quinta-feira, dezembro 15, 2005

FALTAM 10 DIAS PARA O NATAL!!!

NOITES VAZIAS





Toma o meu corpo, possui-o! Toma esta carne sem freio, todo este calor, esta ânsia, esta febre! Se és tu, qualquer uma, tanto faz! Toma-o na longa eternidade das minhas noites vazias, recebe as fraquezas do meu ser na força bruta do teu querer! Toma a razão sem razão e todavia razão dos meus ímpuros devaneios; toma a demência dos meus poemas e a indecência dessa castidade atroz! Violenta-me a inocência, saboreia da mente a perversidade, toma o meu corpo faminto, quiçá sedento de vida vivida, dum beijo mesmo beijo, do aconchego dum abraço, do estertor dum orgasmo.

JÁ NÃO HÁ


Já não há tempo para sonhar, não há castelos de areia junto ao mar nem cavalos de madeiras, daqueles, onde nas praias da minha infância se tiravam às crianças fotografias a preto e branco. Já não há fado castiço, não ha Alfredo, não há Amália, há má fama em alfama. Já não há cowboys, heróis de capa e espada, Sandokans. Hoje todos são bandidos, ninguém mais quer ser mocinho. Já não roda o pião, não desce o aro rua abaixo, já não grita o ardina de saco às costas as novas do dia. Já não há beijos às escondidas, nem olhares mais corados, já não há varinas, calaram-nas, às varinas que à porta nos traziam pregões e sardinhas fresquinhas. Já não há poesia como Camões a escrevia, nem colecções de caricas, nem vitórias europeias do Benfica. Já não há idade para a inocência, não há mais virgens no altar, não há nada... nada mais que a saudade.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

VIAGENS


Sigo a estrela lá no céu, à procura do meu Eu, sigo por essa ponte sem portagem até à virgem no altar, procuro luzes de calmaria em olhares apagados, cheios de nada, do muito que lhes vai na alma. Procuro-me em lugares onde nunca estive e que jamais irei esquecer, procuro o perdão do pecador, essa voz em mim que fala de amor. Perde-se a gaivota no horizonte mas nunca o horizonte em si; procuro e encontro (dentro de mim) a delicadeza da pedra mais dura, a esperança no infortúnio, o raio de sol na tempestade, todos os arco-irís da vida, poesia, que Tu escreves sem papel.

DUAS VIDAS






Seremos sempre dois
duas vidas separadas
dois destinos sem sentido
dois sentidos, sonhos ilegítimos.
Um mais um são sempre dois
e como podem dois viver tão sós,
dois caminhos sem união
paralelos sem um toque,
nossas vidas tão distantes
e tu em mim sempre presente.

ANJOS & DEMÓNIOS

A intuição feminina é: o resultado de milhares de anos sem pensar.


O silêncio é a fronteira final de uma mulher. Que se saiba ainda nenhuma mulher conseguiu lá chegar.

terça-feira, dezembro 13, 2005

PAUS & PEDRAS


... e num país que já foi de poetas as palavras são agora paus, as palavras são agora pedras, que ferem na alma o mais incaúto, aquele que delas se dizia amado amante. A devassidão dos meus pensamentos ímpios leva-me a questionar a noção do pecado: será a causticidade das minhas palavras menos digna que a verborreia improfícua daqueles que sobre nada escrevem ou falam? "Se soubesses não falavas, mas tu falas sem saber, falas de cor como um erúdito, escreves muito, não dizes nada." Deleito-me na loucura do juízo final, na falência de afinidades que me atraem e me conduzem invariavelmente ao sentimento, sempre, em correrias inconsequentes. Com a alma mártir de profundas chagas grito na eloquência de palavras dúbias, despidas dum contexto moralmente sóbrio, políticamente correcto, indubitávelmente ético; palavras que flagelam como paus... como pedras.

PENSAMENTO DO DIA

As estrelas são os poetas que fazem descer até nós versos de luz. Nos dias tristes, depressivos, os versos perdem-se nos negros e cinzentos. E eu sem poesia perco-me nos labirintos da angústia. - Augusto Gil

domingo, dezembro 11, 2005

EVASÕES (Jennifer Love Hewitt)

DESABAFOS DE UM REJEITADO (5)

Fui ao médico.
- Doutor, todas as manhãs quando me levanto e olho ao espelho fico com vontade de vomitar. O que é que se passa comigo?
Ele disse:
- Não sei, mas a tua vista está óptima.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

SUGESTÕES

O que acontece quando um estrangeiro chega a uma pequena localidade de gente pobre e trabalhadora e promete dez barras de ouro à população desde que, no espaço de uma semana, se dê um assassinato? Este é o mote de "O Demónio e a Senhorita Prym", o livro de Paulo Coelho que actualmente me acompanha para onde quer que vá e que trata da eterna luta entre o Bem e o Mal, Anjos e Demónios, Céu e Inferno. O mundo terá ainda salvação? Será o Homem capaz de cometer um crime sobre um familiar, um vizinho ou um amigo - mesmo que sem outro motivo que não seja o da riqueza? Uma leitura fácil a merecer a vossa atenção.
Hoje aconselho uma vista de olhos por dois blogs, cujo tempo não irá dar por perdido: http://onovoaroma.blogspot.com é um recém chegado a esta imensa blogosfera, que, apesar de estar a dar os primeiros passos surpreende pela sua maturidade e bom gosto, com uma sensibilidade peculiar a abrir expectativas em relação ao futuro. O meu destaque, porém, vai para http://marius70.blogs.sapo.pt, que me surpreendeu pelo seu conteúdo e grafismo, apelando a um magnetismo audiovisual bastante forte.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

SABES LÁ


Sabes lá tu do que se diz por aí, essa gente que se diz tão crente e que fala sem saber, sabes lá tu! Sabem lá eles o que é ser Gente! Há gente que se benze, gente que sente, gente que ri com vontade de chorar, crianças à fome e ao frio, sem lar, gente sem esperança, doente, gente decente, gente que apenas quer ser gente. Os outros... Sabes lá tu do que dizem, de ti, de nós, tu sabes!... Eu não. Porque a palavra brotou dos teus lábios como uma flor no deserto da minha insensatez, como um doce: "saudade", disseste, e eu nem sei se é verdade. Porque o que se diz por aqui... sabes lá!, do que falam de mim quando aqui não estás, sou o que se diz por aí, algo assim. Tu sabes, assim-assim, o que anda só, o que escreve daquilo a que chamam Poesia. Sabes lá do que se diz sem saber, de tudo o que se ouve sem querer, dói, sabes lá! Queres ignorar, mas não consegues... esquecer.


09FEV03

DESABAFOS DE UM REJEITADO (4)

"Lembro-me do dia em que fui raptado, quando enviaram um bocado de um dedo meu ao meu pai. Ele disse que queria mais provas"


"Uma vez quando me perdi... vi um polícia e pedi-lhe ajuda para encontrar os meus pais. Disse-lhe: Acha que alguma vez os vou encontrar?
Ele respondeu: Não sei, miúdo, há tantos sítios onde eles se podem esconder."

EVASÕES (Keira Knightley)

quarta-feira, dezembro 07, 2005

DESABAFOS DE UM REJEITADO (3)

"Posso dizer que os meus pais me odeiam. Os meus brinquedos do banho eram uma torradeira e um rádio"


"A minha mãe nunca me deu de mamar. Ela dizia que só gostava de mim como amigo"


"Quando eu nasci, o médico foi à sala de espera e disse ao meu pai: - Tenho muita pena. Fizemos tudo aquilo que podíamos, mas mesmo assim ele conseguiu saír"

ET PLURIBUS UNUM


Um resultado brilhante permitiu a uma equipa do Benfica recheada de ausências mas heróica no estoícismo demonstrado eliminar uma constelação de estrelas oriunda de Manchester e prossegui contra as previsões mais optimistas a sua caminhada na Liga dos Campeões, através de dois golos de dois dos seus jogadores mais mal-amados pelos adeptos (Geovani e Beto) contra um de Scholes a abrir o marcador. Por este momento especial: Obrigado, Benfica!

terça-feira, dezembro 06, 2005

LÁ COMO CÁ



Antes do casamento Depois do casamento

PORQUE NUNCA É TARDE...

Queria deixar aqui o meu agradecimento especial ao amigo Paulo Tadeu, pelas felicitações aquando do meu aniversário e pela especial dedicação que devota a este meu humilde e tosco jardim literário. Espero poder continuar a ser merecedor de uma vista de olhos assídua não só da tua parte, mas de todos os que por cá já passaram. São vocês que me dão forças para prosseguir, para extrapolar as vossas expectativas dia após dia, tentando manter o vosso interesse e assim retribuir os incentivos que tenho recebido da vossa parte. Obrigado e um abraço do tamanho do mundo!

TENHO MEDO


Tenho medo do meu corpo, do teu, dos teus olhos nos meus olhos onde sem querer me perco da razão. Tenho medo da minha boca, da tua, e do meu nome nos teus lábios. Tenho medo do coração, faminto que anda de paixão e do que podem fazer as minhas mãos se as deixar (à solta p'lo escuro)... se as deixares (passear em ti)... Tenho medo do que sinto se tudo o que sinto for só desejo, se tudo o que sinto for só... tu sabes... tesão. Tenho medo do desejo, dum beijo que seja, das loucuras que fazemos quando não devemos e das mentiras que inventamos - e nas quais acreditamos - quando perdemos o medo do medo que temos.



15AGO03

DESABAFOS DE UM REJEITADO (2)

Tem sido um dia difícil. Levantei-me de manhã, vesti uma camisa e saltou um botão, peguei na minha pasta e a pega partiu-se... estou a ficar com medo de ir à casa de banho.