quarta-feira, janeiro 04, 2006

NÃO ESQUECER...



... de desmanchar a árvore!

D'OUTRAS MÃOS


MAIS
Mais uma risada sem sentido
mais uma noite sem nexo;
Tudo me magoa
até a felicidade;
mais um sonho sem realidade
mais um grito que ninguém ouve;
tudo me fere, até o amor.
Mais uma fuga até ao caçador
mais uma vida em direcção à morte
mais uma morte que nunca foi vida,
tudo me mata, especialmente a vida.
Mónica da Luz Pereira

terça-feira, janeiro 03, 2006

ANJOS & DEMÓNIOS

Quantos homens são necessários para se abrir uma lata de cerveja? Nenhum. Ela já deve estar aberta quando a mulher a traz da cozinha.


Como você conserta o relógio de pulso de uma mulher? Não conserta. Ela já tem o relógio de parede da cozinha.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

DICCIONÁRIO ESCOLAR

Começo nesta segunda-feira com algumas respostas que os alunos do vestibular para o acesso à universidade federal do Rio de Janeiro deram nas provas referentes ao ano lectivo de 1999:

TERRAMOTO - pequeno movimento de terras não cultivadas.

Os egípcios antigos desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor.

PÉRICLES - principal ditador da democracia grega.

O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro de água.

A principal função da raíz é se enterrar.

domingo, janeiro 01, 2006

PORQUE HOJE É DOMINGO...

...dia 1 de Janeiro de 2006. É hora de virar a página sobre um ano que, no seu essencial não vai deixar saudades. Foi um ano de vacas magras e de um terrorismo exacerbadamente mediático que nos confundiu sobre quem eram os verdadeiros terroristas, relegando a nossa memória virtual para a época das Cruzadas, quando se aniquilavam povos inteiros em nome de uma religião que defende o amor ao próximo e oferecer a outra face. 2006 ainda está a dar os primeiros passos mas ninguém ou muito poucos acreditam que a paz reine algum dia entre nós e que os problemas económicos se dissolvam como num truque de Luis de Matos. Não. Resta a esperança, porque sem esperança a vida é uma mentira. Não vamos esperar que os outros mudem, quando podemos fazer tanto por nós próprios, sem nos darmos conta de que, ao fazê-lo, estaremos também a mudar o universo que nos rodeia, a dar voz à fé daqueles que já não tinham fé. É tempo de promessas. E como qualquer bom português vamos reiterar votos que carregamos fielmente desde os últimos anos e que às primeiras horas ou dias de cada novo ano insistimos sempre em quebrar, ou simplesmente esquecer, como qualquer bom político que se preze. Não estamos nós em época de eleições, onde também aí tudo se repete conforme manda a tradição, com promessas demagogas e pouco credíveis? Porque será que gastamos mais tempo a falar mal daqueles que não gostamos e pouco ou quase nada daqueles que pelos seus actos ou sentimentos realmente merecem? Façam o favor de não prometerem nada, que vão deixar de fumar, de beber, que vão andar mais vezes a pé, ter cuidado com os diabetes, com o stress. Este ano não falem por falar, digam! Digam àqueles que amam o quanto são importantes, amem! Falem com a voz do coração, sem ódio nem rancor, sem vinganças e façam, façam tudo, façam sem pensar, mas façam... e não tenham medo de ser felizes.

sábado, dezembro 31, 2005

FELIZ ANO NOVO


Neste derradeiro dia do Ano não seja comedido com os doces, com os festejos, com os abraços e os beijos. Se tudo lhe correu mal há sempre um amanhã à sua espera em que o Sol vai sorrir para si com mais intensidade. Se vivermos a vida com medo corremos o risco de passarmos por ela sem que nos veja, sem que ninguém se lembre que um dia estivemos cá e fomos alguém. Viva, arrisque, erre ou acerte, mas viva, antes que morra e só aí se recordem de si.


Boas saídas e melhores entradas,
Um FELIZ 2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

EVASÕES (Marisa Cruz)

PANACEIA

É o cheiro do teu sexo
que guia cada um dos meus passos,
que ilumina a perversa obscuridade
dos meus anseios e receios
quando as mãos se soltam pressurosas
frémitas dum delicado despudor
nas asas maviosas duma imaginação
sem freio, lasciva, incestuosa.
É ao teu sexo qu'eu m'agarro como um bálsamo
quando a caneta galopa pujante
ousando desbravar um frondoso e obsceno Éden
de folhas imaculadamente virgens,
espelho diáfano dum rio que corre lento,
cá dentro, um lume brando que dilacera
o coração de quem por ti espera, desespera,
em promessas veladas dum amor sincero
protelando a improbabilidade do teu sexo
com regurgitantes devaneios
veementes delírios de cío.

PÉROLAS A PORCOS


Dá Deus nozes a quem não tem dentes, o governo aumentos p'ra quem tem fome, pensões de miséria para os velhos e doentes, sadismo de quem pode e manda; Basta! Cessem todas as diferenças sociais, toda a lógica mais ilógica, todos os sonhos mais proíbidos. "Não faças isto! Nem penses naquilo! Não toques nisso!", basta de fodas mentais e outras que tais! Há quem morra sem saber, há quem viva sem poder, quem sofra pelo que não tem, pelo que um dia não virá a ser... Feliz! Pôs-te alguém na minha vida, na de quem nunca vais sequer pensar, quanto mais amar amor como eu te amo, tu e eu, pérolas a porcos, dívina previdência de um Deus ateu; Eu aqui, tu nem vês, tão pouco, tão certo, ter-te perto e como louco pregar no deserto.

APENAS E SÓ

NÃO LEIAS O QUE PENSO NAS PALAVRAS QUE TE ESCREVO,
palavras, apenas e só, palavras
algumas mais ousadas, outras... nem tanto, cansadas,
salpicos d'ironia travestidos de poesia.

DISTÂNCIA


ao abrigo da distância que nos separa
a tua felicidade permanece intacta,
a esperança, nunca morta, esmorece
na fúria compacta do que aos olhos se escusa,
mas o coração sente, o sangue pulsa
e a saudade é por demais profunda.

terça-feira, dezembro 27, 2005

BONANÇA

Pois, passou o Natal e parece que a tempestade está também a passar. O meu sobrinho já veio da mãe e foi passar uns dias com o pai e o irmão. Vêm passar o final do Ano e deixá-lo e deixá-lo cá, porque as férias estão a chegar ao fim e a escola não tarda vai recomeçar. Com o aproximar dum novo ano talvez seja altura das pessoas começarem a entender-se, passar uma borracha por cima de mágoas antigas e usar da palavra em vez da ignorância de vinganças e outras atitudes mesquinhas que atingem sempre pessoas inocentes. Parece ainda que o spyware que me pôs num pânico genuíno desde a tarde de ontem está a afastar-se lentamente com o antispyware e o novo antivirus. Será isto bonança?

PERDOAR


Despe-te de preconceitos,
de falsas morais
e outras questões que tais.
Assume o erro, perdoa,
que amar é também saber perdoar.
Estende a mão, pede perdão
que o orgulho é parente
afastado da razão.
Ninguém é perfeito
nenhum homem é uma ilha
nenhum homem nasce sozinho
e só a morte nos leva
sem a ajuda d'outrém.
Ninguém manda, todos precisam
eu de ti, tu de mim
sem excepção. Sorri.
Só o ódio nos consome,
é frio, fere, dói,
mata sem matar
morres... sem saber.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

PORQUE ONTEM FOI DOMINGO...

Tudo o que hoje sou devo-o a ti, mãe, minhas virtudes e defeitos, a essência de uma personalidade que procurei moldar à medida do egoísmo das minhas necessidades, semeando ventos, colhendo tempestades, na certeza do porto de abrigo que são os teus braços, quais asas duma mãe-galinha cuja força serve de pêndulo aos devaneios da minha inconstância. Tu és tudo e eu sem ti... nada sou, não obstante o peito inchado de orgulho quando fazes alarde de qualidades qu'eu próprio já olvidei. Sinto-me então pequeno, tão pequeno, tolhido pela mesquinhez dos meus desejos insaciáveis, envergonhado por tudo qu'eu não te dei e mereces. Sei que as minhas palavras ainda são mudas, que os parcos elogios qu'eu arranco à força do âmago das minhas entranhas caem invariávelmente no esquecimento daqueles que não os ouvem. A verdade é que a minha relação com as palavras é uma guerra profícua em danos colaterais, feita na brandura de acções e palavras inconsequentes que teimam em deflagrar incessantemente nos dedos desajeitados de quem prime o gatilho, manchando-os com résteas duma pólvora seca de arrependimento. Escrevo sem saber como nem porquê. Donde vem?, como e quando é que surge esta força estranha que me guia a mão?, que a polvilha com mínguas duma mais que duvidosa inspiração e que a leva a escrever mesmo o que eu não quero? Como fechar esta torneira que me inunda a alma duma verborreia improfícua, que expõe a privacidade dos meus jardins secretos e me distancia dos comuns mortais com as suas vidas simples e banais - mas vidas - a que almejo pertencer? Aqui, deste purgatório onde expio cada um dos meus pecados, qual Madalena arrependida, renego àquele que com seu desprezo me dedica tão irónica dádiva, parente pobre da criação que é a arte de escrever apenas e só por escrever. Eu não sou um poeta, mãe, não quero ser poeta. Nada sei dos meandros da poesia, da inspiração, versos brancos, estrofes, odes... Eu não sei de nada, sinto-a apenas - à inspiração - como um vento súbito que chega sem bater, quando sofro, quando amo ou julgo amar - tão pouco quero amar -, quando sonho acordado, quando odeio, raramente quando a procuro. Aí, fogem-me as ideias, fico atolado em palavras que não fluem, ficam martelando, massacrando uma saída airosa: a dúbia eternidade num tosco aglomerado de frases a que, paradoxalmente, ouso chamar de poesia. É esse o meu fardo, destino ou fado, servir de intermediário a palavras que diàriamente me procuram como um flagelo a que não posso - ou não tento - escapar, conjugá-las em versos harmoniosos e lançá-las do escrínio obscuro das minhas memórias para a ribalta dum bloco de notas cheio de ideias desconexas onde se esvai a minha vida, submersa em castelos de areia e moinhos de vento, rascunhos de uma alma adversa de dor parida.
A vida não tem sorrido para mim, impávido que assisto ao conformismo sepulcral onde jazem todas as minhas convicções e revoluções. À minha volta ouço os conselhos experientes, o orgulho e a soberba de quem deixa andar, de quem pouco ou nada faz, dos que primam a sua conduta por um meritório egocêntrismo. Embora todos me critíquem o empenho exacerbado, sei que valho cada cêntimo que ganho e que sai do meu corpo, de cada poro, em suor e sangue. O meu orgulho está ferido mas é legítimo e a minha cabeça segue erguida apesar dos espinhos morais que nela se cravam. As pessoas, aquelas que temos por mais próximas, insistem em ser as primeiras a desiludir-nos, a deitar por terra todos os nossos sonhos, o futuro imediato. O presente é hoje um céu carregado de nuvens negras sobre os destroços ainda frescos dum passado recente, mas a esperança não é um sentimento vago, inócuo, apesar das "comadres" continuarem a "emprenhar" pelos ouvidos. As minhas chagas são mais que a soma de paus e pedras, mas eu não desisto. Não desisto enquanto houver pessoas que me surpreendam, daquelas poucas que falam e escutam com o coração e cujos nomes não preciso de enunciar porque elas sabem quem são. A vossa amizade devolve-me a fé, mesmo quando pareço carregar um fardo maior do que aquele que consigo suportar. Margarida Rebelo Pinto descreveu a solidão como "a maior e a mais estéril das prisões (...), à força de te protegeres dos outros, ausentas-te de ti mesmo, e onde estás agora? Qualquer dia olhas para dentro de ti e já lá não estás." É de prisões que costumo escrever, de algemas e cárceres psicológicos, de medos e normas pré-concebidas, tabus. É contra tudo isso que a minha voz se levanta à força de palavras, à força da poesia rude de quem sempre negou ser um poeta. Afinal, talvez um poeta não seja mais que um lobo que uiva para uma lua distante que só ele vê; um sapo à espera de um beijo impossível; alguém... que ainda acredita que a felicidade existe e que o Sol quando nasce... é para todos!

PAGADOR DE PROMESSAS


AMIZADE
Há um pote no fim do arco-íris de quem crê
a bonança no dealbar de tanta desventura
o acordar de dias soturnos com vontade de viver
crescer, participar - e porque não? - ganhar.
Jogo o meu dia mais feliz por tão pouco
esse gesto que tu dás sem nada pedir em troca
um sorriso que se espraia no inverno do meu ser
ilumina o olhar, aquece o coração
como pequeninas luzes fluorescentes
laivos de um natal antigo com renas voadoras
e velhotes balofos de vermelho vestidos
com alvas barbas dum algodão-doce imaculado
(sorte que tu gostas do encarnado).
É o grito de Ipiranga qual Fénix renascida
dos valores que se levantam na aurora da esperança
no olhar puro duma criança, um sorriso de verdade
nessa palavra com que me acarícias: Amizade.
os amigos não se vêem nas piores ocasiões. Estão sempre connosco...
no CORAÇÃO
para a Nucha

CARTA AO PAI NATAL - 26 DE DEZEMBRO


Querido Pai Natal,
Acharás estranho que te escreve hoje, 26 de Dezembro, mas quero esclarecer umas coisas que me ocorreram desde que te enviei a carta cheia de ilusões na qual pedia que trouxesses uma bicicleta, um comboio eléctrico, um nintendo e um par de patins. Quero dizer-te que me matei a estudar todo o ano, tanto que, não só fui dos primeiros da minha turma, mas também tirei 20 a todas as disciplinas e não te estou a enganar. Ninguém se portou melhor do que eu, nem com os pais, nem com os irmãos, nem com os amigos, nem com os vizinhos. Fiz recados sem cobrar, ajudei velhinhos a atravessar a rua e não houve nada que eu não fizesse e mesmo assim... que grande lata... ó Pai Natal. É que deixar debaixo da Árvore de Natal um cabrão dum pião, uma merda duma corneta e um caralho dum par de meias... foda-se... quem é que pensas que és... barrigudo do caralho. Pois é, porto-me como um camelo a merda do ano inteiro, para vires com essa merda de prendas e como se não bastasse, ao paneleiro do filho da vizinha, esse otário estúpido como caralho que grita com a vaca da mãe e é um pandemónio lá em casa, tu deste-lhe tudo o que ele pediu. Agora quero que te fodas e que venha o caralho dum terramoto e nos engula a todos, porque um Pai Natal incompetente como tu, não faz falta a ninguém. Mas não deixes de regressar no ano que vem, porque vou rebentar à pedrada as putas das tuas renas e hás-de vir bater com os cornos cá em baixo, que te hás-de foder. Vou começar pela tua rena Rudolph, que tem nome de maricas, e hás-de andar a pé, já que a merda da bicicleta que pedi era para ir pra escola, que é longe comá merda. Ah!!!... É verdade... não me quero despedir, sem te mandar para a puta que te pariu, pois tu és um filho da puta. E aviso-te que para o ano vais saber o que é bom, pois vou foder o juízo a toda a gente o ano todo.

P.S. Quando quiseres, podes vir buscar o pião, a corneta e as meias, mas acorda-me para eu te enfiar essas merdas todas pelo cu acima.

VOLTA!!!


Passei os últimos dois dias com o olhar perdido na janela do meu quarto, os ouvidos atentos no silêncioso vazio da ausência, o coração inundado de lágrimas secas, como sempre. Foram dias de guerra num tempo de paz, de um ódio que eu não concebia, mas que me encontrou de mãos e pés atados numa espera dilacerante, interrompida um sem número de vezes pelo soar do telemóvel... mais uma mensagem de boas festas. Boas festas... quando a palavra dos Homens equivale a um castelo de areia que se desmorona à primeira onda mais forte. Sexta-feira a minha cunhada levou o meu sobrinho para passar a noite e a manhã seguinte com ela, ficando de o devolver sábado a início da tarde, onde o esperavam avó e tio, pai e irmão e um monte de prendas compradas com muito sacríficio mas muito mais amor. à última da hora, essa mulher que se diz mãe, mas que é capaz de usar o filho como arma à falta de outros argumentos, avisou que não iria devolvê-lo antes de segunda-feira. Essa mesma mulher que morando perto do filho é capaz de passar semanas sem ir visitá-lo e que não lhe telefona porque as chamadas de telemóvel são caras lembrou-se de usá-lo numa luta pessoal, indiferente ao sofrimento de quem o ama diáriamente, de quem o veste e alimenta, de quem o leva à escola e o ajuda nos trabalhos, de quem o trata de cada vez que fica doente. Esperei. Não podia haver alguém tão mau e desprezivel, pelo menos nesta época. Só que os carros não pararam debaixo da janela do meu quarto e o telemóvel não tocou a avisar da sua chegada. Não, desligou o telemóvel quando o pai falava com o filho para lhe desejar as boas festas. E o irmão, sem saber o que se passava perguntava por um irmão que não o esperara para juntos abrirem os presentes, por que tanto ansiara. Hoje, não vou querer conversas, por não saber como iria reagir. Tive o Natal estragado, não importa! Amenizei a dor com a presença do meu outro sobrinho. Já estamos a 26, devia ser já 1 de Janeiro, poder esquecer os últimos dias e preparar-me, só isso - por agora - para o abraço apertado com que espero receber a pessoa mais importante da minha vida daqui por algumas horas.

sábado, dezembro 24, 2005

PARA UM NATAL ESTRAGADO

Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os cobardes destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada.
Oscar wilde

sexta-feira, dezembro 23, 2005

PORQUE HOJE É BEBÉ


Não quero deixar passar este dia sem desejar um feliz aniversário a um excelente profissional, mas principalmente um amigo do seu amigo que é o Lucas. Desejo-te um dia com tudo de bom, continuação de boas férias, um feliz natal e um próspero ano novo para ti e para os teus. Depois explicas-me como é que consegues ir de férias nesta altura! Um abraço!