a bomba que substituiu Merche no coração de Ronaldo
bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.



«A coreografia da Cláudia implicava que ela fumasse durante a sua performance, o que não pôde fazer em virtude da lei vigente na Escócia», disse à Lusa Sofia Campos, directora de produção da RE.AL.
Faz hoje 60 anos, aquele que foi um dos meus primeiros ídolos, Carlos Lopes, atleta de fibra e grande humildade. Hoje, luta pela sua dignidade, numa altura em que lhe viu ser retirado um subsídio significativo, que fizera por merecer nas pistas desse mundo, sempre com uma bandeira portuguesa por perto. É outro dos exemplos de como este e anteriores governos simplesmente ignoram aqueles que tanto fizeram por elevar o nome de Portugal pelos quatro cantos do mundo - veja-se o caso de José Torres e tantas outras glórias do desporto e não só - preteridos a favor de uma história recente com os seus heróis do marketing e ídolos, tantas vezes, de pés de barro. Felizmente, quem como eu, teve a oportunidade de ver correr Carlos Lopes - quando um português já de alguma idade tinha a coragem de olhar cara na cara os já fantásticos africanos, conseguindo mesmo suplantá-los em provas homéricas - jamais o esquecerá. Obrigado por tantas alegrias, campeão!
Antes de mais nada devo confessar que não fui votar, essencialmente por duas razões: por restarem ainda algumas dúvidas quanto à minha decisão, mas sobretudo pela doença de um famíliar próximo, situação que me tem absorvido sobremaneira nos tempos mais recentes, levando-me a deixar quase tudo o resto para trás, desde decisões que poderão mudar o rumo imediato da minha vida, como em relação a tantas outras pequenas coisas menores. Desculpem-me portanto aqueles que, com toda a legitimidade que lhes assiste, defendem acérrimamente o acto do voto, mas a saúde da minha mãe é, para mim, mais importante que qualquer referendo, jogo decisivo de campeonato ou ameaça nuclear. Ao longo dos últimos meses apresentei aqui, a propósito deste referendo argumentos válidos, quer para o Sim como para o Não, concordando quase em absoluto com o que cada um desses argumentos defendia. Pode parecer incongruente, mas longe de me considerar dono da verdade, gosto de ouvir os outros, procurar saber das suas motivações, respeitando-as estando ou não de acordo, desde que fundamentadas e não por critérios clubísticos, rácicos, políticos ou sexistas. Desde o início que considerei faltar objectividade sobre o tema do Aborto, por considerar o acto demasiado complexo e pessoal. E ainda bem que assim é, que nem tudo na vida se esgota entre o branco e o preto, bem ou mal, nascer ou morrer e a virtude, como alguns defendem, está lá... no meio. No que ao aborto concerne, cada caso é um caso e o abortar consequência de violação não é similar ao fruto indesejado de um devaneio sexual, nem a mulher, sendo como muitos defendem dona do seu corpo, não o é da vida que carrega no seu ventre, antes sendo co-responsável pelo seu crescimento saudável. Assim, só por insensatez ou maldade se pode comparar um simples cortar de unhas ou de fazer uma plástica ao acto de abortar. Não foi certamente fácil para muitos, pais e mães que tiveram de abandonar os filhos por falta de dinheiro ou casa, para aqueles que perderam as esposas durante esses degradantes abortos clandestinos, quer para todos aqueles que verdadeiramente procuraram saber os prós e os contras da legalização do aborto, o acto eleitoral de ontem. Houve pouca informação aos portugueses, muitos debates em que a falta de respeito pela diferença salutar de opiniões foi gritante, quase obscena. Muitos de nós não compreendemos ainda que há pessoas que pensam de forma distinta da nossa, sem que alguém tenha de estar errado. Certo, do meu humilde ponto de vista, apenas a certeza de que a Mulher não podía continuar a ser penalizada por abortar, não devia e não merecia continuar a ser humilhada aos olhos de um mundo insensível de falsos moralistas sempre prontos a apontarem o dedo. A Mulher não podia continuar a ser violentada nem a arriscar a sua vida desumanamente às atrocidades de qualquer aborto clandestino, como peças de carne no talho. Se o aborto é crime, a matemática nem sempre é clara e objectiva e, não raras vezes quem de dois tira um pode resultar zero. Os resultados foram, como sabemos, inequívocos, reveladores da vontade da grande maioria dos portugueses, num cortar amarras com um passado enraízadamente católico, mas o futuro inicia-se já hoje com o peso das responsabilidades que cada vitória conseguida acarreta. É preciso passar da teoria à prática, cumprir as promessas levianamente proferidas a troco de uma mão cheia de votos. O Governo tem pela frente mais uma tarefa árdua rumo à credibilização aos olhos do país, mas talvez menos complicada que a dos pais e mães que, na hora de gerarem um filho deverão ser mais conscientes e responsáveis antes de se decidirem pelo aborto.




Mudam-se os tempos..., como escreveu um dia o nosso ícone da poesia, Luís de Camões, frase que aproveito hoje para relatar um episódio ocorrido ontem de manhã, numa papelaria no centro de Almada, entre um homem de idade e dois escuteiros. Entrei eu para comprar o jornal, logo seguido desse senhor, que foi interpelado por dois jovens dessa nobre instituição que desde muito novos aprendemos a respeitar, por formar mentalidades e incutir os príncipios básicos de educação e cidadania nos nossos jovens. Esses escuteiros pretendiam vender algo ao idoso, de forma a angariar receitas para a associação, ao que o homem lhes respondeu que não comprava por não saber ler. Um dos rapazes insistiu, alegando que era por uma boa causa, tendo o homem voltado a dizer que não estava interessado e, pensei eu, a conversa ficaria por ali. Mas não. Persistente e pior que isso, mal educado, o jovem retrucou que "se não sabe ler, porque é que vai comprar o jornal?". Não quero acreditar que seja esta a educação que dão aos escuteiros nos dias de hoje, esperando que, isso sim, se trate de um caso particular entre os escuteiros, mas infelizmente normal, de má formação de toda uma sociedade, num país que já foi de poetas e onde agora impera a falta de respeito, de boas maneiras e costumes e um vocabulário sem graça, amoral e ofensivo.