quinta-feira, novembro 04, 2010

QUANTO VALEM 15 MINUTOS DE FAMA?

Mayara Petruso, uma praticamente desconhecida estudante de Direito saiu do anonimato após o passado domingo, quando postou no Twitter e no Facebook opiniões ofensivas aos nordestinos, relacionadas com a eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher a ser nomeada Presidente do Brasil. Frases como: "Nordestito não é gente" e "Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!" ganharam uma repercussão enorme, tendo as suas contas nas conhecidas redes sociais sido canceladas, além de ser demitida do escritório de advocacia onde era estagiária, devido aos seus comentários preconceituosos. A liberdade de expressão é, ainda, uma das faces mais visíveis do perigo da internet - e não só, como vimos com o post anterior -, onde pessoas com maior ou menor exposição pública facilmente emitem pareceres que vão além de opiniões pessoais, ofendendo pessoas, grupos, étnias, etc, muitas das vezes motivando várias reacções de apoio que podem tornar-se perigosas. Graves, estas opiniões valem bem mais do que as palavras em que se inserem, são fruto de uma realidade xenófoba que existe no Brasil como em qualquer parte do globo. Preconceitos de várias espécies acompanham-nos frequentemente durante o nosso crescimento, na nossa formação, vivem paredes meias connosco, nas nossas casas, na vizinhança, nas escolas, mesmo nos meios de comunicação social, fomentando um ódio e um desprezo irracional (discussões políticas, religiosas, desportivas, etc). As palavras não são brinquedos para que possamos usá-las quando e da forma que quisermos e a liberdade não é algo tão linear como parece, obedece a regras de bom senso e não só e não deve ser confundida de forma que os nossos direitos se sobreponham aos direitos das outras pessoas. Mayara - que não tem a "imagem" de Berlusconi ou de outras figuras públicas - já terá começado a aperceber-se da importância de uma opinião na hora e local errados. Daí a arrepender-se irá uma grande distância, dependendo da sua personalidade, da forma como irá lidar com os seus "quinze minutos" de fama. Até que estes minutos expirem, muito se falará desta jovem, aparentemente de boa figura - como gostam os mídia - e, como o crime ainda compensa, não me admira que ainda consiga algum contrato, nem que seja para a Playboy.

11 comentários:

Mariana marciana disse...

Creio que se arrependa, talvez não pelo facto de ser errado mas pelas suas consequências....
Todos temos direito a uma opinião, e ainda bem, o reverso da medalha é que, também os outros têm direito a ter uma opinião sobre nós... e às vezes o tiro sai pela culatra, é a vida e esta menina aprendeu da pior maneira.
beijinho

Sílvia Maria disse...

A liberdade de expressão como todas as liberdades têm um limite que termina quando a liberdade do outro começa.
Mesmo sendo essa a posição dela, tendo em conta o papel que assume na sociedade pela profissão que escolheu, tem de saber limitar as suas opiniões...

Sus disse...

A liberdade de expressão termina como qualquer tipo de liberdade onde começa a liberdade de outrém... há que dar opinião, sim, mas respeitar o alheio.
No caso em questão há as conseguências com as quais agora tem de lidar.

Beijo!

Isa GT disse...

A Sus já disse o que eu penso... o limite tem de estar aí.
Falta de respeito pelos outros, nunca foi, nem nunca será... liberdade de expressão.


Bjos

Margarida Fernandes disse...

Existe mais miséria moral do que material. Ninguém respeita ninguém.

Quanto aos minutos de fama desta "senhora"...talvez os consiga mesmo. Haverá alguns abutres que irão se aproveitar das suas palavras e ganhar uns cobres à sua custa.

Mas os anos passam e os "Corpinhos Danone" mudam e esses 15 minutos de fama tornam-se, na maior parte das vezes, uma vida de amarguras.

Beijinho

Maria Moura disse...

Liberdade de expressão é uma coisa, menosprezar os outros é bem diferente. Ela esqueceu-se de que ninguém pede para nascer no território A, na familia B, na raça C, etc, podia ser ela a ser nordestina. Sou a favor de que deve sofrer as consequências, pode ser que com este tipo de exemplo as pessoas, se apercebam cada vez mais que fazemos parte de um todo, neste maravilhoso Universo.

bj
Maria Moura

Keteriane de Oliveira dos Santos disse...

Bom faltou respeito e honra no minimo, para alguém que faz direito, tem que realmente levar a serio a frase: " O meu direito termina onde o seu começa", infelizmente a visão que tu expõem Miguel é bem váalida, é até vergonhoso ver esse tipo de atidute;

Black Sheep disse...

A esmagadora maioria dos "15 minutos de fama" não valerão muito acho eu...

Aliás, isto é aplicavél a quase todas as acções, pensamentos e opiniões intempestivas. Raramente algo bom resulta delas :)

Sofia disse...

Olá Miguel, parabéns pelo blog.
De tudo o que pude ler neste texto em particular, ressalvo que, realmente, cada pessoa tem o seu preço. E o preço de determinadas pessoas é, infelizmente muito baixo. Tão baixo que "cozinham" ideias e acções deveras lamentáveis...
Beijinhos e bom fim-de-semana, Sofia

Vitor disse...

Pensamentos elevados os teus!

Abraço

Sem pudores e amores disse...

Não acredito no seu arrependimento mas lamento a sua formação cívica e educação.
Talvez um dia, depois de posar nua, ganhar fortunas em entrevistas, um nordestino a ajude a sair de uma espiral em que se meteu para dar nas vistas.