quinta-feira, junho 22, 2006

EVASÕES

FALA QUEM SABE (2):


"Embora teórica e técnicamente a televisão possa ser viável, comercial e financeiramente é impossível e portanto será perda de tempo desenvolvê-la" - Lee de Forest, inventor do rádio

FALA QUEM SABE:


"Adoro Beethoven, principalmente os poemas" - Ringo Star

AINDA SOU DO TEMPO...

22jun86 Argentina-Inglaterra

quinta-feira, junho 15, 2006

PADRE CURA


Puxa em cima, falta em baixo
A vergonha... o padre cura,
perna bonita, colo a condizer:
10 Avé Marias e 20 pais nossos.
Puxa para baixo, falta em cima
Um dia deixa de puxar, despe.
Despe a roupa, despe a alma
perde a vergonha e já nem o padre a cura.

NÃO ME CHAMEM DE POETA


Não me chamem de poeta
porque poeta é aquele
que nas palavras liberta com ardor
essa dor com que se alimenta
e nela se inspira
para falar de amor,
sofrimento calado, gravado
nas folhas dum livro qualquer
guardado, esquecido, sem vida.
Eu não tenho a cor
não sou verso, não sou pássaro
engaiolado, incapaz de voar.
Eu simplesmente não voo,
sou prisioneiro desta vida
já sem sonhos para sonhar,
perdido na multidão
d'outros tantos como eu;
um falhado, sobrevivente,
quem sabe?, náufrago...
mas poeta?... Nunca!
Como pode ser poeta
alguém que hoje dorme
apenas para não sonhar?

quarta-feira, junho 14, 2006

ESCREVO, LOGO EXISTO!

Existo, será que existo?
Ocupo um espaço
causo transtorno
Hoje nada faço
ontem pouco fiz,
sou o zero à esquerda
parasita, caso sério
terra que nada produz
vácuo, pedra, vegetal.
Sei que nada sou, mas existo
e porque penso, será que existo?,
se pouco falo, que será isto?
Sobre o que penso exagero
do que não falo no papel confesso,
letras, suor que transpiro
palavra, lágrimas de tinta
que tiro de dentro de mim.
Existo, será que existo?
Se pouco faço, muito escrevo
e se escrevo, logo existo.

ALMA-MAR

O mar
numa agonia constante
rasga um peito aberto
dilacera minh'alma fémea
delicada, perversa e inconstante.
O mar à minha porta em dolentes vagas
inspira-me a mais que isto,
mais que palavras vãs,
sentimentos que me animam,
amarras que se libertam
e sofro por não ser fúria de temporal
força, carácter, semente, vida
dor de não ser mar
(de não saber amar),
serei amargo
e do mar
serei sal.

GREGOS & TROIANOS

É cada vez mais díficil agradar a gregos e troianos e nem sempre se consegue jogar em duas equipas ao mesmo tempo. Há momentos na vida em que somos forçados a tomar partidos, mesmo que para isso tenhamos de ferir as susceptibilidades de alguns que não queríamos magoar. Isto tudo a propósito de um recado "amigável" sobre a conduta a seguir num evento cada vez mais próximo. Pensava eu que, não agitando "ondas" não significaria falta de solidariedade para com aqueles que o fazem, como se, não sendo branco tivesse de ser preto e não existissem meios termos. Pensei eu, que um homem poderia ser uma espécie de Suíça, à margem de quaisquer conflictos. Não. Por muito que tenhamos evoluído e que defendamos ferozmente a bandeira da democracia, toda a opinião será sempre respeitada, desde que não difira da formada pela maioria. Assim, se queremos continuar a jogar, temos de fazer como os carneiros e seguirmos a fila. Havendo um preço para tudo - que há -, deverei eu prostituir os meus ideais e convicções, a pouca dignidade que me resta, apenas para agradar a uma maioria que não é sequer capaz de respeitar a minha individualidade enquanto Ser Humano capaz de pensar por si próprio? À margem desta celeuma recebi hoje a boa nova de que mais gente visita este meu blog e, principalmente, que o apreciam, assim como à minha escrita. Obrigado, Joana, pelas palavras. São estes raros momentos que nos incentivam a prosseguir, mesmo quando os ventos nos parecem desfavoráveis, agrestes.

quarta-feira, junho 07, 2006

ANJOS & DEMÓNIOS

O que faz uma mulher para esconder uma imagem que - involuntáriamente - instalou no desktop como fundo e não sabe apagar???

terça-feira, junho 06, 2006

SERÁ QUE...

... posso processá-los?

sexta-feira, junho 02, 2006

FELIZ ANIVERSÁRIO


À minha amiga Ana, um FELIZ DIA DE ANIVERSÁRIO, junto daqueles que mais estima. Que o futuro lhe reserve tudo de bom, porque ela merece! Um beijo e um abraço deste colega e amigo!

quarta-feira, maio 31, 2006

REFLEXOS


fotografia de Luis Texeira

GUERREIRA

Subornei teus braços com promessas de ternura
nesse breve instante em que baixaste a guarda
e serena adormeceste a impetuosidade constante
duma alma guerreira abandonada, tomei de assalto
a delicada maciez dos teus contornos
sob a ingénua inépcia dos meus dedos,
roubei-te um beijo fugaz, rendi-me
prostrado à saciedade dos teus ensejos.

MASCARADOS

Diz-me o que pensas, por mais fútil que te pareça,
por mais estúpido qu'aos outros s'apresente
(deixa qu'as comadres emprenhem p'los ouvidos),
diz-me do tempo que perdemos, de tudo que não fizemos!...
Iremos a tempo? Horas que não tornam, vazias, tristes, secas...
as dos beijos que não demos, desejos que calámos,
das vezes que quisémos e não nos tocámos.
Qu'é dos nossos sonhos de petizes (castrados p'lo medo)
dos médicos e polícias, dos soldados que não fomos?,
do lego, dos golos, do freré Jacques, dos tempos felizes?,
realidade assaz distante de tudo qu'hoje somos.
É tão difícil juntar um mais um, falar, escutar, compreender
quando pensamos no qu'os outros vão falar ou dizer,
é tão difícil saber o que fazer, dividir
quando o nosso espaço deixa de ser apenas nosso,
quando o simples EU se transforma num complexo NÓS,
viver sem saber Como, partilhar sem saber Quando,
falar ou calar, só por poder parecer mal.
Queres compartilhar sentimentos, pensamentos,
carícias e antigas lembranças, esperanças,
sonhos quase mofos numa gaveta abastada de memórias mortas.
Como invadir um espaço, desventrar segredos
se escondemos na sombra o melhor de nós
num medo que nos traz dia a dia mascarados
com receio de não agradar, desiludir, defraudar.
Outras caras, outras ideias, disfarces!...
Sabes o que querem ouvir, o que deves vestir,
só o que convém, o que é de bom tom, ser IN.
Atreve-te, desafia os limites da irracionabilidade,
dá um tiro no escuro, larga amarras, perde-te,
parte à procura de ti, da palavra fácil, da loucura sã,
faz tábua rasa da lógica do saber, ser e estar, vive!
Abandona-te ao vento nas asas dum sonho acordado,
no insensato engodo dum rendez-vous anunciado!
Diz: Hoje acordei com vontade de errar,
com vontade de pecar, de ser mais EU
na incongruência das minhas expectativas,
irrelevâncias disfuncionais da alma adversa
sobre o Bem, sobre o Mal, mal
de quem nada arrisca... pouco ou nada faz.

terça-feira, maio 30, 2006

O TEU LUGAR + ÍNTIMO


Não, não vamos fazer sexo, não somente sexo. Vamos ser originais, ir mais além, mais que dois animais bestificados na busca do êxtase. Não, sexo não! Vamos fazer amor, partilhar carícias a quatro mãos, da ponta dos cabelos à epiderme dos pés; carícias firmes mas sedentas de ternura. Deixa-me apanhar-te os ombros, trazer-te a boca à minha boca, soprar-te ao ouvido, passar a lingua pelas costas do teu pescoço, tomar o gosto do bico dos teus peitos. Deixa-me oscular o interior do teu umbigo, com delongas, suavemente, induzir-te em ânsias de prazer e daí descer ao céu, à alcova frondosa, príncipio e fim de tantos passeios noctívagos. E ainda assim, sem pressas, voltar atrás, ao teu lugar mais íntimo, desnudar-te os sonhos, arrancar-te os medos, inflamar-te a ousadia inibida, secar-te as lágrimas da alma, lamber os teus desejos, desventrar os teus segredos mais secretos, suavemente, sem pressas, afagar-te a face, olhar-te nos olhos, os dedos roçagantes nos caminhos infinitos de uma terra prometida, baralhar as nossas pernas, fundir nossos corpos, misturar nossas seivas. Vamos fazer de conta que somos cegos, descobrirmo-nos às escuras em apalpadelas minuciosas, violando-te apenas e só em jogos de lençóis. Aí seremos médicos... sem complexos de Édipo, seremos criativos, pedófilos, incestuosos, pais, filhos, irmãos e amantes, assaltantes de um fruto nunca por nunca proíbido; seremos eu e tu, um só, corpo e alma, a essência do sexo num amor despudorado, não somente sexo e todavia sexo, sem nexo, 100% amor, deste amor que te confesso e me traz por ti possesso.

IMAGENS DO PAÍS REAL

COMO UM GIGANTE ADORMECIDO

Como se pode escrever tanto sobre o amor
e dele tão pouco ou nada saber?
Ando às apalpadelas como um cego
tropeçando de armadilha em armadilha
como quem escorrega em cascas de banana.
Entrementes, num passado recente
a tempestade da eterna esperança
deu lugar à bonança da resignação,
ao conforto de quem já nada espera.
Escrever então de quê e para quem
se só sei que nada sei
e sem ti sou pouco mais que ninguém?
Restam-me as palavras, sempre fiéis, sempre presentes,
futicismos pseudo-literários de sadomasoquismo psicológico.
Solto a ousadia, procuro a diferença
quiçá ingénua... fruto da inexperiência.
A palavra-chave, à muito prometida e quase esquecida
descansa presa na ponta da língua
como um gigante adormecido,
ninguém a quem a dar, ninguém
que a queira receber.

NA IDADE DOS PORQUÊS...

  1. Quem foi o principal responsável pelo desaire das selecção portuguesa de sub 21 no Euro 2006?
  2. Devem os pais avaliar os professores?

PALHAÇO QUE CHORA

O que seria da minha vida sem ti
amor que foste o primeiro?
Que é que eu fui na tua vida?, nem te lembras!
Um homem qualquer com medo de uma mulher,
um poeta quedo e mudo, um palhaço que chora.
Primeiro amor, só desejo, pobre boca, nem um beijo;
desde o Eden somos anjos & poetas,
homens e mulheres, palhaços & prostitutas;
leva-os o vento, amores mais que um
nas asas dum vento perdido na memória,
triste história aquela que escreveste,
dos meus sonhos que nunca leste,
da dor que ainda cá dentro mora
e do palhaço que nunca riu
mas que agora... já não chora.
para R.