te mais tarde, porque tenho um idiota sentado aqui ao lado, que cada vez que eu falo, ele responde..."

PIADA DE LOIRAS

Uma loira está no carro com o namorado num namoro desenfreado. Beijo puxa beijo e ás tantas...
- Não queres ir para o banco de trás? (diz ele em visível sofreguidão)
- Para o banco de trás? Não.
Bom, o namoro lá continua, mais beijo, mais festa, mais aperto, mais amasso e...
- Não queres mesmo ir para o banco de trás? (diz ele ainda com mais vontade)
- Não, não quero.
O pobre rapaz já meio desnorteado, lá continua no beija-beija, esfrega-esfrega até que...
- Vá lá! Tens a certeza de que não queres ir para o banco de trás? (já desesperado).
- Mas que coisa! Já te disse que não! Claro que não!
- (desesperadíssimo) Então, mas porquê?
- Porque prefiro ficar aqui ao pé de ti!

CARTA DE UMA MULHER DESESPERADA

segunda-feira, novembro 19, 2007

INVERNO DE MIM

Se é verdade que o Tempo é capaz de alterar o nosso estado de espírito, fazendo-nos sentir mais alegres ou tristes conforme faça chuva ou Sol, parece-me que a nossa alegria ou tristeza tem também o condão de alterar o Tempo, que desde ontem tem vindo a tornar-se gradualmente sombrio, até à chuva e trovoadas que têm marcado este dia. Sinto-me especial, como diria o José, tão especial ao ponto de São Pedro me dedicar o dia de hoje, como quem faz uma banda sonora para qualquer filme. A minha música é a da chuva caíndo sobre o ladrilho dos passeios, das gotas de água deslizando pelas janelas ou sobre as chapas do meu quintal, onde a humidade invade o chão e os muros envelhecidos pela erosão da idade. A minha música é ainda a da força dos trovões como um rufar de tambores anunciando tragédia e medo pelo desconhecido. Lágrimas e dor são minha chuva e trovoada, que eu tento disfarçar com o mesmo humor com que um palhaço apresenta o seu número no dia em que a tragédia lhe bateu à porta. A Vida é um espectáculo que não deve parar. É por isso que, apesar do temporal de hoje, o Sol voltará a sorrir. É essa a magia da vida, capaz de dar-nos momentos de infíma alegria ou de profunda tristeza, em momentos tão inesperados ou tão próximos, como dias, horas ou segundos. Sei que depois de cada tempestade virá uma nova bonança, mas os estragos causados pela chuva intensa serão certamente difíceis, ou mesmo impossíveis de apagar.

TÁ ESCURO AQUI, NÃO TÁ?

Certo dia o marido chega a casa e o amante ainda lá está. Então ela tranca o amante no armário onde estava o filho.Ficaram lá um bocado, até que o miúdo diz:
- Tá escuro aqui, não tá?
- É, está.
- Eu tenho uma bola de baseball.
- Que giro!
- Queres comprar?
- Não!
- O meu pai está lá fora!
- Quanto é que queres pela bola?
- 50 €.
- Toma.
Uma semana depois, o marido torna a chegar cedo. O amante está em casa. O miúdo está no armário. O amante vai para o armário. Eles lá ficam em silêncio até que o miúdo diz:
- Tá escuro aqui, não tá?
- É, está.
- Eu tenho uma luva de baseball.
- Que bom.
- Queres comprar?O homem lembra-se da outra semana...
- Claro, quanto é?
- 100 €.
- Aqui está.
No fim-de-semana o pai chama o filho:
- Pega na bola e na luva e vamos jogar.
- Não posso. Vendi tudo.
- Vendeste? Por quanto?
- 150 €.
- Não podes enganar os teus amigos assim. Vou levar-te agora ao padre para te confessares.
Chegando à igreja, o miúdo entra pela portinha, ajoelha-se e fecha a portinha. Abre-se uma janelinha e aparece o padre.
- Meu filho, não temas a Deus, diz e Ele perdoar-te-á. Qual é o teu pecado?
- Tá escuro aqui, não tá?
- Não vais começar com essa merda outra vez!!!

sexta-feira, novembro 09, 2007

MUDAM-SE OS TEMPOS...

Tenho passado muito menos tempo ao computador. Deitei bastante tralha informática fora e estou agora com bastante mais espaço para instalar coisas mais importantes: como jogos para os meus dois sobrinhos. Há uma altura na vida em que descobrimos que o que era importante até então deixou de o ser e parece que essa altura, para mim, chegou agora. Mas isso é outro assunto de que falarei mais pormenorizadamente, quando o entender apropriado. Neste momento, posso apenas dizer-vos que estou feliz, como há muito não me sentia. O fundamento inicial deste espaço era o de ser um escape, um porto de abrigo relativamente a uma solidão à qual estava a adaptar-me relativamente bem. Estar convosco foi aliciante, desde chatear-vos com as minhas opiniões, partilhar os meus gostos como se vos pudessem interessar, escolher cuidadosamente o que poderia ou não postar, com medo de ferir susceptibilidades. Hoje a vida não é apenas e só estar em frente ao computador, apesar do vício do FM. Ao contrário do que cheguei a considerar, não pretendo encerrar este espaço. Não agora. Talvez lhe dedique menos tempo, talvez mude um pouco o seu conteúdo. Aos 38, quase 39, a vida continua a ensinar-me coisas novas. Coisas que eu já não julgava ser possível, desde que passei os meus 20 e poucos anos. É essa a idade que eu tenho agora, aquela com que me sinto, apesar de saber que é mentira. O Tempo não passou tão rápido como eu pensava, que seria agora impossível resgatá-lo. Há uma vida lá fora, para ser vivida e eu quero fazer parte dela. Está cheia de obstáculos como imaginários e dantescos Adamastores, mas agora tenho porque lutar e sei que vou derrotar todos esses dragões que temos dentro de nós e resgatar essa esperança perdida no branquear dos cabelos a que alguns chamam utupia e eu Felicidade.

NO REINO DO ABSURDO

Tenho tentado evitar comentar sobre todo este caso em volta do desaparecimento da pequena Maddie. O que a príncipio me chocou e levou a tomar o partido dos pais com tanto afinco, rápidamente se modificou, à medida que as investigações conheciam inesperados avanços e recuos.
Primeiro foram os depoimentos contraditórios dos pais, como mais tarde dos próprios amigos dentro do grupo de britânicos com que geralmente passavam os seus dias e, especialmente, as noites.
Fiquei ainda do lado deles quando a imprensa os quis culpabilizar por negligência, quando o que mais interessava era procurar saber do paradeiro da menina. Já agora, Maddie esteve mesmo em Portugal? Quem a viu? Há fotografias de férias tiradas em Portugal?

Só que tudo isso foi antes de Kate tentar justificar o injustificável em mais do que uma situação que, no caso de ser cidadã portuguesa, teria levado a polícia nacional a agir de imediato e sem contemplações. O odor a cadáver no peluche nunca poderia ser causado pelo contacto profissional de Kate, onde, pelas suas palavras, lidava com cadáveres. Ninguém, a trabalhar, vai ver um morto, levando um boneco de peluche.

Hoje, depois da fuga em directo, de ver a Igreja Católica renunciar ao apoio que lhes dera inicialmente e de ter ouvido dizer que pretendem pedir uma indeminização indecorosa devido à polícia portuguesa não ter conseguido encontrar a pequena Maddie, fico quase sem palavras, com um nó enorme no estômago, revoltado. O dinheiro com que tantos contribuíram para os ajudar a encontrar a filha está a acabar, apesar de tantas vezes terem dito que não iriam usá-lo. Certamente, ao pedir esta indeminização, não estão a pensar na filha. Será que no final de tudo, depois de tantas evidências, ainda vai ser a polícia portuguesa a culpada pela negligência dos pais? E já agora, quanto terá a polícia de pagar à mãe do Rui Pedro?

sexta-feira, novembro 02, 2007

EVASÕES (Juliette Binoche)

A belíssima e talentosa actriz francesa Juliette Binoche é, neste mês de Novembro, capa da edição francesa da revista Playboy, demonstrando que a beleza não tem idade.

quinta-feira, novembro 01, 2007

MOMENTOS ESPECIAIS

SEJA FELIZ



Não deixe a vida fugir, enquanto arranja mil e uma desculpas, para não fazer ou adiar aquilo que tem de ser feito. O Tempo não espera, e quanto mais você corre - quase sempre na direcção errada - tentando fazer tudo no mínimo de tempo possível, menos este lhe sobra para as coisas que são verdadeiramente importantes. Quando der por isso, poderá ser tarde, verificará que a vida lhe fugiu das mãos como pequeninos grãos de areia, sem ter chegado a viver todos aqueles momentos com que sempre sonhou. Não faça esperar aqueles que o (a) amam. Seja feliz fazendo os outros felizes!

FESTA DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO 2007






terça-feira, outubro 30, 2007

MOMENTOS

Os melhores momentos da nossa vida não se medem em dias nem em horas, mas no prazer que deles conseguimos retirar, por vezes em poucos minutos. O prazer é mais do que uma noite de sexo desenfreado, do que ser totalista no primeiro prémio do euromilhões, do que um golo da nossa equipa sobre o maior rival no último minuto dos descontos num fora-de-jogo metido com a mão e que o árbrito não vê. O prazer é mais intenso do que isso, mais puro e genuíno quanto um sorriso pode ser, meia duzia de palavras, um brilho no olhar, o coração nas mãos e a capacidade de fazer de alguns minutos parecerem horas. Quem diz que é preciso muito para ser feliz?
(ontem à tarde não foi)

segunda-feira, outubro 29, 2007

6 HORAS DE VIDA


No consultório, fim de tarde, o médico dá a péssima notícia:
- A senhora tem seis horas de vida.
Desesperada, a mulher corre para casa e conta tudo ao marido. Os dois resolvem gastar o tempo que resta da vida dela a fazer sexo. Fazem uma vez, ela pede para repetirem. Fazem de novo, ela pede mais. Depois da terceira vez, ela quer de novo. E o marido:
- Ah, Maria, chega! Eu tenho que acordar cedo amanhã. Tu não!!!

UM HOMEM DE LETRAS

Sou somente um homem de letras despido de fé,
um homem de versos, odes e estrofes,
eloquente na semântica de palavras distintas
que s'ajeita com as sílabas, qu'inventa rimas,
e até cita Camões, Pessoa e Lobo Antunes.
Sou um homem que usa de parábolas e metáforas,
que faz da escrita desabafo, prosa e poesia,
pequenas e modestas pérolas literárias;
um homem de letras caído em desgraça
que escreve de cor sobre desejo, sexo, dor,
ódio, ciúme, vida e morte. Um erúdito
que nunca soube o que era amor,
que nunca ofereceu uma flor que fosse
que não tivesse sido retirada d'um livro,
jardins secretos de uma alma ferida;
um homem de letras, um contador de histórias,
um mágico, um inventor de coisa nenhuma,
um carpinteiro d'emoções
que todavia martela o próprio dedo
sempre que passa da palavra escrita à chamada oral,
que nunca encontrou as palavras certas
para expor do coração os sentimentos;
um homem de letras vestido de silêncios constrangedores
escrevrendo sobre paixões intemporáis e beijos que nos deixam sem ar
mas que nunca conseguiu dizer "amo-te!"
sem manchar a alvura imaculada duma folha virgem.

HOJE COMO ONTEM

Sou hoje como ontem
uma criança com uma bola nos pés,
mesmo que não saiba o que fazer dela.
Ontem como hoje
um menino quedo e mudo, perdido
frente a frente com uma menina bonita
sem encontrar o meu caminho.

domingo, outubro 28, 2007

PORQUE HOJE É DOMINGO!...


Hoje dei por mim a pensar nas semelhanças entre um blogue e a vida de cada um de nós. Não porque considere um blogue algo de importante, longe disso, mas não daremos por vezes mais importância à vida do que aquilo que ela merece? Eu sei que há gente que passa por inúmeras dificuldades e que até pode ver no que eu digo qualquer espécie de heresia, mas sinto que por vezes, a maior parte de nós, passa pela vida como um corredor de fundo numa pista de obstáculos. Será que a vida é mesmo assim tão complicada, tão cheia de "ses" e de "talvez" ou seremos nós que a complicamos? Nos últimos dias verifiquei aqui, que nem sempre é fácil fazermos ou dizermos aquilo que queremos, com medo das consequências. Podia ter pensado simplesmente: "que se lixem!", e pronto. Mas não. Para lá da minha janela, as pessoas correm mesmo sem terem para onde ir, gritam, perdem a paciência com futilidades, blasfemam da vida, do trabalho, dos governantes e até dos clubes rivais, como se o futebol fosse motivo para nos zangarmos e fazermos zangar os outros. Porque temos de andar sempre à procura de preocupações em vez de soluções? Poucas coisas na vida valem o preço de um sorriso de uma criança, do brilho no olhar daquele ou daquela que nos ama. Quase nada na vida se compara a um abraço apertado - e tão pouco nos abraçamos hoje em dia. É o barco já saiu, o preço do pão que aumentou e o Benfica a ganhar novamente quase a acabar o jogo... paciência. É tão mais fácil falarmos mal dos outros, mandar alguém à merda, "vai-te f...", do que dizer "Amo-te". Ninguém é feliz ou está completo se não tiver o amor de alguém. Teremos vergonha de amar? Será que temos tanta tendência para nos escondermos e protegermos da vida, que perdemos o fascínio do risco? Regresso às palavras de Álvaro Pacheco, quando diz: "ah, é preciso ter coragem para ser feliz". Será que em algum tempo da nossa infância nos perdemos desse dom tão especial que é a capacidade de sermos felizes e de fazermos os outros felizes? Será que é a vida assim tão complicada ou fomos nós, que para não nos machucarmos, a complicámos? É por isso que nunca devemos críticar os outros por serem diferentes de nós, por por errarem ou fazerem figuras tristes, na procura da felicidade. Quem nunca levou um "nao" não sabe o gosto da vitória, mesmo que tenhamos de perder para alcançá-la. Um dia o filho procurará o aconchego do pai para lhe dizer "és o melhor pai do mundo e eu gosto muito de ti", alguém vai agradecer-lhe ter perdido aquele autocarro para o ajudar, alguém vai abrir os braços e responder-lhe "sim, porque sem ti não consigo ser feliz". Eu acredito. Por isso este é o blogue de um homem que gosta de futebol, mulheres, cinema, música e escrita, não necessáriamente por esta ordem. É também o blogue de alguém que gosta essencialmente de escrever, embora ache que não tenha nada de especialmente relevante a dizer, mas a maior parte dos políticos também não tem e ninguém os consegue calar. Este é o blogue de alguém que acredita no futuro, porque de outra forma não valeria a pena acordar amanhã nem depois. Acredito que todos os sacríficios serão um dia recompensados e com um bocado de coragem terei então direito ao meu quinhão de felicidade. Um dia, alguém irá abrir os seus braços... e eu vou querer estar lá.

sexta-feira, outubro 26, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

PORQUE A DIFERENÇA É... O QUE NOS UNE

As pessoas são hipócritas. Criticam toda a gente pelas costas: os amigos, a família, os vizinhos... Católicos quase por tradição, rezam fervorosamente e clamam vezes sem conta o nome d'Ele em vão, mesmo quem diz não acreditar. Mal saem da igreja voltam a falar da vida alheia como se fossem eles os imaculados guardiões de uma moral decadente e ultrapassada. Criticam tudo o que é diferente e riem-se, como se com a humilhação se esquecessem que a crítica é um meio de esquecer a sua falta de coragem em ousar as suas próprias fantasias, soterradas no escrínio secreto da memória, soterradas em falsas moralidades. Esquecem-se que Hitler matou milhares de judeus em nome da raça ariana e que muito antes dele - e segundo a história da Bíblia - o próprio Jesus foi crucificado por ser diferente. Cuidado com os telhados de vidro, quando sem pensar, atiramos a primeira pedra. Este é o mote para algumas linhas que de quando em quando se vão debruçar sobre muito do que é considerado diferente e fácilmente objecto de ataques viperinos de uma verborreia inócua, que tantas vezes magoa bem mais que paus e pedras.
MÉNAGE À TROIS é um desses casos. Ménage à trois, ou simplesmente Ménage, é a expressão francesa para casal a três, e que consiste numa relação sexual entre igual número de pessoas.

Considerado por muitos como uma espécie de fetiche, esta relação vista por muitos outros como uma aberração, pode ser praticada por: dois homens e uma mulher, com (MMF) ou sem (MFM) bissexualidade masculina, duas mulheres e um homem, com (FFM) ou sem (FMF) bissexualidade feminina, três homens (MMM) ou três mulheres (FFF)


Este tipo de relacionamento, a exemplo do swing, deve ser bem ponderado entre os seus intervenientes, nos casos em que duas ou mesmo as três pessoas tenham entre si laços sentimentais para além do acto em si. Este tipo de cumplicidade corre o risco de deteriorar os laços que unem aqueles que nele intervém.

Apesar do número crescente de praticantes e de uma sociedade que bate no peito autodenominando-se moderna e liberal, este tipo de relação ainda é praticado quase clandestinamente, mesmo nos países mais desenvolvidos, pois aqueles que a praticam continuam a ser descriminados, como se de criminosos se tratassem.


Independentemente de concordarmos ou não com esta prática, é tempo de mudarmos certas mentalidades, pois aqueles que a praticam não são doentes, não são diferentes de nós. Têm desejos mais ou menos normais (como nós) e têm a coragem de ousar, tendo prazer ou ferindo os seus sentimentos, arrependendo-se ou não... que interessa? São pessoas como nós, que sentem necessidade de amar e serem amadas, embora expressando os seus sentimentos e desejos de uma forma distinta.

sábado, outubro 20, 2007

PENSAMENTO DO DIA

Existem 68 posições para fazer amor. Na 69 limpam-se os instrumentos.

quinta-feira, outubro 18, 2007

QUANDO ESCREVO

Quando escrevo
invento
corações que dançam ao luar,
palavras
que nos enganam e que contam
segredos calados por revelar.
Quando escrevo
fazemos amor
no silêncio de palavras mudas
como só nós dois sabemos
e fazemos já de cor;
ter na ponta de uma caneta
a carícia de um corpo quente
e na ideia que nos guia uma língua,
ágil, fremente,
à revelia das palavras ditas.
Quando escrevo
em silêncio nos confessamos,
traímos sentimentos,
pecamos,
somos dois numa só frase
iguais na mesma linguagem,
eu e tu
paixão que invento
em cada letra,
em cada palavra
com que te descrevo,
ignorando esse pérfido desprezo,
ponto final com que terminas cada carta,
qual romance, palavras
qu'ainda hoje eu escrevo
e desde sempre a ti dedico.