bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.

O desaparecimento da pequena Madeleine, mais do que um caso de foro humano, começa a criar contornos de objecto de estudo, tal a mediatização de que é alvo. Quarta-feira, o casal McCann, aproveitou para ir até ao Santuário de Fátima rezar pelo regresso da filha, atitude que levou a que jornais e televisões voltassem a focar a sua atenção no caso. À parte a tragédia, continua a surpreender a maioria e a chocar alguns toda esta atenção por parte dos media, como já havia aqui questionado sobre o mesmo tema. Enquanto se debate os prós e os contras desta exposição pública, o certo é que, por trás dos pais de Maddie, existe muito dinheiro a movimentar uma máquina imensa, que não deixa "adormecer" o assunto.Ora são as idas do casal à igreja, ora são as idas à praia, sempre de mãos dadas, como convém; sem esquecer o ursinho da pequena Madeleine, que parece ter-se tornado numa extensão natural da mão da senhora McCann... e agora a ida a Fátima, com o natural bulício daí decorrente.


Depois, há ainda os pais, jovens, atraentes e com dinheiro. Nada como o Sargento Luís Gomes, que à boa maneira portuguesa, esconde das autoridades e dos pais biológicos a criança que criou e a quem deu mais amor do que se fosse ele o pai, mesmo que para isso tivesse de ir preso. Ah, granda homem! É de macho! Os pais de Maddie não. Parecem ambos delicados, tão debilitados com o sucedido que parece estranho aguentarem-se ainda de pé. Nada como a mãe da Joana, capaz de maltratar fisícamente a filha, para que esta não a incomodásse nos seus devaneios lúdicos. Desde a nacionalidade, à raça, ao sexo, ao estatuto social das vítimas como à sua aparência, tudo conduz a opções que, num mundo perfeito não deveriam de existir, escolhendo este ou aquele em desfavor daquele outro, marginalizando ou sendo marginalizado, diferenças de tratamento que persistem dentro de cada um de nós, num mundo cada vez mais globalizado e dito liberal, mas onde essas mesmas diferenças nos são diáriamente e constantemente atiradas à cara de uma forma ou de outra. 
Lisboa foi hoje uma cidade bastante movimentada, pois, além da inauguração do túnel do Marquês e dos festejos inerentes ao 25 de Abril, também se verificaram algumas manifestações contra a exclusão social dos imigrantes, que tiveram o seu ponto alto a quando da passagem junto ao já famoso cartaz do PNR, que teve de ser protegido por elementos da PSP. Vamos pois deixar de brincar ao nacionalismo bacoco e gratuíto, respeitando as diferenças de quem é, afinal, igual a qualquer um de nós, seja branco, preto ou amarelo. Vamos deixar de fingir que respeitamos e toleramos diferenças sexuais que nos são estranhas, quando a sós ou com os amigos fazemos piadas grosseiras mal-disfarçadas e que provocam mal estar nas pessoas visadas. Ser homossexual, lésbica ou mesmo transsexual, não é uma doença.
É uma escolha, um direito que temos de respeitar. Não é esse respeito pela diferença, pela liberdade de escolha, um dos mais altos valores apregoados pela democracia e pela revolução de Abril de 74? A liberdade não nos trouxe apenas direitos, ao contrário do que muita gente pensa. Hoje confunde-se sistemáticamente liberdade com abuso, quando nos valemos dos nossos direitos para "atropelar" os direitos dos outros, numa manifestação contínua e crescente da má formação dos portugueses. Estamos hoje menos tolerantes que no período negro do fascismo. Deixámos a prosa e a poesia para trás, os livros, por uma verborreia que nada significa, de ofensas e palavrões; trocámos valores por belas de cabeça oca e mestres indigestos, por ídolos de pés de barro. Perdemos o vinho pela cerveja e até o fado, tão nosso, pela pop de letra fácil, "yeah yeahhh na na nana, yeah yeahhh yeah na na nana...". A Ditadura morreu, Viva a Liberdade!