terça-feira, fevereiro 09, 2010

PARAGEM FORÇADA

"Estes romanos sãos loucos, por Toutatis!", dizia Obélix, o avantajado companheiro de Astérix, referindo-se aos estranhos costumes dos romanos. Não costumo criticar aqui os costumes de uma civilização, as suas crenças, as suas tradições, as suas diferenças. Mas, oh, pessoal!!!! Até a paciência tem limites e já não venho aqui para falar das burcas - que segundo provas cientificas são as responsáveis pelo baixíssimo número de acidentes de viação nos países árabes, já que os condutores não se distraem tanto como os ocidentais -, mas o que sucedeu agora em Londres é de exasperar qualquer um. Não é que um motorista de um autocarro, em Londres, muçulmano também, parou a viatura que conduzia para rezar? Assim, sem mais nem menos, saiu do autocarro, tirou os sapatos, estendeu um cobertor no chão e ajoelhou-se para rezar, enquanto os passageiros se quedavam, atónitos nos seus lugares, durante os cinco minutos que durou a oração. Uma das passageiras terá mesmo apresentado uma reclamação à empresa, que já veio pedir desculpas pelo sucedido. Desculpas? E fica assim sanada uma situação que provocou um enorme susto nos passageiros? Ai se a moda pega aqui em Portugal! Pelo menos teremos uma variante, já que em certos transportes que encontramos por aqui são os passageiros que rezam durante a viagem.

9 comentários:

JPD disse...

Há uma questão laboral que qualquer emigrante não deverá esquecer, no contexto do país onde se empregou.

O peso da religião no quotidiano das pessoas varia de civilização para civilização.

Abandonar o posto de trabalho para fazer seja o que for -- Rezar até -- não é aceitável.

Obvio, não é?! -- É!

Saudações

Regina Rozenbaum disse...

Miguelito Amado
Deixei um mimo prá vc no blog. "Gentileza gera gentileza". Fique à vontade, ok?
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Olga disse...

Ñ OS PERCEBO.

Olga disse...

MAS RESPEITO, CLARO.

Sonhadora disse...

Miguel
Bom texto, para refletir.

beijinhos
Sonhadora

b disse...

Bem...cá no Brasil ficamos de paragem forçada por causa de muitas coisas: mal planejamento da engenharia do trânsito, acidentes, mal funcionamento dos transportes coletivos, a falta de uma via férrea a cobrir este país continental e todo mundo acha normal - porque o desconforto é a tônica dos menos favorecidos.
SE uma pessoa aponta para os outros uma postura de reverência por 5 minutos, deveria ao menos, ser imitado não com radicalismos mas com a coerência da fé que cada qual diz ter.
Não sentir vergonha da religiosidade e colocá-la acima da opinião alheia talvez pudesse ser um exemplo mas quem não pode perder 5 minutos, não consegue pensar em nada a não ser na própria pressa, que só é justificada em caso de risco de morte.
Sou de pai muçulmano que não parava no trabalho para rezar mas em casa era sagrado o ritual.
No Brasil todos aprendem a serem mais flexíveis - o que nos ajuda a viver num mundo com diferenças.
Nada é estranho para quem compreende e compreender é colocar-se no lugar do outro.
Cristo fez isso e os cristãos não seguem.
Detalhe: sendo eu de família mista, sou cristã mas estamos nós, cristãos, muito longe de obedecer - não por tradição meramente mecânica, mas pela oportunidade de sermos através da obediência, ao menos 1 vez ao dia aos preceitos cristãos, mais humildes.
Obrigada. E perdoa por ter escrito tanto.

Miguel disse...

Amiga b, quero primeiro agradecer pela visita e por dar a conhecer a sua opinião. Não tenho particular tendência por nenhuma religião em especial, encontrando muitas virtudes e defeitos em cada uma delas, sendo que até tenho amigos muçulmanos que, como referiu em relação ao seu pai, não interrompem o seu trabalho para se dedicarem às suas orações. Há-de concordar comigo que é um comportamento estranho e que poderá ter incomodado os passageiros do autocarro, sabe-se lá quantos com horários rigorosos para ir trabalhar, para ir buscar os seus filhos à escola, etc etc, para quem 5 minutos a mais podem revestir-se de grande importância. Quem costuma ler-me sabe que não faço diferenças, respeito da mesma forma como "brinco" com os usos e costumes, com as cores, com as opções de vida de uns e outros. Espero sinceramente que não se sinta incomodada com as minhas palavras, cuja intenção não foram denegrir, enxovalhar ou ridicularizar um grupo de pessoas, mas uma situação particular que poderia ter ocorrido com um muçulmano ou com um cristão. Para mim, isso não existe, não tem importância, o credo, a cor... nada. Somos todos pessoas com sentimentos, com sonhos, desejos, dores. Faço votos para continuar a merecer a sua particular atenção e que partilhe as suas opiniões sempre que o entenda. Todas as opiniões serão sempre bem recebidas.

lumadian disse...

Esses tipos são completamente doidos e fanáticos!

Sam Seaborn disse...

A lei remete a questão “religião” para as empresas… se permitem, ou não, este tipo de veleidades.

Na dura realidade laboral este funcionário foi muito possivelmente sujeito a um processo disciplinar, onde se comprometeu a não o voltar a fazer… caso não tenha sido essa a sua decisão, tenho dúvidas que não tenha sido direccionado para funções que permitam respeitar a sua religião.