sexta-feira, janeiro 20, 2006

SABOR DE AGOSTO

Agosto tem ainda o sabor amargo do meu desgosto,
do gosto antecipado de um corpo que não quis ser corpo;
do calor ausente dos teus dedos sobre a pele,
que do amor esquecidos não sabem mais acariciar;
da fome que os teus lábios teimam não querer saciar.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

CADA POEMA INACABADO


Cada poema inacabado
é um golo de letra não sancionado
dos pés dum qualquer astro virtuoso
às mãos dum juíz de linha caprichoso;
é uma noite de luar, a melodia certa
um jantar à beira-mar e ninguém
com quem o partilhar;
Cada poema inacabado
é para mim não menos que um filho
da vida ceifado à nascença,
um aborto clandestino,
parto sem dor de ventre
de mente parida a ferros.
Nasço, cresço e morro
em cada poema inacabado
sem sequer saber se é bom
ou não
...viver!

AUSÊNCIA



Fez domingo uma semana desde a minha ultima postagem. Ontem o computador sofreu um crash, o terceiro ou quarto desde então, ficando, como das outras vezes, longas horas que pareceram uma eternidade, até que voltasse a dar de si. Logo mim que afirmava a pés juntos que mais do que um par de horas ao computador seria um sacríficio impensável. Voltou a si, à custa de feridas quiçá irremediáveis na placa gráfica. Daqui a pouco vou desligá-lo, com a sensação de que amanhã voltarei a ter problemas para o pôr a trabalhar. Aproveitando um inesperado descanso laboral de cinco dias, que tiveram o seu início na passada segunda, vou procurar solucionar o problema, talvez mesmo formatar o computador, mas tentando evitar continuar a passar os dias agarrado a um manancial de prazeres ludicos mas virtuais.

domingo, janeiro 08, 2006

POSTAL DOS CORREIOS


uma belíssima foto da lua sobre Lisboa, enviada por Paulo Tadeu, via gmail.
Agora tu também podes fazer parte da história deste Blog.
correcção: em SUGESTÕES o blog sugerido termina é www.aliciante.weblog.com.pt.

PORQUE HOJE É DOMINGO...

Faltam duas semanas para sabermos - não saberemos já? - quem é o novo Presidente da República, para, como iremos descobrir mais tarde, nos começarem a imputar com as culpas de mais uma escolha errada, porque, como em qualquer país democrático somos nós, povo, e apenas nós, que elegemos os nossos governantes. E somos sempre culpados porque votámos mal ou porque nos abstivémos, deixando de adicionar um voto ao candidato certo, que, como em qualquer democracia é sempre aquele que perde, o das vitórias morais, tão ao gosto do fado português. Mas não morre aqui a culpa do coitadinho, qual Caliméro, que passa os dias a criticar a vida, aceitando de ânimo leve como destino o pesado fardo duma culpa sempre alheia aos seus actos. Vida essa que não escolheu, porque poucos são aqueles que fazem pela sorte, estudando ou trabalhando, querendo saber hoje mais do que ontem, resignando-se, ao invés, a aceitar o que a vida tem para nos dar, como restos nas traseiras de um restaurante, que mesmo assim não nos coíbimos de criticar e amaldiçoar. O português, hoje, passa a vida à espera do fim de semana, do futebol na televisão, de pantufas nos pés e caneta nas mãos, para o totoloto e outros jogos de sorte em que parece só termos azar. Mas aqueles gajos nunca acertam com os nossos números!!! Culpa, falava de culpa, antes de dispersar os meus pensamentos p'los milhões do euromilhões. O estado do país é, assumam de uma vez, responsabilidade nossa. Ganhamos pouco?, invocamos em nossa defesa. Porque insistimos então nesse hábito tão nosso, tão sádico de gastarmos invariávelmente mais do que ganhamos, de esbanjar até o que não temos imitando o exemplo perfeito dos nossos governantes, entretidos em tempo de crise a gastar em proveito próprio o pouco que nos resta. Produzimos pouco, as estatísticas não enganam, como poderemos almejar em ganhar o mesmo que os espanhóis? Produzimos pouco no pouco que trabalhamos, quando trabalhamos, quando não é feriado ou não fazemos ponte, quando não fazemos greve porque A também faz ou porque B nos diz que devemos fazê-la, embora ninguém nos vá pagar o dia perdido. E quantas vezes ainda não mandríamos à primeira oportunidade, ao primeiro piscar de olhos do chefe, à enésima ía ao café para mais dois dedos de uma conversa sistemáticamente inócua e uma mão cheia de olhares e comentários mais ou menos maldosos ou pervertidos. Então, se tudo o que fizermos fôr errado, o que faremos no próximo dia 22? Em quem votar, se todos sem excepção, do Presidente ao nosso Primeiro estarão sempre condicionados pela falta de uma varinha mágica que os transforme de sapos em príncipes, de burros num prodigioso e perfeito Harry Potter, surgido do nevoeiro qual Dom Sebastião. Como dizia o filósofo, só sei que nada sei, adivinho apenas que a culpa da vida que levamos irá permanecer alheia do contínuo egoísmo dos nossos actos e desejos. Assim me despeço até ao próximo domingo e... façam o favor de ser felizes!

SUGESTÕES


As minhas sugestões desta semana vão para o filme "À Procura da Terra do Nunca" e para o blog www.aliciante.weblog.com. Em relação a este filme com o multifacetado e nem sempre compreendido Johnny Deep, aqui na companhia da musa de Leonardo DiCaprio em Titanic, Kate Winslet e de um discreto mas sempre competente Dustin Hofman, poderíamos descrevê-lo numa só palavra: Mágico. Esta é a história do criador de Peter Pan e do seu envolvimento afectivo com a família que o inspirou a uma obra que não apenas o imortalizou mas que ainda hoje faz sonhar milhares e milhares de crianças e adultos. O personagem de Deep diz a certa altura, referindo-se às crianças protagonistas do filme: "Eles nunca deveriam ser mandados para a cama. Quando acordarem, serão um dia mais velhos."
O blog acima mencionado foge um pouco àqueles que já tive oportunidade de destacar, sem grandes atractivos ou floreados, destaca-se pela simplicidade e pela ausência de grandes textos, onde as imagens - geralmente femininas e sensuais - ocupam o lugar de destaque, pela qualidade das imagens e pelo indesmentível bom gosto do autor.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

quinta-feira, janeiro 05, 2006

PENSAMENTO DO DIA

"É instintivo das mentes humanas que o Homem mais deseje o que mais se proíbe" - TASSO

quarta-feira, janeiro 04, 2006

SEM COMENTÁRIOS

NÃO ESQUECER...



... de desmanchar a árvore!

D'OUTRAS MÃOS


MAIS
Mais uma risada sem sentido
mais uma noite sem nexo;
Tudo me magoa
até a felicidade;
mais um sonho sem realidade
mais um grito que ninguém ouve;
tudo me fere, até o amor.
Mais uma fuga até ao caçador
mais uma vida em direcção à morte
mais uma morte que nunca foi vida,
tudo me mata, especialmente a vida.
Mónica da Luz Pereira

terça-feira, janeiro 03, 2006

ANJOS & DEMÓNIOS

Quantos homens são necessários para se abrir uma lata de cerveja? Nenhum. Ela já deve estar aberta quando a mulher a traz da cozinha.


Como você conserta o relógio de pulso de uma mulher? Não conserta. Ela já tem o relógio de parede da cozinha.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

DICCIONÁRIO ESCOLAR

Começo nesta segunda-feira com algumas respostas que os alunos do vestibular para o acesso à universidade federal do Rio de Janeiro deram nas provas referentes ao ano lectivo de 1999:

TERRAMOTO - pequeno movimento de terras não cultivadas.

Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor.

PÉRICLES - principal ditador da democracia grega.

O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro de água.

A principal função da raíz é se enterrar.

domingo, janeiro 01, 2006

PORQUE HOJE É DOMINGO...

...dia 1 de Janeiro de 2006. É hora de virar a página sobre um ano que, no seu essencial não vai deixar saudades. Foi um ano de vacas magras e de um terrorismo exacerbadamente mediático que nos confundiu sobre quem eram os verdadeiros terroristas, relegando a nossa memória virtual para a época das Cruzadas, quando se aniquilavam povos inteiros em nome de uma religião que defende o amor ao próximo e oferecer a outra face. 2006 ainda está a dar os primeiros passos mas ninguém ou muito poucos acreditam que a paz reine algum dia entre nós e que os problemas económicos se dissolvam como num truque de Luis de Matos. Não. Resta a esperança, porque sem esperança a vida é uma mentira. Não vamos esperar que os outros mudem, quando podemos fazer tanto por nós próprios, sem nos darmos conta de que, ao fazê-lo, estaremos também a mudar o universo que nos rodeia, a dar voz à fé daqueles que já não tinham fé. É tempo de promessas. E como qualquer bom português vamos reiterar votos que carregamos fielmente desde os últimos anos e que às primeiras horas ou dias de cada novo ano insistimos sempre em quebrar, ou simplesmente esquecer, como qualquer bom político que se preze. Não estamos nós em época de eleições, onde também aí tudo se repete conforme manda a tradição, com promessas demagogas e pouco credíveis? Porque será que gastamos mais tempo a falar mal daqueles que não gostamos e pouco ou quase nada daqueles que pelos seus actos ou sentimentos realmente merecem? Façam o favor de não prometerem nada, que vão deixar de fumar, de beber, que vão andar mais vezes a pé, ter cuidado com os diabetes, com o stress. Este ano não falem por falar, digam! Digam àqueles que amam o quanto são importantes, amem! Falem com a voz do coração, sem ódio nem rancor, sem vinganças e façam, façam tudo, façam sem pensar, mas façam... e não tenham medo de ser felizes.

sábado, dezembro 31, 2005

FELIZ ANO NOVO


Neste derradeiro dia do Ano não seja comedido com os doces, com os festejos, com os abraços e os beijos. Se tudo lhe correu mal há sempre um amanhã à sua espera em que o Sol vai sorrir para si com mais intensidade. Se vivermos a vida com medo corremos o risco de passarmos por ela sem que nos veja, sem que ninguém se lembre que um dia estivemos cá e fomos alguém. Viva, arrisque, erre ou acerte, mas viva, antes que morra e só aí se recordem de si.


Boas saídas e melhores entradas,
Um FELIZ 2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

EVASÕES (Marisa Cruz)

PANACEIA

É o cheiro do teu sexo
que guia cada um dos meus passos,
que ilumina a perversa obscuridade
dos meus anseios e receios
quando as mãos se soltam pressurosas
frémitas dum delicado despudor
nas asas maviosas duma imaginação
sem freio, lasciva, incestuosa.
É ao teu sexo qu'eu m'agarro como um bálsamo
quando a caneta galopa pujante
ousando desbravar um frondoso e obsceno Éden
de folhas imaculadamente virgens,
espelho diáfano dum rio que corre lento,
cá dentro, um lume brando que dilacera
o coração de quem por ti espera, desespera,
em promessas veladas dum amor sincero
protelando a improbabilidade do teu sexo
com regurgitantes devaneios
veementes delírios de cío.

PÉROLAS A PORCOS


Dá Deus nozes a quem não tem dentes, o governo aumentos p'ra quem tem fome, pensões de miséria para os velhos e doentes, sadismo de quem pode e manda; Basta! Cessem todas as diferenças sociais, toda a lógica mais ilógica, todos os sonhos mais proíbidos. "Não faças isto! Nem penses naquilo! Não toques nisso!", basta de fodas mentais e outras que tais! Há quem morra sem saber, há quem viva sem poder, quem sofra pelo que não tem, pelo que um dia não virá a ser... Feliz! Pôs-te alguém na minha vida, na de quem nunca vais sequer pensar, quanto mais amar amor como eu te amo, tu e eu, pérolas a porcos, dívina previdência de um Deus ateu; Eu aqui, tu nem vês, tão pouco, tão certo, ter-te perto e como louco pregar no deserto.