terça-feira, dezembro 20, 2005

O MÉRITO A QUEM O MERECE


Não quero deixar de agradecer àqueles que dia a dia continuam a agraciar-me com a sua atenção e amizade, pois são eles que, com as suas palavras e atitudes ajudam a soprar e a afastar as tempestades que não poucas vezes ensombram os nossos dias. Agradeço uma vez mais ao meu amigo Paulo Tadeu pela sua persistência nas visitas a este blog e pelos comentários sempre animadores. São pessoas como tu que elevam o nível deste meu cantinho.
Obrigado também à minha amiga Nusrat pela sua amizade e alegria permanentes, que ajudam a esquecer e perdoar algumas tropelias. Recebi hoje o livro que me mandaste. Sei que vou gostar.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

VIAGEM AO MUNDO MÁGICO


Apetecia-me silenciar as palavras e trocá-las por sonoros aplausos entoados a compasso, porque é de aplausos que vive um circo, e de gargalhadas cristalinas e olhinhos esbugalhados e embriagados de êxtase e admiração, enquanto um crescente nervoso miúdinho nos toma de assalto e o suspense baloiça perigosamente sobre a rede de um trapézio. Mas é com palavras que eu melhor sei expressar-me, é nelas que crío asas e me sinto parte de um mundo que construo a meu bel-prazer, por vezes dramático, outras mágico como uma tarde de dezembro no Circo Victor Hugo Cardinali, que me levou de volta a uma infância já esquecida, quando ainda não pensava, apenas sonhava e todos os sonhos eram permitidos.

domingo, dezembro 18, 2005

PORQUE HOJE É DOMINGO...


Passam hoje 25 dias desde as minhas primeiras linhas neste blog. Nesse dia, com o coração cheio de dúvidas fiz o que não costumo fazer: arrisquei. Não sabia se o fazia para minha auto-satisfação ou para dirigir-me aos outros da maneira que melhor sei, p'las palavras que escrevo. Não sabia quantos dias iria resistir até que o desapontamento dos primeiros revezes me vencesse, como não sabia também se conseguiria responder ao tempo que um blog consome na sua criação. Hoje subsisto repleto de dúvidas porque descobri que a nossa ignorância é sempre proporcional à nossa sabedoria. Quanto mais aprendemos mais nos damos conta do muito pouco que sabemos. Alguém disse um dia "só sei que nada sei", e no pouco que sabia era um sábio. Quase um mês decorrido aprendi que um blog é muito mais que um monólogo inconsequente em que UM fala o que quer e lhe apetece na certeza de que ninguém o ouve. Nada mais errado. AQUI até as paredes têm ouvidos. Aprendi também que o desenvolvimento da nossa civilização como hoje a conhecemos terá sido similar à elaboração e manutenção de um blog, pois que, por mais que façamos nunca estaremos satisfeitos com os resultados obtidos e como tal não nos daremos nunca por saciados, procurando sempre mais e mais. Mas ao tempo que eu chegava a estas conclusões, outras questões "martelavam" o meu cérebro: Será certo perder tempo com os nossos sonhos indivíduais, mesmo quando esses sonhos nos parecem tão sem importância? É bem possível que, com algum trabalho consigamos agradar aos outros um, dois, três dias numa semana, mas nunca todos os dias. Aí esmoreço, porque se não captar a atenção de quem me lê, todo o meu esforço será em vão. É difiícil agradar a gregos e troianos e mantermo-nos ainda assim fiéis aos nossos princípios, sem necessidade de vendermos a alma ao Diabo. A verdade é que o nosso maior desejo é mesmo agarrar a expectativa de um indeterminado número de gente e se possível extrapolá-lo vezes sem conta, porque um blog, como qualquer bom segredo ou acção que façamos só valerá a pena quando o fizermos chegar aos olhos e ouvidos de quem possa dar-nos o mérito de que intimamente nos julgamos credores. E como segurar esse público? Deturpando as bases do nosso empreendimento, desvirtuando a sua identidade a troco de um pouco de atenção, dos nossos "quinze minutos" de fama. Não vamos dar-lhes só poemas, só humor, só polémica ou sexo, mas um pouco de tudo e algo mais que se possa inventar. Transformamos então a nossa "sopa de pedra" numa amálgama de condímentos em que a pedra deixou de ser fundamental. É essa a minha dúvida mais premente, se devo ou não mudar o curso inicialmente tomado apenas para agradar aos outros ou, pelo contrário, arriscar-me a um isolamento precoce em que acabamos falando para as paredes. E não é de blogs que vos falo hoje, aqui, mas da vida e das decisões que todos teremos, um dia, de tomar.


Tenham uma noite descansada e uma semana profícua.
Façam o favor de serem felizes!

BESTA


E a besta irrompeu castelo dentro, disfarçada de peão, semeando caos e confusão entre as ameias dum reino sem raínha, profanando mitos duma suspeita valentia; desceu o seu manto gélido descobrindo as trevas, engolindo uma moralidade abstracta e fictícia, fez o leão balir como um cordeiro, fez-me caír do alto da minha própria altivez e arrogância; os pés de barro turvos, enlameados, fétidos, anjo há muito caído (em desgraça), cansado de calcorrear sozinho as vielas obscuras da perversão, velho pugilista de corpo moído, o orgulho ferido antes, muito antes do fim do primeiro assalto, sob o tremor duma insegurança mal-contida, dançarino na corda bamba, cabisbaixo, como um touro de raça prestes a ser capado; rola a cabeça como um troféu num chão escarlate dum castelo que tinha por meu, fendas morais por onde a coroa da minha soberba se perdeu. Sobrevivo exangue a uma morte precoce, abespinhado duma vingança nasciturna de quem quer e não se ergue, o medo, besta negra que s'encobre na bruma densa da cobardia e me encontra cativo em meu próprio corpo.

FEZ ONTEM TRÊS ANOS...

Foi a 17 de Dezembro de 2002, no Terminal da Transtejo em Cacilhas, pelas 10.45 que fui vítima de uma agressão bárbara e cobarde, ao interpelar um indíviduo que tinha entrado na sala de embarque sem título de transporte. Apesar de se saber quem foi, a polícia nada fez, por falta de testemunhas do acto em si. Como resultado foram-me substituidos vários dentes e fui obrigado a passar quase ao lado das iguarias da época natalícia. Hoje, o desejo frustrado da vingança esmoreceu, mesmo que, quase que diáriamente tenha de encarar o animal, que à falta de argumentos racionais apelou para a violência.

sábado, dezembro 17, 2005

sexta-feira, dezembro 16, 2005

SUGESTÕES

Que posso dizer de um livro que nos últimos dois dias consumiu todos os meus tempos livres, adulterando a minha vontade própria e outras actividades prioritárias que tiveram de ficar para trás? Foi o que sucedeu com O Alquimista. A escrita de Paulo Coelho consegue ser simples apesar do profundo teor dos conhecimentos que aceita partilhar com o leitor. A sua leitura é fácil e apelativa, merecendo todavia, de quem lê, mais tempo para apreender toda a sua sabedoria. O Alquimista é um livro intenso que se debruça sobre a forma de olhar para o mundo à nossa volta e de perseguir os nossos sonhos, usando o coração.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

FALTAM 10 DIAS PARA O NATAL!!!

NOITES VAZIAS





Toma o meu corpo, possui-o! Toma esta carne sem freio, todo este calor, esta ânsia, esta febre! Se és tu, qualquer uma, tanto faz! Toma-o na longa eternidade das minhas noites vazias, recebe as fraquezas do meu ser na força bruta do teu querer! Toma a razão sem razão e todavia razão dos meus ímpuros devaneios; toma a demência dos meus poemas e a indecência dessa castidade atroz! Violenta-me a inocência, saboreia da mente a perversidade, toma o meu corpo faminto, quiçá sedento de vida vivida, dum beijo mesmo beijo, do aconchego dum abraço, do estertor dum orgasmo.

JÁ NÃO HÁ


Já não há tempo para sonhar, não há castelos de areia junto ao mar nem cavalos de madeiras, daqueles, onde nas praias da minha infância se tiravam às crianças fotografias a preto e branco. Já não há fado castiço, não ha Alfredo, não há Amália, há má fama em alfama. Já não há cowboys, heróis de capa e espada, Sandokans. Hoje todos são bandidos, ninguém mais quer ser mocinho. Já não roda o pião, não desce o aro rua abaixo, já não grita o ardina de saco às costas as novas do dia. Já não há beijos às escondidas, nem olhares mais corados, já não há varinas, calaram-nas, às varinas que à porta nos traziam pregões e sardinhas fresquinhas. Já não há poesia como Camões a escrevia, nem colecções de caricas, nem vitórias europeias do Benfica. Já não há idade para a inocência, não há mais virgens no altar, não há nada... nada mais que a saudade.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

VIAGENS


Sigo a estrela lá no céu, à procura do meu Eu, sigo por essa ponte sem portagem até à virgem no altar, procuro luzes de calmaria em olhares apagados, cheios de nada, do muito que lhes vai na alma. Procuro-me em lugares onde nunca estive e que jamais irei esquecer, procuro o perdão do pecador, essa voz em mim que fala de amor. Perde-se a gaivota no horizonte mas nunca o horizonte em si; procuro e encontro (dentro de mim) a delicadeza da pedra mais dura, a esperança no infortúnio, o raio de sol na tempestade, todos os arco-irís da vida, poesia, que Tu escreves sem papel.

DUAS VIDAS






Seremos sempre dois
duas vidas separadas
dois destinos sem sentido
dois sentidos, sonhos ilegítimos.
Um mais um são sempre dois
e como podem dois viver tão sós,
dois caminhos sem união
paralelos sem um toque,
nossas vidas tão distantes
e tu em mim sempre presente.

ANJOS & DEMÓNIOS

A intuição feminina é: o resultado de milhares de anos sem pensar.


O silêncio é a fronteira final de uma mulher. Que se saiba ainda nenhuma mulher conseguiu lá chegar.

terça-feira, dezembro 13, 2005

PAUS & PEDRAS


... e num país que já foi de poetas as palavras são agora paus, as palavras são agora pedras, que ferem na alma o mais incaúto, aquele que delas se dizia amado amante. A devassidão dos meus pensamentos ímpios leva-me a questionar a noção do pecado: será a causticidade das minhas palavras menos digna que a verborreia improfícua daqueles que sobre nada escrevem ou falam? "Se soubesses não falavas, mas tu falas sem saber, falas de cor como um erúdito, escreves muito, não dizes nada." Deleito-me na loucura do juízo final, na falência de afinidades que me atraem e me conduzem invariavelmente ao sentimento, sempre, em correrias inconsequentes. Com a alma mártir de profundas chagas grito na eloquência de palavras dúbias, despidas dum contexto moralmente sóbrio, políticamente correcto, indubitávelmente ético; palavras que flagelam como paus... como pedras.

PENSAMENTO DO DIA

As estrelas são os poetas que fazem descer até nós versos de luz. Nos dias tristes, depressivos, os versos perdem-se nos negros e cinzentos. E eu sem poesia perco-me nos labirintos da angústia. - Augusto Gil

domingo, dezembro 11, 2005

EVASÕES (Jennifer Love Hewitt)

DESABAFOS DE UM REJEITADO (5)

Fui ao médico.
- Doutor, todas as manhãs quando me levanto e olho ao espelho fico com vontade de vomitar. O que é que se passa comigo?
Ele disse:
- Não sei, mas a tua vista está óptima.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

SUGESTÕES

O que acontece quando um estrangeiro chega a uma pequena localidade de gente pobre e trabalhadora e promete dez barras de ouro à população desde que, no espaço de uma semana, se dê um assassinato? Este é o mote de "O Demónio e a Senhorita Prym", o livro de Paulo Coelho que actualmente me acompanha para onde quer que vá e que trata da eterna luta entre o Bem e o Mal, Anjos e Demónios, Céu e Inferno. O mundo terá ainda salvação? Será o Homem capaz de cometer um crime sobre um familiar, um vizinho ou um amigo - mesmo que sem outro motivo que não seja o da riqueza? Uma leitura fácil a merecer a vossa atenção.
Hoje aconselho uma vista de olhos por dois blogs, cujo tempo não irá dar por perdido: http://onovoaroma.blogspot.com é um recém chegado a esta imensa blogosfera, que, apesar de estar a dar os primeiros passos surpreende pela sua maturidade e bom gosto, com uma sensibilidade peculiar a abrir expectativas em relação ao futuro. O meu destaque, porém, vai para http://marius70.blogs.sapo.pt, que me surpreendeu pelo seu conteúdo e grafismo, apelando a um magnetismo audiovisual bastante forte.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

SABES LÁ


Sabes lá tu do que se diz por aí, essa gente que se diz tão crente e que fala sem saber, sabes lá tu! Sabem lá eles o que é ser Gente! Há gente que se benze, gente que sente, gente que ri com vontade de chorar, crianças à fome e ao frio, sem lar, gente sem esperança, doente, gente decente, gente que apenas quer ser gente. Os outros... Sabes lá tu do que dizem, de ti, de nós, tu sabes!... Eu não. Porque a palavra brotou dos teus lábios como uma flor no deserto da minha insensatez, como um doce: "saudade", disseste, e eu nem sei se é verdade. Porque o que se diz por aqui... sabes lá!, do que falam de mim quando aqui não estás, sou o que se diz por aí, algo assim. Tu sabes, assim-assim, o que anda só, o que escreve daquilo a que chamam Poesia. Sabes lá do que se diz sem saber, de tudo o que se ouve sem querer, dói, sabes lá! Queres ignorar, mas não consegues... esquecer.


09FEV03

DESABAFOS DE UM REJEITADO (4)

"Lembro-me do dia em que fui raptado, quando enviaram um bocado de um dedo meu ao meu pai. Ele disse que queria mais provas"


"Uma vez quando me perdi... vi um polícia e pedi-lhe ajuda para encontrar os meus pais. Disse-lhe: Acha que alguma vez os vou encontrar?
Ele respondeu: Não sei, miúdo, há tantos sítios onde eles se podem esconder."