bom domingo
Há 12 horas
Porque na vida nem tudo é branco ou preto, bom ou mau, verdade ou mentira. Porque a vida não tem necessariamente de ser aquilo que parece, este é o meu espaço, onde guardo os meus sonhos e desilusões, resquícios de uma vida à espera de ser vivida.
Esta semana queria deixar-vos duas sugestões, que espero, irão agradar-vos, tanto como me agradaram a mim. A primeira é o filme Hidalgo e, confesso-vos, só agora o vi, nunca tendo sido antes primeira opção, por um motivo ou outro, mas principalmente por pensar que seria uma história entediante. Enganei-me. Hidalgo conta a história de Frank T. Hopkins, um fervoroso defensor dos cavalos Mustang até à hora da sua morte, tendo vencido mais de 400 corridas. Viggo Mortensen, no papel protagonista, é uma espécie de anti-herói de sorriso triste, sempre acompanhado pelo seu fiel mustang Hidalgo, na maior e mais perigosa das suas aventuras, que o levam às areias do deserto, enfrentando perigos desconhecidos, descobrindo novas culturas e mentalidades, sempre com uns pozinhos de romance a pairar no ar. Oportunidade ainda para revermos um dos monstros eternos do grande ecrã, Omar Sharif.
Noutro âmbito, volto a sugerir uma visita ao blog do meu irmão opequenomundo.blogspot.com, remodelado, diversificado, atrevido e humano, defendendo agora a causa sempre nobre dos animais abandonados por aqueles que se dizem humanos mas que são capazes de cometer bestialidades impróprias de qualquer animal irracional. São histórias verídicas, fortes, quase inacreditáveis, de torturas e maus tratos que podem ser compensados com um pouco de ternura e amor, tão importantes para quem sempre viveu dando o pêlo às pedradas e aos pontapés de uma vida quase sempre madrasta.
A escaldar, o campeonato, depois do empate entre os dois líderes num jogo desinteressante e raramente bem jogado, a deixar o Benfica a três pontos apenas dos seus rivais e com um jogo a menos. O Porto-Benfica do próximo fim de semana já começou, aliás, a ser jogado no estádio da Luz, onde o irrequieto Miccoli foi afastado do jogo do Dragão, ao ser expulso de uma forma no mínimo caricata. Em polos opostos, o FC Porto viu pelo menos Paulo Assunção escapar a uma expulsão merecida, no jogo entre os dois líderes. Fora dos relvados, Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira e José Veiga já começaram uma guerra de palavras nada edificante para quem as profere. A ferver também a liga espanhola com a derrota de um Barcelona estranhamente apático, nos últimos jogos, aos pés do rival da capital. Assim, o Valência igualou os catalães no topo da classificação, onde do primeiro ao oitavo lugar distam apenas três pontos. Em Inglaterra, nada de novo, já que tanto Manchester United como Chelsea venceram os seus desafios e prosseguem numa luta a dois. Escândalo em Itália, com a derrota caseira do Milan perante o Palermo, que assim apanhou no primeiro posto um Inter sem chama nem talento. Alheio a estas lutas continua o Lyon, já com oito pontos de avanço sobre o segundo lugar, exactamente o seu adversário deste último fim de semana, copiosamente derrotado no velodrome por 4-1. Por último, Schalke e Bremen dividem o comando da bundesliga, após vitória dos verdes de Bremen sobre o poderoso Bayern, com mais um golo do genial Diego. Uma palavra ainda para o adeus de Michael Schumacher à Fórmula 1, no bis de Fernando Alonso como campeão mundial da categoria. Quanto a golos portugueses no estrangeiro, o destaque desta semana vai para o central recentemente chamado à selecção, Manuel da Costa, autor de um golo perante o AZ, na Holanda.


Regresso, depois de bastante tempo a este espaço para falar sobre um tema bastante melindroso. Tem sido um dos assuntos mais escaldantes do momento, a discussão sobre o referendo à legalização do aborto, com os mais variados testemunhos contra ou a favor, defendidos por prós e contras que não me atrevo a contestar, porque como em tudo na vida, não existe apenas o branco e o preto, o certo e o errado. Confesso que a fotografia que acompanha as minhas palavras me impressionou quando a vi pela primeira vez e que me continua a impressionar, pela força dos pormenores, pelos dedinhos que parecem querer agarrarem-se à vida. Portugal tem hoje a sua lei do aborto, que estipula que o aborto só deve ser praticado durante as doze primeiras semanas e apenas em casos de estupro, incesto ou em situações em que a saúde da mãe esteja em causa. Devo dizer que acho que, nos dois primeiros casos considero as doze semanas excessivas. Não sei se aqueles poucos que me lêem já pararam um pouco para pensar no assunto e se têm já uma opinião formada que lhes permita votar conscientemente num assunto de tão séria natureza. Não vamos votar em quem vai ocupar este ou aquele cargo, mas sobre a vida e a morte, sobre o direito que temos ou não de ceifar uma vida, tenha ela 80 anos como apenas escassas semanas. E para que não hajam quaisquer dúvidas, aqui fica a pergunta à qual deverão responder: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?". Eu sei, que muito poucos daqueles que por aqui passam gostam de deixar o seu comentário, apesar de afirmarem que são visitantes assíduos deste espaço. Têm agora a oportunidade de o mostrarem. É só o que vos peço, uma opinião, um comentário, um simples "sim" ou "não" a um tema que não deve ser encarado levianamente. E porque nos deixaram viver e crescer, resta-me despedir-me com um : Até para a semana (se Deus quiser) e façam o favor de serem felizes!