sábado, setembro 04, 2010

SUGESTÕES

Lembro-me perfeitamente de um dia ter discutido com uma pessoa especial sobre até que ponto um acidente grave, uma incapacidade de um elemento do casal, uma doença de um dos filhos, daquelas que permanecem para a vida inteira poderia influir num casamento, na felicidade de duas pessoas que juravam constantemente promessas de amor eterno. Isto a propósito de alguns casais que se separam à primeira contrariedade e de "para sempres" e "até à eternidades" que se revelam sempre demasiado frágeis. Sosseguei-a com a minha resposta, sincera nas minhas convicções. Aliás, não acredito que a maioria das pessoas desse outra resposta, mesmo aquelas que um dia passaram pelo mesmo e acabaram por se separar. Há coisas que só mesmo quem passa por elas, cada caso é um caso, cada pessoa reage de forma diferente e por muito que nos conheçamos raramente conseguimos antecipar as nossas reacções a determinados factos. Já me tinha esquecido desta conversa, ocorrida no interior dum autocarro a caminho do fórum Almada, à coisa de dois anos atrás. Até hoje. Até assistir a Segredos de Família (the memory keeper's daughter), sem maiores expectativas do que teria se fosse ver algum daqueles telefilmes familiares da TVI de fim de semana. Confesso que o elenco - apesar da minha admiração por Emily Watson - não contribuiu para alterar a minha opinião pré-concebida, sustentada convictamente apenas até aos primeiros minutos do filme, que nos agarram desde logo à história e que nos fazem pensar desde logo: "E se?... fosse connosco?". Essencialmente, o filme conta-nos a história de um casal (Dermot Mulroney e Gretchen Mol) nos momentos que antecedem o nascimento do seu primeiro filho. Na ausência do médico, o marido - também doutor - resolve fazer ele próprio o parto, ajudando a dar à luz não um, mas dois bebés de sexos diferentes. O rapaz é uma criança perfeita, enquanto a rapariga sofre do síndrome de Down. Assustado por antecedentes familiares no seu passado relacionados com a doença, o protagonista resolve "esconder" a menina da sua esposa, contando-lhe que não sobreviveu ao parto, entregando a criança à enfermeira (Emily Watson), para que a levasse para um lar. Desta forma, pensava, a família seria feliz, sem os sacrifícios e a possibilidade de uma morte prematura que fizesse desmoronar a harmonia e a felicidade do casal. Todavia, o que o filme nos mostra é um contraste enorme entre a vida do protagonista no seu seio familiar e a da enfermeira, que desobedecendo resolve cuidar da menina como sua filha, e que resulta num drama comovente sem ser demasiado lamechas.

7 comentários:

Rosa Carioca disse...

Uma aluna ofertou-me esse livro. Confesso que quando li o resumo, fiquei um pouco apreensiva pelo facto de ter tido e perdido gêmeos. Mas é um romance envolvente, empolgande e com um desfecho surpreendente. Valeu a pena!

Miguel disse...

Fico meio sem jeito por tê-la feito recordar esse triste episódio, apesar de o próprio filme funcionar como uma lição de vida. Um bom fim de semana, amiga.

Pétala_Rosadinha disse...

Fiquei curiosíssima! Vou procurar o filme e o assistirei em breve.

Uma história parecida foi abordada numa telenovela aqui no Brasil, espero que o final do filme tenha sido feliz pra todos, assim como na novela.

Beijos, Miguel.
Bom domingo.

Carmo disse...

Normalmente este tipo de filme é sempre cheio de conteúdo e cada caso é um caso, mas vou contar o meu caso pessoal.
Quando grávida (30) da minha 1ª filha, fiz um teste ao sangue cujo nome não me recordo (desculpa) e o resultado era de que o bébé nasceria com sindrome down. Para confirmar este resultado fiz uma amniocentese e esperei 30 dias (há 14 anos) para saber o resultado. No entanto eu e o meu marido nessa altura partilhávamos da opinião que abortaria essa gravidez, aborto permitido por lei, nestes casos, e tentar-se-ia uma outra gravidez mais tarde. O resultado veio negativo e tive uma criança normal e até hoje cheia de saúde.
É como tu dizes só quem passa pela situação é que sabe e mesmo assim é muito dificil decidir, mas recordo que nós não queriamos aceitar um filho deficiente, com todo o respeito por quem lhes dá vida e os ajudar a crescer e os ama incondicionalmente.

bj
mmoura

Isa GT disse...

Sejam problemas deste género ou de outro qualquer, as dificuldades tanto podem servir para unir ou separar e não acredito que se possa saber ou resolver antes de acontecer.
Conversar sobre elas é fácil, enfrentá-las diariamente é outra coisa completamente diferente e, só aí, se sabe qual a nossa real capacidade de resistência e luta para enfrentar essas situações.
Bjos

Fatinha disse...

Acho q deve ser interessante. Afinal os filmes deveriam servir para isso mesmo ajudar-no a pensar na vida ( filmes de entretenimento tb fazem falta) mas esse tipo de filme, sendo bem argumentado como parece e falando de um assunto delicado como esse pode ajudar muitas pessoas.

Rosa Carioca disse...

Miguel, não há motivos para ficar sem jeito. Acredito que nada acontece por acaso e que todas as pedras de nosso caminho podem ser usadas para construir uma grande obra. Porém, agradeço a sua atenção. De qualquer forma, gostei muito de ler "Segredos de Família" e recomendo. Grande abraço.