Um bandido sequestra o filho de um milionário e envia-lhe uma caixa e uma carta. Na caixa havia uma orelha. A carta dizia: "Esta orelha é minha. A próxima será de vosso filho."
bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
As minhas sugestões de hoje são dois filmes que eu tive oportunidade de ver - ou rever - já nos primeiros dias de 2007. Já tinha visto Tróia, com ideias pré-concebidas que felizmente se revelaram incoerentes, tal a qualidade do filme e a interpretação de Brad Pitt, Orlando Bloom ou Eric Bana. Tróia, é um filme histórico, que faz referência a muitas das histórias que fazem parte do universo imaginário dos nossos primeiros anos, desde o calcanhar de Aquiles ao cavalo de tróia. Se nos conseguirmos abstrair de que nem todos os factos ou ordem cronológica dos acontecimentos são fiéis, temos um excelente épico que nos vai entreter e empolgar durante um bom par de horas. O segundo filme, Cala-te!, em português, é pura diversão, com dois dos grandes nomes do cinema francês recente, Jean Reno e Gerard Depardieu, a fugirem da polícia e dos maus da fita, a quem Reno roubou uma grande quantidade em dinheiro. Uma comédia simples, que vive da química impressionante entre os seus dois protagonistas, com vários gags em que o mais díficil será mesmo controlar o riso. Pena o final, um pouco "à pressão".
Não há passagem de ano em que não se façam desejos de prosperidade, em que não se peça mais saúde e felicidade para nós e para os nossos, não esquecendo os votos habituais de paz no mundo, menos fome e uma melhoria substancial no problema da camada de ozono. Comem-se as doze passas ao ritmo das últimas badaladas do ano, empurradas por uma taça de champanhe, que na maior parte das vezes não passa de um espumante barato. A verdade é que pouco ou nada muda e mesmo os nossos propósitos mais determinados em contribuir para um mundo melhor vão esmorecendo num ritmo frenético à medida que o stress do dia-a-dia vai tomando conta de nós. Infelizmente - e com a nossa ajuda - vai continuar a haver crianças a morrerem à fome, idosos perecendo antecipadamente no estertor frio da solidão. Vão haver mais guerras, mais aumentos do custo de vida, um crescendo significativo dos níveis de poluição do ar. Hoje, primeiro dia de 2007, a Bulgária e a Roménia passaram a ser integrantes de pleno direito da comunidade económica europeia, retirando-nos do papel de parente pobre da Europa, que se nos devia envergonhar, dava-nos o direito a uma mão cheia de subsídios para o desenvolvimento, que esbarravam sistemáticamente no fundo largo dos bolsos de uma pequena minoria abastada. Dentro de poucos dias teremos os ciganos da Roménia e da Bulgária de regresso às nossas ruas, com os seus odores peculiares e costumes, que não auguram nada de bom. Festejar-se-ía ainda hoje cinco anos da moeda única, caso não tivessemos ficado com menor poder de compra desde que o Escudo cedeu o seu lugar ao Euro. Ah, faz também hoje treze anos desde que me tornei efectivo no meu emprego.
Amanhã não posto nada. Vou passar a tarde a dormir para ir trabalhar à noite, logo a abrir o novo ano, que, repetindo o príncipal desejo realizado para o ano que agora finda, espero ser melhor do que este. O-Lado-B-Da-Vida vai manter-se para 2007, fruto de expectativas defraudadas, que o mantém actual nos seus príncipios. Continuo um Che sem Cuba, mas principalmente, sem coragem para uma revolução desde há muito adiada, embora necessária. Olho para os últimos anos - e não só os derradeiros - e encontro-me tal e qual hoje sou, ou estou. Talvez já não escreva tanto, mas isso não significa que tenha passado a viver mais. Não, é díficil encontrar a felicidade quando medimos as nossas expectativas de uma forma tão exigente, quando pensamos que ao pedir para nós um pouco de amor, um pouco de paz, um pouco de felicidade, estaremos a pedir apenas pouco. Quero tudo isso e mais. Quero novos desafios que me elevem a patamares mais elevados, quero receber e não apenas dar, quero partilhar, ter mais amigos, encontrar aquela alma gémea, luz e inspiração de quem tem vivido na sombra nefasta de medos e falsos moralismos, entre ideias pré-concebidas do que é certo ou errado. Para o novo ano que se aproxima eu quero mais, quero extravasar os meus limites, envolver-me a fundo na íntimidade quase profana dos meus desejos e ousar... a felicidade... porque a vida tem forçosamente de ser mais do que uma linha recta que não devemos transgredir.
Saddam Hussein caiu hoje pela última vez, ao ser enforcado pelas três da madrugada, hora de Portugal. Consta que não terá demonstrado sinais de arrependimento pelos crimes por si cometidos - e que não foram poucos ou de baixa gravidade. Não é hora de avaliar da forma justa ou não como foi conduzido o julgamento ou do seu veredicto final. Não é nem o momento, nem o mais importante agora, saber se Saddam era mais ou menos criminoso que George W. Bush. Não sei se afectado pelo clima da época, que nos deixa mais fragilizados emocionalmente, o que realmente me sensibilizou, hoje, foi a morte de um homem - entre tantos, mas indubitávelmente o mais mediático de entre todos quantos morreram hoje - que viveu os últimos tempos no cárcere e que morreu a poucas horas de ver nascer um novo ano. A seu pedido, a cabeça descoberta numa derradeira prova de coragem ou desafio, e nas mãos o alcorão, o seu conforto derradeiro, ali em Bagdad, não muito longe do local onde Jesus Cristo terá nascido e onde a paz parece não querer ficar.