sábado, dezembro 31, 2005

FELIZ ANO NOVO


Neste derradeiro dia do Ano não seja comedido com os doces, com os festejos, com os abraços e os beijos. Se tudo lhe correu mal há sempre um amanhã à sua espera em que o Sol vai sorrir para si com mais intensidade. Se vivermos a vida com medo corremos o risco de passarmos por ela sem que nos veja, sem que ninguém se lembre que um dia estivemos cá e fomos alguém. Viva, arrisque, erre ou acerte, mas viva, antes que morra e só aí se recordem de si.


Boas saídas e melhores entradas,
Um FELIZ 2006

sexta-feira, dezembro 30, 2005

EVASÕES (Marisa Cruz)

PANACEIA

É o cheiro do teu sexo
que guia cada um dos meus passos,
que ilumina a perversa obscuridade
dos meus anseios e receios
quando as mãos se soltam pressurosas
frémitas dum delicado despudor
nas asas maviosas duma imaginação
sem freio, lasciva, incestuosa.
É ao teu sexo qu'eu m'agarro como um bálsamo
quando a caneta galopa pujante
ousando desbravar um frondoso e obsceno Éden
de folhas imaculadamente virgens,
espelho diáfano dum rio que corre lento,
cá dentro, um lume brando que dilacera
o coração de quem por ti espera, desespera,
em promessas veladas dum amor sincero
protelando a improbabilidade do teu sexo
com regurgitantes devaneios
veementes delírios de cío.

PÉROLAS A PORCOS


Dá Deus nozes a quem não tem dentes, o governo aumentos p'ra quem tem fome, pensões de miséria para os velhos e doentes, sadismo de quem pode e manda; Basta! Cessem todas as diferenças sociais, toda a lógica mais ilógica, todos os sonhos mais proíbidos. "Não faças isto! Nem penses naquilo! Não toques nisso!", basta de fodas mentais e outras que tais! Há quem morra sem saber, há quem viva sem poder, quem sofra pelo que não tem, pelo que um dia não virá a ser... Feliz! Pôs-te alguém na minha vida, na de quem nunca vais sequer pensar, quanto mais amar amor como eu te amo, tu e eu, pérolas a porcos, dívina previdência de um Deus ateu; Eu aqui, tu nem vês, tão pouco, tão certo, ter-te perto e como louco pregar no deserto.

APENAS E SÓ

NÃO LEIAS O QUE PENSO NAS PALAVRAS QUE TE ESCREVO,
palavras, apenas e só, palavras
algumas mais ousadas, outras... nem tanto, cansadas,
salpicos d'ironia travestidos de poesia.

DISTÂNCIA


ao abrigo da distância que nos separa
a tua felicidade permanece intacta,
a esperança, nunca morta, esmorece
na fúria compacta do que aos olhos se escusa,
mas o coração sente, o sangue pulsa
e a saudade é por demais profunda.

terça-feira, dezembro 27, 2005

BONANÇA

Pois, passou o Natal e parece que a tempestade está também a passar. O meu sobrinho já veio da mãe e foi passar uns dias com o pai e o irmão. Vêm passar o final do Ano e deixá-lo e deixá-lo cá, porque as férias estão a chegar ao fim e a escola não tarda vai recomeçar. Com o aproximar dum novo ano talvez seja altura das pessoas começarem a entender-se, passar uma borracha por cima de mágoas antigas e usar da palavra em vez da ignorância de vinganças e outras atitudes mesquinhas que atingem sempre pessoas inocentes. Parece ainda que o spyware que me pôs num pânico genuíno desde a tarde de ontem está a afastar-se lentamente com o antispyware e o novo antivirus. Será isto bonança?

PERDOAR


Despe-te de preconceitos,
de falsas morais
e outras questões que tais.
Assume o erro, perdoa,
que amar é também saber perdoar.
Estende a mão, pede perdão
que o orgulho é parente
afastado da razão.
Ninguém é perfeito
nenhum homem é uma ilha
nenhum homem nasce sozinho
e só a morte nos leva
sem a ajuda d'outrém.
Ninguém manda, todos precisam
eu de ti, tu de mim
sem excepção. Sorri.
Só o ódio nos consome,
é frio, fere, dói,
mata sem matar
morres... sem saber.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

PORQUE ONTEM FOI DOMINGO...

Tudo o que hoje sou devo-o a ti, mãe, minhas virtudes e defeitos, a essência de uma personalidade que procurei moldar à medida do egoísmo das minhas necessidades, semeando ventos, colhendo tempestades, na certeza do porto de abrigo que são os teus braços, quais asas duma mãe-galinha cuja força serve de pêndulo aos devaneios da minha inconstância. Tu és tudo e eu sem ti... nada sou, não obstante o peito inchado de orgulho quando fazes alarde de qualidades qu'eu próprio já olvidei. Sinto-me então pequeno, tão pequeno, tolhido pela mesquinhez dos meus desejos insaciáveis, envergonhado por tudo qu'eu não te dei e mereces. Sei que as minhas palavras ainda são mudas, que os parcos elogios qu'eu arranco à força do âmago das minhas entranhas caem invariávelmente no esquecimento daqueles que não os ouvem. A verdade é que a minha relação com as palavras é uma guerra profícua em danos colaterais, feita na brandura de acções e palavras inconsequentes que teimam em deflagrar incessantemente nos dedos desajeitados de quem prime o gatilho, manchando-os com résteas duma pólvora seca de arrependimento. Escrevo sem saber como nem porquê. Donde vem?, como e quando é que surge esta força estranha que me guia a mão?, que a polvilha com mínguas duma mais que duvidosa inspiração e que a leva a escrever mesmo o que eu não quero? Como fechar esta torneira que me inunda a alma duma verborreia improfícua, que expõe a privacidade dos meus jardins secretos e me distancia dos comuns mortais com as suas vidas simples e banais - mas vidas - a que almejo pertencer? Aqui, deste purgatório onde expio cada um dos meus pecados, qual Madalena arrependida, renego àquele que com seu desprezo me dedica tão irónica dádiva, parente pobre da criação que é a arte de escrever apenas e só por escrever. Eu não sou um poeta, mãe, não quero ser poeta. Nada sei dos meandros da poesia, da inspiração, versos brancos, estrofes, odes... Eu não sei de nada, sinto-a apenas - à inspiração - como um vento súbito que chega sem bater, quando sofro, quando amo ou julgo amar - tão pouco quero amar -, quando sonho acordado, quando odeio, raramente quando a procuro. Aí, fogem-me as ideias, fico atolado em palavras que não fluem, ficam martelando, massacrando uma saída airosa: a dúbia eternidade num tosco aglomerado de frases a que, paradoxalmente, ouso chamar de poesia. É esse o meu fardo, destino ou fado, servir de intermediário a palavras que diàriamente me procuram como um flagelo a que não posso - ou não tento - escapar, conjugá-las em versos harmoniosos e lançá-las do escrínio obscuro das minhas memórias para a ribalta dum bloco de notas cheio de ideias desconexas onde se esvai a minha vida, submersa em castelos de areia e moinhos de vento, rascunhos de uma alma adversa de dor parida.
A vida não tem sorrido para mim, impávido que assisto ao conformismo sepulcral onde jazem todas as minhas convicções e revoluções. À minha volta ouço os conselhos experientes, o orgulho e a soberba de quem deixa andar, de quem pouco ou nada faz, dos que primam a sua conduta por um meritório egocêntrismo. Embora todos me critíquem o empenho exacerbado, sei que valho cada cêntimo que ganho e que sai do meu corpo, de cada poro, em suor e sangue. O meu orgulho está ferido mas é legítimo e a minha cabeça segue erguida apesar dos espinhos morais que nela se cravam. As pessoas, aquelas que temos por mais próximas, insistem em ser as primeiras a desiludir-nos, a deitar por terra todos os nossos sonhos, o futuro imediato. O presente é hoje um céu carregado de nuvens negras sobre os destroços ainda frescos dum passado recente, mas a esperança não é um sentimento vago, inócuo, apesar das "comadres" continuarem a "emprenhar" pelos ouvidos. As minhas chagas são mais que a soma de paus e pedras, mas eu não desisto. Não desisto enquanto houver pessoas que me surpreendam, daquelas poucas que falam e escutam com o coração e cujos nomes não preciso de enunciar porque elas sabem quem são. A vossa amizade devolve-me a fé, mesmo quando pareço carregar um fardo maior do que aquele que consigo suportar. Margarida Rebelo Pinto descreveu a solidão como "a maior e a mais estéril das prisões (...), à força de te protegeres dos outros, ausentas-te de ti mesmo, e onde estás agora? Qualquer dia olhas para dentro de ti e já lá não estás." É de prisões que costumo escrever, de algemas e cárceres psicológicos, de medos e normas pré-concebidas, tabus. É contra tudo isso que a minha voz se levanta à força de palavras, à força da poesia rude de quem sempre negou ser um poeta. Afinal, talvez um poeta não seja mais que um lobo que uiva para uma lua distante que só ele vê; um sapo à espera de um beijo impossível; alguém... que ainda acredita que a felicidade existe e que o Sol quando nasce... é para todos!

PAGADOR DE PROMESSAS


AMIZADE
Há um pote no fim do arco-íris de quem crê
a bonança no dealbar de tanta desventura
o acordar de dias soturnos com vontade de viver
crescer, participar - e porque não? - ganhar.
Jogo o meu dia mais feliz por tão pouco
esse gesto que tu dás sem nada pedir em troca
um sorriso que se espraia no inverno do meu ser
ilumina o olhar, aquece o coração
como pequeninas luzes fluorescentes
laivos de um natal antigo com renas voadoras
e velhotes balofos de vermelho vestidos
com alvas barbas dum algodão-doce imaculado
(sorte que tu gostas do encarnado).
É o grito de Ipiranga qual Fénix renascida
dos valores que se levantam na aurora da esperança
no olhar puro duma criança, um sorriso de verdade
nessa palavra com que me acarícias: Amizade.
os amigos não se vêem nas piores ocasiões. Estão sempre connosco...
no CORAÇÃO
para a Nucha

CARTA AO PAI NATAL - 26 DE DEZEMBRO


Querido Pai Natal,
Acharás estranho que te escreve hoje, 26 de Dezembro, mas quero esclarecer umas coisas que me ocorreram desde que te enviei a carta cheia de ilusões na qual pedia que trouxesses uma bicicleta, um comboio eléctrico, um nintendo e um par de patins. Quero dizer-te que me matei a estudar todo o ano, tanto que, não só fui dos primeiros da minha turma, mas também tirei 20 a todas as disciplinas e não te estou a enganar. Ninguém se portou melhor do que eu, nem com os pais, nem com os irmãos, nem com os amigos, nem com os vizinhos. Fiz recados sem cobrar, ajudei velhinhos a atravessar a rua e não houve nada que eu não fizesse e mesmo assim... que grande lata... ó Pai Natal. É que deixar debaixo da Árvore de Natal um cabrão dum pião, uma merda duma corneta e um caralho dum par de meias... foda-se... quem é que pensas que és... barrigudo do caralho. Pois é, porto-me como um camelo a merda do ano inteiro, para vires com essa merda de prendas e como se não bastasse, ao paneleiro do filho da vizinha, esse otário estúpido como caralho que grita com a vaca da mãe e é um pandemónio lá em casa, tu deste-lhe tudo o que ele pediu. Agora quero que te fodas e que venha o caralho dum terramoto e nos engula a todos, porque um Pai Natal incompetente como tu, não faz falta a ninguém. Mas não deixes de regressar no ano que vem, porque vou rebentar à pedrada as putas das tuas renas e hás-de vir bater com os cornos cá em baixo, que te hás-de foder. Vou começar pela tua rena Rudolph, que tem nome de maricas, e hás-de andar a pé, já que a merda da bicicleta que pedi era para ir pra escola, que é longe comá merda. Ah!!!... É verdade... não me quero despedir, sem te mandar para a puta que te pariu, pois tu és um filho da puta. E aviso-te que para o ano vais saber o que é bom, pois vou foder o juízo a toda a gente o ano todo.

P.S. Quando quiseres, podes vir buscar o pião, a corneta e as meias, mas acorda-me para eu te enfiar essas merdas todas pelo cu acima.

VOLTA!!!


Passei os últimos dois dias com o olhar perdido na janela do meu quarto, os ouvidos atentos no silêncioso vazio da ausência, o coração inundado de lágrimas secas, como sempre. Foram dias de guerra num tempo de paz, de um ódio que eu não concebia, mas que me encontrou de mãos e pés atados numa espera dilacerante, interrompida um sem número de vezes pelo soar do telemóvel... mais uma mensagem de boas festas. Boas festas... quando a palavra dos Homens equivale a um castelo de areia que se desmorona à primeira onda mais forte. Sexta-feira a minha cunhada levou o meu sobrinho para passar a noite e a manhã seguinte com ela, ficando de o devolver sábado a início da tarde, onde o esperavam avó e tio, pai e irmão e um monte de prendas compradas com muito sacríficio mas muito mais amor. à última da hora, essa mulher que se diz mãe, mas que é capaz de usar o filho como arma à falta de outros argumentos, avisou que não iria devolvê-lo antes de segunda-feira. Essa mesma mulher que morando perto do filho é capaz de passar semanas sem ir visitá-lo e que não lhe telefona porque as chamadas de telemóvel são caras lembrou-se de usá-lo numa luta pessoal, indiferente ao sofrimento de quem o ama diáriamente, de quem o veste e alimenta, de quem o leva à escola e o ajuda nos trabalhos, de quem o trata de cada vez que fica doente. Esperei. Não podia haver alguém tão mau e desprezivel, pelo menos nesta época. Só que os carros não pararam debaixo da janela do meu quarto e o telemóvel não tocou a avisar da sua chegada. Não, desligou o telemóvel quando o pai falava com o filho para lhe desejar as boas festas. E o irmão, sem saber o que se passava perguntava por um irmão que não o esperara para juntos abrirem os presentes, por que tanto ansiara. Hoje, não vou querer conversas, por não saber como iria reagir. Tive o Natal estragado, não importa! Amenizei a dor com a presença do meu outro sobrinho. Já estamos a 26, devia ser já 1 de Janeiro, poder esquecer os últimos dias e preparar-me, só isso - por agora - para o abraço apertado com que espero receber a pessoa mais importante da minha vida daqui por algumas horas.

sábado, dezembro 24, 2005

PARA UM NATAL ESTRAGADO

Destruímos sempre aquilo que mais amamos
em campo aberto ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os cobardes destroem com um beijo,
os valentes, destroem com a espada.
Oscar wilde

sexta-feira, dezembro 23, 2005

PORQUE HOJE É BEBÉ


Não quero deixar passar este dia sem desejar um feliz aniversário a um excelente profissional, mas principalmente um amigo do seu amigo que é o Lucas. Desejo-te um dia com tudo de bom, continuação de boas férias, um feliz natal e um próspero ano novo para ti e para os teus. Depois explicas-me como é que consegues ir de férias nesta altura! Um abraço!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

ESTOU DE RASTOS

Até poucas horas atrás pensei chegar a casa e escrever que faltavam quatro dias para o Natal e juntar uma imagem alusiva a acompanhar. Poucas horas atrás, porém, uma morte veio afectar radicalmente o meu âmbiente de trabalho e o meu modo de encarar hoje a data que se aproxima. Uma mulher que muito provávelmente apenas conhecia de vista caiu ao mar e todas as diligências que imediatamente se fizeram no sentido de a resgatar com vida foram infrutíferas. Neste momento, não interessa o seu nome, sexo ou idade, profissão ou estatuto social. Numa época em que já se fazem inúmeros votos de boas festas e um ano vindouro mais próspero, há que lembrar que o reverso da medalha também existe para incontáveis famílias para as quais este ou outros natais ficaram marcados pela tragédia de um familiar ou amigo, por despedimentos, pela falta de comida e de dinheiro, quando outros se banqueteiam. Amanhã talvez não me lembre mais deles, mas hoje, vai para eles o meu sentimento profundo de respeito. Uma palavra ainda de conforto e amizade para um colega que, por estar directamente envolvido no drama das últimas horas, estará certamente a passar um mau bocado. Que o ano novo lhes traga a eles e a todos nós não apenas prosperidade mas serenidade para enfrentar os maus momentos e paz, muita paz.

terça-feira, dezembro 20, 2005

FALTAM 5 DIAS PARA O NATAL


vamos encher este natal de calor humano...

QUE QUERES QUE TE DIGA C'UM POEMA?


Que queres que te diga c'um poema? senão das saudades da chuva miúda no lancil da janela do teu quarto onde nunca estive e todavia não esqueci? Como posso sentir a falta de alguém que nunca tive, das palavras de carinho que jamais me disseste, ou do volume do teu corpo na minha cama de solteiro onde tu nunca te deitaste? Como podem sentir as minhas mãos a falta das tua e a casa ficar vazia, escura e triste sem a alegria da tua presença? Que queres que te diga c'um poema? que à noite ajeito na cama o corpo no espaço certo do aconchego dos teus braços? ou que ontem ao acordar te procurei sob os lençóis desalinhados e manchados de solidão? Que queres mais que te diga num poema se os dias são cada vez mais longos e as noites cada vez mais frias, e que na memória ficou gravado até o jeito de abrir dos teus braços ao despertar e do modo tão peculiar, tão teu d'enroscar o corpo d'encontro ao meu antes de adormecer, depois do amor, esse amor que nunca me deste e cuja lembrança já não sai do meu sorriso mais feliz.

ESTA ESTRANHA FORMA DE AMAR


Esta estranha forma de amar
como eu te amo - E SE TE AMO!
vem do ventre de palavras que não saem,
da ironia de segundos sentidos,
da distância de palavras escritas
onde a minha alma - quase - se desnuda;
é feita de promessas não cumpridas,
é filha do medo e das provocações,
de intenções que se quedam
a meio de uma viagem onde náufrago
num denso mar de frustrações
e de sonhos e desejos inconfessáveis.
Estranha forma - a MINHA - de te amar,
coração na palma das mãos
num caminho que me traz
perdido em espirais
encontrado...
em nenhures.

O MÉRITO A QUEM O MERECE


Não quero deixar de agradecer àqueles que dia a dia continuam a agraciar-me com a sua atenção e amizade, pois são eles que, com as suas palavras e atitudes ajudam a soprar e a afastar as tempestades que não poucas vezes ensombram os nossos dias. Agradeço uma vez mais ao meu amigo Paulo Tadeu pela sua persistência nas visitas a este blog e pelos comentários sempre animadores. São pessoas como tu que elevam o nível deste meu cantinho.
Obrigado também à minha amiga Nusrat pela sua amizade e alegria permanentes, que ajudam a esquecer e perdoar algumas tropelias. Recebi hoje o livro que me mandaste. Sei que vou gostar.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

VIAGEM AO MUNDO MÁGICO


Apetecia-me silenciar as palavras e trocá-las por sonoros aplausos entoados a compasso, porque é de aplausos que vive um circo, e de gargalhadas cristalinas e olhinhos esbugalhados e embriagados de êxtase e admiração, enquanto um crescente nervoso miúdinho nos toma de assalto e o suspense baloiça perigosamente sobre a rede de um trapézio. Mas é com palavras que eu melhor sei expressar-me, é nelas que crío asas e me sinto parte de um mundo que construo a meu bel-prazer, por vezes dramático, outras mágico como uma tarde de dezembro no Circo Victor Hugo Cardinali, que me levou de volta a uma infância já esquecida, quando ainda não pensava, apenas sonhava e todos os sonhos eram permitidos.